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17/maio

Bateu aquela vontadinha de falar um pouquinho de Dawson’s Creek, meu primeiro amor em série. Estava limpando meus DVDs em um belo dia de frio em São Paulo e me dei conta que nunca a mencionei aqui neste site. Aquele sentimento de culpa apertou meu coraçãozinho.

 

Tinha 12 anos quando Dawson’s Creek foi ao ar, mas só tive contato com ela a partir da S4, aos 16 anos, e tive que recorrer às reprises eternas da Sony. Essa foi a primeira série que acompanhei do começo ao fim, que fiquei obcecada por um shipper, que me fez usar o PC da escola meramente para imprimir as fotos do elenco (e as tenho até hoje), que me fez encontrar muita dose de inspiração, que me deixou frustrada porque não acontecia nada do que queria (nada mesmo) e que me ensinou como é amar e odiar a protagonista em curto espaço de tempo.

 

O amor foi, e ainda é, tão grande que a fez também a primeira série que comprei todas as temporadas com muito gosto. Meus primeiros salários muito bem gastos.

 

Não menos importante: foi a série que me fez confiar em Kevin Williamson para praticamente tudo (e para todo o sempre) e desconfiar quando a temporada chega na S3 (porque ele tem uma sina em abandonar os projetos). The Vampire Diaries que o diga sobre isso, ação que custou a dignidade da turma de Mystic Falls.

 

O que vocês precisam saber sobre Dawson’s Creek?

 

O de praxe: foi uma série adolescente que começou em 1998, ambientada em uma cidade fictícia chamada Capeside. A história girava em torno de Dawson Leery (James Van Der Beek), Joey Potter (Katie Holmes) e Pacey Witter (Joshua Jackson). Três amiguinhos de infância que são impactados pela chegada de Jen Lindley (Michelle Williams), a garota da cidade grande que não tem nem um pouco a pinta de recatada e do lar por ter vivido na safada NY. Claro que esse é o assunto da 1ª temporada, já que a série ensinou o quanto novos personagens podem ser muito mais que geradores de conflitos temporários.

 

Por meio desse grupo que não se assemelha em absolutamente nada, acompanhamos romances, momentos engraçados, tragédias, risos e debates muito valiosos para os fins da década de 90 – como o sexo, o racismo e o homossexualismo. Pautas difíceis de ganhar foco nas séries da época, ao menos não da maneira escancarada que algumas fazem hoje.

 

Além de se inovar nos debates, DC se apoiava demais no elenco principal e, para mantê-los em movimento e em processo de amadurecimento, sempre havia gente nova a cada temporada. Tudo para garantir diferentes abalos no mundo de Joey, Pacey e Dawson. Dentre os mais marcantes estão Jack e Andie McPhee, irmãos que colocam na roda de conversa homossexualismo e saúde mental (e me são os mais queridos, diga-se de passagem).

 

Juntos, esses amigos transitam da adolescência para a vida adulta. Algo que também acontecia comigo na época em que acompanhava essa série pela falecida DirecTV.

 

Dawson’s Creek e a cultura pop dos anos 90

 

DC-1

 

Dawson’s Creek marcou uma geração de jovens nos fins dos anos 90 na companhia de outras séries maravilhosas como Buffy, Charmed e Felicity. Era uma época em que a Warner Bros. sabia oferecer entretenimento de qualidade para o público jovem, intenção que se perdeu um pouco a partir do momento que houve a fusão que deu vida à CW – que, atualmente, é motivo de vergonha televisiva, mas quem resiste (*pessoa com The Vampire Diaries até hoje*)?

 

Meu amor e meu respeito por séries desse gênero, sobrenaturais ou não, começaram com Dawson’s Creek. Ela se tornou muito especial na minha vida não só por ter iniciado meu gosto em programas desse estilo, como também por ter incitado meu acesso à cultura pop dos anos 90. Cultura essa que vinha de braço dado com a MTV, a fomentadora de modas que nenhum adolescente, especialmente brasileiro, conseguia viver sem. Era um ritual ter o 32 sempre sintonizado (ou contar com a sorte de ter TV por assinatura).

 

Muitas séries adolescentes dependiam da MTV gringa para divulgação. Era o meio certeiro para propagar programas televisivos, música e filmes. Vamos lembrar que não havia internet decente nos anos 90 e o jeito era lançar tudo que era novo na telinha.

