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08/jun

Preciso compartilhar uma coisa com vocês: Stefs gosta de escrever romance. Ok, isso não deve ter chocado muita gente, mas essa revelação me deixou meio estarrecida dias atrás. Uma surpresa que amarrou a aceitação sobre algo que faço desde a época das fanfics da vida (porque sou dessas que ama uma negação para culpar o universo incansavelmente, sem remorsos).

 

Mas, um dia desses, me vi discutindo comigo mesma sobre o quanto romance tem se tornado superestimado tanto em séries quanto em livros. Assim, parece que nada pode ser escrito a seco, ou seja, sem casal com suas declarações lindas e/ou que coincidentemente tem a missão de salvar o mundo. Claro que escrever um amorzinho depende de quem se prevê como público-alvo. Young Adult, por exemplo, não apetece minha faixa etária, mas nada me impediu de entrar na espiral de: Stefs, ninguém precisa de romance porque já tem romance demais.

 

O que aconteceu? Comecei a escrever os Dias do Passado Esquecido a seco. Assim, já metendo a ação, sem olhar para trás, ignorando que meus personagens podem realmente se gostar mais que o esperado em dado momento. Trocando amorzinho e gentileza por saltos carpados e grosserias. Deveria ficar feliz porque provei a mim mesma que escrever sem uma pitada de romance é possível, mas fiquei com aquela sensação de que faltava alguma coisa.

 

No caso, o romance. Na verdade, o sentimento amor, que me ajuda a escrever histórias melhores. Stefs gosta de escrever romance e se não há romance quem é Stefs? Uma pessoa sem angústia. Eu vivo pela angústia desse sentimento chamado amor, ué.

 

Quando autorizei a parte do meu cérebro que ama romance/amor a trabalhar, a coisa fluiu que foi uma beleza. O que aconteceu é que essa súbita discussão interna veio do lado crítico do meu cérebro, aquele que ama criticar casal fanservice (Julie Plec!), que não queria que eu investisse em romance porque todo mundo faz isso. Inclusive, que dizia que escrevi por anos para não ser essa pessoa. Só que o dilema não é o romance, é ignorar o amor. Nem que seja um amor entre duas irmãs. Esse amor fundamenta meus personagens e tirar isso deles é o mesmo que tirar o fundo verde de um filme sci-fi. Fica uma grande e fenomenal porcaria.

 

Mas o que isso tem a ver com o post de hoje? Simples: não sou tão fã de musicais, daquele jeito assíduo, mas encaro se tiver romance com uma pitada de angústia (tipo Across The Universe que amo para sempre e todo o sempre). Só assisto mesmo se não tiver saída ou se alguém indicou ou se li alguma resenha bacana porque não corro atrás. Detalhes que não são relevantes para agora porque Os Últimos 5 Anos (The Last Five Years) tem tudo que eu gosto: um amorzinho lindo que termina em coração partido.

 

Amo romance, amo amor, mas não pensem que sou aquela pessoa dos finais felizes.

 

O engraçado é que com Os Últimos 5 Anos me vi muito, muito, muito chateada com o final ao ponto de chorar de indignação, como se uma amiga estivesse me contando sobre o fim do seu relacionamento. Vi-me querendo o happy ending de Cathy e de Jamie o tempo todo e fui trouxa. Uma trouxa de maneira tão intensa que não consegui tirar esse filme da cabeça. É por isso que trago para vocês essa dica porque precisava aliviar meus sentimentos.

 

Muito bem. Se você gosta de romance, não importa o tempo ou a proposta, Os Últimos 5 Anos é uma boa indicação. Em vez de se apoiar na construção de um relacionamento de A a Z, esse romance-drama-comédia-musical aposta na desconstrução dele de Z a A, tendo como base os pontos de vista de Jamie, interpretado por Jeremy Jordan (#Supergirl), um jovem aspirante a escritor que no futuro se torna um best-seller, e Cathy, interpretada pela mozona Anna Kendrick, uma jovem aspirante a atriz que não se dá tão bem nesse ramo.

 

Este filme é baseado no musical de mesmo nome de Jason Robert Brown, lançado em 2011. Só que o roteiro foi dirigido e adaptado por Richard Lagravenese (famosinho por Água para Elefantes e P.S. Eu Te Amo), que respeitou unicamente as canções que são originais da peça. O que vocês precisam saber antes de apertar o play é que Os Últimos 5 Anos não engata uma história cronológica, toda bonitinha de começo, meio e fim com uma grande reviravolta. São fragmentos cantados no ponto de vista de Cathy e de Jamie. Isso quer dizer zero de personagem secundário, só avulsos para encher tela.

 

Os-Últimos-Cinco-Anos---Cathy-1

 

Cathy canta as partes tristes do relacionamento. Nos minutos iniciais, a vemos arrasada diante de uma carta de despedida de Jamie. Não sabemos o que aconteceu porque esse é o ponto de partida que emenda na aparição de um Jamie do passado, que é o responsável em cantar as partes felizes. Assim o filme parte do início do fim, passeando no início desse amor até arrematar no instante em que a vemos desolada em casa. Em um tempo de 5 anos.

