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06/maio

Uma das séries que estava na minha lista da fall 2015 era Quantico e, meu deus, como sou uma pessoa feliz. Não por ser a moça que se joga a menor oportunidade em séries policiais, mas porque meu caminho se encontrou com o de Priyanka Chopra.

 

Pergunto-me: como isso não aconteceu antes?

 

Muito simples: o destaque dela na TV americana é inédito.

 

Chopra é protagonista da citada série e isso é sinônimo de representatividade. Não apenas por ela ser mulher, mas por ser uma mulher indiana sendo dona do próprio show. Isso me faz acenar ao texto sobre representatividade feminina na TV que escrevi lá na Revista Pixel, onde afirmei que essa palavrinha não é só sobre dar o protagonismo a mulher, mas lhe dar histórias pertinentes e bem construídas para serem contadas.

 

Não menos importante, apostar na diversidade. Assim, Priyanka se destaca como uma nova esperança no fim do túnel, especialmente agora quando há roteiristas de séries que assinam um contratinho prometendo que se comprometerão a melhorar/trabalhar um assunto que está na roda com muito mais força nos últimos dois anos. Quantico está aí pra provar que é falta de vontade dos outros.

 

Por essas e outras que não pude deixar Priyanka de fora do Random Girl porque essa pessoa é muito este site. Demorou até, pois estava com vontade de escrever sobre ela desde a época que comecei a ver Quantico. A força desse desejo só aumentou graças a lista de influentes da Time porque essa mulher maravilhosa está inclusa (e berrei demais!). Com todo direito e razão, a começar, claro, por ser a primeira mulher indiana a protagonizar uma série americana em horário nobre.

 

O sucesso é uma jornada

 

Meus pais sempre me disseram que eu poderia ser quem eu quisesse ser. Eu só precisava querer

 

Começarei pelo basicão: o impulso na vida de Chopra aconteceu pelo famigerado bullying. Ela aguentou esse impasse aos 13 anos, período em que viveu e estudou nos Estados Unidos. A maldade vinha, claro, das meninas que a chamavam de “marronzinha”. Quando passava, diziam “curry a caminho” e chegaram a “pedir” para que retornasse ao seu país. Momentos que a fizeram questionar se era tão ruim ser indiana.

 

Houve até uma treta em que conseguiu se defender, mas a soma desses episódios deixou marcas e partiu seu espírito. Justamente porque a fez mensurar e questionar seu valor. E até mesmo a pensar se era tão desagradável ser do jeito que era.

 

A força vital para que não ficasse entregue à autodúvida veio do falecido pai, Ashok Chopra. O retorno para a Índia abriu oportunidade para ambos conversarem sobre esses desdobramentos e ele perguntou por que a filha queria tanto se encaixar. Priyanka respondeu: “porque é isso que todo mundo faz” e ele rebateu a mensagem ao dizer que ela era única por causa das suas falhas.

 

Um papo que parece até rotineiro, mas ele lhe deu força. Ela tem até uma tatuagem com os dizeres Daddy’s lil girl (garotinha do papai), que sempre contempla quando se sente perdida.

 

O que nos torna únicas

 

Priyanka e a família

 

Meu amor pela Priyanka só aumentou quando comecei a acompanhar algumas entrevistas dela. Sempre que a questionam sobre beleza e amor-próprio, ela destaca que o diferente é o que torna cada pessoa única. Esse é um pensamento que tive que me agarrar ao longo da vida de jovem adulta, pois confiança não era comigo. Melhorei, mas rola umas recaídas.

 

Não ligo tanto para a aparência em comparação aos meus 15 anos, período em que tinha que estar pintada e de unha feita (para vários nada) e quem não se preocupasse com isso não pertencia a este mundo (agora quando tenho dinheiro vai tudo em livros porque ler pelada é big thing). Conforme crescia, aprendi a dar mais valor à mente e ao coração das pessoas, traços que meu lado geminiano admira e que fará de tudo para dar uma enaltecida.

