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11/jun

Demorou, mas estou aqui para falar um pouco do quanto Alanis Morissette é importante na minha vida. Em meio a tanta música pop que consumia sem um pingo de vergonha na face nos anos 90, surgiu essa mulher, com seus longos cabelos negros, jeito de hippie, e timbre poderoso, confortar as emoções de uma adolescente raivosa.

 

Já contei várias vezes pra vocês que toda a cultura musical dos anos 90 era mostrada e ditada pela MTV, tanto a gringa quanto a nacional. Contei também que a internet nem tinha nascido direito nessa época, embora começássemos a curtir o florescer da versão discada que era o mesmo que nada – e nem tinha tanta coisa pra acessar a não ser blogs. Sem esse universo online que apreciamos hoje, nosso entretenimento estava concentrado na tela quadrada mais conhecida como televisão – e que agora nem sei o que é isso.

 

E, claro, o rádio que também vivia sintonizado nas Metropolitanas da vida.

 

Adolescentes BR dos anos 90 tinham o ritual: chegar da escola e sintonizar na MTV. E a MTV ficava o dia todo berrando na sala até um dos pais acabar com a festa porque precisava ver o jornal das 20 horas. Ao menos, era desse jeito que rolava comigo. Havia uma TV no meu quarto, mas a da sala era maior. E por ser maior, isso significava que era mais alta (a lógica da criança que aumentava o volume pro prédio todo ouvir, isso mesmo).

 

Os adolescentes dos anos 90 foram educados musicalmente pela MTV. Aqui e acolá. E, digo mais, todo o conhecimento cinematográfico vinha de um lugar chamado locadora.

 

Por ter comparecido fielmente ao canal 32, o meu gosto da época não tornava possível meu encontro com uma artista no estilo de Alanis. Fui da turma do pop chiclete, amava Spice Girls e Backstreet Boys no mesmo patamar, e até ouvia outras boy bands (não tanto outras girl bands porque sou fiel às apimentadas). Além disso, alimentava minha paixonite pelas cantoras solo do pop, que nada tinham a ver com o som de Morissette. Meus tímpanos não conseguiam com a barulheira do rock, desde Nirvana até Metallica, porque Sometimes da Britoca muito melhor.

 

(até que a primeira música que minha irmã cantou na vida foi Whiskey In The Jar do Metallica, o que chamou minha atenção para esse negócio aí de rock com os hormônios à flor da pele).

 

(e vale dizer que Stefs tem o capítulo “fui gótica”, mas essa é outra história pra quando falar dos Evanescence da vida).

 

A Stefs daquela época achava impossível a mesma pessoa ouvir rock e pop. Até porque os anos 90 trouxeram o peso das chamadas tribos, igualzinho aos filmes de comédia romântica como Ela é Demais. Nosso mundo musical nos rotulava tão quanto não ter o tênis que estava na moda. Havia as patricinhas alienadas associadas ao mundo pop (só faltou eu ser rica porque alienada eu bem era) e as losers diferentonas intelectuais que curtiam o rock – que não era tão escancarado assim porque rock costumava ser tratado como coisa de menino. A música era nosso fandom, o que nos dividia e comandava o nosso estilo de se vestir, de falar, etc..

 

Não posso esquecer que muito da cultura nacional da época também regia entre nós e nos definia, tipo a galera que fazia cosplay Felipe Dylon, de surfista em SP, ou amo forrózinho com Falamansa. A MTV Brasil nos anos 90 era bastante democrática, mas quem cantava em ‘ingreis’ ganhou meu coração primeiro.

 

O que se via na televisão, de modo geral, fundamentava nossas vidas. Essa era a verdade.

 

Nunca cheguei a bater no peito e afirmar que aos 15 anos sabia exatamente aonde pertencia porque me recordo dessa versão de mim quicando em panelinhas na tentativa de ser aceita por todo mundo. Tive conflitos de autoaceitação e de validação externa, o que me ajudou a ser uma nômade – às vezes, batia aquela sensação de que ninguém gostava de mim, pensem. Tinha minha casa fixa, aonde amava ficar porque as meninas eram como eu, mas queria mesmo era fazer papel de trouxa e fiz papel de trouxa várias vezes para nunca mais esquecer.