 

Algo que Williamson agradeceu e muito, pois a divulgação o tornou uma figura influente no mundo adolescente. Não só por DC, mas por, principalmente, ter seu nome grafado nos hits cinematográficos Pânico e Eu Sei o que Vocês fizeram no Verão Passado, que inovaram o gênero suspense da respectiva década. Toda minha bagagem de conteúdo vinha dessa troca entre a MTV (tanto internacional quanto nacional), em que fazia a escadinha para descobrir novos projetos – já que o IMDB dos anos 90 se chamava locadora.

 

Por educar o público e por trazer situações que qualquer um poderia se identificar, várias séries teens tiveram vida longa sem precisar do que chamamos hoje de Trending Topic. A MTV sinalizava o que ainda valia a pena assistir e ouvir, e Dawson’s Creek pertenceu a esse círculo por 6 anos.

 

Sem internet, as pessoas passavam horas e horas na frente da televisão. Ato que se tornara ainda mais viciante quando o boom da TV a cabo se instalou no Brasil – o nosso torrent pago. Quem não tinha esse acesso, não sabia o que era assistir uma série. Até porque a MTV Brasil era canal aberto focado unicamente em música, ao contrário do que se vê agora.

 

Dawson’s chegou a ser transmitida por um tempo pela Globo, mas vocês bem sabem que lá nada tem relevância a não ser sua programação pão e circo alienante. Lembro-me que, quando acabou a mordomia da TV a cabo aqui em casa (problemas de dinheiro$$$), gravava os episódios na dita cuja. Até que um dia apareceu o Jornal Hoje e xinguei para sempre.

 

Joey Potter: amo e vou protegê-la

 

Joey-Potter

 

Gostaria de dizer à juventude de hoje que não importa onde a vida te levará, grandes cidades, pequenas cidades. Você vai, inevitavelmente, se deparar com mentes pequenas. Pessoas que pensam que são melhores que você. Pessoas que pensam que as coisas materiais, ou que ser bonita ou popular, automaticamente faz de você um ser humano de valor. Gostaria de dizer à juventude de hoje que nenhuma dessas coisas importa a menos que você tenha força de caráter, integridade, senso de orgulho. E se você for sortudo o suficiente para ter qualquer uma dessas coisas, nunca as venda. Nunca venda por aí. Então, quando você encontrar uma pessoa pela primeira vez, por favor, não a julgue pela estação que se encontra na vida, porque, quem sabe, essa pessoa pode acabar sendo sua melhor amiga.

 

Dawson’s Creek arrasou no cast de personagens femininas chatas. Assim, mais chatas que a Peyton Sawyer (isso, do ponto de vista dos outros porque tenho meus momentos com a Peyton). Admito que Joey foi muito chata, mas competia sua chatice com a Jen.

 

E era chatice adolescente, então, todo mundo foi chata um dia.

 

Na primeira temporada, você se esforça e muito para focar em um ponto forte delas para conseguir se relacionar e ir adiante. Entre as duas, Miss Potter me conquistou por ter amadurecido muito rápido, algo que aconteceu comigo. Tive que crescer aos 15 anos.

 

Joey não tinha a figura do pai na sua vida – que estava na cadeia – e nem da mãe – que falecera. Ela vivia com Bessie, a irmã-alvo por ter um relacionamento com um homem negro, e ajudava com todas as responsabilidades da vida adulta + lidava com seus compromissos estudantis. Totalmente a fase que vivia enquanto assistia a série. Além disso, Potter tinha os estudos como válvula de força devido ao desejo de vazar de Capeside para ter uma vida melhor. Detalhe que também me assemelhei porque queria uma carreira promissora.

 

“O que a fazia chata” foi o fato de ser a superior, a sabe tudo, a perfeccionista. Pensando agora, isso é ótimo se for saudável – e com a Joey foi. Ela tem muito da Peyton, personagens que você ama ou odeia, por dar valor demais ao intelecto e à arte. Potter e Sawyer pouco ligam para os arredores e para o romance, preocupações que acontecem em instantes precisos em suas vidas. Como Joey ter que baixar a bola para pintar um Jack pelado e Peyton engolir a ousadia de Lucas em entregar seus quadrinhos.

 

“O que a fazia chata também” foi a independência juvenil, o que dava a Joey certo “direito” de calar os meninos ou fazê-los passar vergonha. Atitudes que mostravam sua identidade, mas chegou um momento que era muito repetitivo.