 

Assim como tantas outras pessoas, Priyanka encontrou seu ponto de superação e passou a viver com base nas palavras inspiradoras do pai. Ela permitiu que as cicatrizes se curassem, se fortaleceu, e correu atrás das suas coisas. Dia após dia, essa mulher mostra que são os traços que temos, e que não são bem quistos pelos outros, que nos fazem especiais. Em vez de escondermos, devemos mostrá-los com ainda mais orgulho, principalmente quando tentam nos rebaixar enumerando-os como fraquezas.

 

Priyanka foi colocada para baixo incontáveis vezes pela sua aparência e pela sua origem, o que poderia ter atropelado seu caminho por causa do efeito do bullying. Ela ouviu o pai e abraçou tudo que a faz diferente, única e especial. Mesmo posicionamento que me faz lembrar da Sophia Bush, que vive dizendo a mesma coisa. No aguardo de ambas serem BFFs.

 

Priyanka-beleza

 

É sim muito fácil dizer para si mesma, ou para qualquer outra pessoa, que se é perfeita do jeito que é. A verdade é que essa afirmação faz parte de um trabalho diário em que relembramos que não há nada de errado em ser como e do jeito que somos. O mais importante nesse “perfeita” é você se sentir bem consigo mesma.

 

Custou-me para enxergar que o perfeito está no imperfeito, porque tive uma fase de cobrança que nem eu me reconhecia. Tudo tinha que estar no lugar, desde o visual até os deveres da escola. Muita pressão para atender as expectativas e não me lembro de ter me dado uma folga para respirar e para ser adolescente (até porque fui um tanto quanto imprudente).

 

Olhando alguns projetos da Priyanka, é bem fácil retratá-la, à primeira vista, como uma personalidade fútil porque seu caminho para o sucesso começou por meio de concursos de beleza. Empreitada que ela chama de destino, pois, na época em que se inscreveu para o Miss Índia, estudava engenharia. Vencer e, mais tarde, estampar incontáveis capas de revista, que chegaram a colocá-la como uma das personalidades mais sexy em uma região em que a mulher ainda não tem voz e autonomia, poderia torná-la uma celebridade vazia. Daquela que só se mantém pelos títulos de a mais bela de todas e que só lucra pela aparência.

 

Conclusão: essa mulher tinha tudo para pagar de estrelinha e perder o controle da própria influência na visão de meninas jovens. Não é o caso. Aqui está um exemplo de artista que não deixou a vaidade e riqueza subirem à cabeça. Priyanka aprendeu a se amar, cultiva o amor-próprio todos os dias, e essa segurança emana uma imagem positiva.

 

Por ter uma trajetória impecável, é também fácil pensar que Chopra vem de um berço privilegiado. À primeira vista, é possível desacreditar que ela tenha conquistado tantas coisas na Índia por mérito, mas é bom aceitar para doer menos. Se há uma coisa que essa mulher é, é muito independente e decidida, e o sucesso e o reconhecimento a tornaram uma influência da pesada na comunidade indiana. Principalmente nas tomadas de decisão que envolvem meninas e mulheres. Não houve padrinhos mágicos. Ela batalha desde cedo e viu nos concursos um meio para as portas se abrirem.

 

Até se abriram, mas não foi um pão de mel. Priyanka foi por muito tempo tratada como mais uma e ouviu incontáveis vezes que mulheres são substituíveis. Afirmação aderida para evitar papéis que retratassem a donzela em perigo. Ao contrário do passado, a atriz sabe do seu valor e sabe que é insubstituível.

 

Priyanka é uma daquelas pessoas que poderia ter feito tudo errado ao conquistar seu espaço em Bollywood, mas só tem feito coisas certas. Um dos seus maiores focos é quebrar os estereótipos de mulheres indianas, porque é bem verdade que ou elas são médicas ou enfermeiras (e o mesmo acontece com os homens que são médicos ou psicólogos). Algo que conseguiu conquistar em solo americano ao dar voz a Alex Parrish, agente do FBI, em Quantico.