 

(O único ponto de harmonia é quando rola o pedido de casamento, uma cena linda em que ele começa cantando e depois ela, em uma reprise lindíssima de diferentes pontos de vista).

 

Depois de uma Cathy chorosa, transitamos para um espirituoso Jamie que vê possibilidades no novo romance e que está contente por finalmente ter encontrado a mulher certa. Pelos olhos dele, vemos o amor na sua inocência, podado nas expectativas e fortalecido no casamento.

 

Ela também apresenta instantes felizes, mas seu ponto de vista está mais centrado nas ambições de ambos e como isso começa a desintegrar uma relação que outrora parecia forte o bastante para suportar qualquer coisa. Jamie se torna um escritor de sucesso enquanto Cathy acampa todo ano em Ohio na esperança de fazer uma peça de valor. Ele começa a subir, a alçar voo, enquanto ela fica cada vez mais empacada na vida e esquecida pelo marido.

 

Cathy é uma garota espirituosa, que tenta segurar seu otimismo até o limite da razão. Ela ama Jamie, demais, mas o que absorvi durante o filme é que rola uma frustração constante de sua parte por não conseguir engatar a carreira de atriz. Ano após ano, a personagem participa desse acampamento artístico para aprimorar suas habilidades, faz peças menores sem grande público, mas a vi vivendo em um looping enquanto Jamie seguia descontrolado para o futuro.

 

Os-Últimos-Cinco-Anos---Casal

 

A personagem de Kendrick quebrou meu coração várias vezes, especialmente quando faz os testes para a Broadway e recebe vários não. Se identificar com o flop está no meu sangue e torci tanto para que as coisas dessem certo na vida dela. Vi-me exausta no final de tudo porque acreditei na “tese” de fracasso na profissão, sucesso no amor. Só que Cathy começa a perder tudo e fiquei na corda bamba ao vê-la sem brilho, talvez, por estar incomodada com o sucesso do marido. Não consigo dizer isso com propriedade, porque tudo que vi foi uma mulher correndo atrás do dela até virar a esposa-do-cara-best-seller.

 

Não tem como manter a empatia quando você se torna a sombra do relacionamento. E é o que acontece com Cathy em meio a sua busca incessante de ter a carreira dos sonhos.

 

Por me identificar demais com esse tipo de personagem, aceitei no meu coração o quanto fica meio evidente que seu constante fracasso a torna mais difícil em querer estar com o famoso Jamie. Sério, não tem como ter ânimo depois de tanta negativa na cara. Não sou a melhor apoiadora quando estou na lama e prefiro não me envolver na vida alheia porque dou problema, comportamento que me fez compreendê-la. Cathy me pareceu representar justamente isso, mastigando seu fracasso enquanto o marido só quer os holofotes – e não o culpo porque faz parte da sua profissão. Vale até dizer que não senti que Jamie se tornara arrogante, embora endeusado meramente por causa do reconhecimento que o mundo inteiro estava lhe dando.

 

If I didn’t believe in you, cantada por Jamie, dá a entender que ela está sendo egoísta, já que ele sempre esteve ali, sendo a motivação dela. Só que ano após ano, Cathy se cala, talvez, por não querer mais a motivação, mas a companhia de um homem que não para mais em casa. No tempo de 5 anos, ambos se distanciam e o espaço enorme que nasce entre eles já não tem mais caminho de retorno. Cathy se fecha enquanto Jamie encontra distrações na rua.

 

Nisso, se nota o quanto o Os Últimos 5 Anos é bastante expressivo e muito bem sequenciado para um roteiro que foge do passo a passo do romance, ou seja, de mostrar o primeiro encontro, quando ambos percebem que se gostam, o primeiro beijo e a primeira noite de amor. É um teatro dentro de um filme, que só traz os pontos pertinentes dessa relação para que tiremos nossas conclusões. No caso, de que lado ficamos.

 

Cathy chega ao ápice do ciclo de desânimo perto do final do filme, sensação alimentada toda vez que retorna do acampamento. Ela está vulnerável a cada fracasso e indisposta por não conseguir o que quer. Still Hurting, música que abre o filme, mostra o quanto a personagem está desgostosa com tudo, indagando sonhos, o que um dia ambos compartilharam. Canção que dá uma forcinha para esclarecer os sentimentos de uma mulher, diante da ação do homem, que ninguém sabe se deu a volta por cima.

 

Os-Últimos-Cinco-Anos---Casal-2

 

O filme também se deu bem ao depender de dois atores renomados no âmbito canto e que ficaram incríveis juntos. Ao contrário do musical no teatro, Cathy e Jamie compartilham a mesma timeline no filme, só não sabemos o que virá em seguida – o que traz certa expectativa. O tempo é cronometrado todas as vezes que ela entra no acampamento de teatro, timing que nos leva a um novo fluxo desse relacionamento até culminar no final que eu não queria ver, mas aceitei tranquilamente.

