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15/jun

Muitos já devem ter se deparado com a “ideia” de que “devemos fazer o bem só quando convém”. Infelizmente, muitas pessoas ainda pensam que retribuir só se houver a garantia de receber algo em troca, comportamento que pertence a um dos mais incorretos da raça humana. A pior parte é que esse “receber algo em troca” tem que ser palpável, não uma vida mudada e/ou um coração quentinho com gosto de missão cumprida. Duas das melhores sensações do mundo que nos relembra que não é preciso ser motivado por bens materiais para realizar uma ação para o bem porque uma ação para o bem é um ato diário. Que vem de dentro. E não necessariamente lhe dará grana em troca.

 

Qualquer ação voltada para o bem é fonte de energia, especialmente quando os dias estão complicados. Nos esquecemos disso também em meio aos instantes em que, geralmente, nos achamos desmerecedores de qualquer cuidado – e achamos que qualquer pessoa também não merece o mesmo porque o universo não tem correspondido as nossas expectativas. Daí, entramos em outro impasse que é fazer o bem só quando se está bem, sendo que não é preciso esperar esse timing para realizar algo bom. O mundo continua a girar enquanto estamos tristes e é quando devemos lutar mais um pouco para que nossas ações positivas não sejam consumidas pelas negativas. Não só no nosso mundinho como no mundinho de outras pessoas, conhecidas ou não.

 

Acreditem em mim quando falo que, uma vez que você ajuda, de coração, sem chantagem, sem esperar nada em troca, sem expectativa, essa energia do bem circula e lhe traz uma nova corrente do bem recompensadora. Um resultado de uma ação positiva que nada tem a ver com um carro do ano, mas com o impacto positivo que move o mundo. Ato que vem do se importar. Ato que, no fim, enaltece a evolução do ser humano.

 

A cada dia estamos mais carentes desse importar, vendo, diariamente, o céu ser tingido de vermelho por causa da intolerância e do preconceito. Tanta negatividade que não deve servir de desculpa também para não fazer nada. É aí que realmente precisamos fazer algo, por menor que seja. Não importa como.

 

E a maior prova disso vem do quote de hoje.

 

No episódio 1×13 de Chicago Med, Jay Halstead disse:

 

Acho que, se nos importamos, então, aconteça o que acontecer, é pra alguma coisa. Podemos não ver o efeito, mas está por aí e circula por toda parte. Tornamo-nos muito melhores, sabe?

 

A situação:

 

O quote deste post é um tabefe dado na face de Will, o irmão cabeça dura que passara por um tremendo perrengue em Chicago Med. No caso, não respeitar o desejo de uma paciente em não ser ressuscitada. Mesmo diante da papelada judicial que reforçava tal compromisso, nada o impediu de passar por cima e de ainda se achar no direito de nortear um novo tratamento para salvá-la, praticamente por debaixo dos panos. Ele chegou perto de ser processado, teve o filme queimado, mas continuou a correr atrás do que achava certo: mantê-la viva.

 

No fim, nada deu certo porque a paciente falece e o que restou foi mais culpa que absolvição.

 

E lá foi Jay arrematar um episódio, pesando seu significado, ao tentar aliviar o remorso do irmão que achou que não fizera o bastante pela paciente. Apesar de ter errado em não obedecer ao desejo, o que se tirou de lição é que, mesmo intrusivo, Will batalhou para fazer o bem. Passou por cima da chefia, dos colegas, da mulher que gosta, de todo mundo por intencionar o melhor resultado dentro do que as circunstâncias lhe permitiam.

 

O impacto dessa fala não veio apenas do seu significado, mas por vir de um personagem (que na realidade é de Chicago P.D.) que é assertivo e seco. Daqueles que cutucam a ferida sem dó e jogam a verdade na face.

 

Jay tem um temperamento difícil, basicamente herdado do seu tempo no exército, e é famosinho em explodir em momentos inesperados. Apesar disso, ele se revela, ao longo das temporadas, um ser humano de coração e de valor. Mesmo com todos os problemas, erros e traumas do passado, que dá para imaginar levando em conta que serviu no Afeganistão, nada disso o endureceu. Mesmo que tenha uma parte do seu ser meio dura, nada o impede de fazer o bem. Não é à toa que depois da experiência militar, o personagem decidiu seguir carreira na polícia.

 

Imaginem se Jay parasse de ajudar os outros por conta de seus traumas na guerra? No mínimo, ele estaria ocupado culpando os outros, afirmando que bondade não existe. Nem altruísmo. Muito menos empatia. Porque o mundo não lhe deu algo em troca a não ser as marcas do serviço militar.

