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29/ago

Por: Isis Renata

 

Que saudade de contar histórias neste site e voltei para exatamente isso!

 

O assunto que vou retratar faz parte de um voluntariado que me inscrevi por razões de cumprimento de exigências para a obtenção do diploma de professora. Sim, deixei a carreira jornalística (se é que algum dia a comecei) para adentrar ao mundo do ensinar. A escolha dessa mudança veio no final de 2015 devido a nunca ter conseguido trabalho na área e às decepções quanto a isso. O processo da mudança foi doloroso, mas quando ela aconteceu, me senti muito feliz e segura. Posso não ter muito ainda dessa área da educação, mas pontos fundamentais me levaram a ela. Minha paixão pelas palavras, meu amor pelos livros, minha loucura por querer encarar os adolescentes cheios de gás e de novidades.

 

Enfim, decidi. Mudei. Hora da razão do post. O voluntariado que me inscrevi e que já faz total diferença em minha vida.

 

Vocês se lembram de minha admiração por Rubem Alves. Se não, me permita dizer que sou louca por esse poeta. Meu amor por ele veio influenciado pelo meu querido padre da igreja que também sempre foi apaixonado pelas palavras do Rubem. E mais que isso, ele teve a incrível oportunidade de participar de um círculo de amizade com o autor e de realizar atividades com ele.

 

Uma dessas atividades era um sarau, em que Rubem reunia seus amigos mais próximos para falar de poesia e tomar sopa. Esse grupo se chamava Canoeiros. Juntos, eles entravam nesse mundo maravilhoso de reflexão e inspiração pelas palavras do Rubem e outros autores.

 

Rubem nos deixou em 2014. Mas a tradição se manteve…

 

Vamos voltar um pouco. Conheci Rubem Alves pelo meu padre e comecei a seguir páginas de falas e frases dele para sempre ter em mente suas palavras. Em uma dessas páginas, descobri o Instituto Rubem Alves, local fundado por sua filha, Raquel, e que realiza muitos projetos educativos inspirados no poeta. Foi encantamento à primeira vista. Soube então que o local estava recrutando voluntariados e me inscrevi de imediato. Todos de lá são muito prestativos.

 

Depois de inscrita, no dia 02/07 visitei pela primeira vez o Instituto para uma reunião entre os voluntários e foi um sábado maravilhoso! Conheci a Raquel e todos os envolvidos. Ah, caso alguém fique curioso, o Instituto está situado em Campinas – Chapadão (no fim do post coloco direito as infos disto). Resumindo, amei tudo e todos. Me tornei oficialmente voluntária e voltei para casa com a promessa de retornar para participar desse sarau que eles também falaram na reunião.

 

Então, no dia 21/07, lá estava eu para o sarau. O tema foi O Encantamento em homenagem a passagem do Rubem. Ele sempre dizia em seus contos que iria ‘encantar-se’ e nunca ‘morrer’. Meu querido padre é quem coordena esse sarau (a pedido da Raquel) para continuar esse legado tão maravilhoso do nosso escritor. E diga-se de passagem: que momento maravilhoso!

 

Sarau-Encantamento-2

 

O sarau se deu em 3 partes: teatro do conto a pipa e a flor (leiam esse conto! É demais), homenagem ao Rubem com caquis, poema sobre sopas junto com o encerramento de sopas e vinho com os participantes. As palavras não farão jus ao momento do sarau, pois o poema, o teatro e a sopa foram momentos de intensos sentimentos a mim e a quem estava comigo (arrastei 3 grandes amigos hehe).

 

Vou tentar descrever esses 3 pontos:

A pipa e a flor:
o teatro teve humor, brincadeiras de criança, músicas e emoção. O conto trabalha muito sobre ciúmes, o querer se impor sobre o outro e nossos relacionamentos no geral. Debatemos essa possibilidade das relações com os finais sugeridos ao conto (LEIAM, É SERIO e tirem seu final);

 

Homenagem do caqui: esse foi meu momento hahaha. Meu querido padre trouxe caquis impressos com pequenas frases do Rubem no verso. Foi escolhendo algumas pessoas para ler essas frases e “plantar” esse caqui em um pé de ipê amarelo (ilustrado em um pôster com imagem do Rubem). E sim, eu fui escolhida :’). Ser escolhida a mim é muito sério, pois é compromisso com Rubem, com o sarau e com as pessoas que lá estavam. Não vou me recordar da minha frase porque me tremi todinha, mas fala de crianças e de inocência, coisas que amo por demais;

 

Poema da Sopa e o final: se você gosta de sopa, vai amar esse poema. Vegetarianos que o digam, Rubem deixa um fio disto, já que a filha Raquel é vegetariana. O poema faz um mix da vida, da sopa e de como ela pode ser uma figura de linguagem. É incrível demais. Tocante e muito sério ao mesmo tempo.

 

Terminado o poema, todos tomaram sopa e vinho como forma de aquecer o corpo (porque estava realmente muuuito frio) e a alma.

 

Vocês já podem imaginar meu estado ao fim de tudo isso. Eu, sentimental que sou, abracei ainda mais a causa do sarau e quero muito ir em todas as edições (e contar para vocês!). Poema não é somente palavras para apaixonados, poema é uma forma lírica de ver a vida, de acalmar os sentidos e de também puxar algumas orelhas por aí. 😀

 

Rubem foi, antes de poeta, um pai, um professor (SIM MINHA GRANDE INSPIRAÇÃO), um pastor (seus maiores livros envolvem religião) e por fim um pássaro que voou alto e encantou a muitos!

 

Aliás, existe o conto A Menina e o Pássaro em que a menina é Raquel (sua filha) e o pássaro com certeza é ele ♥.

 

Aguardem o próximo encontro com esse sarau. Prometo ser mais breve já que as palavras me dominam!

 

Instituto Rubem Alves
Rua: José Antônio Pinto Borges, 43 – Chapadão – Campinas
Contato e infos: (019) 3386-0704

Random Girl
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