Menu:
17/ago

Sou a pessoa meio traumatizada com relação a qualquer buzz que venha da Netflix. Motivo que pesou demais na hora de encarar Stranger Things, muito embora tenha visto as promos e curtido a proposta.

 

Já lançando a opinião impopular na roda, não sou a mais fã de Sense8. Se me derem abertura, destilarei uma dose comedida de veneno. É por causa dessa série que tomei trauma do que “todo mundo tá falando que é insanamente bom vindo da Netflix”. Decepcionei um pouco com a vibe dos sensates, fatos reais, mas é aquele ditado, né? Cada um vê a mesma coisa de maneiras diferentes e não cabe a mim alterar isso.

 

Por causa de Stranger Things, me vi em um revival de sensações. Mesmo interessada, fui relutante. Tive que esperar as manas próximas verem ou começarem a ver para ter certeza de que o piso era seguro. Daí, veio o impulso real quando uma delas me disse cheia de energia: tem experimento!!!! E, obviamente, e nem se eu quisesse, deixaria de assistir para saber qual é.

 

(e agradeço muito mana Viviz que sabe que meu calcanhar sobre experimentos é delicado).

 

Fiquei na dúvida se deveria escrever alguma coisa porque tem uma pancada de posts sobre o assunto. Não classifico este texto como resenha. Nem muito menos como crítica de altos e baixos. Vamos dizer que é um texto pessoal de uma pessoa que chorou em 7 episódios de 8 de Stranger Things. Tipo, chorar mesmo, de achar que o mundo estava prestes a acabar.

 

Impressões gerais

 

Stranger Things - Opinião

 

Não entrarei em detalhes nesse quesito também (porque todo mundo sabe).

 

Brevemente, Stranger Things foi criada pelos irmãos Duffer que respiram ficção científica com um misto de suspense/sobrenatural. Vide o trabalho mais atual realizado em Wayward Pines em que foram responsáveis em roteirizar alguns episódios.

 

Esse campo não é estranho para a dupla e a preferência de escrita rebateu em cheio no novo hit da Netflix. Pode não ser o roteiro mais complexo do universo, mas Stranger Things ganha pela nostalgia e pela familiaridade. Esses últimos itens que acarretaram o frisson, mais que a história em si.

 

A série marca o retorno de Winona Ryder aos holofotes e, inclusive, é seu primeiro grande papel na televisão. Ela é Joyce Byers, mãe de Will Byers, que tenta desvendar o sumiço do filho gracinha em uma noite de novembro de 1983. Noite em que descobrimos, lá no meio dessa jornada, que há um véu entre a humanidade e a ciência que volta a botar em discussão os limites desse casamento.

 

Como bem manda um sci-fi, o desaparecimento relança perguntas das antigas aos tempos modernos. No caso, a ciência pode ou não ser clemente? e o quanto ela pode afetar de maneira negativa se mal empenhada e executada?. Indagações do mundo dos gananciosos que são respondidas pelos olhos de Eleven, a estrela da 1ª temporada de Stranger Things.

 

Eleven é a razão de eu ter chorado por 7 de 8 episódios. A discussão sobre o peso da ciência não entrou em cheque em grande proporção, para entendedores poucas palavras bastaram, mas a pauta estava presente na forma de uma menina que vivera em cativeiro por um dito bem maior. Foi no momento em que ela me aparece de camisola, afanando batatas fritas, que fui conquistada pela série. Quem era o resto quando se tem uma discussão tão socialmente válida sob a perspectiva de uma criança?

 

Nesse redemoinho, há a introdução do trio fantástico: Lucas, Dustin e Mike. Todos são muito adoráveis, mas adotaria Lucas meu spirit animal. Jamais que acreditaria na Eleven de primeira e seria chata em nível pior. Meu sangue Sonserino não me deixa ser boba e escolhi protegê-lo.

 

Obviamente que não me recusaria a morder as bochechas do Dustin. Aquele sorriso banguelo <33.

