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24/maio

 

Being different isn’t always bad. Take a walk in Luna’s shoes and celebrate who you are!

 

Me deparei com essa afirmação num post de um pottersite na minha timeline do Facebook e confesso que esta resenha não poderia começar com melhores palavras.

 

Minha jornada em Dublin tem me proporcionado especiais momentos. Dentre eles, a oportunidade de conhecer produções cinematográficas irlandesas. Daquelas bem independentes, que batalham e batalham pra conseguir algumas exibições e, consequentemente, entrar no circuito.

 

O motivo que me levou a assistir My Name is Emily é pra lá de óbvio, aliás, está estampado no pôster do filme. Sim, qualquer Potterhead <3 conhece esse sorriso tímido e sincero de longe, então vamos dar nome ao real motivo: Evanna Patricia Lynch aka Luna Lovegood.

 

My Name is Emily

 

Se existe alguém que nasceu para interpretar um dos personagens do universo de J.K. Rowling, esse alguém foi Evanna Lynch. Então, nada mais justo do que celebrar um pouco de sua carreira pós-Potter.

 

Lembro claramente da apresentação da personagem em Harry Potter e a Ordem da Fênix e o quanto Luna Lovegood, de uma maneira bem peculiar assim como a própria, me tirava do sério. Acredito que muito disso tenha haver com meu amor incondicional e admiração por Hermione Granger, personagem totalmente oposta ao jeito Luna de ser.

 

Foi quando assisti OdF pela primeira vez que senti o feitiço virando contra a feiticeira. Sendo assin, aquela garota franzina de cabelo loiro quase transparente, que vivia nitidamente fora da caixa, viria a me conquistar por completo, transformando antipatia em admiração, principalmente pela maneira que Luna enxergava as pessoas e tudo aquilo que a cercava.

 

weird.

 

n destino, sorte (má). adj 1 sobrenatural, misterioso. 2 estranho, esquisito. 3 fatídico. 4 fantástico, extraordinário.

 

Se escolhermos uma palavra que simbolize a nova personagem de Evanna, pelo menos em relação aos olhares que a cercam, essa palavra seria estranha. Porém, é sua origem, vinda do inglês antigo (wyrd – destiny) que carrega o mais mágico e importante dos significados:

 

ter o poder de controlar o destino

 

My Name Is Emily me cativou do começo ao fim, mas foi a leve pesquisa feita após assisti-lo que me fez admirar mais ainda seu processo criativo e efetiva conclusão. Simon Fitzmaurice, diretor e roteirista irlandês, é o exemplo claro de que o ser humano pode sim deter o poder de controlar seu próprio destino.

 

Considerado um promissor jovem cineasta, Fitzmaurice teve sua vida revirada em 2008, quando fora diagnosticado com a Doença do Neurônio Motor. No mesmo dia, descobrira que sua esposa Ruth estava grávida do terceiro filho do casal. Superando prognósticos, bateu as expectativas de quatro anos de vida que lhe foram dados e, inclusive, aumentara sua família com a vinda de gêmeos.

 

Movimentando-se com a ajuda de uma cadeira motorizada e se comunicando através de tecnologia visual, o diretor/roteirista contou com o envolvimento de uma equipe técnica extremamente dedicada e disposta, com o fundo financeiro modesto de 120 mil euros criado para o filme, e com o apoio de Colin Farrell, Alan Rickman (<3) e Lenny Abrahamson (diretor de Room – O Quarto de Jack) para que My Name is Emily se tornasse um projeto possível.

 

My Name is Emily é repleto de lições de vida e de primeiras e segundas chances. Vale lembrar que a garota que estampa o pôster do filme também é uma vencedora, capaz de controlar seu destino com muita disposição e vontade de viver. Aliás, recomendo, para aqueles que ainda não leram, que busquem a carta endereçada à Luna Lovegood presente no belíssimo livro Dear Mr. Potter, parte de uma das ações beneficentes feita pela HP Alliance com a colaboração de Potterheads de todo mundo. Emoção transborda com tamanho relato de gratidão, amadurecimento e superação, então vale conferir.

 

Um dos aspectos que mais me cativou em My Name is Emily foi as lições de vida e os ensinamentos que a protagonista adquire ao longo de sua jornada. Uma eterna busca para acalmar seu coração, sedento por respostas e aconchego, especialmente familiar. Utilizando recursos visuais com Emily mergulhando no oceano, aprendemos gradativamente a conexão da personagem com o ato, este que lhe traz um misto de quietude e de solidão.

 

My Name is Emily

 

Digo com clareza no coração que qualquer Potterhead que assistir esse filme conseguirá identificar traços de um crossover entre Lovegood e Lynch presentes em Emily. O jeito manso de falar, a estranheza fascinante e o brilho no olhar, sempre me fizeram refletir aonde Evanna começa e onde Luna termina. Mas aqui, o que importa é enxergar quão impactante foi para a atriz interpretar alguém tão pulsante e próximo de sua essência e coração.

 

Bom, chega de papo Potterhead, mesmo sendo inevitável <3.

 

Acredito que qualquer pessoa, independente da etapa de sua vida, já se sentiu deslocada, especialmente com adaptações, sejam as mais simples como mudar de escola ou as mais trágicas, vide a perda de um ente querido. Emily conhece ambas muito bem e mesmo tentando manter tudo dentro de si, é visível sua necessidade de pertencer, não em termos escolares, mas sim familiares.

 

Vivendo num lar adotivo com todo o carinho e preocupação recebidos, Emily sente-se sufocada e deslocada, o que nos leva a entender, pouco a pouco, o que acontecera com seus pais. Mais especificamente com seu pai Robert, este que tivera a vida devastada após o acidente de carro que matara a mãe de Emily por ser quem dirigia.

