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14/maio

Como é bom quando você não tem mais expectativa, nenhuma mesmo, com relação a algo que um dia foi uma de suas paixões. The Vampire Diaries entregou um season finale até que mais decente em comparação ao arco S4-S6, mas apostou na única coisa que certamente ainda sabe brincar: as emoções e as fraquezas dos personagens. Porém, lá estava ela, a ausência de trama intrincada, a ausência de complexidade, a ausência de um vilão. Um combo que deixou este final de temporada bom, mas muito a desejar. Pelo menos, confirmaram de vez que, mesmo sem Elena, não conseguem mais sair da zona de conforto chamada romance e o que ganhamos é isso. Tentaram inovar e isso rolou, só porque Plec e Cia. copiaram o trabalho de outras emissoras.

 

O que se salva, somando os 22 episódios, é que se preocuparam em criar uma história para a 7ª temporada, que fluiu dentro da limitada criatividade de quem ainda produz essa série. Sem contar que merecem algumas estrelinhas por terem conseguido se virar sem Elena, porém, não desapegaram de uma moça que já não mais existe e que não precisa ser mencionada toda hora para servir de isca para Delena. E, outra, perderam a chance de fazer diferente com os personagens, inclusive com os Salvatore, mas tem que tirar romance de onde não tem. No fim, nada anula a falta de necessidade da CW brindar TVD com mais um ano. Já deu tudo o que tinha que dar.

 

Os picos emocionais seguraram este season finale, jogados sem dó em um episódio que nem contou com o apoio da Armory. Matt foi o personagem que magoou bastante por finalmente ouvir e aderir o óbvio: dar as costas para Mystic Falls. Torci para que Penny o levasse para o além porque, por mais que o ame, não aguento mais seu papel de aleatório. Enquanto isso, o desnecessário vive e Cami está lá no além injustamente.

 

Também acreditei que teríamos uma morte matada quando o coração de Enzo foi ameaçado em uma cena que suei de tensão. Um instante lindo que apostei como o ponto altíssimo do finale, mas a necessidade de manter o homem pelo romance o faz sobreviver a qualquer intempérie. Para que ter mulher empoderada em TVD, não é mesmo? Elena que o diga.

 

TVD-7x22---Caroline

 

Caroline ficou com a missão escolha e não foi surpresa ver Ric ser jogado para escanteio. Outra oportunidade perdida para fazer uma personagem evoluir. Ela deu mais mil passos para trás ao aceitar Stefan de volta na sua vida, apoiando mais a realidade já não mais omissa de que em TVD romance é melhor que conflito de qualidade. Por essas e outras que cansei dessa série.

 

Senti muito pelo professor. Não sabia que me encontrava em um nível de empatia com os esforços dele por Forbes e pelas gêmeas. Um clima gostosinho de Dallas, aniquilado por um Salvatore que, pelo menos, recobrou o juízo ao parar de brincar de ser Damon. Porém, lá estava ele, o fanservice que enfeitou mais um romance para casar com Bonenzo e Delena.

 

E as gêmeas tão gracinhas, né? Fiquei aliviada por elas não terem sido exploradas como deu a entender na sinopse. Se fosse mais que isso, teria panelaço.

 

De tudo, a conversinha entre os Salvatore foi a única coisa que de fato me deixou feliz, pois Stefan brincando de ser Damon soma com os piores momentos Defan desta temporada (que foram praticamente todos). Gostei e ri alto do “não quero ser igual a você”.

 

Cadê o conflito que estava aqui?

 

TVD-7x22---Denzo

 

Tirando as cenas de choro livre, houve a alternação entre Denzo e Defan, bem conduzida por sinal. Porém, o artifício tentou disfarçar a verdade de que não havia nada de peso para destrinchar e para finalizar mais uma temporada de TVD. Enrolaram e enrolaram. Cada parte do plano para salvar Bonnie levava 10 minutos para se pensar e se desenvolver, entremeado aos instantes de tristeza. Armory só estava ali de enfeite porque o objetivo deste episódio era fazer todo mundo ficar de bem e se beijar – e nesse quesito foram bem-sucedidos.

 

Quem era para ser a grande personagem do finale era a Armory, local que se tornou desimportante em segundos. As 4 estrelas que poderia dar a esse finale se tornou 2 devido a facilidade com que Damon encontrou e queimou o xamã – que estava em um lugar completamente diferente ao que foi visto pela primeira vez. Comodismos de trama.

