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21/jun

Pode não ter uma temporada completa de Doctor Who este ano, mas não poderia deixar passar a oportunidade de falar sobre a escolha de Pearl Mackie como a nova companion que estará ao lado de Capaldi na 10ª temporada. E, claro, dar um parecer de leve sobre o que espero com relação ao futuro dessa série.

 

Vamos dizer que minhas expectativas estão nas alturas e estou com medo da decepção (quem nunca?). Acredito que Doctor Who é a única série que trato como alívio emocional, aquela que eu sei que não farei comentários pesados, porque o que me faz apegada a esse universo é a magia. Sinceramente, nunca me importei tanto com encaixe de storyline, o que me torna uma whovian muito de boa, mas isso não quer dizer que não sinta falta de algumas coisinhas.

 

Com certeza, tenho saudade da pegada mais científica do Davies, daqueles monstrengos lindos e babões, mas amo bastante os episódios fanfics que Moffat já produziu. Com certeza, tenho saudade da pegada mais séria vista de forma diminuta na Era do 9º, mas amo tudo o que o 11º trouxe pra mesa. Com certeza, tenho saudade diária de Donna, minha favorita, mas amo de paixão os Pond e sempre os amarei com todas as minhas forças. No fim, uma parte do que sentia falta Capaldi supriu ao resgatar a pegada mais adulta de DW. Nada de fanboy mode do Eleventh e sou grata.

 

Agora, preciso saber se Pearl suprirá a outra parte de mim que quer uma pausa de companheira com pose de jovem adulta, como Amy e Clara. Por mais que não tenha simpatia por Rose, sinto falta de companions como ela, como também nos mesmos moldes de Donna e de Martha. Aquelas com mais bagagem de vida em comparação às meninas de Moffat. Sinto falta das manas trabalhando nos shoppings da vida.

 

Assim, eis meu maior dilema quando a conversa é Doctor Who: as companions. Minha taxa de aceitação aos Time Lords é muito alta. Dificilmente tenho problemas com qualquer um deles. Agora, com as meninas…

 

Não sou uma fã resmungona. Dou meus pitacos, mas relevo muita coisa. Desde que DW me traga aprendizado, não tenho muito do que reclamar. Meu dilema mesmo mora, e acredito que sempre morará, na escolha das companions e no que elas receberão de storyline. E isso não tem nada a ver com o fato de eu ser protetora de personagens femininas. Tá, tem um pouquinho, mas não há nada que me irrite mais que esse papo de companheira sendo shipper do Doutor, não gosto – e isso denuncia minha antipatia pela Rose e o arco dela com o 10º, sinto muito.

 

Com a escalação de Pearl, tenho a singela impressão de que tudo voltará um pouquinho aos conformes. No caso, uma pegada mais adulta, com sacadas mais espertas, e uma companheira que deixará os cabelos do Capaldi ainda mais grisalhos.

 

Antes de escrever este post, tive que ler os comentários sobre a escolhida para a tarefa tão cobiçada de companion e queria “desler” tanta bobagem. De 1 opinião positiva havia 10 negativas pelos motivos fúteis que me deixam exausta – porque ela é negra (sendo que já tivemos Martha e ela foi maravilhosa, e isso nem justifica o racismo dessa galera que teve peito de mencionar isso como “um problema”) ou porque ela não é bonita (porque tem que ser bonita pra ser companion). Por mais que não seja tão engajada nesse fandom, dá vontade de sair puxando orelhas.

 

Pearl preencheu meu coração de mais expectativa ao se revelar como nova companheira, algo que sinto desde que Capaldi assumiu a TARDIS. Parece que só agora encontrei a minha Era nessa série, acreditam? Obviamente que não cuspo no prato que comi no passado, porque sou muito fangirl do 11º e dos Pond, turma que terá meu amor eterno por ter sido a primeira que acompanhei do começo ao fim depois de maratonar a Era Moderna. Porém, estava exausta dos saltinhos e da dose discreta de romantização entre Time Lord e companion, detalhe que rebate na trama, mesmo sem querer.

 

Já no final da Era Eleventh, sentia sede por um Doutor mais velho. A escalação de Capaldi foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida de whovian. Até porque foi a primeira que acompanhei, rolando o feed do Twitter desesperadamente a espera do anúncio.

 

A escalação de Pearl me deu mais motivo para acreditar no retorno da maturidade de Doctor Who. Não pensem em “maturidade” como algo ruim, pois sei que dizer algo assim parece até que mando shade para o 11º, um senhor com alma de criança. Não é nada disso. Eu só queria uma freada no ritmo de saltinhos e de risos fofos, algo que já vinha acontecendo desde a Era do 10º (que era um pouco mais maduro, por assim dizer, que o Eleventh). Eu queria o lado dark desse Time Lord de volta, com direito a olhar melancólico e muito receio sobre seu passado e sobre quem se tornara.

