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20/maio

A única coisa que tinha em mente quando comecei a ver este episódio foi a contagem de estragos que se refletiria depois do insucesso chamado Justice (sim, para mim é insucesso e de muito mau gosto, não interessa a encomenda). Uma parte de mim acreditou que as coisas retornariam aos conformes em Chicago P.D. por motivos de final de temporada, mas tudo que vi foi Burgess e Roman colhendo o pão que o diabo amassou. Ato que extenuou a incoerência que arrebatou suas respectivas storylines somado a Linstead que saiu da angústia para virar isca porque alguém tinha que segurar o interesse de um roteiro que perdeu a chance de ser excelente.

 

O caso foi um tanto quanto decepcionante. Assim como o episódio anterior, tiveram um baita assunto no prato e simplesmente não desenvolveram. De início, fiquei empolgada diante da ideia de discussão sobre posse de arma, desarmamento e o papel da polícia no combate contra a violência. Porém, tudo terminou em mais um novo tapinha, cuja resolução nada teve a ver com o possível dilema psicológico de Polly (que não passou de status dissociativo causado pelo trauma). No fim, o caráter dessa investigação perdeu o sentido e digo isso pela oferta de acusações fracas que nem pediam a gaiola.

 

A chacina contra aquela família poderia ter contado com um trabalho mais dramático. Com mais suspense por Polly ter sido a única sobrevivente. Ela intrigou no começo do episódio e, logo em seguida, no hospital com a faca. Quis crer que toda a problemática morava nela, esperei que o trabalho de Charles fosse mais intenso e intrincado, e que Erin recebesse na face a informação de que não havia atirador porque a menina era responsável. Só quis crer mesmo.

 

É meio pesado considerar qualquer criança como culpada de uma tragédia dessas. Se não consigo com cachorro em pleno 2016 sendo assassinado em filme de suspense/terror/sobrenatural, quem dirá uma menina que brinca de A Órfã. Mas, vamos nos lembrar de Chicago Med, que chegou perto de incendiar um escândalo com o Griffin Damien 666. Foi leve, mas deu para se incomodar com a presença dual dele, de saber que ele torturava a família psicologicamente e que provocava acidentes quando era consternado. Os pais, reféns desse menino, não tinham coragem de denunciá-lo e não acataram a solução de interná-lo.

 

Chicago-PD-3x22---Polly

 

O mesmo poderia ter se aplicado em CPD e tenho certeza que seria um sucesso. Justamente porque há um espaço tangível para explorar uma criança assassina, sem perder a liberdade de brincar de ir e vir no hospital. A investigação não tinha culpados de peso e a família nem era tão manchada, brechas que poderiam ter sido usadas para o trabalho psicológico em cima de Polly. Proposta que muito possivelmente abriria uma margem perfeita para discutir sobre os perigos de ter um revólver em casa, uma campanha alarmante que tem ocorrido nos EUA.

 

Discussão que só teve um petisco quando Gerald se saiu como um suspeito e ainda assim não foi o bastante – e ficou terrível a insinuação de estupro, tipo, nada a ver com a situação.

 

Por essas e outras que CPD tem me irritado ultimamente. Essa brincadeira no seguro, sem grandes vilões, perdendo a chance de transmitir uma mensagem. Isso é preocupante.

 

“Aceitaria” se Polly fosse a atiradora (sou humana e ficaria passada primeiro, diria que era um absurdo, para depois compreender aonde mora o problema). Honraria a trama perturbadora vendida na promo e, infelizmente, não seria um ato impossível ou inimaginável. Para uma série que abriu espaço para misoginia desenfreada, destacar uma criança com sérios problemas psicológicos não deveria ser tão complicado. Mas, pelo visto, é, ao ponto de desviarem rapidinho do assunto.