 

O que fazia sucesso na MTV era o famigerado Disk MTV, sempre a conversa do dia seguinte ou do telefonema do mesmo dia entre as amigas (os BSB ficaram em primeiro lugar de novoooooo). Mais tarde, com a chegada da TV por assinatura, quem a tinha contava com maior acesso à música (e aos filmes). Quando tive esse benefício, ampliei minha grade de música pop com Mandy Moore, A*Teens e Jessica Simpson.

 

Para vocês terem ideia do quanto meu caminho era completamente oposto ao de Alanis, meu vício pelos BSB me fechava para todo o resto. Era onde gastava meu dinheiro do lanche (10 reais na década de 90 dava para um Nº1 do Mc + sorvete que era igual a 5 dias de lanche na hora do intervalo), com pôsteres e revistas. O mesmo valia para a Britney, Sandy & Jr., Leo DiCaprio e, mais tarde, para Harry Potter. Fangirl de berço.

 

Stefs com 15 anos era uma garota do pop. Gosto ainda de música pop, mas filtro demais. Agora sou do time das bandas que tem uma sonoridade que me lembra céu cinza (tirem suas próprias conclusões diante de uma pessoa que teve uma fase extremamente rosa).

 

Toda essa pré-história vem do óbvio: Alanis entrou na minha vida graças à MTV. Mais precisamente por causa de um programa que era sensacional e que sinto falta até hoje: o Acústico MTV. Foi quando descobri que gostava desse tipo de som, muito mais que as versões de estúdio de alguns artistas (até hoje é assim por me lembrar de dias cinza). Esse especial era mais focado em divulgar a turma do rock (Nirvana, maior exemplo), mas tinha lá suas Shakiras (e o acústico dela é sensacional, vale dizer).

 

Por meio desse programa, comecei a ampliar meu repertório nacional também – só ouvia Skank e pescava Legião Urbana, as melhores heranças da minha adolescência –, como a Cássia Eller. No geralzão, meu gosto musical aumentou graças a esses especiais e o mesmo valeu para minha aproximação do rock.

 

A MTV editava algumas canções para lançá-las em formato videoclipe no Disk MTV. Foi aí que Alanis me arrebatou para nunca mais me largar.

 

Foi assim que tudo começou:

 

 

You seem very well, things look peaceful. I’m not quite as well, I thought you should know.

 

Meu passo rumo ao mundo Alanis começou com o vídeo acima, retirado do seu especial acústico. Não me lembro exatamente o que senti na primeira vez que ouvi essa música, mas tenho a certeza de que foi um instante que impactou uma vida que não estava tão boa. Primeiro contato que me levou ao famoso, consagrado, inesquecível e eterno Jagged Little Pill.

 

Sei que You Oughta Know versão acústica me conquistou pelo peso do violino antes de eu pensar em ir atrás da letra, um amor instrumental que já vivia em mim graças a minha rainha Céline Dion. Lembro que uma das minhas amigas tinha esse álbum acústico da Alanis (a MTV lançava todos no formato CD, bonitinho, amava) e pedi emprestado. Tive dó de devolver porque o amor era real. Vocês não fazem ideia do estrago maravilhoso que esse emprestar acarretou na minha vida.

 

Mas quem é Alanis em nome da Deusa?

 

Alanis Morissette: Gêmeos, fez aniversário no dia 1º (motivo deste post), nasceu no Canadá, tem uma família linda e cheirosa, venceu a depressão pós-parto. É uma mulher que dominou um ramo “somente de homens”, conquistou várias vezes o posto de álbum mais vendido nos EUA por uma mulher e de álbum de estreia mais vendido no mundo (o inesquecível Jagged Little Pill). Continua a ser uma das mulheres mais influentes na cena musical, mesmo caladinha no seu canto esperando o 2º baby, e, atualmente, tem uma coluna de ajuda no The Guardian.

