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15/set

Aqui vamos com mais um capítulo do meu Diário de Escrita e nem acredito que estou cumprindo essa agenda. Assim, os dias continuam complicados, ser otimista tem sido um desafio diário, mas tenho escrito mais que o normal para me isolar de todas as emoções ruins. Isso é bom e ruim porque me faz lembrar do meu mapa astral dizendo: você tem mania de fazer tudo de uma vez, não direciona a energia direito e fica exausta. Eu neste instante.

 

Hoje, falarei bem por cima sobre o que aprendi nessa rotina que tende a ser avassaladora. Com o passar dos anos, comecei a perceber algumas coisas que aderi e que descobri no decorrer do processo de escrita. Pensei em listá-las, com certeza deixarei muitas passarem em branco, mas o importante é elencar alguns tópicos que continuam a me auxiliar, seja para desenvolver o We Project, o Dias de um Passado Esquecido e até as fanfics da vida.

 

Anna

O que Stefs aprendeu ao começar a escrever um livro de verdade?

 

Recobrar a confiança na escrita

 

Esse é outro teste diário porque da mesma forma que amo muito algumas coisas que escrevo, há outras que detesto e essas que detesto influencia em tudo. Quem nunca?

 

Mas, vamos começar lá em 2005. Escrever fanfics faz parte da minha história como escritora e acho graça de quem fica com vergoinha disso, de verdade. Por meio delas, criei gosto pelas palavras e me tornei uma pessoa insaciável por histórias. Lembro-me que não passava uma semana sem que eu tivesse escrito uma short fiction ou uma song fic ao mesmo tempo em que continuava uma long fiction. As fics mantiveram minhas ideias em circulação e só tenho J.K. Rowling para agradecer porque ela deu aval para ficção de fã, algo que não acontece, por exemplo, com Anne Rice que manda deletar sim.

 

A confiança na escrita sempre foi arraigada em mim, mesmo que eu estivesse ciente de que ok, tô escrevendo, mas não é lá aquelas coisas (sem contar os erros de português gritantes). Sempre me sentia a rainha das redações, a diferentona nota 10, e isso inflou meu ego adolescente. Sempre me senti à vontade escrevendo até que um dia parei de escrever devido ao meu estágio. Aquela velha história da editora que já contei mil vezes e não quero contar de novo não.

 

Rolou o golpe e parei de escrever. Escrevia forçadíssima na faculdade porque era uma obrigação. Atrelado a isso, havia uma mosquinha mais conhecida como minha irmã que começou a buzinar sobre os motivos dos quais eu ainda escrevia fanfic. Sendo que, segundo ela, estava na hora de criar algo meu. Obviamente que esse algo meu virou traços em agendas porque não tinha coragem de transformar minhas ideias em capítulos. E nem vontade.

 

Não sei em que tempo dissolvi esse trauma. Penso que foi em outro episódio que também já contei: ter chorado na mesa do professor Snape, digo, o temeroso professor de rádio. Cidadão mais conhecido como aquele que me falou para fazer um blog. Falei que não queria, que trancaria o curso, nem acreditei que estava chorando, mas foi um passo para a libertação.

 

Formei-me em 2012 e em 2012 comecei a escrever o We Project. Continua sendo um processo constante de recobrar a confiança porque ainda tenho a editora na minha cabeça em forma de Umbridge me dizendo: você não deve sair escrevendo bobagens por aí. Argh!

 

Às vezes, bate até a bad quando releio aquele monte de capítulos com mais de 3 anos de idade e me pergunto aonde é que eu estava com a cabeça. Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra.

 

Criar um universo para chamar de meu

 

Anna 8

 

Eu sempre escrevi romances e, dependendo dos casos, romances não são complexos. Não é à toa que nunca usei outline em toda minha carreira de fanfics. Ia no instinto e sempre deu muito certo. Bastava eu ter dois personagens em mente, o conflito e digitar até o ansioso final.

 

A história mudou completamente quando comecei a me aventurar em ficção científica. Tentei manter o mesmo tipo de atitude com relação às fanfics e ir conforme a maré de pensamentos. O primeiro manuscrito do WP nasceu em cima de anotações vagas, aquelas decorrentes de final de capítulo. A coisa toda mudou quando não estava sentindo firmeza no pacote e foi aí que conheci os roteiros de escrita. Para criar um universo do zero, ao menos pra mim, não tem como realizar isso às cegas. Algo que o romance puro não exige. E como sou geminiana, bem, precisava organizar urgentemente as ideias porque estava passando uma coisa em cima da outra.