 

Priyanka é #THATGIRL sim!

 

Priyanka-como-Alex-Parrish

A serenidade de quem manda em Quantico

 

E, sim, ela conhece e apoia o I Am That Girl, o que me deu mais vontade de beijá-la e de apertá-la. Há algum tempinho, Priyanka foi entrevistada para a campanha Inner Style, parceria entre a organização e a revista inStyle, e só compartilhou coisas maravilhosas, como vocês podem ver no vídeo abaixo:

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

 

Priyanka acredita na importância do amor-próprio, que também é um exercício constante se não eterno. Ela quer que cada menina e mulher encontre a melhor versão de si mesma. Ela encoraja quem a admira a buscar a própria autoconfiança, sentimento que absorveu por intermédio do seu pai.

 

Daí, temos outro instante precioso entre pai e filha, e que casa de novo com a questão de forçar a barra para pertencer a grande pintura: o recontar da história de Cinderela. Uma história que ele fez o favor de dizer para que Priyanka não tentasse se encaixar em um sapatinho de cristal, mas quebrar o teto de vidro.

 

Essas são suas mensagens empoderadoras que são arrematadas pelo seu altruísmo.

 

Para ser filantropa, você não precisa ser um Nelson Mandela. Você só precisa olhar ao redor e se perguntar: quanto posso fazer? Quais vidas posso tocar?

 

Essa é uma das frases que escrevi e que botei em um potinho porque estou farta de meio mundo achar que para fazer a diferença é preciso de milhões de dinheiros ou simplesmente largar a responsabilidade no governo. Tais pensamentos são muito errôneos e só tenho aprendido cada vez mais sobre isso.

 

Essas palavras de Priyanka me encheram de vida, de verdade. Tinha sim a trava do dinheiro. Sempre me corta o coração ver situações injustas e não poder investir com alguns reais. Intimamente, isso me chateia e continua a me chatear de vez em quando – momento que preciso rebobinar e pensar o que posso fazer de efetivo mesmo sem ter grana. Divulgar? Fazer trabalho voluntário? Pequenas coisinhas que também fazem e muito a diferença.

 

Sempre tive aquela ânsia enrustida de fazer mais, mas, como meio mundo, acreditei piamente que teria que ter dinheiro ou fundar uma ONG ou encontrar um grupo de pessoas que já estivesse engajado para eu entrar de supetão ou fazer panelaço. O meu grande dilema pessoal sempre foi olhar ao redor e encontrar a causa certa para gerar impacto. Não sabia com clareza quais pessoas poderia ajudar e o que poderia fazer sem ter recur$$os.

 

A vida é um balde de ironias e, acreditem se quiser, mas descobri no que posso fazer a diferença por meio deste site e dos feedbacks que tive em textos inspiradores ou até em resenhas que sempre faço questão de embutir alguma mensagem/aprendizado. Um pouco mais segura, sei que posso acarretar uma diferença, tornar o dia de alguém melhor, e meu amor pelas palavras – e até mesmo pela conversa, algo que não me dava chance – se fortaleceu. Esses são alguns dos meus traços que me fazem como sou. É o que me faz única.

 

Priyanka-Empoderamento

 

Priyanka ensina todos os dias sobre empatia e sobre ser ativista sem precisar dos padrinhos mágicos para mudar vidas. Ela diz que um bilhete de saudade é um grande passo tão quanto se posicionar sobre as coisas que lhe incomodam ou tentar inspirar/ajudar outras pessoas por meio daquilo que tem afinidade artística. Ela usa seu papel no entretenimento para ensinar, para educar, para chamar a atenção de que mudanças são possíveis. Só é preciso realmente olhar ao redor, sacar o que acarreta uma coceira no coração e mandar bala.

 

Meu poder está na escrita, já me convenci duramente disso, mas não sabia aonde depositar essa energia. Até porque minha mente não para e eu precisava de um canto para aliviar meu cérebro – porque meu emocional é daqueles esparramados, ou seja, está em todos os lugares.