 

Parando com as graças, li o quanto quem assistiu Stranger Things se apegou às crianças. Sinto-me como a pessoa que vive na mesma rua, mas preferiu contornar o percurso pela rua de trás. O motivo? Vi-me ansiando mais pelos mistérios de Martin que pelas peripécias dos meninos. Isso não quer dizer que não tenha gostado do clubinho porque simplesmente o amei. Mas daí inventaram o Mr. Clarke que ganhou o pódio do meu coração, brigando com Eleven.

 

Não tenho como exprimir meu amor pelo professor de ciências, de verdade. Pode morrer quem for, mas deixem Mr. Clarke em paz.

 

Indiretamente, a série propõe a quebra do ceticismo sobre coisas estranhas em uma época em que não havia tantos avanços científicos. Rolava uma boa quantidade de pesquisa, mas, naquele tempo, os EUA queriam tecnologias para guerra. Enquanto muitos piraram pelas referências dos anos 80, eu me senti no bonde solitário quando mencionaram o MK-ULTRA. Foi aí que fiquei estática de vez, bati palmas, porque o desejo de explorar o controle da mente não é algo só dessa década. Isso me fascina e não precisam sair correndo, ok?

 

Pontuando uma timeline curtíssima, o interesse de supersoldado foi destacado na 1ª Guerra Mundial e ganhou um tom soturno na 2ª com os experimentos de Hitler. Além da mente, tinha esses testes para estudar os limites do corpo, como suportar frio. É. É nisso aí que Stefs se interessa e juro que não faço experimentos por aí. A não ser experimentos de paciência.

 

Ter um humano turbinado parece uma coisa que passa de geração em geração devido à busca desse soldado turbinado. Há muitos filmes que exploram esse viés. A diferença de Stranger Things é que Eleven é usada para estudar os inimigos e isso me fez lembrar da X-23, minha filha querida, amada, experimento, mutante espelhada no Wolverine. O embasamento da trama no MK-ULTRA para explicar os poderes fortaleceu minha conexão com essa personagem e chorei horrores com seus flashbacks. O negócio é tão particular que não sei explicar, sério.

 

Stranger Things - Opinião

A serenidade de quem sai fazendo experimentos na “filha”

 

Nisso, destaco o jogo dos vilões na trama de Stranger Things, que foi outro apelo muito bem trabalhado e que conseguiu sustentar um roteiro preocupado com a nostalgia. O esquema de empresa fachada, os experimentos com LSD, o uso de uma criança para tamanha monstruosidade, os telefones grampeados, agentes disfarçados para assegurar que ninguém descubra… Pirei com isso! O background de Eleven nada tem a ver com uma ficção dentro de outra ficção. Não vemos o que acontece além da linha tênue, como os personagens da série, mas ninguém garante que não role. Tudo culmina em busca pela glória, a retratação pura de Martin. Como quis invadir a história para lhe dar uns socos.

 

Stranger Things me fez lembrar do quanto era possível fazer coisas incríveis com baixo orçamento. Não que seja o caso da série, mas foi tão reconfortante acompanhar uma trama tão humilde nos detalhes e ao mesmo tempo preocupada em entregar um bom trabalho. Sinto saudade do século 20, de verdade, em que criar era mais relevante que emplacar bilheteria.

 

Apostar nos anos 80 não só trouxe nostalgia, mas um clima diferente dentro das limitações da época. Estou tão acostumada em ver alta tecnologia em sci-fi, por mais leve que seja, e consegui viver muito bem com a meia ausência dela nessa série. Não sou tão inclinada ao lado hard de ficção científica, então, estou de boa. O telefone foi tudo no suspense, aparelho da espionagem que também me fez dar gritinhos. Fez-me recordar do quanto era fácil obter número alheio só com o endereço. Era ridículo, mas dá hora!

 

Além do telefone, a ameaça foi dada na mão de uma única mulher, auxiliar de Martin, cuja primeira aparição em nome da busca por Eleven foi deveras impactante. Nem precisou de um aliado e nem falar muito. O mais arrepiante foi vê-la, assim como os outros, disfarçados de cidadãos comuns. Por mais que a ação aconteça em uma cidade sem grandes eventos e que automaticamente todo mundo se conhece, convencer que há perigo foi um desafio. O povo ali é tão desligado que se não fosse pelo sumiço de Will ninguém notaria absolutamente nada. Sendo que o problema estava o tempo todo embaixo dos narizes.