 

Essa continua a ser minha maior dificuldade. Agora nem tanto porque se há outra coisa que aprendi é limitar, sejam personagens ou locais em que se passam algumas cenas. Ter tudo demais nem sempre ajuda e tive que aprender a enxugar. O outline me ensinou a enxugar porque não tenho controle do que escrevo. Tem vezes que tenho 20 páginas de um só capítulo.

 

Sempre me escondi no universo da tia Rowling. Por ter o universo pronto, escrever fanfics foi muito fácil porque não tinha uma preocupação com o ambiente. O produto estava pronto, só precisava ganhar os insights do cliente – no caso inventar novos conflitos. Vivi tão mergulhada em Hogwarts que uma vez que saí dali me senti completamente desorientada. Como criar um mundo meu, minha Deusa?

 

De quebra, havia a sensação que emenda com o 1º tópico: eu tinha medo de criar algo meu e adiei isso por anos. Comecei com fics em 2005 e pensar em algo meu rolou em 2011 – e comecei efetivamente em 2012. Foi como sair do casulo e senti dor em todas as partes do meu corpo. Foi uma malhação em que peguei a massa da minha ideia, achatei, alonguei, dei porrada, até ver um universo do qual gostava e que meus personagens amariam/odiariam.

 

Foi um processo muito desorganizado, pois grande parte da construção do meu universo veio de ideias soltas e de algumas resgatadas de fics que escrevi em Universo Alternativo. Tive que encontrar meu macete para o universo acontecer e penso que futuramente será mais fácil conduzir esse tópico. Foi um aprendizado a muito custo e nem escrevo terra média, pensem.

 

A quebra de identidade

 

Anna 2

 

Isso também tem muito a ver com a época de fanfics. Usava um nickname que me “protegia” e que me fez popular como a menina que escrevia histórias dos Marotos e Harry/Hermione. Isso me fez feliz por longos e longos anos até o fandom de HP falecer (desculpa, mas faleceu em 2007. Agora é só nostalgia e dinheiro). Tive que finalizar o que estava em andamento para me ver “livre” (“livre” porque tenho uma de Chicago P.D. para atualizar até hoje, desculpa manas) e ignorar a realidade de que o interesse por fics potterianas não seria nunca mais como antigamente.

 

Sem ter como matar meu tempo, comecei a rascunhar em uma agendinha ao mesmo tempo em que mandava bala na minha monografia. Esses dias eu a encontrei e percebi que havia vontade de escrever algo novo, mas não a coragem. Porque vinha de um looping traumático mais um relacionamento nada saudável. Minha missão foi virar essa página e colocar um peso para que nunca mais a revisitasse. Mesmo quando rolasse a autodúvida.

 

Usando meu nome original, comecei a perceber melhor, digamos, meu perfil de escritora e minhas preferências literárias. Foi literalmente um redescobrimento que a Rowling não desabrochou – única falha da mentora.

 

Ser mais organizada com as minhas anotações (manda post-it!)

 

Anna 7

 

Geminianos tendem a ser desorganizados, mas a quantidade de Capricórnios, Sagitários e uma Lua em Escorpião berram para que eu seja menos bagunceira. Sim, eu amo citar meu mapa astral pra tudo porque me redescobri nesse negócio, juro pra vocês!

 

Ser mais organizada é uma tese (meu guarda-roupa que o diga) porque costumava viver em uma bagunça de anotações. Como disse no tópico 2, nunca planejei nada no quesito escrita. Nada mesmo. Bastava eu me levar para a frente do computador e digitar. O único esforço era publicar.

 

Minhas agendas sempre se tornavam diários. Post-its nem eram vistos nas minhas gavetas. Por causa das fanfics, meu processo sempre foi muito intuitivo. Ainda é, mas tem um pouco mais de rigor.

 

Mesmo com os post-its, eu ainda protejo meu lado intuitivo. Porém, eu precisava de apoio. Minha mente é um furacão constante, uma hora penso tal ideia e na outra já acrescentei a reviravolta. Não dá! Por considerar o We Project uma história consideravelmente grande, não posso me dar ao luxo de perder tais detalhes que podem salvar a minha vida.