 

Calma que tem mais! Há algo na história de Alanis que a relaciona com Céline. No caso, iniciar a carreira na bolha Canadá para depois ir para a América – lugar em que eclodiram. Em Los Angeles, Alanis fez Jagged Little Pill nascer, em 1995 com apenas 21 aninhos (eu tinha 9 anos), álbum dono de 6 singles com selo de hits. Sucesso que não veio em um passe de mágica porque a gravadora Maverick ralou para fazer You Oughta Know tocar nas rádios. O motivo? Já havia mulher demais, como Tori Amos e Sinead O’Connor, e não precisavam de outra. A chamada de atenção para o single debut caiu nas mãos de um DJ.

 

Sua consagração foi fortalecida não com os álbuns que vieram depois, embora tenha muita música boa também, mas com o Acústico MTV que foi lançado em 1999. Investimento que a fez voltar à lista de artistas mais vendidos pra choro das manas do pop.

 

Mesmo que tenha começado a viver seu sonho em 1991, foi em 1995 que tudo mudou. E foi em 1999 que vários adolescentes conheceram Alanis Morissette por causa da querida e falecida MTV Brasil (pra mim ela faleceu pós-Didi como VJ). Com certeza, muitos de vocês já devem ter ouvido Ironic, a citada You Oughta Know, You Learn e Head Over Feet, alguns dos hits de Jagged Little Pill. Eu amo esse álbum inteirinho e não ligo pelas milhões de versões dele que existem no mercado.

 

E tem quem reclame porque, de fato, Alanis ainda se prende ao Jagged Little Pill. Feliz ou infelizmente, foi o álbum que a fez subir na carreira em um piscar de olhos, um projeto musical completo de uma artista completa.

 

Alanis tem 9 obras de arte de estúdio (incluí Feast On Scraps porque sim), mais uma pancada de material que, em grande parte, é referente aos aniversários de JLP. Quem se importa? Eu não ligo, apenas amo. Fora o mencionado, ela tem outros álbuns que valem muito a pena ser ouvidos, sou suspeita pra falar porque não consigo ter dúvida diante de algo que considero sonoramente maravilhoso.

 

Tirando o JLP, gosto muito de Under Rug Swept, álbum que merecia mais atenção por ter sido aquele que Alanis bateu no peito e disse que o produziria sozinha. Dele, nasceu Hands Clean, que emplacou rapidinho e vocês também devem conhecê-la. Esse projeto de 2002 tem uma sonoridade mais “pesada” considerando os padrões de Alanis e do próprio JLP. Confesso que, na época que o ouvi, demorei um pouco para me habituar.

 

Tem o So-Called Chaos, de 2004, que é meu 2º álbum favorito. O 3º favorito fica por conta de Feast On Scraps, de 2002. Não posso esquecer de Supposed Former Infatuation Junkie, de 1998, que também merece uma dose de amor. Um trio que só consegui curtir verdadeiramente anos mais tarde quando a internet virou banda larga (saudade Discografias do Orkut).

 

Havoc and Bright Lights, de 2012, merece ser mencionado neste post porque me lembra de… Jagged Little Pill, só que de um ponto de vista mais adulto, com direito até uma música para o filho. Último álbum até então, cheio das verdades, e só resta a bad em alguns momentos.

 

Qual é o grande problema com Jagged Little Pill?

 

Alanis---Jagged-Little-Pill

Capa do aniversário de 20 anos do Jagged Little Pill.

 

Não há problema algum, ué. Quando digo que é perfeito, é porque é. Porém, o que incomoda muitos fãs assíduos, e que me faz lembrar dos anos 2000 feat. chamar todo mundo de poser, é que geral só conhece Alanis pelo Jagged Little Pill. Nisso, dão a esse álbum o selo de melhor que todo o resto. Aí até eu fico de cara, mesmo eu sendo a pessoa que defende JLP com unhas e dentes, doa a quem doer. A cantora tem outros álbuns de mesma qualidade e/ou superiores ao JLP. Under Rug Swept e So Called Chaos são exemplos.