 

O lindo na Priyanka é que ela parte desse mesmo pensamento, embora tenha sim a vantagem do dinheiro. Porém, ela faz o que faz por ter encontrado a sua causa e se posiciona para lutar a favor dela. Essa mulher é muito esclarecida sobre seus objetivos e já disse em entrevistas que tem consciência de que não pode erradicar a fome sozinha, mas, no que puder, fará com que nenhuma criança tenha um sonho negado.

 

Palavras que ganham mais respaldo por causa do seu desempenho em garantir educação infantil, principalmente de garotas, na Índia. Sua relação com esse tópico ultrapassa limites, é seu nervo, e não há quem a deixe de mãos atadas quando vê que o acesso à escola é negado para as meninas indianas. Não é à toa que ela tem uma Fundação que leva seu nome, voltada para arrecadar fundos para essa área e para a saúde. Assuntos que lhe são pessoais e que lhe dão senso de missão cumprida quando cada ação é bem-sucedida – como cobrir o ensino de 70 crianças indianas, 50 sendo garotas.

 

Priyanka cuida pessoalmente desses assuntos, tem um relacionamento com cada pessoa que ajuda, e sempre afirma que o que falta para diminuir essa disparidade de meninas fora da escola é oportunidade. Simplesmente porque, na Índia, os pais preferem que elas se casem.

 

Para somar mais, ela é embaixadora da Boa Vontade na UNICEF da Índia, e age fervorosamente para proteger o direito das crianças e para promover a educação entre garotas. De acordo com a organização Girl Rising, Priyanka é uma das pessoas mais reconhecidas e respeitadas do continente asiático. Em outras palavras, subestimá-la é um erro.

 

(e ela ainda é atriz, cantora e produtora. Vamos ser migas, Priyanka?).

 

Ser a primeira é mais que uma conquista

 

Priyanka-Prêmios

 

Se eu consegui fazer, qualquer uma pode. Eu realmente acredito nisso – frase de empoderamento para as indianas.

 

Priyanka é multitarefa, mas não é só isso que a define como ser humano. O que a define é seu coração humilde. Além disso, a palavra primeira, uma palavra estampada em vários degraus da sua carreira. Prova de que sua luta contra estereótipos e contra o descaso com o papel da mulher na mídia, especialmente indianas, tem dado muito certo.

 

Ela é a primeira mulher indiana a ter sua própria série americana; a primeira mulher indiana a ganhar um People’s Choice Awards; a primeira mulher indiana a ganhar 5 prêmios na Filmfare Awards – premiação que celebra os talentos de Bollywood – em 5 categorias diferentes.

 

Toda vez que olho para a Priyanka lembro da alegria que senti ao ver a pura representatividade. Depois, imaginei como meninas e mulheres indianas devem ter ficado contentes com o sucesso da atriz fora de Bollywood (e o fandom dela é fortíssimo!). Um sucesso que rima também com protagonismo, algo que senti na mesma medida quando Viola levou o Emmy e o quanto isso foi significativo para meninas e mulheres negras.

 

Elas não sou eu, mas me mataram de orgulho por mostrar o que é representatividade, o que é representar sua comunidade, e o que acontece quando investem na diversidade feminina em séries de grande impacto cultural nos EUA.

 

Priyanka é um exemplo de força de vontade. Ela não cedeu a própria beleza, não se deixou ser amarga pelo bullying e usou todas as suas marcas para inspirar meninas e mulheres que ainda vivem em um sistema patriarcal. Essa mulher tem a serenidade de quem muda vidas em um piscar de olhos e isso se reflete na firmeza de suas decisões.

 

Nem sei mais o que dizer porque essa moça pertence ao meu potinho de protegidas e irei protegê-la sim. Linda e maravilhosa que merece ganhar muito protagonismo na América.

 

(e ela ainda dublou Miss Marvel no videogame, como não amar mais, gente?).

 

PS: o bilhetinho para os haters pode ser encontrado aqui.

Stefs
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