 

Quis sumir quando o monstrinho sem rosto ganhou a voz da Elena. Não tem motivo para segurar a memória da personagem sendo que a ideia é todo mundo seguir em frente, não é mesmo? Ela só tem sido usada de isca para Delena e claramente não tem funcionado.

 

Tentaram brincar com Atividade Paranormal mais O Chamado, e o resultado não foi bonito. Damon não é um personagem multifacetado e lhe dar uma camada de maldade extra me pareceu tão forçada quanto Bonnie chorando para Enzo em uma das memórias do 7×21. Sem contar que o Salvatore perdeu grande parte das características malignas, o que me faz lamentar muito pela escolha do “vilão” da vez. Michael ainda tem chances de ser mais convincente porque seu personagem não fugiu tanto da cretinice, a não ser nos momentos com a mozona em que realmente amoleceu.

 

A reviravolta Denzo é outro indício de que os escritores já desistiram de criar um vilão de qualidade. Nada como inventar um espírito para ser parasita de alguém, viés que rolou com uma Bonnie que se tornou caçadora para nada.

 

Falando nela, confesso que gostei da maneira como o poder sensitivo de caçadora lhe deu percepção dos outros. Bonnie relutar a nova natureza fez completo sentido em comparação ao que aconteceu com Rayna que não tinha nada que perder suas características implacáveis por não ter relação com ninguém dali. Poderiam ter aproveitado mais da Leslie, tenho certeza que ela traria um finale mais decente, mas rolou a famigerada preguiça que também afeta o elenco feminino.

 

Concluindo para sempre

 

Fato é que o finale não se preocupou com a ação e só deu um tapinha na sujeira para dizer que aconteceu alguma coisa sendo que não aconteceu nada. TVD refrisou seu vício de escrita ao abrir mais janelas de romance e ao apostar em falsas mortes que deixaram de ser um combo que acarreta surpresa e expectativa. Foi um episódio cheio de iscas românticas (Steroline e Delena) na tentativa de abafar o fato de que a série não é mais criativa. Romance é de fato o que mantém esse universo respirando e nem o salto de 3 meses pós-eventos da Armory soou interessante. Damon como o vilão dos vilões dá tristeza, mas não tanto quanto Bonnie sem magia.

 

Se eu ainda estivesse apaixonada por TVD, diria que o finale foi decepcionante. Mas, como Plec e Cia. bem gostam, devolvo tudo com a mesma preguiça ao dizer que foi um término de 3 tags: fraco, raso, fanservice. Chegar perto de derrubar Matt e Enzo, com uma temperadinha Steroline e Delena, não disfarça a verdade de que nada desenvolveu. Claramente, não há mais esforço como nos velhos tempos.

 

Na peneiragem, essa temporada foi até que bacana. Só que sem vilão e conflito, não dá.

 

Adeus The Vampire Diaries

 

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Como todos bem sabem, não farei mais as resenhas desta série. Cansei de procurar mais os defeitos que as qualidades. TVD já não é rica e atraente, e se tornou um esforço que não me dá mais prazer. O único argumento que me faria continuar é se a S8 for confirmada como a última, mas, caso contrário, esse mundo não pertence mais ao meu cronograma.

 

Agradeço e muito pelas pessoas que leram as resenhas até aqui, que conversaram comigo nos anos que se seguiram, que se tornaram meus amiguinhos. Agradeço também a quem me visita nas sombras, lê e sai sem dizer nada (por queeeee sou muito legal, ok?). Foram 5 anos de aprendizado (comecei as resenhas na S3) e sinto que cumpri minha missão com TVD. O que mais me deixa tranquila é saber que não estava errada em vários aspectos e que ainda há, ou havia, fãs que conseguiram enxergar o quão problemática essa série se tornou junto comigo.

 

Essa aventura foi elucidante em vários quesitos, mas deixou de ser uma fonte de aprendizado para se tornar aborrecimento com cara de obrigação. E quando chega no clima de obrigação é hora de parar (mas isso não quer dizer que não haverá piadas no Twitter).

 

Manterei The Originals porque, apesar do cavalinho de carvalho branco, lá ainda há personagens ricos e uma trama que suprime o quanto pode o tal fanservice.

 

Obrigada mesmo por essa jornada linda ao lado de The Vampire Diaries. Há um buraco agora para uma nova resenha, então, se tiverem sugestões, joguem aí nos comentários.

Stefs
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