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05/jul

Este não é um texto para descer o pau no jornalismo, embora o tema de hoje esteja interligado. Como muitos devem saber, faço parte das estatísticas de desemprego e, honestamente, não vejo uma alteração positiva considerando que é dessa área que estou falando. Um desânimo que sempre rebate na minha fuça quando vejo mil e uma vagas de estágio que exigem habilidades de quem, geralmente, se formou. É terrível que muito se pede e pouco se paga, um Jogos Vorazes que só ingressa quem não tem nada a perder (e quem procura estágio tá melhor que na minha época em que não existia vaga).

 

(tipo eu que cheguei ao ponto de nem ligar para o quanto me pagarão desde que me paguem).

 

Desde que me formei, o molde dessas vagas tem mudado muito rápido. É normal, mas rola uma decepção ao ver que não há respeito. O mercado se altera, mas certas empresas continuam com a mesma mente fechada e acham que estão abafando no rolê. Muitas delas mandam a mensagem (que não vê quem não quer) do quanto o jornalismo não tem mais valor e o quanto qualquer pessoa pode fazer o que se leva 4 anos para aprender (redator pode ser qualquer pessoa, basta saber escrever. Poupe-me do micão).

 

O que me preocupa é o quanto que se tem exigido, sendo que o desemprego nessa área está cada vez insustentável – o que significa que não tem muito que pedir a não ser experiência na carteira. Sério, como querer tantas coisas sendo que a pessoa que manda o currículo pode precisar justamente desse emprego para se aprimorar? Não faz sentido.

 

Na verdade, faz sentido e isso se chama preguiça de ensinar feat. falta do famoso benefício da dúvida.

 

Se não bastassem as vagas de estágio, temos as PJ. Nada contra, principalmente quando tem sido a saída de jornalistas (e toda saída é motivo de celebrar). Porém, elas não passam de uma ilusão que, feliz ou infelizmente, é necessária. Eu preciso dessa ilusão para mandar meu currículo (ou precisava porque desisti).

 

Digo ilusão porque o salário tende a ser recheado, mas meramente porque você não será registrado aka nada terá nada descontado do seu pagamento (imposto + vale transporte + vale refeição). Sem registro, o que o funcionário recebe por mês é praticamente para pagar VR e VT que a empresa não dá e o que sobra vai para as famigeradas dívidas. É um freela com CNPJ – as empresinhas que você pode “abrir” online. Simples assim.

 

Nas entrevistas que fui, notei que os recrutadores não entram em detalhes sobre PJ (como vocês são cara de pau!), mas falam para o entrevistado que ser PJ é a coisa mais maravilhosa do mundo – sendo que quem se beneficia é a empresa. Quem assume essa tarefa tem que saber que não há direitos trabalhistas garantidos – nem me venham com essa de é só jogar no Google, façam-me o favor de não pagar esse mico também – e nem muito menos o job.

 

Resumindo: PJ não tem burocracia. Quando não se tem burocracia, quem se dá bem?

 

Resumindo²: como PJ, as chances de você ser “demitido” são maiores. Vejo muito esse tipo de contratação acionada por empresas que não querem efetuar um profissional e só o contrata para diminuir a demanda que os já efetivados não estão dando conta. Tô mentindo?

 

Está difícil pra todo mundo, eu sei, mas só considerei essa ótica do jornalismo por ser minha área (ou era). É o que está no meu diploma e ao mesmo tempo não está porque pedi o divórcio. Por ter pedido o divórcio, vem aquele pensamento o que farei agora?, sendo que minha carteira de trabalho ou tem experiências muito antigas na área administrativa ou tem os trabalhos da área que sou formada. Onde, Deusa, buscar ajuda nessa imensidão chamada São Paulo em que, do nada, você perde completamente o valor por não se encaixar em nenhuma vaga?

 

Como é que você chega ao ponto de não ter mais o perfil da sua área, hein?

 

Essa pergunta aí de cima é perigosa porque aprendi a me dar valor como profissional e ninguém merece depositar seu melhor, seu valor e suas experiências nas mãos de uma bancada que muitas vezes nem se esforça para te conhecer. Por isso, digo: todo mundo tem perfil pra fazer alguma coisa e é bom não se deixar levar pelas coisas negativas. Vamos resistir!