 

Atitudes que denunciaram o jogo de corrupção de Stranger Things. Aquelas pessoas viviam em uma bendita bolha até Will sumir, cegueira que tornou os planos de Martin 100% executáveis. Planos que não entraram no combo de mistérios porque o roteiro os entregou, nos deu de mão beijada, e mesmo assim não deixou de ser uma experiência paranoica em alguns aspectos. Começarei a ver o cara do gás com outros olhos, verdade seja dita.

 

Entre tanta coisa boa, só um detalhe me incomodou bastante. Hopper, o chefe de polícia, contou com uma facilidade surreal em resolver parte da problemática. Assim, se você me oferece uma empresa complexa, a busca tem que ser acima desse complexo.

 

Para manter experimentos, a primeira lei é aniquilar quem descobriu demais, fatos reais. Não desceu muito bem a “tranquilidade” da entrada e da saída desse personagem na empresa fachada, nem o fato dele ter continuado vivo uma vez que viu demais (mas shippo com Joyce e a história dele ahhh!). Darei o benefício da dúvida por se tratar do que citei acima: cidade pequena, meio alienada e ninguém quer quebrar o teto de vidro.

 

Assim, em Orphan Black só respirar errado perto da Dyad lhe rende vários tiros na cara. Só não invisto mais no pitaco porque Hopper soou como ponta solta por causa da filha que tem rendido várias teorias. Um viés que poderia justificar essa facilidade do personagem em ir e vir sem sofrer um arranhão.

 

Essa facilidade foi compensada com o fato de não terem escondido o vilão e nem a intenção da empresa. Os flashbacks foram mais que suficientes para mostrar até que ponto uma pessoa vai para conseguir o que deseja. Inclusive, como afeta os envolvidos. Gostei dessa pegada de mostrar logo em vez de criar suspense em cima de suspense, pois o mistério vinha em peso de Eleven que confronta o ceticismo da população. Muito mais que a ideia do que ocorrera com essa personagem que ficou meio por isso mesmo.

 

Resumo da obra: eu amay e quero ser adotada pelo Mr. Clarke. Um Mr. Clarke na minha vida teria me feito prestar vestibular para as tais ciências naturais e não sociais.

A magia dos Batutinhas

 

Stranger Things - Opinião

 

Por mais que a menção do subtítulo venha dos anos 90, quando olhei para esses meninos só vi os Batutinhas e suas bicicletas resgatadas do filme E.T.. Um misto dos dois e quero protegê-los.

 

Além da história de Eleven ter assumido parte da composição do universo de Stranger Things, os roteiristas foram espertos em contar essa problemática tendo como apoio único o imaginário infantil. Um desafio uma vez que as narrativas desse POV podem botar tudo a perder. O segredo do sucesso veio dos diálogos que exprimiram analogias ao mundo geek. Um insight deveras relacionável porque minha vida sempre foi uma analogia. Imaginem essa série misturando Harry Potter? #Quero

 

O universo de Tolkien explicado e explorado do POV desses meninos foi tão pertinente quanto os flashbacks da vida de Eleven. Esse suporte de universo paralelo junto a um jogo de RPG me fez dar gritinhos. A ciência perdeu o tom complexo que poderia ter graças ao elenco infantil, que não só nos norteou comicamente em alguns instantes rumo ao cerne da trama, como também ensinou valores que os adultos esquecem. A graciosidade incontestável de Stranger Things mora aqui.

 

Os meninos muito me lembraram dos Batutinhas porque vivem juntos, não conversam com garotas (até porque em tese elas não querem nada com eles), possuem suas regras de boa convivência e de lealdade, e a rotina na ponta da caneta. A quebra disso acontece por meio de Eleven, que desmembra o grupo por Mike para depois reuni-lo a fim de fortalecer os membros contra um inimigo em comum.

