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01/out

Neste momento, minha mente briga para entrar em uma concordância com relação a este episódio de Chicago P.D.. Meramente porque essa não é a primeira vez que a série tenta trazer uma discussão sobre Black Lives Matter. Dessa vez, o toque foi mais sutil e um tanto quanto despretensioso, mas nada disso mudou boa parte do meu discurso: sempre fica a desejar e a causa não impacta. Partindo de um ponto de vista pessoal, tenho pra mim que independente da premissa vender a polícia de Chicago como heroína, esses mesmos heróis não são perfeitos. E todas as vezes eles o são e esta semana esse viés atingiu o ápice do surreal.

 

Não é que me incomode com o heroísmo, mas é a 3x (salvo engano, me socorram porque mente idosa) que apostam nesse caminho e de novo não ficou nada próximo ao verossímil. Por quê? Porque o branco é o ser mais maravilhoso do planeta e o negro é o clichê do criminoso hater. Assim, não tem problema trazer um personagem negro que realmente tenha um background manchado – desde que seja relevante. Porém, considerando tudo que anda acontecendo, cadê representatividade positiva das minorias? Tinham mesmo que terminar o episódio em tiro e em Voight sendo o rei da noite? Acho que não.

 

Particularmente, essa abordagem foi a mais forçada de todas. A começar por Voight que ganhou vários diálogos de efeito para justificar algo que a trama nem desenvolveu direito. O que mais me incomodou foi “nos esforçaríamos da mesma forma se fosse uma mulher negra”, discurso mais clichê que a própria finalização do caso da semana. Não foi exatamente com essas palavras, mas dá para pegar o feeling da questão. A ficção está aí para nos fazer felizes, mas nada a impede de ser trágica e tangível. Algo de Chicago P.D. anda comendo muita bola.

 

Nisso, foi possível ver que o intuito do episódio em si foi mandar uma nova mensagem sobre o assunto e de novo senti que não foi efetivo. Houve muitos instantes surreais como a menininha indo abraçar Halstead e Lindsay, ao ponto de dar-lhes água, em uma ocasião X. Sim, não é todo mundo que vê a polícia como inimiga, foi importante ressaltar isso, mas houve tanto carinho para cima do time de Voight que confrontou a hostilidade e a defensiva que realmente existe nesse aspecto. A UI cercou um gueto e não houve sequer uma passada de limites? Sei que P.D. prega a boa polícia, mas atingimos o ponto do surreal de ser boa demais. Robôs agora?

 

E tem outra cena: a que aquele senhor agradece ao Voight por ter “salvado o filho”. Man! Outro instante random… Pra quê?

 

Quem sentiu mesmo a hostilidade foi Burgess e Tay, personagens que levaram a trama nas costas com muito mais veracidade em comparação aos outros detetives. E tenho certeza que fizeram isso porque é uma dupla de mulheres “em perigo”, vide as piadas sem graça de Atwater e de Halstead no começo do episódio. De novo: pra quê?

 

Pior que isso é ver pela milésima vez Atwater ganhando espaço de fala “só porque é negro” e relevância porque o assunto envolve a comunidade negra. Redução extrema pra um personagem que nem é ouvido nos demais episódios.

 

Resenha Chicago P.D. - Voight

 

Foi um episódio não tão novo e com os mesmos erros. Foi um jogo de All Lives Matter e nada me irrita mais que esse All Lives Matter. Sim, todas as vidas importam, mas se você lança uma dessa para rebater o Black Lives Matter você me reduz a causa. Voight entoou várias vezes sobre respeito, cuidado e afins, mas mandou Halstead puxar o gatilho. Daí, a cena final foi a cereja da falta de criatividade: o negro que “odeia” branco e quer matar a menina mais por isso porque “está morto de qualquer forma…. porque é negro, pobre do gueto”.

 

Segurem meus brincos!

 

A parte do ódio gratuito sobre Sarah muito me deixou frustrada. Normalmente, ficaria ofendida com o tratamento mulher vs. homem (e nem resmungaria considerando o aspecto da série), mas volto a citar a questão do “negro hater”. O negro que com raiva da sociedade só quer matar, é bandido, etc., etc., etc.. Ou, como dizem por aí, “o negro é revoltado por tudo”. Sério, não teve justificativa pro sequestro da moça. Ou seja, caso descaradamente aleatório e com um discurso vergonhoso. Olhem…

 

Em linhas gerais, o episódio não refletiu em nada a questão, o que não foi uma surpresa. Se não tivesse que escrever a resenha, resumiria tudo em: random. De novo, a mesma premissa que só serviu pra enaltecer a polícia. Sem fazer nada, a equipe só faltou receber flores sendo que não deveria. Não dessa vez. Qual é o problema dessa turma errar? Quantas vezes o 51º Batalhão tomou na cara por chamado errado?