 

É até meio mentiroso o que disse acima porque tenho uma confissão que deixaria as manas horrorizadas: pensei em alterar meu currículo. Mentir mesmo, pagar de não formada, para ver se alguma coisa acontecia. Por sorte (ou azar), sou orgulhosa quando o assunto é minhas conquistas. Lutei demais para me formar e não faz sentido eu tirar essa luta para arranjar emprego. Mas é aquele ditado, tempos desesperadores pedem medidas drásticas.

 

Só que, no meu caso, nenhuma porta mesmo se revelara. Ano passado, fiz ótimas entrevistas e acreditei basicamente em todas. Teve uma que fui aprovada para ficar, mas não fiquei porque mentiram para mim – na descrição da vaga estava CLT e depois vieram com essa de PJ. Se a turma que me entrevistou já mentiu no início, quem me garante que não mentiriam de novo? E, sério, 2016 e empresas ainda mentem? Quem são vocês!

 

Teve uma entrevista que achei que faria o maior golaço, pertinho de casa e com um clima muito legal, mas é aquele ditado, né? Quando você confia demais, o tapa na cara pode ser certeiro (e foi tão certeiro que fiquei malzona por um mês).

 

As entrevistas diminuíram no começo deste ano. Fiz uma em abril (ou em março, não lembro porque joguei a memória na Penseira), também achei que conseguiria e estava superdisposta em ser PJ (que dessa vez estava na descrição da vaga). Não recebi resposta.

 

(pelo amor qual é a preguiça de dar feedback para quem compareceu às entrevistas?).

 

Houve a pior experiência, claro que houve, sempre tem que ter. Mandei um currículo para outra vaga que tinha certeza que daria em golaço. Em um minuto, tinha passado para a etapa com chances de entrevista e no minuto seguinte recebi o e-mail de que não tinha sido selecionada. Juro, foram duas notificações seguidas de você foi, mas deu ruim.

 

desisto

Stefs Glee Project em: desisto de você, jornalismoooo!

 

Há um tempinho, assisti a um filme chamado Get a Job (em português literal seria Arrume um Emprego. Acho que o Sr. Golpista amaria esse título). Ele é bem bobinho, mas transmite uma mensagem. E quando digo que transmite uma mensagem é porque anotei o quote de conclusão no celular aos prantos. Foi uma escolha tão cretina de certeira para esse timing da minha vida e só restou deitar em X e pedir para que o universo me enxergasse.

 

A premissa desse filme é mostrar a rotina dos personagens em meio à batalha atrás de um emprego e o quanto se está disposto a buscá-lo e a mantê-lo. Eis a breve listinha dos que mais gostei:

 

✔ Roger é aquele familiar que passou anos e anos na mesma empresa e acabou demitido para sua própria surpresa. Ele não sabe como se readequar ao novo mercado e tenta mudar a si mesmo para parecer mais jovem e mais bacana. O que dói é o quanto o personagem está perdido por não entender por quais motivos fora descartado sendo que ama trabalhar;

 

✔ Will é aquele jovem que só sabe festejar, mas consegue uma oportunidade invejável graças ao seu talento em produzir vídeos (que se traduz em sua verdadeira paixão). Ele é promovido em modo foguete, o salário subindo conforme sua promoção desenfreada, e empaca no cargo de Vice-presidente. Aqui, há a treta de ficar em um trabalho ruim, em que sua chefe te humilha e ninguém é valorizado. Só que a grana alta compensa o sofrimento;

 

✔ Jillian (representada na foto que abre este post) é a garota que segue a vida na ponta da caneta. Ela conquista um emprego e se dedica completamente a ele. Sua confiança é altíssima e a personagem não perde tempo em puxar a orelha de Will (o namorado) que parece nem um pouco interessado em amadurecer. A decepção de ser demitida coloca sua autoconfiança em cheque, algo que se intensifica porque o boy começa a ter uma “carreira sólida”. E ela, toda dedicada, toda inteligente, toda madura, toda ~adulta~ ganhou um chute na traseira que nada tinha a ver com promoção;

 

✔ Charlie faz o tipão que quer dar aula, mas não tem perfil para isso. Pensem na pessoa que consegue vaga de professor de inglês em São Paulo, faz porque de certa forma conseguiu o job e não tem paciência pra quem está começando. A diferença aqui é que esse personagem encontra uma forma de valorizar o que faz, principalmente por trabalhar com crianças;

 

✔ Luke é subestimado no seu local de trabalho, o famoso perfil de gente nova que é tratado mais como parte do grupo de estagiários que como efetivado. Ele é o único que está centralizado no emprego que sempre quis e uma vez que consegue quer mostrar que tem valor.