 

Há a brincadeira de olhares céticos dos adultos contra a visão 3D das crianças. Uma visão que é onde transcorre a magia de Stranger Things. Se tirar os meninos, não sobra muita coisa interessante na série e ainda não cheguei à conclusão se isso seria um problema (porque tem a ciência). O importante é que a maioria das coisas mencionadas e desvendadas pelos meninos move a história enquanto o elenco adulto se debate. Isso foi incrível e o melhor foi não ter um progenitor sabichão para acabar com a festa. Juro que esperei Joyce se meter trabalhada na chatice.

 

Logicamente, os meninos me fizeram lembrar da minha vida mencionando as coisas que amo. Eles têm uma linguagem tão vivaz, tão cheia de cores, argh!, tão real. Levei muita coisa a sério porque faz parte do imaginário. Do meio de lidar com os arredores, substituindo a verdade pela ilusão infantil que age como blindagem. Ao vê-los mencionar a cultura da década de 80, vi um retrato de um potterhead associando uma comida a algum feitiço ou a algum local de Hogwarts. A situação criada por Eleven tirou tudo que estava em um mero tabuleiro e em um livro de RPG do irreal para o real. O RPG que tanto amavam virou um RPG live-action. E só restam os berros.

 

O carisma das crianças também vem pela anulação da complexidade que possivelmente viria do POV dos adultos. Detalhe que trouxe uma série leve e pergunto aonde estava o medo que geral sentiu. Eu mais chorei que tomei susto, pelo amor de Merlin! A leveza veio dos diálogos e das sacadas de crianças que acham que compreendem alguma coisa, mas, no fundo, não compreendem absolutamente nada. Elas partem muito da associação e da indagação, procedimentos que rebateram em Eleven que é meramente sensitiva e observadora.

 

E o que dizer de Eleven? Os olhos dela diziam mais que seus monólogos. Só de olhar para ela eu já começava a chorar, quero adotá-la. Essa personagem me fez debulhar de cara na almofada, não tenho condições de lidar com esse tipo de storyline, sinceramente.

 

Além da criançada, teve o elenco adolescente que pouco me interessou. A não ser Barb e fiquei muito enraivecida com o suposto término dela. Não tenho problemas com Nancy, mas apostar nela em vez da BFF me saiu como jogo seguro. E exausta de jogo seguro.

 

Stranger Things - Opinião

 

Esse arco adolescente me deixou com tédio várias vezes porque é o berro do clichê e sou uma senhora que ama clichês, mas não mais esse clichê. Consumi-o tanto nos anos 90 que só me restou revirar os olhos. Tudo bem que é da época, principalmente a questão da virgindade, mas não ganhou minha simpatia. Eu via as cenas pensando em Susana Vieira, sem paciência para quem tá começando. Só mudei um pouco de atitude quando Nancy, Jonathan e Steve se uniram contra o monstro porque foi engraçado demais – o 1×08 foi um divisor. Além disso, me confortou por saber que as diferenças podem ser trabalhadas depois da grande treta.

 

(Mas a ideia de triângulo amoroso me dá arrepios na espinha. Impeçam essa tragédia, já).

 

Treta que me faz destacar o bullying pouco comentado de Stranger Things. Nem tinha motivo de explorar, mas cada cena valeu por mil diálogos. Se não bastasse Eleven para mexer com meus sentimentos, lá me vão essas crianças se meter em emboscada da pesada. Queria “desver” Mike saltando do penhasco, na boa, a cena foi muito forte. Incômoda porque também não deixa de ser verdade.

 

Acreditei que Nancy passaria pelos 8 episódios sem ser sacaneada por Steve, mas acabei sendo trouxa. Ela me deixou arrasada com o maldito slut-shaming. Sem contar a expectativa machista de garota inteligente que termina com o atleta flopado dito por Jonathan. Não o quero perto dela. Nenhum dos dois, inclusive, deixa a bichinha sozinha que rendeu muito mais.