 

A própria Alanis também não dá chance para JLP cair no esquecimento (e nem tem como, o álbum fez história nos anos 90). Ela celebra os aniversários com mais álbuns e nunca, nunca mesmo, tira do repertório os hits que nasceram desse projeto. E nem pode, né? Ficaria frustradíssima se fosse a um show dela e simplesmente não ouvisse pelo menos 4 dos 6 singles lançados. Fato é que essa mulher canta mais as faixas que a consagraram – e que automaticamente todo mundo prefere.

 

Por ter sido rotulada só com a existência de JLP, entendo a dificuldade de abrir o leque musical quando conversamos sobre Alanis Morissette. A culpa também é dela, que vira e mexe só dá revival nesse álbum e as emissoras da vida só sabem transmitir o videoclipe de Ironic.

 

Jagged Little Pill: o álbum da minha vida

 

You live, you learn. You love, you learn. You cry, you learn. You lose, you learn. You bleed, you learn. You scream, you learn.

 

Pensando no arco do início dos anos 2000, no meu pódio de álbuns da vida há uma treta. Tem Stripped da Aguilera junto com JLP da Alanis. Empatadinhas por terem o que me faz morrer: honestidade. Elas desbravaram o que havia dentro delas e colocaram no papel dentro de uma variedade de temas, desde amor até dizer para a garota que as está ouvindo que não tem nada de errado em ser quem elas são.

 

Sutilmente, e sem ninguém dizer, ambas são responsáveis por álbuns empoderadores e mostraram que sim, uma mulher pode fazer o que ela bem entender, inclusive no ramo musical.

 

Alanis surgiu no cenário como uma mulher independente, natural e sem papas na língua, algo raro nos anos 90. Detalhes que representam seu verdadeiro eu. Inclusive, ela trouxe um contraste tremendo se pensarmos que “só o homem do rock podia ser livre, o falador de palavrão”, enquanto as meninas do pop cantavam sobre relacionamentos e faziam coreografias. Ela dizia o que pensava e poucas tinham uma tremenda oportunidade dessas.

 

Em resumo, Alanis trouxe personalidade do ponto de vista feminino para a música da época.

 

Em Jagged Little Pill se explora o amor, o papel de Alanis como mulher, o quanto a vida é uma trolladora, o quanto devemos aprender com tudo que nos acontece, o quanto devemos ser bons com quem somos até nos dias ruins, etc.. Stripped a mesma coisa. Esses álbuns jogaram na minha cara, e ainda jogam, que não é errado se sentir vulnerável, ser sexy, ser forte, vencer, fazer uma análise crítica social e interpessoal e que se dane os trolls.

 

O que mais toca em ambos os casos é que elas dizem que tudo é transponível. Você pode até sofrer, mas uma hora tudo passa.

 

I’m young and I’m underpaid. I’m tired but I’m working. I care but I’m restless. I’m here but I’m really gone. I’m wrong and I’m sorry.

 

O JLP foi a transição da carreira de Alanis, que abandonava a adolescência na época e migrava para a vida de jovem adulta. Ninguém acreditava que ela seria rentável, que o álbum seria considerado um dos 10 melhores da década de 90 e que seria um dos mais vendidos até mesmo no Brasil. O mesmo vale para Aguilera que foi desvalidada por ter sido lançada como mais um produto do pop à sombra de Spears, e provou o contrário.

 

Engraçado que, para um álbum de estreia internacional, que não tinha tanta expectativa, a produção contou com uma galera de peso, como o Flea do Red Hot Chili Peppers. Vale até uma coincidência maravilhosa em forma de Glen Ballard que tem os dedos nesses dois álbuns que citei como os da minha vida: ele produziu JLP com a Alanis e co-escreveu The Voice Within, do Stripped, com a Aguilera. Estava escrito, desde sempre.

