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02/maio

Particularmente, nem sei se este texto será uma resenha sobre o último episódio de The Originals porque ainda estou no auge da minha indignação. Li uma matéria que enumerava todas as mortes possíveis que aconteceriam até os diversos season finale que se aproximavam e só consegui pensar na visita do ceifador na vida de personagens femininas e de personagens que representam a comunidade LGBT (blindando homem privilegiado e hétero). Chego aqui e a CW acabou de ficar ainda mais manchada.

 

E, para minha própria surpresa, por meio de um universo que tem Plec envolvida, conhecido como terra em que ninguém morre. Com a perda de Rayna em TVD e agora Cami, CW fortaleceu o killing spree das séries da sua grade. Não aguento mais elenco masculino intocável e nem representatividade fajuta (tá vendo, colocamos uma mulher para lhe representar, agora fique quieta) que não tem o menor aprofundamento de história e nem caracterização multifacetada.

 

É inaceitável o que aconteceu em The Originals na última semana. Porém, disse muito se pensarmos no quanto Cami perdeu destaque desde que virou vampira. Pelos tuítes da Leah, só consigo pensar em uma treta nos bastidores que culminou no corte da personagem (+ fanservice por causa de Klaroline sendo que ainda empurram Steroline). Algo bem Grey’s Anatomy, com direito a rancor e indiretinhas. Independente do que for, a terapeuta poderia vazar da série de qualquer outra maneira e não jazida no lar dos Mikaelson.

 

Para aliviar o claro erro, entrou a famosa romantização na tentativa de aliviar a perda. Cami e Klaus passaram o dia juntinhos só para afirmar que o que sentiam um pelo outro era recíproco. Sabe quando você está com vontade de dizer todos os palavrões possíveis? Eu neste instante. Só não faço isso porque essas cenas foram muito bem executadas e emocionantes.

 

Admito que foi lindo e significativo os últimos momentos de Cami com Klaus, mas nada disso suprimiu a realidade de que, pela milésima vez, uma personagem é cortada em função de uma trama ruim. Se fosse uma trama bem desenvolvida e com propósito, tudo bem, mas Lucien fez o favor de deixar bem claro que esse caos é meramente por amor. Não desmereço o sentimento, mas bato na tecla do que venho dizendo desde que Aurora saiu de cena: estão criando caso em cima dessa cópia turbinada de Original para terminar em Dahlia.

 

Convenhamos que até The Originals tem fracassado nas storylines desta temporada. Depender de um cavalinho para ter conflito diz muito de uma série que perde cada vez mais a sua criatividade e que volta ao vício de escrita quando chega perto de engatar algo diferente. Cortar Cami me soou como desculpa para enfurecer Klaus, o que abre margem para o fim de mais um ano ser igual ao da S2. Afinal, ele estava bem, Hayley lhe deu juízo e os sentimentos pela psicóloga se esclareceram de vez. E agora? Fazê-lo imperdoável para cima de Lucien soa como a solução.

 

E teve morte morrida

 

TO-3x19---Cami

 

A única pauta deste episódio foi a mordida de Lucien que uniu a galera do mesmo jeito que aconteceu com Finn. Uma tentativa inútil de criar suspense sendo que o jogo inteiro estava entregue. Rolou um ceticismo, claro, porque TO não deixa de ser mana de TVD e Leah encabeçava o elenco principal (mesmo que não aparecesse tanto). Elijah foi quem me chacoalhou e quando a realidade bateu de frente, só me restou uma fúria cega.

 

A diferença da busca por uma solução é que houve insights novos para tentar salvar Cami, como o próprio sangue da Besta ser uma chance de reverter à intoxicação. Bacana, mas gostei mais da menção do poder de Hope, personagem que me faz feliz por ainda ser um bebê.

 

Mas isso não me deixou satisfeita porque não entendo qual é a dificuldade de desapegar do elenco masculino. Isso, em qualquer série/emissora. Não sei se é porque faz parte do meu perfil amar cortes de personagens desnecessários ou se é falta de perspectiva dos roteiristas. A CW é um canal jovem (mas nunca será MTV) e a garotada se pendura. Um amor cego que enaltece, na maioria dos casos, ator ruim só porque o rosto é lindo. Por essas e outras que parte da culpa de personagens femininas morrerem a troco de nada também é endereçada a uma maioria de fãs que ofusca a minoria que tende a ver o programa que ama com mais imparcialidade. Ou seja, as emoções não falam tão alto quanto a razão – que leva a reconhecer que algo está terrível. Tô mentindo?

 

Digo isso com propriedade porque sou a prova viva. Pela maioria ser mais barulhenta, os escritores dão mais atenção, o que pode render o famigerado fanservice que não passa de jogada antiprofissional. No fim, o erro é igual: tira quem tem valor de cena para destacar quem não agrega em nada. Anda havendo um desrespeito pelo material por causa de opinião de fã e TO caiu nessa, denunciando falta de controle da escrita. E taí uma coisa que não aceito porque tudo nessa vida exige limites.