 

É fácil ficar confuso com a timeline de Os Últimos 5 Anos, por isso repito para que vocês não se esqueçam do formato da narrativa. A história é contada como se você pegasse um livro e escolhesse capítulos aleatórios para ler para alguém. Sem contar que não há tanta pausa para diálogos (são bem poucos, quase nulos), o que faz esse filme respirar e vibrar suas canções. Em outras palavras, não ignore as legendas porque elas traduzem a história. E não fica chato. Digo isso com toda a sinceridade porque, como disse, não sou tão fã de musicais em comparação a muita gente por aí.

 

Para quem tem essa mesma dificuldade que eu em se entregar aos musicais, Os Últimos 5 Anos não trata seu repertório musical como monólogos. Nenhum dos personagens fica sentado diante de um belo dia de sol se lamuriando. Embora a peça tenha investido em Cathy e em Jamie em atos individuais, o filme os sincroniza e há bastante movimentação. Não há monotonia e dá para saber que o tempo é outro com apenas uma sutil mudança de figurino.

 

Por ser o coração da história, as músicas esboçam como esses personagens se sentem a todo instante. Elas dão apoio à atuação de Jordan e de Kendrick. Há a voz embargada com o misto de mágoa e de raiva de Cathy como também o cantar entre risos de um desacreditado Jamie que está feliz em todos os âmbitos da vida. Fato é que as partes tristes doem muito mais, sou suspeita para falar porque tristeza é comigo mesma. A carga emocional do filme está nas costas de Anninha e ela está impecável.

 

O que posso dizer que tirei de aprendizado é a famosa angústia que acredito que pesa mais quando o casal é formado por duas pessoas do ramo artístico. Há muito ego envolvido, com certeza, mas generalizarei para ambições que passaram a ser mais individuais que compartilhadas. Está certo que todo relacionamento requer que o seu eu seja mantido, mas Jamie começou a caminhar sozinho, arrastando Cathy como se fosse uma bolsa.

 

Ele atingiu as estrelas e, com o passar dos anos, parece que perdeu a “paciência” em esperá-la e continuou a seguir. No tempo que precisava dele, Cathy não recebeu a mesma atenção que deu quando o marido começava a subir na vida. Fato é que senti que o ato final dele foi deveras egoísta, pois um casal precisa dividir se quer crescer junto. Algo que deixa de acontecer uma vez que um atinge o pódio e o outro fica na soleira tentando entender porque nada está dando certo.

 

 Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

 

Mas não consigo sentir raiva do Jamie porque ele foi bom para Cathy em vários aspectos. O instante que marca isso é no cantarolar de The Schmuel Song (vídeo acima), uma das minhas cenas favoritas. Ele cria uma analogia entre Schmuel, Cathy e o tempo, ensinando que nunca é tarde demais para se fazer o que deseja. É onde o filme mostra o quanto o amor dele por ela é verdadeiro, que mesmo bem-sucedido ele ainda se importa. Ele quer que ambos sejam plenos, o que a faz correr com mais vontade atrás de seus sonhos. Uma vez que ele a empurra, sempre declarando que acredita no seu brilho, vê-la apagada no final de tudo dói bastante.

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento (só deem o play se quiserem porque não resisti e compartilhei)

 

E esse final me desmontou completamente. O medley Goodbye Until Tomorrow – I Could Never Rescue You (vídeo acima) é de acabar com o pique do rolê porque há junção da Cathy do passado ouvindo o adeus de Jamie do presente. O último capítulo dessa história. Os olhos até suam só de lembrar, sério. Não tenho palavras para descrever porque é um baita pico emocional.

 

Sinceramente, não dava nada para Os Últimos 5 Anos. Primeiro porque, como já disse, não sou ligada em musicais. Na época em que se começou a falar desse filme, me senti mais impelida pela proposta do recontar de uma história que acaba por ser estilhaçada em pedacinhos (a angústia) que pela música. A ideia de cantarolar me fez levar mais tempo para assisti-lo, mas cedi no duelo Stefs vs. romance, e dei de cara com um prato cheio de sofrimento. E gosto.

 

Como não sou expert em musicais, partirei do que está no meu coração: amei a experiência. Só não esperem um nível Oscar, que sempre dá uma glamorizada nesse gênero. Os Últimos 5 Anos é do circuito independente, tem coração, e, no fim, você se vê desorientado porque se cria uma fina linha de esperança de que tudo dará certo no final e de que teremos a visão do casal 5 anos no futuro dando voz a uma canção maravilhosa. É…

 

Só sei que essa história grudou em mim por causa da simplicidade. O roteiro explora a inocência inicial do amor que não espera que a vida comece a trollar radicalmente. O começo de relacionamento é o instante mágico, em que um não consegue ficar longe do outro, até os problemas e desejos pessoais entrarem no meio com mais prioridade ao que sentem. Há o instante que Cathy cantarola de que esses desafios os tornarão mais fortes, mas o que vemos é o enfraquecimento.

 

Eis a velha história de chegar a um ponto do relacionamento em que nos vemos mais apaixonados pela memória de quem a pessoa foi. E não sei dizer o quanto isso é bom ou ruim.

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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