 

Por mais que seja um viés negativo, gostei da preocupação de mostrar que isso acontecia antes mesmo de bullying ser bullying. E Barb merecia mais, sinto muito.

O monstro vs. ser especial

 

Stranger Things - Opinião

 

Esse negócio de cidade isolada com coisas estranhas é Stephen King demais que extrapola. Se eu amei? Embora conheça mais os filmes que inspiraram suas obras, amei sim óbvio.

 

Ciência é bacana, mas receio que não seja clemente.

 

A série pode ter vencido pelas referências e pelas crianças, mas o que havia além da lente entre o equilibrista e a pulga era a humanização da história pelos olhos de Eleven. Stranger Things tem sua força de premissa no científico e no sobrenatural, mas o que torna tudo tão intimista e tão palpável é ver todo aquele elenco sem eira e nem beira. Nem mesmo os pais perfeitos de Nancy e de Will eram tão perfeitos quanto aparentavam. Assim, o conflito basicamente serviu para mexer com uma cidade impecável e para mudar todas as relações interpessoais.

 

Eleven foi chamada de monstro por ser a causa de outro monstro só que charmoso de gosmento. A personagem é especial e não se sente especial, como um X-Men. O mesmo sentimento parte do trio que reaprendeu sobre suas próprias regras que eram cobradas o tempo inteiro por meio da menina.

 

Lucas, Mike e Dustin não pertenciam a nada especial até se encontrarem com Eleven. Eleven não era nada especial até se encontrar com eles e passar a aprender as leis que deveriam nos tornar seres humanos melhores e mais sensatos – e nos manter assim. Como não mentir e ser leal, posicionamentos funcionais na infância porque não há a corrupção que o adulto lida todo santo dia. O mais engraçado é que esse grupo termina incorruptível, achando que tudo não passou de um volume de quadrinho diante do leito de Will. A inocência em si não fora quebrada, não no núcleo infantil, e eles lembrarão dessa aventura como uma rodada de RPG.

 

Só que daí temos Joyce e Hopper que viram tudo da perspectiva nua e crua e é onde encontrei ainda mais meu coração em Stranger Things. O amor de mãe tornou a visão do lado cruel possível, como também o desejo de Nancy em ir atrás de Barb. Embora tenham sido mais elenco de suporte que protagonistas, é com os adultos que vemos o quanto a ciência pode não ser clemente. Inclusive, que precisamos sair da bolha para darmos atenção a quem está do nosso lado.

 

Voltemos às questões de que a busca de um ser humano perfeito nunca será por um bem comum, mas do lucro em torno disso. Os famosos lobistas que investem, fingem que não sabem de nada e exterminam quem chega perto de descobrir. Tenso foi ver a leve humanização dessa situação pela Eleven, cujo pai agiu como se fosse normal usar a própria filha para ser um grande experimento. Um dos “auges” que humanizou o texto, mas ainda dá tempo de dar na cara dele?

 

Isso me faz culpada por ter focado logo no aspecto social não aprofundado da história. Li muito post que tentou contradizer o que os irmãos Duffer fizeram no âmbito ciência, mas sempre escapo para não destruir minha experiência. Para mim foi ótima e relacionável. E, para mim, foi o core desse primeiro ano da série, além da amizade dos meninos e Eleven claro.

 

Concluindo

 

Stranger Things - Opinião

 

Stranger Things mais pareceu uma short fiction do Tio King (a abertura tão maravilhosa e a cara de O Iluminado feat. Carrie – A Estranha) em seus 8 episódios. Redondinho, como muitos diriam, sabendo exatamente o que dar prioridade e o que desenvolver.

 

A mistura de suspense com ficção científica sob uma ótica infantil muito me agradou. Sim, foi muito legal ver as referências, mas foi a sutil menção do MK-ULTRA que me pegou de jeito. É estranho dizer isso porque consumi coisas da década de 80 e nem estava lá para ver esse projeto das trevas. Dias de um Passado Esquecido mudando minhas prioridades de vida, SOS.