 

Robert era um brilhante e bem-sucedido escritor, mas, além de sua carreira em ascensão, era responsável por trazer o melhor daqueles que ama. Principalmente Emily que desde criança acreditara não pertencer ao mundo e todos a consideravam estranha demais. E é exatamente essa palavra, que após a explicação de seu amado pai, a faz entender que ser estranho na verdade é algo incrível, pois seu jeito diferente de ser é o que lhe dará oportunidades infinitas durante sua vida.

 

E é essa relação, tão singela e estranhamente incrível entre pai e filha, que nos transporta para uma das jornadas mais próximas do meu coração que já pude presenciar no cinema. Robert ensinou diversas coisas para Emily, porém, como ela mesmo afirma perante tudo que aprendeu: “I was his teacher”.

 

Derradeira e cruel, a mente humana carrega dentro de si diversas portas, muitas delas intransponíveis. Porém, algumas dessas portas, dependendo do sentimento que inunda sua alma e coração, acabam se fechando para o mundo e é isso que acontece com Robert após a morte de sua esposa.

 

My Name is Emily

 

Emily perdera sua mãe aos oito anos de idade e, gradualmente, fora perdendo também seu pai, este que mergulhara no trabalho e em seus próprios devaneios. Muitos deles provenientes do sentimento de culpa que carregava por distrair-se no volante, o que o fez não perceber o outro veículo à sua frente. Robert acaba sendo institucionalizado após um incidente público em Dublin, o que claramente comprova a necessidade de acompanhamento especializado, deixando-o incapacitado de cuidar de sua agora adolescente filha.

 

What’s wrong with you?

 

Essa pergunta parece assombrar Emily desde então, principalmente em sua nova escola, dado que sua maneira de interpretar as aulas vai de acordo com muito que aprendera com seu pai. Ele mesmo a alertava que qualquer situação cotidiana ou séria é nada mais que o ponto de vista.

 

Enquanto todos a consideram estranha, Aiden, um de seus colegas de classe, percebe que essa nova garota, reservada, sem problemas para se expressar durante as aulas e que deixara todos assustados durante a aula de natação (ela afundara propositalmente embaixo d’ água), o fascina de alguma forma. Entretanto, suas tentativas, mesmo que tímidas de introduzir qualquer tipo de diálogo, parecem nunca causar efeitos sobre ela. Mesmo o pouco contato entre os dois já é suficiente para fazê-lo perder a concentração, somado a difícil relação com seu pai, evidente no momento que o mesmo o traz para a escola.

 

Desde a internação de seu pai, Emily se agarra a pequenos gestos. Dentre eles o cartão de aniversário que ele a envia, mas chega o momento que o cartão não chega e isso provoca inquietação. Afinal, se ele não enviara nada esse ano, algo poderia ter acontecido, fazendo-a elaborar um impulsivo plano para resgatar seu pai. Só que para isso, precisa de alguém disposto a atravessar de uma Irlanda para a outra em busca de respostas e é neste momento que Emily e Aiden conversam propriamente pela primeira vez.

 

Emily vai até a casa de Aiden pedindo sua ajuda, mas este, inicialmente, diz que não pode acompanhá-la. Considerando o desmoronado casamento de seus pais e a recente discussão que tivera com seu pai a respeito de suas péssimas notas na escola, Aiden decide quebrar as correntes e, como um embaraçado rebelde, corre atrás da garota que tanto o fascina sem ao menos saber o que espera encontrar no caminho.

 

My Name is Emily

 

Com ajuda da vovó tão adorável quanto o neto, Emily e Aiden embarcam no submarino amarelo de quatro rodas que pertencia ao vovô de Aiden, saindo de Dublin a caminho da vizinha Irlanda do Norte. Num local distante aonde Robert vive nos últimos anos.

 

Dentre a beleza cênica deste país que aprendo a amar cada vez mais e as tomadas de câmera intimistas dentro do pequeno carro amarelo, esses dois “estranhos estranhos” agarram-se um ao outro no momento mais complicado de suas vidas. No acaso que não existe para eles e na travessia de um país, mesmo que se percam no caminho e que encontrem infortúnios até chegar no destino, Emily aprende a confiar e dividir sua dor com alguém. De quebra, Aiden descobre mais sobre si mesmo do que imaginaria, além de expor que sua família está longe de ser perfeita.

 

Com um resgate que acaba se transformando numa dura, porém esclarecedora verdade a respeito da internação do pai, Emily reencontra a si mesma no percurso. Em parcela graças à positividade e parceria de Aiden. Quando tudo parece retirar suas esperanças, eis que essa garota, sempre tão estranha aos olhares estranhos, descobre que o que acontecera com seu pai não foi um fato e sim o ponto de vista dele. Em outras palavras, a maneira com que sua alma conseguiu lidar com a perda do grande amor de sua vida.

 

My Name is Emily

 

Confesso que assistir o filme e agora escrever sobre ele provocou um turbilhão de emoções, estas que não achei pertinente expor graças a delicadeza e pessoalidade do assunto para mim. Mas, aqui dentro, sei o quanto My Name is Emily me emocionou e me modificou, sem contar que ao expor meu agradecimento a Evanna Lynch em seu Twitter, recebi a mais adorável resposta de gratidão possível. Se eu me senti abraçada com a história de Emily e seu pai, ela se sentiu lisonjeada com o impacto positivo que seu filme tivera em minha pessoa.

 

E por essas e outras que exponho meu ponto de vista:

 

Obrigada Evanna Lynch por me fazer amar Luna Lovegood e obrigada Luna Lovegood por trazer Evanna Lynch ao meu mundo e ao de muitos outros Potterheads.

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Mari
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  • Karla Kélvia

    Já tá na minha lista!!! Evanna <3