 

Ter anotações é bom, mas continuo muito intuitiva. Não sei explicar os segredos da minha mente, mas só sei que a cada pausa eu vejo a história diferente e sigo o que está no coração.

 

Ler sobre coisas das quais não tinha interesse (ou tinha e nem sabia)

 

Anna 9

 

Já dei tanta volta nessa internet para as minhas pesquisas. Já visitei a 2ª Guerra Mundial, já fui para laboratório de Genética, já vivi o Brasil nos anos 60. Gosto muito de história, mas há dentro de mim o que chamamos de preguiça. Morro-de-preguiça-de-pesquisar-isso-desde-os-primórdios. Único ponto negativo das fanfics que não me davam esse trabalho também.

 

Sério, eu tive que quebrar tantos péssimos hábitos da época de fanfics que só a Deusa.

 

Gosto muito de história, mas, na época da escola, eu fazia umas decorebas bem malucas para ter nota. Principalmente sobre a história do Brasil que não gosto até hoje – a não ser as partes das tragédias porque tragédias me prendem, a pessoa sádica. O que aconteceu? Passei a ver a disciplina como um martírio porque só assimilava com rapidez o que me interessava. Daí, nasce a preguiça.

 

Pesquisa é uma das partes mais dolorosas da minha rotina de escrita porque preciso ter tal coragem para buscar tal informação. Uma vez tomada a coragem, preciso ter calma porque começo a absorver demais e isso é pedir para mudar o norte da história. Já aconteceu, não minto, e preciso me policiar.

 

Às vezes, pesquisar é fácil porque você pode só precisar do nome de um produto, mas, no meu caso, é uma amarração de fragmentos históricos que me deixa maluca. Por ser uma mistura, automaticamente não tem um ano específico. Por não ter um ano específico, preciso amarrar tudo que considero relevante e que consiga desenvolver. Stefs não trabalha com canon.

 

Ir atrás da história me fez sair bastante do gênero policial. Esta semana mesmo dei uma mudada no tom de alguns capítulos porque não estava tendo traços da década que eu queria (que são décadas porque Stefs não trabalha com canon).

 

Tem também a parte científica que não é hard no We Project, mas pede uma pincelada de embasamento. Por ter criado essa parte com fragmentos de outras coisas – Stefs não trabalha com canon, nunca se esqueçam disso –, lá fui eu ter mais trabalho para costurar tudo. Já encontrei alguns títulos de Genética tão maravilhosos e tão fáceis de ler que choro toda vez.

 

E toda essa experiência me abriu um leque de novos autores. Eles me fizeram ver que o WP e o Dias de um Passado Esquecido são ficção científica soft. Ao menos, é o que acredito.

 

✔ Que ter personagem de cabelo cacheado é lindo e maravilhoso

 

Claire

É ou não é um bolinho do amor? <3

 

Não é um segredo para ninguém, mas vale o conselho: diversidade é importante. E por causa dessa diversidade que o We Project nunca está pronto. Isso é assunto pra outro post.

 

Não menos importante: representatividade importa sim. Se você não se sente representad@, crie personagens que lhe representem. A minha tem cabelo frondoso de cachos (e penso que todas as mulheres têm cabelo cacheado, preciso dar uma conferida nisso hahahaha). Por qual motivo? Porque tô exausta do cabelo-liso-impecável-parece-uma-nuvem-de-tão-macia. Nem todo cabelo liso é impecável do jeito que escrevem por aí, fala sério.

 

Que compartilhar minha experiência é revigorante

 

Anna 10

 

Mente quem diz que seus personagens não são representações de si mesmo. Há quem acha errado uma personagem ser a cópia da autora, mas não sou capaz de opinar nesse quesito. Até porque cheguei a escrever uma fanfic dos Backstreet Boys lá na puberdade em que estava presente porque queria dar uns beijos no Kevin. Não podia perder a chance, né?

 

Fato é que dei muito das minhas experiências para meus personagens e por incrível que pareça isso tem me ajudado. Feeling que vem desde a época de fanfics.