 

Por mais que a gravadora não acreditasse, investiram no sonho com escolhas certas.

 

E aqui estou eu ainda sendo a maior babona desse álbum.

 

You’re the sweet crusader and you’re on your way
You’re the last great innocent and that’s why I love you
So take this moment Mary Jane and be selfish. Worry not about the cars that go by
All that matters Mary Jane is your freedom. Keep warm my dear, keep dry

 

Mary Jane é minha Soar do JLP. A que pertence à réstia do álbum, quase esquecida depois de tanto hit. Ela sempre me prende. Sempre dói ouvi-la. É aquela música que você não tem o que discutir, você só ouve, balança a cabeça e tenta meditar sobre o que foi dito. Vivi para ser Mary Jane, todo dia.

 

Ao contrário de Soar que lhe empurra para a vida, Mary Jane conversa com a Mary Jane dentro de cada menina ou mulher. Principalmente se ela for como eu, dona de um botão de autossabotagem frenético, tanto nos dias bons ou ruins. A letra me lembra do quanto é preciso ser egoísta em alguns momentos, se não todos, porque o que interessa é nossa liberdade, nosso bem-estar, o que queremos para nossas vidas, sabem? O que queremos fazer e como queremos seguir daqui por diante. Esse é meu hino da Alanis.

 

Se há uma coisa que me atrai são mulheres que se põe em seus trabalhos. Aguilera fez isso com Stripped e depois com Back To Basics (que até gosto, mas Stripped me marcou tanto, mas tanto, que nem consigo contar). Alanis faz isso o tempo inteiro, detalhe que penso ser muito coisa de geminiana. Ao menos, nosso caso que não quer apenas fazer, mas dar sentido.

 

E como me identifico com isso, migos.

 

Um coração que está nas mãos

 

Alanis-MTV

 

Todo artista bom para Stefs é artista honesto e que bota a mão na massa. Não necessariamente serei fã, por motivos de gosto, mas ganha meu respeito. Alanis é o caso, nunca silenciou suas preferências, nunca fugiu do tipo de música que queria fazer e nunca deixou de ser honesta na hora de compor as canções que lhe deram um nome a ser recordado.

 

Volto a citar Jagged Little Pill que para mim não passa de espelho do ser humano incrível que é essa mulher, que se abriu e compartilhou histórias que você pode se relacionar. Um processo criativo que está em todos os seus álbuns. Alanis se tornou meu maior apoio emocional com o passar dos anos e sempre a procuro quando estou perdida – e choro toda vez. Considero seu trabalho como um audiobook que projeta e representa as camadas do meu ser.

 

É a trilha sonora da minha vida, todos os dias. Em todos os episódios.

 

I’m sorry to myself. My apologies begin here before everybody else. I’m sorry to myself. For treating me worse than I would anybody else.

 

Poderia elogiar a voz de Alanis, que é sim maravilhosa, mas quero destacar o peso da sua mão para contar histórias. Sempre que dou uma zapeada nas letras, fico besta como ela consegue contar alguma coisa e passa exatamente o sentimento específico em 3 minutos de música. A maneira como ela não só escreve, mas como indaga, como gera uma conversa na nossa cabeça, me deixa com inveja branca porque gostaria de ser esse tipo de pessoa. É incrível!

 

A facilidade que ela tem em transferir pensamentos e transformá-los em letras sempre me deixou desorientada de tanta admiração que sinto por pessoas talentosas assim. Ela é 100% autobiográfica nas suas canções, o que dá um choque emocional, rende uma pausa para refletir, seja porque a vida tá boa ou ruim, ou porque você só precisa de um instante na companhia dela. Seus álbuns são impossíveis de cansar de ouvir porque se encaixam em todos os aspectos de qualquer vida, independente do que você sente em dado momento.