 

Faz um tempo que CPD não conta com uma trama que mistura drama com tensão vinda de uma investigação difícil e com o arremate de uma reviravolta de tirar o fôlego. Isso aconteceu bastante no começo desta temporada, ao contrário de agora que os episódios estão muito mornos. Esta semana, vimos outra chance perdida de ótimo insight que não foi bem desenvolvido. Saltaram de suspeito em suspeito, cutucaram uma empresa que vendia praticamente autoestima por milhões para chegarem a outro ponto da vizinhança e prenderem um cara X que aniquilou o trabalho dramático daquela criança desamparada.

 

Polly emocionou sim. Queria abraçá-la toda vez que fazia expressão de choro. Instantes tocantes, mas que não impediram a visualização da realidade de que nada fez sentido no caso desta semana e, particularmente, senti que não passou de encheção de linguiça. Com certeza, Justice criou uma mudança de última hora nos roteiros de finalização de temporada e só resta lamentar.

 

Os demais

 

Chicago-PD-3x22---Roman

 

Quero pedir desculpas à Burgess. Quero pedir desculpas ao Roman. Quero pedir desculpas até para a gaiola do Voight, bichinha explorada a troco de nada neste episódio.

 

Aqui temos o efeito colateral e irreparável de Justice. Dois personagens tendo que “pagar” só porque rolou um clima, uns beijinhos e noites ardentes e regadas de nudes. O famoso slut-shaming silencioso que, obviamente, recaiu unicamente nos ombros de Burgess que terá outro parceiro.

 

Nem me incomodei com a súbita declaração dele para ela, mas sim com o fato de que colocarão de molho um dos poucos personagens de Chicago P.D.. que consegue ser interessante sem o mínimo de esforço. E, outra, considerar tirar logo esse personagem que contribuiu demais para o crescimento de Burgess como policial, mais que Atwater e Ruzek juntos, é ingratidão.

 

É isso que sinto, principalmente por aceitar que o núcleo Platt é a ambulância de Fire. Todos rodam aqui enquanto os principais continuam na nave, completamente blindados. Mesmo filme para não dizer outra coisa.

 

Estou bem aborrecida com a possível saída de Roman – só acredito no finale porque inventaram esse jogo chorável de Burgess ir ou não embora de Chicago. Não cansam dessa mentira de que fulano sairá sendo que não sairá em hipótese alguma?

 

O mais engraçado é que Ruzek conseguiu destaque nesta investigação e se saiu como o ser humano mais maduro e centrado do universo. E Atwater sendo deveras útil! O que eu perdi, migos? Posso chamar de mensagens subliminares para Burgess e Roman, os flopadinhos que quase foram mortos/processados? Porque foi exatamente isso que senti, uma tentativa de mostrar superioridade em cima de um fato que não requer mais humilhação.

 

O mesmo gosto de ingratidão cabe a Linstead. O que eles se tornaram na história? Isca para não dizer nada. Quando não falam de sexo, falam de apartamento, e isso é tão frustrante. Cenas fofíssimas, com certeza, mas ambos ficaram juntos para preencher episódios que não têm nada para contar – modo de operação claríssimo nesta temporada. Inclusive, esses momentinhos também devem ter sido escritos de última hora por motivos de Justice e da tal viagem que não deu certo – e digo amém a isso.

 

E quando se tem Dawsey para comparar no quesito desenvolvimento de relacionamento, Linstead está muito, muito a desejar. Apartamento? Really? O que foi que perdi aqui também? Saudade angústia.

 

Concluindo

 

Chicago-PD-3x22---Sean-e-Burgess

 

Pior é que acreditei até o fim no plot twist de que Polly se revelaria culpada. Não foi e o balanço do episódio repete mais um caso trágico que terminou sem propósito. Sem uma resolução pertinente. Uma cena bombástica para ter um motivo banal. Seria mais revoltante se não fosse um traço da realidade. É fato que vidas têm valido pouca coisa ultimamente.

 

Voight terá destaque no season finale e já lavo minhas mãos neste instante. A única coisa que quero perguntar a vocês é: mas cadê Bunny?

Stefs
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