 

Está certo que séries da TV americana, como tudo na vida, têm um esquema mercadológico, mas parece que essa turma da CW faltou nas últimas conversas sobre representatividade. Não sei como ainda confiam na Plec para fazer alguma coisa, uma pessoa que se gabou por introduzir o primeiro casal de lésbicas em TVD para não desenvolvê-las e matá-las. Pior que ela, só outros escritores que juram melhorias nesse quesito sendo que não deveriam jurar nada porque essa conversa está na roda há muito tempo. O favoritismo da maioria tem afundado diversos shows que têm perdido – ou já perderam – a essência. Está ridículo!

 

Não me entendam mal, gosto de favoritismo, tenho meus favoritos, mas é intragável ver que esse fator é mais que suficiente para alguns escritores mudarem o norte da história e os próprios pensamentos quanto a um trabalho que vai com a assinatura deles. E não é só culpa dessa turma porque a emissora pesa também para garantir o lucro. Por isso há tanta série jovem ruim. É uma “máfia”, mas tenho em mente o seguinte: ou você controla seu trabalho ou simplesmente larga dele.

 

TO-3x19---Klaus-e-Cami

 

O que aconteceu com Cami foi injusto. Ela era uma das poucas personagens riquíssimas do mundo das séries e uma das mais maravilhosas desde o início de The Originals. Ela sempre agregou e conquistou algo que nenhuma personagem feminina do mundo Plec conseguiu: não ser minimizada por romance. Ela valia por mil Elenas – que deveria ter sido respeitada por ser a protagonista de TVD, mas se tornou um objeto. Acreditei que Narducci segurava a mão da sua parceira de trabalho, mas não é que até ele rendeu uma decepção? Traumei.

 

Cami resistiu a péssima escrita, provou que não era apenas uma humana e que tinha muito mais valor que Matt, o protegido de Mystic Falls. Ela brilhou em incontáveis momentos e poderia sambar depois da sua transição para o vampirismo por ter conquistado uma nuance dark. Porém, preferiram matá-la. Posso proteger várias personagens, mas não trocaria o peso da terapeuta pela Rebekah, por exemplo – Claire pulou do barco e não parece nem um pouco arrependida, então, para que segurar a mana Mikaelson?.

 

O singelo respeito que deram a Cami foi não fazê-la se esparramar para cima de Klaus. Ok o eu te amo, mas seria demais se ambos se entregassem a uma tarde quente de amor e sexo. A graça do relacionamento deles era ficar na beirada, nunca transbordar, a dose de angústia que os tornava cativantes e que os fortalecia. Ao menos, tiveram tato em não desrespeitá-la nesse quesito. Muito dos dois foi preservado neste episódio e ver a essência Klamille brilhar, só que com sentimentos mais esclarecidos, foi outro mínimo que poderiam ter feito.

 

Mas a mataram para elevar Klaus. Mataram Cami prematuramente se pensarmos no quanto a história dela atingiu um ponto promissor.

 

Nada anula a realidade de que aniquilaram uma das melhores personagens dessa série, enquanto Kol não passa de novo Ric, Marcel não tem mais encanto e Elijah só zanza. O único decente é Vincent, um exemplo de desenvolvimento perto de muito veterano dessa série, dono do meu respeito e do meu amor.

 

Fato é que demorou para a ficha cair. Por ter o reflexo de TVD sempre em mente quando o assunto é morte, pensei que Cami seria poupada. Principalmente porque os Mikaelson não dominavam o jogo e achei que tudo mudaria esta semana. Pois bem, o saldo ainda é negativo.

 

TO-3x19---Cami-e-Klaus

 

A psicóloga só serviu para que o grupo se movimentasse na intenção de dar a entender que a trama se movia junto. Só que Mikaelson e Cia. continuaram no mesmo lugar, dentro de uma reprise do que aconteceu com Finn. Vincent e Hayley foram os únicos que me emocionaram um pouco em nome de Cami, os aliados que contribuíram para essa personagem crescer e encontrar sua independência no sobrenatural, mesmo sendo humana.

 

O episódio girou e girou para render a perda de uma das personagens mais significativas de TO. Cami teve uma construção de história linear e sem buracos. Ela foi forte, altruísta, dedicada e leal. Recusou-se abaixar a cabeça. Para quê? Sério, não me conformo.

 

Se era para Leah sair, vingancinha por meio de morte à la Shonda Rhimes só era bom lá em 2010. CW precisa rever urgentemente o que renova e para quem dá voz e valor.

 

Concluindo

 

Não entrarei em mais detalhes até porque os ancestrais estão no comando e os minutos finais só contribuíram para me deixar ainda mais pau da vida. Como disse sobre mortes de vingancinha, o mesmo vale usar a mulher para dramatizar o erro do homem – porque não é romântico. Já foi o tempo e só me resta aceitar que a CW e funcionários não vivem neste mundo.

Stefs
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