 

Get-a-Job-4

Os rostos de quem faz o filme

 

Perfis não muito diferentes do que vemos aos baldes por aí. Minha mãe mesmo foi a familiar que perdeu o emprego depois de anos e anos trabalhando na mesma empresa, respirando a empresa. Lembro-me que ela dizia que tempo de casa era motivo de sucesso e de estabilidade porque muito tempo de casa quer dizer que você é bom. Pessoas da geração dela jamais pensam que um dia deixarão de ser bons dentro do ambiente de trabalho que muito provavelmente cresceram e a vi completamente sem eira e nem beira no decorrer das suas demissões (que foram 2).

 

Will é o dono da narrativa do filme e representa as pessoas que acompanho de vista, aquelas que não se importam em estar aonde estão porque o salário é muito bom. Quem se importa com qualidade quando se tem quantidade? Há quem fique por isso e esse personagem representa a ideia de vale tudo por dinheiro. O que o diferencia é a sede de fazer a diferença com seu talento (eu mesma) e a empresa não oferece isso. Ao longo da sua jornada, o vemos sair do nada para ser alguém e esse alguém foi ditado pelo emprego que tinha.

 

Pelos olhos desse personagem, vemos a rotina do que chamaria de multinacional, cujo objetivo é recolocar as pessoas no mercado de trabalho. Para isso, é preciso que o desempregado pague para gravar um vídeo dizendo o por quê deveria ser chamado para uma entrevista. Igualzinho há tantas mercenárias que existem por aqui que se aproveitam do desespero para oferecer vagas que não existem – e que estranhamente pedem que você injete grana.

 

Quase caí nessa uma vez e, nossa, a decepção foi assim do tamanho do Titanic.

 

Fato é que Get a Job me deixou em um instante reflexivo porque conheço aqueles personagens. Fiquei mal várias vezes com Roger e me reconheci na queda de Jillian (e só tem me restado fazer faxina em casa na maior parte do tempo, não me incomodo, mas cadê job?). O filme traz a dificuldade que é procurar um emprego e se recolocar no mercado em cima do “fale sobre você”. Sendo que o que todo mundo quer é se mostrar e não depender de uma Bio de 10 linhas para ser “julgado” como capaz.

 

Eu preciso, muito, de um emprego (isso, pensando só na área de jornalismo), mas, às vezes, penso que voltar me renderá a mesma frustração de não me sentir importante. E importante nada tem a ver com cumprir o horário e fazer o job direitinho. Se eu sentir que não estou impactando, não consigo me relacionar. Não sei se isso é do meu mapa astral, mas posso culpá-lo por enquanto. Ele diz que sou dessas ativistas, regeneradoras e afins. Detalhes que não posso colocar no famoso “sobre mim”. Levando em consideração que tem mulher sendo demitida por ser feminista, penso que o IATG está me queimando (e se tiver, pfff, I’m so sorry for your pain #liar).

 

O filme mostra a crueldade que é esse “sobre mim”. Roger é quem parte o coração ao contar os motivos de querer uma entrevista. De querer uma nova chance. Tudo em vídeo, o que é pior! A justificativa é ótima: ele só quer fazer algo produtivo e de valor porque é isso que importa. O personagem quer ser visto e ouvido pelos recrutadores, não apenas gravar ou escrever o “sobre mim” no currículo. Ele acredita que uma vez que os recrutadores o vejam e o ouçam, encontrarão motivos para contratá-lo. Acredito nisso, mas não tá tendo essa recíproca.

 

Nunca, nem mesmo na fase de estágio, me perguntaram o que realmente importa porque fui julgada por um pedaço de papel. Nunca me perguntaram o que posso fazer pela empresa além do de praxe, só quantas horas por dia estaria disponível para fazer trabalho X, Y, Z. Falta mesmo esse contato humano que simplesmente se tornou você manja de X, Y, Z mais dados analíticos, mais fazer o café da tarde?. Todo dia fica pior e, às vezes, me pego pensando que esse aperto não faz parte de uma crise. É sobre a forma como as empresas tratam quem quer trabalhar.

