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08/maio

Não sei por onde começar esta resenha porque ainda estou bem aborrecida com os últimos acontecimentos de The Originals. Começarei pelo único pensamento certeiro desta semana: não houve vitória. Klaus nunca foi tão sábio em suas palavras porque não houve mesmo razão para estourar um champanhe em nome da queda de Lucien. Até porque o episódio engatou com o peso do luto por Cami que se amarrou a perda de Davina, dificultando qualquer desvencilhar das emoções ruins presentes ao longo de uma nova leva de caos em New Orleans.

 

A queda de Lucien só aumentou o peso da tristeza e da noção de perda. Cami nem chegara a ser velada e deram cabo em Davina. Mataram minha filha querida sem ao menos lhe darem chance de evolução. Reduziram minha filha ao Kol só para não darem mais história a ela – o que faz sentido agora se pensarmos que essa personagem também deixou de crescer de uma hora para a outra (e o mesmo a psicóloga). Porém, a diferença da morte dela mora nos detalhes em comparação ao que aconteceu com a sua outrora companheira de aventuras: foi sacrifício de guerra.

 

A agonia de Davina nas mãos dos ancestrais entra na categoria “vamos matar de maneira que seja benéfica para a trama e não para a figura masculina ou porque só estava ali de isca”. Cami foi sacrificada por capricho enquanto a bruxinha se destacou como meio para derrubar o vilão da história. Não por amor, mas por batalha. Uma batalha com gosto de injustiça, o que não me dá o direito de ficar escandalizada como rolou com a psicóloga. Contudo, há aquela pontinha de incômodo porque Claire perdeu demais de história por causa de Kol, sendo que tinha atingido um nível no âmbito bruxaria que poderia torná-la aprendiz de Vincent. Ou de Freya.

 

Sim, sinto o agridoce de mais uma perda de personagem feminina, mas, no caso de Davina, o corte não pertenceu à pauta romance, algo que The Originals fez o grande favor de abraçar e de errar feio com relação à Cami. Sendo que nunca precisou disso para se garantir no quesito trama. Há sim o ponto negativo sobre a morte da bruxinha porque há a realidade de que Kol provocou seu tombo e esse tombo o fez “voltar a ser como antes”. Ou seja, lá no fundinho, essa jovem se foi pelo mesmo princípio de Cami: mudar o cara, independente do jeito.

 

A lição: personagens masculinos são incapazes de mudar ou de evoluir por conta própria no mundo de Plec. Em vez disso acontecer pelo meio, acontece pela mulher – e a mulher precisa ser sacrificada. Nessas horas, sinto falta de Jackson porque ele formou uma dupla e tanto com Hayley. E ele nunca tirou o brilho dela, muito pelo contrário, a empoderou várias vezes.

 

TO-3x20---Davina

 

O dia foi só sobre Davina e já estava convencida de sua partida. A personagem frisou o que tenho frisado a umas boas resenhas: TO só é TO com o peso das bruxas. Foi magnífico darem rosto aos ancestrais porque esse inimigo invisível começava a ser tão cômico quanto o cavalinho de carvalho branco. A magia é o coração da série, o toque de mestre, enquanto o teor família é o drama e não o caos, como este episódio bem mostrou e trabalhou com eficácia. O ciclo Mikaelson de atrito é repetitivo e tem sido uma baita salvação vê-los terminar as últimas semanas no saldo negativo.

 

Perder ou não Davina acarretou um peso emocional pungente, daqueles de deixar qualquer um agoniado com o que viria em seguida. Sem contar que a dificuldade de decidir sobre tirar ou não Lucien de cena deixou a trama regada de expectativas. Pensei que Freya não seria tão brutal em sacrificar uma adolescente, principalmente por ter se tornado braço direito de Vincent. A personagem mostrou com maestria o que é ser sugada pela proposta de Mikaelson em primeiro lugar e, sem dúvidas, este episódio foi seu ponto de evolução.

 

Vamos lembrar que, lá na S2, Freya não pertencia à família e ninguém se dava ao trabalho de acreditar nas suas intenções e no seu poder. De excluída, essa moça se tornou parte vital dos irmãos. 5 estrelas aqui.

 

Inclusive, Freya quebrou o ciclo vicioso que fazia Klaus ser sempre o responsável pelas empreitadas drásticas e isso me deixou contente. Esperava mesmo a repetição do híbrido feroz como isca de mais um finale, mas a bruxa bateu no peito e tomou uma decisão difícil, tendo só Elijah de cúmplice. Pela sua família e não por capricho.