 

Tenho uma história meio autobiográfica em que mudei vários aspectos para não ficar tão semelhante e tão eu. Isso ajudou um coração partido e angustiado na época (o meu coração mesmo). Gosto de fazer essa troca. Dá mais verdade no que faço.

 

(e já contei aqui que tenho problemas com criar cenas e casos do nada, né? Eu sou a pessoa que terá “baseado em histórias reais” nos prólogos da vida hahahaha).

 

Não participar de certos grupos de escritores

 

Anna 11

 

Preservação de energia é o que me faz evitá-los incansavelmente. Para isso, há o Tumblr.

 

Digo isso porque vários só existem para desmotivar. Difícil ter alguém para encorajar, principalmente quando você “milagrosamente” se dá bem. Há algumas verdades que caem na roda desses grupos, como mercado editorial que é sempre bom estar informado. Porém, sempre há o cutucar do gênero que você escreve, que X, Y e Z plots é sem noção extrema e que os personagens precisam ter nomes gaélicos misturados com latim para serem criativos.

 

Muitos só estão ali para desanimar quem escreve porque todo mundo nasceu sabendo, não é mesmo? É por essas e outras que a classe não é unida, tem muita picuinha e arrogância. E adivinhem? Não sou obrigada, né?

 

Mantenho-me em campo neutro porque revirar os olhos para certos comentários também me deixa exausta. Às vezes, fingir que não existo é a melhor forma de sair imune de tanta porcaria que é dita. Aprendi a me atentar ao que interessa nesses grupos, no caso publicação, editoras e o mercado. Só. Há pessoas que só existem para esmagar outras e no universo de escritores elas são aos baldes (e ainda caem pelas beiradas).

 

Fanfics me ensinaram muito e só tenho a agradecer

 

Sim, vai ter mais fanfic! Sou muito grata por elas e é por isso que ainda as escrevo. Mesmo tendo o produto pronto, posso experimentar outros gêneros, ver se há um ponto de identificação minha com outros tópicos que não sejam polícia, genética e história.

 

Fanfics são minhas pausas para free writing porque me forço a pensar em coisas mais leves. Sempre recomendarei brincar de ficwriter porque é algo que me ajudou muito, especialmente em encontrar minha pessoa/voz preferida (a 3ª). Rowling foi uma ótima mentora.

 

A expor minhas palavras por aí

 

Pode não ser em forma de livro, mas a rotina de escrita me fez arriscar e mostrar o que gosto de escrever. Já publiquei aqui algumas fanfics, a do Finnick é meu xodó atual e para toda a eternidade, e se fosse em outra época teria usado um nickname para divulgá-la. O jogo virou não é mesmo?

 

Por enquanto, só consegui pensar nesses tópicos. São os que continuam a fazer diferença na minha vidinha de escritora. Contem-me mais sobre o que vocês aprenderam ou ainda aprendem nessa rotina. ❤

Stefs
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  • Que. Delícia. De. Blog. <3
    "Sempre me sentia a rainha das redações, a diferentona nota 10, e isso inflou meu ego adolescente." Exatamente. Sei como é ser ótima nas redações do colégio, escolher isso para ganhar dinheiro na vida, ter um bloqueio, achar que não é capaz de escrever bem e ficar estagnada sem saber para onde ir. Parece ingenuidade, mas acho que a chave está em ter prazer nisso – e até ser um pouco insistente, né? Vou tentar elaborar uma rotina de escrita também!

    • Hey, Random Girl

      Hey, Maly, tudo bem? Vi que você deixou dois coments aqui no RG e peço MIL perdões pela demora em respondê-la. Passei por alguns impasses e quero acreditar que tudo dê certo agora <3

      Falou tudo sobre prazer + insistente. O jornalismo em si me decepcionou bastante em vários aspectos porque me considero uma mente muito livre. Esse controle de escrita me afetou em vários âmbitos e nunca mais quero passar por isso – embora essa seja minha profissão e tenho que arcar pq dinheiros hahahaahahahah

      Espero que tenha usufruído o material de escrita. Voltarei com atualizações em breve!

      Beijos sua linda! Obrigada pelo comentário e pela visita <3

    • Hey, Random Girl

      e eu vim aqui de novo rapidão pra dizer que AMAY seu site. Sério. Já li vários textinhos aqui <3 Parabéns, viu?