 

Ninguém quer enviar um currículo “pra qualquer coisa”, mas o que fazer quando quantidade ainda pesa mais que qualidade? Não tem como lutar contra isso… Ou tem?

 

Lembro-me como se fosse ontem das minhas viagens no transporte público rumo ao trabalho. Vi muitos rostos infelizes e sem propósito. Dói saber que você precisa trabalhar mais para sobreviver que para melhorar seu estilo de vida (que até é possível, mas tem gente que não consegue). E uma vez que se perde esse brilho, essa vontade, o que resta?

 

Teve um dia que passei em um grupo de vagas e um recrutador indagou porque as pessoas que enviam seus currículos parecem tão apáticas e nada atraentes (meldels foi de revirar os olhos), ao ponto de deixá-lo chateadinho por não ter tantas opções para entrevistas. Opção tem e você não tá chamando porque não quer. Há uma diferença, right?

 

E claro que as pessoas estão num posto de desanimação. Dói dar feedback para quem compareceu às entrevistas? Será que essa apatia não se deve porque o pouco que dominam não importa e é motivo de descarte? Será porque muito provavelmente cancelaram a vaga e não avisaram? Há uma rua de duas vias aqui.

 

Às vezes, penso que estou pagando pelos meus pecados desde que saí de um emprego para cuidar da minha vida. Os freelas pra conhecidos me mantiveram, mas ainda rola a falta de ser remunerada por mês, contar com aquela grana. Não há sensação pior que olhar no seu e-mail e não ter job. Só que daí entro na frase de Get a Job que me desmontou:

 

É duro lá fora? Sem dúvida. Mas precisamos de um emprego. Então, o que fazer? Encontre o emprego que você nasceu para fazer. Trabalhe duro para consegui-lo. Nunca pare de acreditar. Nunca desista. Em outras palavras, não apenas se sinta especial, seja especial.

 

Esses filmes têm um poder de mexer com suas fraquezas e criar ilusões que meldels.

 

Sou a pessoa que vive em uma busca constante do especial e acho que é por isso que me frustro com facilidade. Não pense no especial em ser querida, mas especial em ser marcante, ter feito algo de valor, algo que só acontece quando recebo feedback dos meus projetos pessoais (#sinais). Sou a pessoa que não quer apenas fazer, ficar sentada por 8 horas e cumprir o cronograma, mas sentir que impactei. Quero que tenha sentido. Quero mandar uma mensagem importante e não apenas seguir uma planilha com todos os textos que preciso escrever em um dia.

 

Eu busco uma vida com propósito. Eu preciso rodopiar as pessoas.

 

Participei de ambientes de trabalho detestáveis. Um deles me sugou porque não tinha um dia que não era chamada de burra ou era indagada sobre ter problemas de visão. Geralmente, isso acontecia por erro de digitação ou porque ousei ter dúvidas em uma determinada tarefa (chefes coreanos, não recomendo, fujam, é cilada). Passei 3 anos numa espiral de humilhação que começou aos 19 anos, tempo em que você está desesperado para ter um emprego a fim de obter sua independência. Fiquei para pagar a faculdade até não aguentar mais (era área administrativa).

 

Senti-me especial apenas uma vez. Sim, uma. No estágio, uma mocinha confiou o bastante em mim para me deixar responsável em escrever grandes matérias. Tinha poucos meses ali e conquistara meu primeiro textão assinado (escreveram meu nome errado, mas era minha primeira matéria assinada, ué). Essa mocinha me mentorou e não tem como esquecer de uma coisa dessas.

 

A diferença é que ela realmente estava disposta em me ver crescer. Quando uma chefe quer que você cresça e cuida de perto para que isso aconteça, conversamos sobre aquela rua de duas vias. Não tem como esquecer e não querer isso de novo. Isso é especial.

 

Get-a-Job-1

 

No último trabalho, meus textos aprovados eram uma vitória, mas essa minha percepção mudou depois que vi Get a Job. Há um instante no filme que compara a glória de ganhar troféus, parte da storyline de Charlie. Ele conta que todos que ganhou foi por perder, o famoso prêmio de consolação. Assim, notei que cada documento em Word aprovado era meu troféu. Ok, tinha vencido, mas me vi diante de uma coleção de troféus que não me levou a canto algum. Eles sinalizavam que eu deveria me dar por satisfeita por já tê-los conquistado. Quem é que não quer troféus, né?