 

TO-3x20---Freya

 

Nunca vi essa moça Mikaelson tão forte, tão presente e tão firme na trama como agora. Ela assumiu a bronca do episódio na companhia de uma Davina inerte no real e apavorada no plano dos ancestrais. Esta semana foi delas, inclusas em um conflito intrincado que rendeu o melhor da atuação de ambas e grande participação no caos central. Detalhes que não vinham acontecendo desde que esta temporada começou. Nisso, estou feliz.

 

Mas fico infeliz porque Davina se foi em uma tacada só junto com Cami, somando a queda de duas personagens que tinham mais potencial que muito avulso do Quarter. Ainda não aceito o fato de ambas terem sido cortadas em meio a uma transição pertinente. E elas nem eram coadjuvantes, marcando presença desde o início de The Originals.

 

Davina cresceu gradativamente ao longo das temporadas. Ela teve até bons momentos com Kol na versão humana e, depois disso, se apagou. O suposto encerramento da sua saga em TO pode ter feito sentido no quesito trama, mas está bem longe de ter sido justo também. Não quando a bruxinha não aprendeu a lidar com os próprios erros, não aprendeu a ser mais dominante contra os Mikaelson e a não depender tanto assim de Marcel (algo que até melhorou, mas não tanto).

 

No fim, o que me alivia é que a morte dela não foi em vão e esdrúxula como a de Cami, porque ela representou um papel vital nessa tal guerra (algo como tia Jenna). Ela foi capotada por Kol, foi derrotada pelos ancestrais e propiciou a queda de Lucien. Não tiro o mérito da decisão de Freya que claramente não fez isso por frieza. Foi um dia péssimo pra geral, não havia muito que fazer, e o episódio mostrou sabiamente que uma jogada perfeita pode desencadear uma onda pior de perrengue. E, daí, temos Marcel. Que crescerá à custa de quem? De Davina!

 

Marcel tem chance de brilhar até o season finale (à custa de Davina). Quero acreditar nisso porque aí está um que poderia ser cortado e não faria falta nenhuma. Se fosse na S2, teria uma opinião completamente diferente, mas, agora, só o vi ser beneficiado pela morte da sua querida – a pessoa que presenteou com várias mancadas imperdoáveis. O personagem virou parasita das histórias alheias e isso também não é nem um pouco justo. Vamos ver o que rola!

 

TO-3x20---Vincent

 

Não posso dizer o mesmo de Vincent, que continua a ser o melhor personagem masculino da temporada. Ele começou o episódio cuidando de Aurora, sendo parceiro de crime de Freya, para depois contestar sua origem bruxesca e, em seguida, ver a adolescente que trollou se perder para todo o sempre no plano dos ancestrais. Esse cidadão é tão bem talhado, tão marcante na história, que suas mudanças de comportamento e de posicionamento lhe são muito naturais.

 

Bastou um sorriso de leve para indicar que os Mikaelson brincaram com fogo. Inclusive, fortaleceu que o bruxão é a pessoa mais estrategista do Quarter. O serum dado ao Marcel foi uma investida surpresa que merece 5 estrelas. Não esperava, pois, com a queda de Lucien, apostei no novo retorno de Aurora – moça que não contou com um fim.

 

Além de se mostrar como estrategista, Vincent se revelou como um velho e bom conhecedor da história de New Orleans e das pessoas que ali vivem. Ele não só ofertou o serum, mas incitou o lado de Marcel – o melhor, diga-se de passagem – que morreu na S1: o dono do Quarter. Fato é que tornar amigos em inimigos deixa as coisas mais interessantes.

 

Principalmente entre os Mikaelson que acreditam que ainda possuem pleno domínio de tudo e de todos. Lucien era deveras irritante, não tinha propósito forte, e sua morte veio com uma ironia deliciosa. Às vezes, penso que Tristan teria se saído melhor nesse papel por ser contido, elegante e desequilibrado por natureza. Algo que não se pode dizer do primogênito do híbrido.

 

Um adendo em nome das personagens

 

TO-3x20---Kolvina

 

TO mostrou com mais vigor que o homem precisa perder a mulher que ama para ser uma pessoa melhor. Klaus estava outra pessoa (e amei, confesso), sendo que deveria ter começado a ser essa outra pessoa desde que Hope nasceu. O mesmo vale para Kol, que também me fez feliz ao tentar ser melhor por gostar de Davina, mas a coisa fica errada quando bloquearam o que o faz pior. Isso impediu o processo de evolução dele porque centralizaram tudo no romance.