 

E a S8 com Capaldi me deu isso. Depois a S9 que sambou demais em Gallifrey.

 

Desde a temporada de Matt Smith, Doctor Who conquistou traços mais jovens de propósito para atrair o público, óbvio, mais novo e fora do Reino Unido. A produção ficou visualmente rica, Karen Gillan foi um achado que não demorou a ser shippada com o 11º, e Rory se saiu como o charminho a mais (pra não dizer uma ponta temporária de um triângulo que não existia). Eis a fórmulinha que a maioria dos teens venera, especialmente nos EUA. Uma vez que se tira isso deles por “versões mais velhas” e “não shippáveis”, temos comentários estúpidos em que 99% envolvem a aparência. Capaldi e Pearl ainda passarão por várias “críticas” desse tipo, mas quem se importa?

 

Fato é que o início da Era Moffat fez tudo certinho, especialmente na escolha do cast que atraiu mais fãs. Smith virou o Doutor mais jovem e foi acompanhado de outros dois atores com idades próximas da dele. Por ter contado com um trio tão adolescente, mesmo não sendo adolescente, a série se segurou nessa fórmula que continuou a aumentar o fandom com a escalação de Jenna (que tem minha idade, mas parece que tem 15 anos) como substituta dos Pond. Ela tem carinha de adolescente, o que não tem problema, mas o crush inicial de Clara pelo Doutor me deixou com um pouco de raiva porque sou dessas que não aceita romance em Doctor Who. Um Time Lord não passa de um alien assexuado para mim.

 

Acompanhada de Matt, Jenna segurou o clima da série que continuava deveras brincalhão, personalidade enraizada do 11º que atraía ainda mais o público jovem para Doctor Who. Quando foi anunciada a saída do ator, tremi na base porque a série tinha atingido um ponto de conforto e não conseguia ver como meu xodozinho do final de semana se recuperaria em nome dos velhos tempos.

 

E quando vi Capaldi em cena, aplaudi com as mãos e com os pés. Era disso que eu estava falando. Era disso que meu coração necessitava.

 

A primeira coisa que foi falada entre os haters do Capaldi é que ele era muito velho para ser Doutor. Uma vez que se atraiu o público jovem, essa turma queria o Doutor sempre bonitinho, de pele macia, com roupas engraçadinhas, um tipão para criar shipper com a companion. Dou amém que Doctor Who é uma série que regenera e estava mais do que na hora de um ar mais carrancudo que renasceu graças ao 12º. Vocês não fazem ideia do quanto fiquei feliz com a escolha, não só pelo ator, mas, principalmente, porque o clima 11º seria aniquilado de vez.

 

Por mais que ame o 11º, o 12º era tudo o que eu precisava (e sempre procurei). Depois de anos da Era Moderna, encontrei meu Doutor, com herança sentimental do 1º e do 9º Doutor. Foi a primeira vez que senti que subi na vida nesse universo e não tenham dúvidas que defenderei Capaldi pra sempre.

 

O 11º foi meu primeiro Doutor porque comecei a acompanhar DW fielmente, todo final de semana, pelo arco dele. A primeira viagem na TARDIS é impossível de esquecer, porém, meu amor pelo 12º foi à primeira vista. A escolha de Capaldi veio na hora certa, dissolvendo o clima jardim de infância que estava desgastado. Só faltava trocar a companion para a faxina ser completa (nhé, meu amor pela Clara definhou no final da S7, acabou na S8 e teve um revival de leve na S9. Mas não sou tão fã).

 

Os novos ares até que tentaram se assentar em Clara, mas a personagem acompanhou o 12ª presa à vibe do Time Lord anterior que não trouxe seu melhor. Detalhe que todo ano de renovação é botado em cheque porque é fato que o Doutor em cena influência a companheira, principalmente na atuação. Matt não foi bom para a Jenna, vide o quanto ela evoluiu na S9. Coleman voltou a ser um pouco mais interessante na companhia de Capaldi. Ele sim foi o desafio dessa mulher que não só teve espaço de atuação melhor, mas deveras desafiador (as duas Claras, socorro!).

 

A escolha de Capaldi me fez acreditar no novo amadurecimento de Doctor Who e isso até que aconteceu. Queria gente com espírito de adulto, como Doctor-Donna e Martha-10º, e o 12º resgatou isso na medida do possível. Ele entrou taciturno até essa expressão amolecer, já que a série exige seus instantes de alívio cômico. Tudo na medida certa.