 

Tenho na minha mente os troféus dos bons textos que provaram minha capacidade, sou grata, mas a mágoa vem do fato de que não fui reconhecida por isso.

 

E não tem drama porque não tenho o perfil de apenas aceitar troféus e de me dar por satisfeita. Nem muito menos de me humilhar para ter as coisas. Nem muito menos puxar tapete para subir na vida. Gosto de me sentir importante, necessária, de dar valor ao que faço. Significado. Atuar em um ambiente que me empolgue e que não me fará ser resumida a um cubículo no canto da parede.

 

O 99jobs resumiu minha personalidade. Os mais ~adultos~ dariam risada do meu match, mas nunca fiquei tão-fucking-feliz com um teste profissional em toda minha fucking vida.

 

 

Perfil-Job

 

Eu sou a pessoa descrita aí em cima. E não tem vagas para esse perfil de pessoa. Ao menos, não para a minha formação.

 

Tenho muito orgulho das coisas que fiz, e continuo a fazer, e penso que isso deveria valer muito mais que minha Bio de 10 linhas que detesto com todas as minhas forças porque aquele negócio não me representa em absolutamente nada (e nunca sei como escrever esse negócio porque de todas as formas possíveis parece que estou sendo falsa). Sou muito mais que aquelas 10 linhas.

 

Depois da experiência recente de passar para a próxima fase e um minuto depois não ser mais selecionada, como trocar de opção em um questionário online, me perguntei de novo o que será de mim daqui pra frente. Rolou de novo o pensamento de “se você não tivesse se demitido, nada disso teria acontecido”. Tenho a mania de procurar culpa onde não tem. Eu estava infeliz e saí, melhor que passar o tempo resmungando e empurrando o job com a barriga.

 

Como sou a pessoa que acredita em sinais, uma das coisas que me aconteceu no mesmo dia em que rolou essa experiência aí de cima foi um vídeo da Jout Jout chamado Empada. Ela conta o quanto nosso valor é mensurado por cumprir a jornada de trabalho por lei vs. ficar além do horário.

 

Honestamente, as únicas pessoas que respeito nessa de ficar até mais tarde são aquelas que amam o negócio mesmo ou porque deu ruim em algum projeto. Agora, puxa-saco? Resta-me rir!

 

Como nunca atrasei minhas tarefas no meu tempo de agência (take that haters), nunca precisei dormir lá. E tinha gente que torcia o nariz quando me via ir embora no meu horário (mas ninguém via que eu era uma das primeiras a chegar justamente porque me preparava para qualquer apocalipse surpresa no expediente. Aqueles casos do nada que atrapalham sim o que se tem para fazer no dia).

 

 Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

 

Óbvio que me vi inteiramente nesse vídeo, principalmente quando ela comenta que chegou uma hora em que estava indo comprar empada toda hora para não ficar dentro da empresa. Isso queria dizer que ela não estava satisfeita, mas ficava porque tinha que ficar.

 

Nisso, lembro do meu “ano sabático”. Os recrutadores querem ouvir que tive mil e uma experiências no exterior sendo que na verdade eu precisava me redescobrir. É, soa como Comer, Rezar e Amar, mas é mais Eu, Stefs e eu mesma. Aproveitei o timing para me colocar em primeiro lugar, mas a mensagem que transmito é de completo desleixo. Como assim você se demite para ter um ano só seu? Como assim você compra empada toda hora?

 

Adaptando a própria Jout Jout: porque eu quis.

 

Jout Jout pode ter refletido em cima de uma empada e eu refleti no quanto de textos estava produzindo fora dali com muito mais significado. No quanto meus projetos começaram a ser mais importantes e precisavam da minha atenção (e eles estão aqui, como este site). A empada era uma desculpa para ficar longe do que a incomodava. O mesmo valeu para mim que desviava o desconforto de horas em uma cadeira buscando coisas que me preenchessem.