 

A minha primeira experiência com ela, diante do videoclipe do acústico MTV, poderia ser única e esquecida, até eu entrar no mundo das séries. Lá estava ela em Dawson’s Creek com That I Would Be Good e, mais tarde, no filme Cidade dos Anjos com Uninvited. Alanis estava em todos os pequenos espaços da minha vida e não consegui mais fugir do amor certeiro.

 

(Até a Sandy fez cover de Uninvited para meu grito interno).

 

Como sou uma pessoa que busca significado em tudo, não tê-la na minha vida seria uma heresia completa. Não mantê-la, então, daria direito a ser queimada na fogueira.

 

A principal voz dos anos 90 que ainda está comigo

 

Alanis-2

 

Junto com os BSB, a Aguilera, a Mandy e as Spice, as heranças da época em que Stefs era a moça 100% do pop. E olhem que fui viciada na Britney (ainda a escuto, muito raramente, só na zoeira), ao ponto de ter os CDs e tudo mais, até que o RIR de 2001 aconteceu. Momento que descobri que a moça fazia playback e só rolou a tristeza de quem aprecia o live.

 

Nesse mundo cor de rosa, lá está Alanis que é um caso muito sério na minha vida. Comentei no post da Alessia Cara que faltou vozes empoderadoras nos anos 90 e é a mais pura verdade. O rock até que assumia essa missão, mas os meninos eram quem se engajavam mais. Justamente por causa da lei de que rock era coisa de menino e o pop era coisa de menina.

 

A salvação vinha do rock nacional para muito adolescente. Fora isso, penso que qualquer sobrevivente dos anos 90 tinha que ter a sorte de ter pais com um leque musical mais amplo. Não foi meu caso, claramente nascida e criada com Zezé Di Camargo e Luciano, o que me obrigou a me virar.

 

E o pop, por ser coisa de menina, não mandava uma boa mensagem para adolescentes como eu. As artistas gringas eram objetificadas e isso fazia mais mal que bem – aceno para TAs. As letras eram vazias e fúteis, ninguém produzia nada, todo mundo encoleirado, motivos mais que suficientes para a galera da tribo do rock detestar quem era da turma do pop (e até o Grammy levava isso a sério). Pelo fútil. As coisas só melhoraram em 2002, mais ou menos, quando o pop foi esmagado pelo rock (Linkin Park maior exemplo).

 

Alanis não escreve futilidades, embora brinque com o tema do seu jeito.

We would share and listen and support and welcome be propelled by passion not invest in outcomes. We would breathe and be charmed and amused by difference. Be gentle and make room for every emotion.

 

Minha relação com ela é de pura amizade. Ela é minha melhor amiga de longa data. Um valor que dei tardiamente porque, na época do descobrimento, só a via como a mulher que cantava músicas legais. Alanis foi uma das poucas artistas empoderadoras femininas da minha vida naquela década, e o amor, o altar, vai muito além do fato dela ser geminiana como eu.

 

Mesmo com a treta com a gravadora Maverick, algo muito comum nos anos 90 em que artistas eram explorados demais, principalmente quando se tornavam sensação (algo que não mudou, mas, penso eu, que naquela década era muito pior), Alanis batalhou pela sua música. E continua a conquistar pequenas coisas que a fazem feliz. Seu site pessoal é maravilhoso, com podcast, lojinha virtual, conversas com escritores, causas e tudo mais. É muito Gêmeos!

 

Alanis é aquela pessoa que procuro quando preciso ouvir umas verdades. É uma obrigação pessoal ouvi-la depois que tomo meu sagrado e amado café da manhã. Parece só tristeza, mas é pura positividade. As músicas dela são positividade, salvo as que contam sobre namoros falidos. Afinal, ela escreve para dar conselho – é muito Gêmeos.

 

E as músicas de Alanis são propriamente quotes. Você quer se tatuar com todas elas.

 

Poderia rasgar a seda que for para Alanis, mas acho que deu para notar o quanto essa mulher é tudo na minha vidinha. E espero que ela se torne especial na sua vidinha também.

 

 

Vídeos hospedados no YouTube e podem sair do ar a qualquer momento

Stefs
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