 

As histórias saíram do mundo de Nárnia do 11º e se alocaram pouco a pouco ao perfil do 12º que exigia mais complexidade. Era preciso storylines que fizessem jus ao tamanho do currículo do novo intérprete e a S9 honrou nesse quesito. O 9×11 é a prova de que Capaldi é maravilhoso, Deus da atuação, e o povo ainda preocupado com a aparência, I can’t.

 

Foi muito bom ver Jenna diante de um ator mais experiente porque ela mostrou do que é capaz e quero que o mesmo se repita para Pearl. Sua escolha fez meu coração gritar de alegria, minha nova esperança de que a série continuará a amadurecer em nome dos velhos tempos.

 

Acho que deu para notar qual é minha expectativa com relação a S10 de Doctor Who: um novo amadurecimento. Claro que é exigir muito, pois os postos principais da série podem até ter facetas fresquinhas, só que temos o mesmo showrunner que pode manter o ciclo vicioso que nasceu na Era Smith. No caso, florear demais, sendo que desejo também uma dose de complexidade.

 

Ainda teremos Moffat pilotando a série (pela última vez), mas muita coisa pode acontecer. Com a escolha tão certeira de Capaldi e depois de Pearl, dá até para dar o benefício da dúvida para esse homem porque com dois talentos de peso não se brinca. Agora sim tem que fazer o job direito. Tem que subir o nível.

 

Uma queridona chamada Bill

 

Pearl-Mackie

 

Juro, preferi não acompanhar nada sobre as suposições da nova companion durante as semanas de mistério em torno da revelação, porque estava crente de que seria uma decepção. Fui ver o resultado com um olho aberto e outro fechado, e fiquei tão feliz. Novos ares, até que enfim!

 

Compartilharei o que chegou até mim sobre a nova companion: Bill tem uma pitadinha de malícia, é descolada, é afiada e o estilo de se vestir denuncia uma nerd dos anos 80. É o primeiro grande papel de Pearl na televisão, já que passou parte da sua vida no teatro. Mandando energias positivas.

 

À primeira vista, Pearl e Peter rimam com casamento perfeito e quero me segurar no 1% de que Doctor Who será mais alucinante. Tudo bem que meu ânimo caiu um pouco pela ausência de episódios divididos em duas partes na S10, artifício que foi benéfico na S9 por ter aproveitado bastante o talento de Capaldi e da própria Jenna. Não digeri ainda essa de fazer tudo sem o agonizante “continua” para dar espaço à nova companion, mas é perdoável desde que entreguem uma season monstro. Daquelas bem monstro mesmo que deixa o cérebro bugado.

 

Gostei e muito da escolha da Pearl justamente por ela reforçar minha maior esperança: maturidade. O 12º pede alguém no mesmo patamar. Jenna conseguiu em alguns momentos, mas precisava de mais caldo para dar conta. Já a nova companion ganhará vida por meio de uma intérprete que me parece mais calejada (peso do teatro que exige mais que a TV) do mesmo jeito que Capaldi. Espero que ambos contem com histórias que os valorizem em cena.

 

Penso que essa maturidade será o maior desafio da futura temporada. Não dá para ter uma leva de episódios medíocres com Capaldi e Pearl em cena. Sem contar que agora tudo fica mais sério porque o 12º terá uma companion para chamar de sua. Ao menos pra mim, Clara sempre será do 11º.

 

A prévia de Pearl com os Daleks aniquilou meu medo sobre essa nova escalação, especialmente porque senti confiança e uma dose tímida de superioridade. Bill tem atitude, nada da típica ingenuidade de companion na vida jovem adulta. Ela me lembrou da Donna que já metia o barraco no rolê, saía indagando e não queria nem saber. Gosto. Quero. Aprovo. Quando começa?

 

Bill também me parece uma companheira que desafiará o Doutor e fico imaginando quantos anos a personagem terá. Pelo que senti, ela é uma mulher adulta que deve ter visto quase de tudo na vida, um belo de um contraste quando pensamos em Amy e Clara.

 

Por mais que haja fortes boatos de que Capaldi sairá com Moffat, quero acreditar que a S10 será a melhor temporada. É bem fato que ainda estou apaixonada pela S9.

 

Pro futuro, faço um adendo: admito que tenho certa confiança no Chris Chibnall, o futuro showrunner, porque amo Broadchurch. Talvez, ele não seja bom para episódios individuais (ele escreveu os mais fracos de DW, como Dinosaurs on a Spaceship) e como produtor pode ser outro nível já que a história estará completamente em suas mãos. Tenso é que esse homem manda bem em contexto criminal, mas claramente não tanto quando conversamos sobre sci-fi. Oremos!

 

Se tudo der errado, foco que teremos Missy na S10.

 

E eu só queria que a nova temporada começasse agora mesmo.

Stefs
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