 

Talvez, o último tapa na cara seja um indicativo de impaciência do universo para me dizer isso aqui:

 

Get-a-Job-3

Acrescente um p**** porque sinto o universo furioso comigo

 

A única certeza que eu tenho é que quero fazer coisas especiais porque sou um ser humano especial. Fim. Mas daí vejo esses programas que falam “como se reinventar na crise” e parece tão mágico. Mais mágico que tirar limo do azulejo do banheiro. E tão fácil que me vejo dizendo: é, Stefs, você não é criativa para se reinventar na crise, se mantenha de pijama.

 

É…

 

Preciso trabalhar, mas sempre lembro da minha mãe dizendo que não adianta nada se meter em cilada por desespero (e eu tenho picos de desespero. Teve uma vez, no ano passado, que fui tombada e achei mesmo que dali seria ladeira aka depressão). Eu já me meti em tanta cilada para ter emprego. Só não experimentei ainda a sensação de apagar meu currículo para ver que milagre acontece. Vai que, né?

 

É difícil ficar bem em horas escuras como essa. Principalmente pra mim que começo a pesar meus talentos, minha idade e assim por diante. Já rolou até o papo interno de que ok, posso ter essa vida medíocre, sendo que estava agindo como um ser humano amargo que não tem fucking nada do que reclamar. Mas há a sensação de que você não se encaixa. De que ninguém te quer. De que você é um zero à esquerda e por não ter dinheiro não tem como se dar um upgrade para chamar a atenção das empresas. Isso é buscar validação do outro e isso faz mal.

 

Se você sabe do que é capaz, não caia na cilada de querer apagar seu currículo como eu cheguei perto de fazer (pico de desespero, lembram?). Você não pode deixar que essas negativas tomem conta dos seus pensamentos. Essas negativas não me definem, não te definem, não definem ninguém. Mas até nos tocarmos disso se passaram 10 episódios de uma série.

 

Tá difícil? Orra! E ainda tenho que ouvir Sr. Golpista e seus minions falando que não tem crise, que basta trabalhar que tá tudo certo. Isso funciona para quem já está empregado, duh!, em que muitos acham que quem tá desempregado é por causa do PT (sendo que sou da Sonserina). É fácil falar quando se tem seu salário lá na conta bancária e tá todo felizinho. Uma hora o jogo pode virar, não é mesmo?

 

Eu sei que sou especial. Que tenho meu valor. Tenho muito orgulho dos meus textos, de fazer parte de outros sites e de cultivar histórias que um dia espero que saiam da minha gaveta. Mas dinheiro é liberdade, né? Só que acredito que todo mundo tem que batalhar pelo que vale a pena. Está desesperador? Está. Mas se jogar em qualquer buraco só piorará tudo.

 

E, acreditem em mim, não tem sensação pior que entrar em cilada sem estar 10% motivado a estar nela. Há certas coisas que não compensam, mesmo em tempos desesperadores.

 

E pra fechar este post, compartilho outro tapa na cara, com créditos do outro site chamado Facebook. Recebi esse alerta nas minhas lembranças precisamente no dia em que escrevi este texto (01 de julho). Olha, esse universo está me deixando nos nervos!

 

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Trabalhe por uma causa, não pelo aplauso. Viva uma vida para expressar e não impressionar. Não se esforce para ter sua presença notada, apenas faça sua ausência ser sentida.

 

E eu sou a representação deste quote acima. Netflix, cadê meu trabalho?

 

Posso criar uma série chamada Stefs na crise? Porque tirei o GPS da busca de emprego do caminho do choralismo.

 

(enquanto isso, vamos criar um canal no YouTube também?).

 

Mantenham-se firmes, mutantes. Uma hora dominaremos o mundo. ❤

 

PS: este texto foi inspirado nas minhas últimas experiências na área de jornalismo. Algumas coisas podem não se aplicar a outras que existem por aí (e espero que não).

Stefs
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  • Mateus Moraes

    Oie, dei uma passada no seu blog e me deparo com seu problema que por sinal é o de muitos por aí. Te recomendaria olhar o serviço público como alternativa para voltar ao trabalho. Sei que não é uma das melhores coisas para se trabalhar, mas tem salário e estabilidade, sem contar os concursos que abrem Brasil à fora em diversas áreas, inclusive a tua.
    https://www.pciconcursos.com.br/concursos/vagas/jornalista
    Neste link tem alguns concursos em aberto com vagas para jornalista, recomendo tu dar uma olhadinha.
    Beijos e força que você irá conseguir. 😀