 

Talvez, a circunstâncias Kolvina teriam sido diferentes se ele tivesse se confessado desde o começo, pois ela estaria mais preparada para lidar e para levar os pedidos dele a sério. Agora, Kol “será ele mesmo”, como se Davina fosse realmente a única razão de ter empacado sua verdadeira natureza.

 

O que podemos tirar de lição disso é que, por mais que tenha rolado a morte de Davina e de Cami, os personagens masculinos são muito dependentes e quem paga por isso é o elenco feminino. Até Lucien entra nessa, que virou quem virou por Aurora e por recalque ao Klaus.

 

As mulheres de New Orleans são diferentes das de TVD por serem independentes, mas nem isso as impedem de ser sacrificadas para fazer um boy agir como nos velhos tempos ou para botá-lo de volta à razão. Sem contar que, por mais que sejam independentes, o mundo delas continua a girar ao redor e a favor deles. Salvo Hayley que é a única que ainda tem sua autonomia e morro de medo do que podem fazer com essa linda agora que resolveu dar chance ao que sente por Elijah.

 

Não é de hoje que personagens de Plec e amigos perdem todas as características fortes para ficarem na sombra do ombro do crush e que homem passou a ser priorizado de forma tão descarada ao ponto de fazer com que várias mulheres sejam substituíveis. Assim, as séries da Julie só têm protagonismo masculino e o mínimo que ela poderia fazer era valorizar as moças que têm no cast.

 

Triste é que a grande maioria foi cortada para acarretar dor no homem de maneira a evoluí-lo. Qual é a dificuldade de investir em mais Hayleys? As coisas funcionavam perfeitamente nesse mundinho, mas só foi conhecerem a palavra fanservice que tudo se perdeu.

 

A diferença entre TO e TVD nesse quesito mora nos detalhes. Volto a citar Hayley, que perdeu Jackson e se tornou mais forte. Ela é um milagre nesse universo! A little wolf sempre optou pela luta em vez do que sentia pelo Elijah. O mesmo vale para Freya que, apesar dos freelas, tem autonomia para contar com muito mais além de ser a salvação dos irmãos e babá de Hope.

 

Nenhuma delas saiu culpando meio mundo pelas baixas pessoais. Elas entraram em ação de maneira mais inteligente que todos os homens que foram subitamente afetados pela perda das mozonas. Isso me dá um pouco de esperança de que nem tudo está perdido em TO, embora só tenha Hayley e Freya para contarem história agora. Um saldo baixo de mulher no cast e que deixa muito a temer.

 

Concluindo

 

TO-3x20---Marcel

 

A profecia não morreu e, na roda, tem Vincent, Marcel e Kol. Supostamente o inimigo, o amigo e a família. Soa perfeito agora e penso que os ancestrais não serão tímidos.

 

O episódio teve um peso emocional muito grande regado da agonia de menina Davina. O paralelo de cenas entre ela e a briga de Klaus vs. Lucien me deixou com o coração na mão. Por mais que lamente a morte da bruxinha, dou amém por não a terem trazido de volta. Isso é coisa de TVD, não consigo me desvencilhar, mesmo que TO tenha uma justificativa aceitável. Se, no fim, a jovem tivesse voltado, isso tiraria todo o aspecto de inimigo + guerra + luto + sacrifício, sequência que o roteiro, por vezes enrolativo, engatou com sucesso.

 

E não é que apostaram em uma resolução mais complexa em vez da receita pronta de Esther? Isso ajudou tanto na qualidade deste episódio (que foi ótimo, inclusive, mesmo com a minha birra sobre o que rolou com Cami e agora Davina). Dá para botá-lo nos favoritos!

 

Só que tenho dúvidas sobre a morte de Davina, embora o espírito dela tenha sido bloqueado. Van fez algo, não sei, antes de morrer e ele acreditava cegamente no propósito dos ancestrais de uma NO sem Mikaelson. Sei não. A adolescente, marcada pelos inimigos do além, me soa como surpresa para fortalecer Marcel (pedindo pra ser trouxa, eu mesma).

 

PS: sei que a memória de Rebekah é importante, mas sério mesmo que usaram essa moça para iniciar um conflito fantasma – que amém não deu em nada? De-sa-pe-guem!

Stefs
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