 

E vivemos isso hoje em dia, não é? Sentimo-nos exatamente dessa forma quando não estamos muito bem, não é? Vemos tanta coisa ruim ao ponto de acreditarmos que não há mais razão para tentar combater com o bem. Daí, entro numa outra questão que acredito bravamente: pessoas na situação desse personagem se movem muito mais em pró do outro não só para melhorar o meio, mas o que há de incompreendido no coração. E é isso que se faz, não interessa o passado. Não interessa o caos na sua vida, na vida alheia e no mundo todo. Agir nos faz acreditar que o bem existe. E ele existe.

 

O que importa é o que se faz no presente porque sempre dá tempo de remediar fragmentos da vida com boas ações. Principalmente em dias negros como esses, em que a negatividade em forma de ódio tem suprimido qualquer atitude positiva em forma de amor. Nisso, temos personagens como Halstead que se destacam como aquela pessoa certa para qualquer um correr atrás de conselho porque com ele não há floreios. Não há delongas, só verdades na roda e cabe a você chorar ou não.

 

Fazer o bem nem sempre é tangível

 

A reflexão de Jay deu relevância a um resultado amargo que acentuou a culpa de Will. Ficou a apatia de ter feito de tudo por uma pessoa e se ver diante do fracasso. Ignorando a pisada de bola, foi fácil me ver na mesma situação que ele. Estamos tão habituados em agir para receber, que esquecemos que o bem não exige estratégia para que a recompensa venha na mesma medida. Até nos tocarmos que não precisamos ser reconhecidos o tempo todo e nem ganharmos estrelinhas de boa ação, fica o gosto da injustiça por um ato que não trouxe nada palpável. Resultado: parece que não existiu.

 

Esquecemos que não é porque não vemos o resultado (ou não recebemos algo em troca), seja ele qual for, não significa que o valor e o impacto tenham sido aniquilados.

 

Foi exatamente assim que Will se sentiu por não ter se tocado de que o bem é uma ação diária, uma cegueira vinda principalmente da sua profissão que exige resultados táteis, quase registrados em cartório. Ele não relembrou que fazer o bem não cobra nada e que uma ação pode acarretar recompensas invisíveis. Embora tenha pisado e muito na bola, esse personagem é um exemplo de fazer a espera de algo e, no fim de seus esforços para manter a paciente viva, estava convencido de que não tinha feito nada. Porque ele não pesou sua atitude nas palmas das mãos, não ganhou tapinhas nas costas e muito menos saboreou uma conquista (que não teve).

 

Tomar atitude em pró do outro não deve ser pensado apenas como um escambo, onde aqui se faz, aqui se ganha. Quando o bem vem de um lugar de honestidade, de um ponto genuíno, que até Will sentiu enquanto conflitava com seu dever de salvar uma vida, precisamos lembrar que o maior resultado é a autossatisfação de ter feito algo. Apenas isso. Mesmo que não tenha dado certo no final, nada anula a intenção e o esforço que sempre serão válidos.

 

Embora Will tenha agido com arrogância, com a pose de Deus da medicina que não me fez concordar com os desdobramentos dessa história, ele lutou por uma vida. De novo, se ignorarmos a ultrapassagem de limites da parte do personagem, sua atitude foi importante. Não é todo mundo que está disposto a lutar pela vida do outro ao ponto de chegar perto de perder tudo. Ainda somos seres desconfiados, selecionamos quem merece ou não ser salvo mais por causa de preconceitos, e nisso deixamos muitas vidas que precisam de luz passar batidas.

 

Sem contar que esse personagem agiu cegamente por causa da perda da mãe, dor claramente não superada por um cara que preferiu ficar na rua a fazer companhia a quem lhe botou no mundo. Por não ter digerido a perda, Will intencionou compensar seu erro do passado e não funcionou. Mas isso não quer dizer que não tenha garantido certa dose de aprendizado.

 

Fazer o bem nem sempre afeta o outro como esperamos, mas não podemos endurecer diante de fracassos que, geralmente, não acarretam o bem esperado. Precisamos insistir e continuar. Não interessa se deu certo, quem é você na vida, o que faz, o que come, aonde dorme e assim por diante. Desde que se importe, desde que seja empático, e acredite que o mundo pode ser um lugar melhor com qualquer ação sua, isso é o bastante. É energia e acredito imensamente em fumacinhas coloridas que se embrenham nas nuvens todas as vezes que alguém age em pró do outro. Ações que são impagáveis e que emanam positividade pra todo mundo.