 

Há quem tenha uma inclinação pelas adolescentes dependentes ou que possuem treta com a família, mas eu vou atrás de quem tem perspectiva. E Potter tinha muita perspectiva que a tornava verbalmente pentelha em praticamente todos os episódios sendo que, na realidade, tudo que dizia, e como agia, era sua defensiva. Por não ter as figuras materna e paterna, ela criou seu próprio mecanismo de defesa que, de graça, vinha com certa superioridade.

 

E, acreditem em mim, uma vez que a adolescência tem esse naipe, você não quer que ninguém se meta.

 

Joey Potter tinha seus momentos de choro livre, mas, quando saía do ciclo emocional, lá estava ela na defensiva e revidando geral sem dó. Ser tímida era um único impasse que se apresentava quando ou estava a fim de um cara ou o cara a abordava.

 

Inclusive, vale dizer que toda aquela confiança era meramente fachada, pois, por detrás da casca, havia uma adolescente que queria pertencer ao grupo das garotas. Que queria ser como as outras garotas, já que crescera entre dois meninos. A personagem nem sabia o que era passar batom porque seus amigos não faziam questão disso. Ela andava como eles, até começar a beijar os dois – e outros.

 

Séries adolescentes costumam se apoiar no romance, mas DC se apoiou nos seus personagens e na evolução deles. Joey cresceu dentro da sua caracterização que não se perdeu no decorrer de 6 anos e isso não se vê tanto assim nos programas atuais que descaracterizam o elenco pelo namorinho. Potter sempre correu atrás do dela mesmo quando namorava. Ela brigou muito para encontrar seu espaço no mundo enquanto Dawson vivia de fantasia e Pacey não sabia nem o que queria comer no café da manhã. Ela era o ponto real e o real nem sempre é muito querido.

 

Aperte o cinto. Será uma vida turbulenta.

 

A quebra da chatice do trio (não era só a Joey que conseguia ser chata) vinha, muitas vezes, de Jen, a personagem-desafio por incitar curiosidade – especialmente sexual –, que tirava Santa Potter do sério – porque ela tinha certa misoginia interiorizada –, e dava muita dor de cabeça na cidade. O alívio cômico vinha de Pacey, o único que não me lembro de ter sofrido com a chatice.

 

Minha identificação com Joey, além de uma família derrubada, vem também do fato de ter vivido a fase de querer o melhor para mim diante de tanta coisa ruim. Ela se saiu melhor que eu, óbvio, mas, para uma jovem que nem tinha chegado aos 17 anos, ser a fodona era o bastante. Porque pessoas fodas são bem-sucedidas.

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

 

Pelos olhos dessa personagem, sonhei com possibilidades. Às vezes, penso que corri atrás de uma faculdade por causa dela e foi terrível quando não me dei bem nas federais – que “acabou” com a minha vida aos 17/18 anos. Derrota que me fez aguentar 3 anos de abuso emocional no trabalho para pagar o curso de jornalismo – e, às vezes, acho que deveria ter confiado mais no Pacey.

 

É bem verdade que um personagem pode influenciar demais a sua vida, e Joey foi a minha primeira personagem a fazer isso. Por essas e outras que não consigo detestá-la completamente. A 4ª temporada tem um carinho muito especial no meu coração, não só por ter sido o ponto de partida com Dawson’s Creek, mas por marcar o sucesso dela da adolescente sem futuro para uma jovem adulta com futuro. Lembro-me que falei para mim mesma que poderia fazer o mesmo e me bitolei nos estudos. Ação que me decepcionou pacas, mas, depois, dei um jeito de continuar na luta.

 

E, sério, Joey era considerada chata porque tinha o diálogo ácido, regado do famoso Potter’s sarcasm, e tinha opinião pra tudo. Sem contar que houve uma época que o drama ficou tão centralizado nela que chamaram a série de Joey’s Creek. Williamson demonstrou desde essa época que tem mais facilidade em desenvolver a mulher, mas isso não significa que os homens ficavam a desejar.

 

Ela deu vários vrá! ao mesmo tempo em que percebia que não precisava ser a mais bela de todas para ser uma mulher de valor. Ela teve várias falas contra o sexismo e sempre encontrou um meio de colocar as pessoas ao seu redor para cima (algo muito Peyton em que meio mundo só lembra da chata, mas se esquecem do posicionamento dela a favor da mana lésbica). Mesmo com ondas de baixa autoestima com o que condizia aos seus desejos, Potter nunca se esqueceu do próximo e o próximo sempre dava um jeito de fechar as portas na sua face – outro ponto de semelhança.