 

A minha experiência se resumiu em uma nova discussão sobre os limites da ciência embasada em algo que aconteceu. Só não ficou tão hard pelo que já mencionei: as crianças. Elas tornaram uma dramática que poderia ser muito mais complexa em um instante mágico.

 

A série é encarável e bizarramente gostosa de acompanhar. Por estar com as expectativas um tanto quanto baixas, foi mais fácil eu gostar dela. Se tivesse comparecido a Stranger Things com a mesma vibe que fui atrás de Sense8, penso que rolaria uma geladeira meio aberta. Meio aberta porque a ciência me cativou. Se eu tirar isso, bem…

 

Concordo com quem diz que o roteiro de Stranger Things não é primoroso, mas a vitória aqui vem em nome da nostalgia. A série é um baita recorte dos anos 80 com um peso sutil de fatos que aconteceram. Até o desaparecimento não tem cunho aleatório porque era um medo pungente dos pais na época.

 

Toda essa concha de retalhos nostálgico rendeu um tiro certo e que tem sido usado a torto e a direito pelos estúdios de TV e de cinema mais pelo lucro que pelo sentimento. Vivemos a maldição da nostalgia e Stranger Things mexeu na ferida de uma geração. Foi um tapa cultural para quem não conhecia muita coisa ou nada desse tempo. Investida que lhe dá o mérito de todo esse reconhecimento imediato, especialmente por cativar e criar proximidade pelo universo.

 

Ações que muitas outras séries pecam e não convencem devido ao “fazer pelo hype”. Relação com o público é tudo nesta vida e os brothers fizeram a lição de casa.

 

Stranger Things ainda teve tempo de ensinar como uma história pode ter começo, meio e fim em 8 episódios, sem filler. O formato condensado permitiu que a história fosse muito bem talhada, organizada e claramente com conflitos priorizados. Não é à toa que os desdobramentos em torno do sequestro de Will, do monstro e da magia poderosa de Eleven se resolveram em 1 semana (arredondei porque há um momento que rola um “quase uma semana”). O bastante para terror ou fantasia.

 

Game of Thrones taí pra provar a mesma coisa com temporadas curtas e episódios que transitam de 50 min. a 1 hora. Nas mãos da TV aberta, Stranger Things não sobreviveria a uma S2-S3 com a mesma qualidade.

 

O storytelling de Stranger Things é A+, não só pelo jogo de cintura de desenvolver sua história em 8 episódios, mas por ter trabalhado com excelência na quebra da regra de mostre e não conte. Aconteceu o contrário, em que sabíamos demais enquanto os personagens sabiam de menos. Não teve tanto mistério, só o suspense do monstro. Os vilões foram entregues na lata, os poderes e a tortura de Eleven denunciadas no episódio 3. Teve um momento que implorei para criarem incógnitas porque não tava dando essa facilidade de compreensão em um sci-fi.

 

Fiquei abismada com a pouca quantidade de episódios e a curta duração tendo em vista que Netflix vai do 10 ao 13 + 1 hora de duração. Eis episódios confiantes, resolutos, centrados a contar o que precisava ser contado. Minha parte favorita foi a divisão em capítulos, o que reforçou a sensação de short fiction. Era humanamente impossível pular a abertura.

 

Stranger Things é aquele milagre que acontece uma vez por ano no gênero sci-fi. Vimos o mesmo boom com Fringe e com Orphan Black. Incluo Sense8 que mesmo que não tenha curtido não anula a tentativa de frescor dentro desse grupo e o quanto foi relacionável para várias pessoas. No caso da nova série em questão da Netflix, o misto de sci-fi e de suspense rendeu um casamento perfeito. Sem contar que o apoio do elenco infantil foi a salvação para uma história que poderia se desenvolver dentro do mais do mesmo – empresa fachada feat. investigação feat. alguns adultos sendo forçados a acreditar que existem muito mais além do nosso universo.

 

E sabem a parte mais, mais, mais legal? Crianças podem curtir a série. Tradução: Stranger Things tem uma trama tão democrática que extrapola.

 

Onde pede a segunda temporada?

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3