 

Uma vez que nos importamos e/ou fazemos algo, o resultado tende a ser incompreensível. O universo age de maneira misteriosa e é ele o grande responsável em nos devolver cada pequena coisinha que fazemos na vida (e falo universo por ser universal, pois sei que todo mundo tem suas crenças – e sou a pessoa que acredita 100% no universo).

 

Se importar = descobrir o seu impacto

 

Jay 3

Quando Jay tranquiliza o irmão por meio dessas palavras, houve uma identificação imediata e me lembrei do quanto realmente cada pequena coisinha faz a diferença. Voltei a março de 2015, tempo em que ingressei como líder de um capítulo do I Am That Girl Jay 1sem saber direito no que estava me metendo. Mas tinha feito minha mente e investi. Aprendi durante os meses que se seguiram, e continuo a aprender, que conversas mudam. Não só a mim, mas quem está ao meu redor. Assim, percebi que não preciso de milhões de reais para impactar uma vida que seja, algo que acreditei por anos que era o único meio possível para fazer a diferença. Esse movimento me mostrou que o que sempre precisei para impactar era eu mesma e coragem.

 

Em um passado não tão longínquo, acreditei que as pessoas ideais para fazer o bem eram as endinheiradas. Engraçado que muitas delas são as que menos atuam em pró de alguém, basta olhar o que vivemos agora no Brasil. Isso me desmotiva de um jeito inexplicável, principalmente diante de catástrofes naturais em que sempre me vejo sem uma moeda na carteira (e me pergunto cadê os ricos? Bem trouxa, eu mesma). Levei certo tempo para crer verdadeiramente que gestos, conversas, diminutas ações, etc.. também acarretam diferenças. Maior exemplo vem dos textos que publico aqui e por aí, sempre intencionados em causar algum impacto na vida de alguém.

 

O IATG fortaleceu essa ideia de que fazer o bem é possível todos os dias. Aprendi com mais afinco a mentalizar intenções em cada coisinha que faço e o que vem em seguida deixa meu coração inchado de alegria porque sei que mudo a vida de alguém. Pode não ser sempre, mas sempre tem um dia. E não preciso dar um carro para isso acontecer.

 

Infelizmente, se importar ainda vem para muitos como um ponto de interesse. O famoso o que eu ganharei em troca. Muitas pessoas ainda “fazem o bem” dentro dessa “lei”. E o ato não é genuíno, não traz coisa boa e não colore as nuvens de energia positiva. O importar tem que vir dali, do coração, mais precisamente daquilo que você acredita ser seu impacto. Will estuda para ser médico. Jay virou detetive. Posições que não deixam de ser altruístas por prezar o ser humano.

 

Por pensar que dinheiro é a única coisa que move montanhas, saltei completamente a minha crença em energia, a que diz que um ato, bom ou ruim, afeta todo o resto. E isso é 100% real.

 

O mundo não quer uma ação boa a cada 6 meses, pois ele sabe que você pode mentalizar algo bom todos os dias. Vejam bem, levar o dia a partir de um pensamento positivo também afeta todo o resto. Atitude que chega a fazer bem não só para si como para quem nos rodeia. Sem ao menos notarmos.

 

É aí que mora a graça para mim, pois minhas recompensas vêm de lugares inesperados e sempre nos momentos que mais preciso. Positividade que vem por saber que meu agir para o bem e se importar são naturais. Vem de dentro, não maquiada e forçada só para dizer que sou a pessoa mais querida do universo e que merece todos os prêmios.

 

Fato é que não é todo mundo que está preparado para sacrificar algumas coisas pelo bem. Existem pessoas que realmente abrem mão de suas carreiras por algo maior. Às vezes, não conseguem se recuperar porque o estrago nesse âmbito chega a ser irreversível. Este episódio de Med, que concluiu um baita arco da história de Will, até mostrou o quão incompreensível é tomar uma decisão que afeta várias vidas. Não só da paciente, mas de quem convive com ele, quem trabalha no mesmo local, o modo de pensar, relacionamentos. Isso é muito real.

 

Detalhes que me fazem lembrar que quando você acredita na sua missão, na sua fonte de impacto, nasce a parte mais difícil da sua vida e ao mesmo tempo a mais recompensadora. Difícil porque, às vezes, você acredita que não tem os meios. Recompensadora porque de alguma forma você deu um jeito e fez o que tinha que ser feito. Passei por tantos altos e baixos que me fizeram chegar perto de desistir do IATG. E não o fiz. Descobri um jeito e estou aqui até hoje.