 

Katie Holmes pode não ser uma atriz primorosa, mas sempre me diverti com os filmes dela (tenho vários DVDs). Acompanhá-la atualmente, toda dedicada no circuito independente e dirigindo projetos, me mata de orgulho sim. Melhor coisa o fim daquele casamento com Tom Cruzes, ser humano nojento que a controlava o tempo todo e isso me deixava frustrada porque ela deixou de trabalhar. E, outra, quem precisa de Tom Cruzes quando se namorou com o Joshua? Até hoje sonho com esse casamento (sendo trouxa since Kate Winslet e Leo DiCaprio) – desculpa, Diane!.

 

Joey, e a própria Katie, é meu primeiro xodó do mundo das séries. Eu a amo e vou protegê-la.

 

O OTP chamado Pacey e Joey

 

Pacey

 

No começo, shippei Dawson e Joey como não houvesse amanhã. Achava linda essa de almas gêmeas e tudo mais até aderir para minha vida que almas gêmeas são amigas e não ficam romanticamente juntas. Sem contar que Dawson, a cada temporada, se tornava mais chato e insuportável de aturar, mas o importante é que se deu tão bem quanto seus amigos no series finale.

 

A 3ª temporada é esclarecedora para Joey e Pacey, e é quando Dawson se torna sombra do casal. Temporada esta que marcou o instante em que Williamson começou a brincar de triângulo, mas o deixou muito natural preso aos conflitos reais da adolescência (algo visto no auge de The Vampire Diaries). Inclusive, DC conseguiu segurar a escolha de Miss Potter até o último episódio da série e lembro como se fosse hoje da minha dancinha da felicidade.

 

E quem shippa Dawson e Joey quando se tem Pacey? Witter foi o tipo de garoto que abominava na adolescência e que acredito que será minha ruína em algum momento do futuro. Não digo isso de um jeito negativo, mas porque, naquela época, sempre tinha em mente que Dawson era muito eu, principalmente por ser nerd rato de cinema (me via sendo dona dos VHS dele). Eu passava muito tempo alugando os filmes da locadora e via nisso um ponto de identificação amorosa. Só que por já ter uma inclinação para o nerd, aceitei que meu futuro marido não pertencerá à classe.

 

Pacey não era nerd, mas tinha um pé nesse universo e conseguia se adaptar por causa do melhor amigo. Depois, por causa de Andie que também tinha um jeitinho nerd. Depois, veio Joey, a garota por quem ficou perdidamente apaixonado e que tinha a fama de CDF (como Andie). Por mais que não fosse um nerd esclarecido, o personagem respirava ao redor de pessoas que achava ser mais inteligentes e bacanas que ele. Resultado: baixa autoestima.

 

Isso nunca o abalou, ao menos, não descaradamente. Pacey sempre foi todo sorrisos, atitude que ajudou na farsa de que não levava nada a sério. Porém, só foi Miss Potter entrar na vida dele que o jogo virou.

 

O mozão Pacey é o adolescente lascado que acredita piamente que é um zero à esquerda. Ele sabia do valor de Potter, e das outras pessoas, a garota dedicada e determinada. Muitas vezes, se sentiu menor que ela. Daí, Joey dava um jeito de elevar a autoestima dele, o que tornou essa combinação muito mais interessante. Ela lhe dá vida ao provar insistentemente que ele podia sempre mais, um processo reverso se pensarmos nas histórias que faz o homem enaltecer a mulher.

 

De quebra, ele contribuiu para que Joey se arriscasse mais e parasse de seguir a vida regrada. Ele tinha o dom de quebrar a necessidade de perfeição dela com seu jeito de moleque e, claro, cheio de sorrisos. Ele a ajudou bastante na questão de abraçar a si mesma e de não ter vergonha de conversar sobre seu passado.

 

Pacey compreendia aquela(e)s com histórias nhacas por também ter uma história nhaca, ao contrário de Dawson que sempre teve tudo muito no lugar. Salvo a tragédia com o pai que, mesmo assim, não tirou a sensação desse personagem ter a vida fluindo perfeitamente.

 

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Quando eu tinha medo de tudo, nunca tive medo de amá-la, e poderia amá-la de novo!

 

Enquanto Pacey resgatava o que Joey poderia ter de natural – porque muito da vida dela parecia maquinado para transmitir a sensação de controle –, ela incitava o melhor que havia dentro dele, algo escondido em várias camadas de autodúvida por causa da família. Ambos se completavam de um jeito desengonçado e havia muita cumplicidade. Ambos se desafiavam a ser melhores enquanto Dawson era o alienado (ele mesmo afirmou que rejeitava a realidade) a qualquer tipo de conflito e, muitas vezes, só sabia julgar ou tomar ações pela Miss Potter.