 

Para acarretar uma mudança a gente só precisa da gente. Nós existimos para muitas coisas, basta a intenção e o importar para esbanjar energia de bem em cima de algo que acreditamos. Ou, simplesmente, dar aquele bom dia ao cobrador do ônibus que anseia por isso.

 

A questão maior de causar um impacto, de tomar uma ação para o bem, é saber aonde exercitar essa intenção que está sim atrelada ao que você se importa mais. Digo isso porque virá de um ponto genuíno do seu ser. Às vezes, queremos fazer tantas coisas, uma em cima da outra, sendo que podemos focar em uma. No máximo duas. Parece pouco, mas é muito.

 

Até Will enxergar que, apesar dos pesares, impactou uma família para o bem, independente de ter errado grosseiramente, Jay teve que relembrar que uma vez que você se importa o que vem depois é praticamente energia. Justamente porque o Halstead-Doutor amargurou um resultado que não foi tangível. Não veio em forma de promoção e é o que muitos esperam uma vez que tomam uma ação em pró do outro – ou até mesmo para si mesmo, por que não?. Halstead-Doutor queria ver o resultado da sua ação, ver a recompensa pelo esforço em ter colocado a paciente em um novo tratamento. Sendo que, na realidade, o impacto já tinha ocorrido e se espalhou pelas nuvens, dançando no universo.

 

Fazer o bem inspira os outros a fazer o mesmo

 

Jay 2

Você tem que pensar pelo lado bom

 

E não é mesmo? Acredito piamente que, a partir do momento que você se importa e decide tomar ação, a magia se espalha. Causa estrondo. Uma fissura contra a corrente de má fé. Às vezes, focamos tanto nas consequências, tanto em obter algo, que nem pensamos que o mero movimento positivo que fazemos diariamente acarreta uma mudança. Por menor que seja.

 

Tive as mais variadas experiências no IATG e o que aprendi é que uma vez que você descobre no que quer impactar, não tem quem possa lhe interromper. Só você mesma.

 

Como disse, precisei de vontade e, muitas vezes, de coragem para levar o movimento porque minha autossabotagem sempre dá um jeito de interferir nos meus planos e nas minhas atitudes. Às vezes, me vejo retornando à ideia de que nada do que faço importa, mas importa sim. Porque o que faço vem do que Jay disse: posso não ver o efeito, mas o resultado do meu ato circula. E uma vez que circula, o retorno da ação é o que costumo chamar de sinais de que estou no caminho certo.

 

O lado bom das coisas que faço.

 

Ninguém tem ideia do impacto que faz. Ninguém sabe qual é a recompensa pelo ato que não necessariamente significa uma estrelinha. Em linhas gerais, é marcar alguém. É mudar uma história. É tornar algo melhor. Não só hoje, como todos os dias.

 

Todo mundo tem seu impacto, basta descobri-lo. E torná-lo uma missão.

 

Não precisa ser uma missão de passar seis meses na África, a não ser que você possa. Só não vamos nos esquecer de que ações menores também contam e também mudam. Se importar e agir têm um resultado que é comum para todos: faz com que você se sinta bem e queira mais ação para não quebrar a corrente. Não tem nada a ver com ganhar em troca, mas com missão cumprida. De que aquela vida você tocou. Que aquela mudança você fez.

 

Assim, entro em uma das frases que sempre repeti pelos anos do Random Girl: continue o que diabos você está fazendo. Não precisa ser um mega trabalho voluntário, mas qualquer arte que esteja aí na sua gaveta se debatendo para sair, querendo fazer parte da energia do bem.

 

Eu verdadeiramente acredito que as pessoas não estão aqui por acaso. Que elas não assumem determinados papéis para serem meramente ilustrativos. Algumas pessoas são agentes de mudança e são elas que me inspiram quando passo a mensurar o quanto ter dinheiro ou influência poderiam ser mais relevantes na hora de tomar uma atitude para o bem. Ajuda, mas me forço a lembrar de que o que faço também é válido.

 

Vale o lembrete de que ninguém precisa de aprovação para mudar a vida de alguém – a não ser que você seja médico, como Will que passou completamente dos limites. Jay não poderia estar mais correto em suas palavras. Tudo o que fazemos circula. Seja o bem ou o mal, o acerto ou o erro. Afinal, a vida é consequência e sucesso, e atraímos o que lançamos nessa corrente de energia.

 

Portanto, tente uma ação boa todos os dias. Molde sua mente para pensar coisas agradáveis antes mesmo de sentar na cadeira e começar a trabalhar. Elogie alguém. Cumprimente. Lembre-se que basta se importar, agir e mudar. Você nunca sabe quem estará impactando.

 

Imagens: os gifs não me pertencem.

Stefs
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