 

Sabe aquele cara que tem o dom de salvar as garotas? Não vejam isso como algo ruim, pois, nesse quesito, Pacey injetou muita confiança nas namoradas enquanto não tinha nenhuma dose disso para si mesmo. Para vocês terem ideia, Dawson as manteria do jeitinho que as conheceram e isso é bem ruim. Joey e Andie já eram independentes antes dos relacionamentos amorosos, mas faltava um pouco mais de perspectiva que só quem tinha a vida nhaca e desapegada poderia oferecer.

 

E esse “quem” foi Pacey Witter, o cara que dá um novo sopro de possibilidades para ambas – e as deixa para trás quando se considera não mais conveniente. Ele sacudiu a vida de Joey, que saiu da sua bolha, mas sem esquecer das suas prioridades. Resultado também conquistado quando namorou Andie – e que acabou indo morar na Itália. Ambas perfeccionistas. Ambas crentes de que seguiriam a vida na ponta da caneta. Até o furacão em forma desse personagem bagunçar tudo.

 

Joey conseguia ser mais suave com Pacey enquanto com Dawson ela tinha aquela coisa de satisfazê-lo o tempo inteiro porque o amigo a queria colocar em um potinho e preservá-la daquele jeito. Não é à toa que quando ela perdeu a virgindade, Leery quis morrer.

 

Já com Pacey, tudo era desafio porque ele queria que ela rompesse barreiras.

 

Dawson achou que Joey era sua alma gêmea. Joey achava o mesmo até dar chance ao Pacey. Williamson e amigos cogitaram demais o shipper Dawson e Joey, mas Pacey sempre foi a escolha perfeita sem ao menos precisar que ele beijasse Miss Potter por várias temporadas (o que não aconteceu depois da S4, abrindo margem para muita angústia).

 

O casal True Love (Pacey & Joey) fez meu coração angustiar por vários anos desde o início do relacionamento deles. No series finale, não se falava em outra coisa a não ser quem ela escolheria e quando Pacey se revela como a decisão final, só restou mandar um beijo aos envolvidos.

 

Influência da trilha sonora

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

 

Dawson’s Creek tinha algo que várias séries teens não têm mais (a não ser a MTV que ainda investe): abertura. Mas uma abertura maneira, nada como Pretty Little Liars. I Don’t Want To Wait se tornou uma marca registrada dessa série, fazia geral cair aos prantos, e houve um escândalo quando a música foi trocada lá em fins da S4 – mas a escolhida era até legalzinha, mas nada supera I Don’t Want To Wait.

 

Se eu for resgatar de memória, a trilha sonora de DC era mais triste que alegre, sendo que o quarteto (incluindo Jen) não era o tempo todo melancólico. Havia as faixas mais reflexivas como Feels Like Home da Chantal Kreviazuk e as mais românticas como a honrosa Kiss Me em que Sixpence None The Richer editou o videoclipe dessa música com algumas cenas para promover a série. Vale lembrar de Crazy for this Girl (hino Pacey & Joey) do Evan & Jaron, que também viveu no meu repeat e lembro que gravei esse clipe mil vezes – ele só passava na TV a cabo.

 

A Warner fazia questão de apoiar a produção e a venda de CDs lindos e cheirosos divididos em volumes, algo que acontece com poucas séries atuais. Quando acontece, só com a S1 – The Vampire Diaries?. De todos os cantores da trilha, abracei Alanis Morissette para nunca mais largar por motivos de That I Would Be Good. Tem também Sarah McLachlan que, inclusive, faz um tempinho que não escuto, hein?

 

Curiosidade: Hand in My Pocket, da Alanis, era para ser abertura de Dawson’s Creek, mas a cantora estava no auge na época e os direitos pesariam no bolso. Barateando a mão de obra desde a década de 90.

 

Amorzinho eterno

 

DC-Post

 

Essas memórias nos ajudam a ser quem somos e quem seremos.

 

DC foi uma série adolescente tímida em vários quesitos. Porém, não deixou de ser espelho para as demais do mesmo gênero que encontraram em Capeside inspiração e um meio de aprimorar histórias voltadas para esse público-alvo. Diria que ela foi como Malhação, limpinha de drogas, de conflitos mais fortes como os vistos, por exemplo, em One Tree Hill, e não tão cheia das mordomias como The O.C.. Mesmo assim, ela nunca perdeu a chance de criar e de fortalecer o relacionamento com quem a acompanhava fielmente por meio dos personagens.

 

Kevin tem um lugar especial no meu coração porque aprendi a confiar nos seus feelings com relação ao conteúdo jovem. Não sei bem como explicar, mas ele sabe ler cada personagem e sabe exatamente o que cada um precisa em dado momento. Muito disso foi visto até metade da S3 de The Vampire Diaries, uma história que não era tão simples quanto o cotidiano pacato de Dawson’s Creek, que se preocupou com a evolução de Elena Gilbert e Cia..

 

Esse senhor sabe manejar seus projetos por ter uma preocupação que considero muito natural com a história que quer contar, com os personagens e com a mensagem. Kevin consegue desenvolver tudo do zero até alcançar o que as storylines precisam para dar um tapa de finalização.

 

Pacey, Joey e Dawson tiveram finalizações satisfatórias. Finalizações de novela porque todo mundo conseguiu o que queria, salvo Jen. A última temporada foi empurrão da WB para o cancelamento e algo me diz que foi meramente um sinal da fusão que viria em seguida.

 

Dawson’s Creek se encerrou em 2003 e One Tree Hill preencheu o vazio (que, como tudo na vida, comecei a acompanhar com delay no SBT), ambas com propostas similares. Só que esta última se sobressaiu não só pela riqueza dos personagens, mas pela riqueza da história – que não era tímida como a que transcorrera em Capeside.

 

Por essas e outras que séries adolescentes não são guilty pleasure na minha vida. Me envolvo mesmo, quero adotar todos, quero imagens, detalhes e assim por diante. Meu amor por elas não tem fim e sempre fica aquele vácuo de encontrar uma nova cidade em que crescer é preciso.

 

Se você nunca assistiu Dawson’s Creek, vale e muito dar uma chance. Só se lembre que a série se desenrolava nos fins dos anos 90.

 

Dawson

E foi em Dawson’s Creek que nasceu esse famigerado choro de James Van Der Beek

 

(E um monte de gente do futuro da CW fez uma participação: Chad Michael Murray, Hilarie Burton, Jensen Ackless… E paro por aqui porque só pérolas!)

Stefs
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  • Karla Kélvia

    Falar de Dawson’s Creek é falar de uma amor eterno para mim, algo que eu acho que só Glee, muitos anos depois ( tomando as 3 temporadas iniciais) viria conseguir realizar. Mas eu e meus amigos só acompanhei a série qdo passava na Globo, ou seja: nem vi a 1ª temp., depois eu soube que a Joey ficou com o Pacey e quase tive um treco. Sim, prima, eu detesto a Joey rsrs… nossa, nunca consegui simpatizar com a personagem; sei que a história dela era a mais pesada de tds, a menina tinha preocupações densas e tal, mas a Katie fazia muita caretinha ( rsr), e não, nunca simpatizei com ela, e muito menos com o Dawson. Para mim, Pacey era o coração daquilo ali. Nossa, até hoje sou fã do Joshua, e ele foi uma das minhas maiores paixões da adolescência. Meu ship sempre foi ele com a Andie, aliás: a Meredith Monroe teve momentos fantásticos de atuação, era muito bom ver ela e o Joshua em cena, eles tinha mto carisma. O engraçado é que DC fez parte da minha vida e eu nunca tinha assistido a tds os eps até alguns anos ( 5, acho) qdo decidi assisti a tudo de uma vez. Gostei de final, achei forte, coeso com tudo proposto, e lembrei porquê essa série marcou tanto a minha vida <3. Ah, ameiii seu texto!

    • Hey, Random Girl

      Não conheço ninguém que nunca tenha reclamado da boquinha torta da Joey aka Katie HAHAAHHAAHHA e eu achava super cute, embora tinha momentos que dava vontade de gritar enough! Pacey foi mesmo o coração da série, seu lado rebelde e aparentemente desencanado quebrava a perfeição do Dawson e da Joey. Joshua mozão para todo sempre <3

      A saída da Andie me deixou bem triste na época. Ela tinha uma história que muito me interessava e o conflito duplo com o Jack era outro complemento que Joey e Dawson não traziam. Ela com o Pacey foi muito lindo e maravilhoso, mas pra mim nada superará Joey e Pacey #chola hahahahaha

      Série da vida, sempre relembrada, só não ironicamente com o mesmo peso que One Tree Hill, que seria o seu Glee.

      Beijos prima linda! <3