 

O caso não foi eficiente ao ponto de nem favorecer os personagens e nem fortalecer a pauta. No fim, a vida de um negro foi custada em nome de uma vida branca. Não tinha solução? Não. Mas se quisessem mesmo causar cócegas no assunto, deveriam ter pensado em outra abordagem. O assunto é sensível, não é sobre polícia vai atirar ou não. É uma treta real for Christ’s Sake.

 

São nessas horas que me pergunto se Lobo e amigos realmente se lembram que SVU existe, independente do rodízio dos roteiristas. Há contrapontos na série da Mariska sim, não é aquela coisa perfeita, mas toda vez que um episódio acaba você fica impactado porque parte daquilo é real. Inclusive, me pergunto se esses roteiristas realmente estão no século 21/2016. Tá cada vez mais impossível Chicago P.D. pagando mico nesse quesito.

 

Pode ser meio alarmante da minha parte escrever tudo isso, não pedirei desculpas, mas foi exatamente assim que me senti. A comunidade em hipótese alguma foi explorada, um mega ponto negativo. Usaram a praxe de abordagem policial, o que estava ok, mas não conseguiram impor dificuldades que afligissem uma equipe que andou pelo gueto como se fosse estrela. A única que pareceu real na situação foi Crowley, mas sabemos que isso vem do fato da atriz ser negra. O mesmo Atwater que se comporta e ganha destaque nessa pauta por ser negro. Really guys?

 

O realismo me confrontou na cena da quadra, antes do time acessar o prédio. Ali sim vi um pouco de pertinência. Voight não poderia entrar com tudo sem um papo de concordância ou seria ataque fulminante de ambas as partes. Deveriam ter investido mais nesse quesito para simbolizar o que realmente tem faltado no trabalho da polícia de maneira geral: diálogo. Não investir em frases de efeito e grana, soando como se a UI fosse formada por principiantes.

 

Apesar dos pesares, não desmereço o papel de Voight. Ele também levou o episódio nas costas, mas duvido muito que tenha convencido quem é envolvido com a causa. Apesar das frases floreadas, o personagem mostrou de novo que é o único desenvolvido da série. Não é porque você passou por tantas interpelações que suas características principais necessitam ser aniquiladas. É sempre bom ver o velho Hank agindo do jeito que acredita, independente da perda de Justin. O único que tem merecido 5 estrelas porque a caracterização está sendo mantida.

 

Darei até uma nota para Ruzek (soltem fogos de artifício, eu deixo), cujo destaque pode ser um aceno para a saída de Antonio de CPD para Justice (pra quê?). Ele tem assumido mais o mural que pertencia ao Dawson e tem se mostrado um pouco mais sério no trabalho. Está certo que essa nova nuance de Adam é tão brinde quanto o romance Linstead, e espero que esse cidadão seja desenvolvido ASAP. Assim, nem me lembro mais qual é a história desse jovem… Sendo que não teve.

 

Linstead is Over Party

 

Resenha Chicago P.D. - Linstead

Eu não resisti à tendência do Twitter.

 

Alguns de vocês já me conhecem há certo tempo e sabem que meu amor por um shipper não dispensa meus cutucões. Se toda a temática nas entrelinhas sobre Black Lives Matter foi forçada, o mesmo se aplica ao novo salto de uma relação não desenvolvida entre Linstead. Chamem a tropa de choque!

 

A preocupação (mais a falta dela) com o casal tem comprometido seriamente CPD desde a S3. Os episódios mais fracos da temporada anterior são aqueles que os colocaram em destaque, os ditos “temáticos” que nunca deram nada mais aprofundado sobre eles e sobre o relacionamento em si. Apenas frases prontas de afeto. Não reclamo, considero necessário, mas a magia deles morreu na S1 e depois da força-tarefa na S2. É uma droga dizer isso, mas não duvido que esses roteiristas inventarão suspeita de gravidez no futuro. É bem a cara deles “kibar” Dawsey e fazer pior.

 

Aniquilaram todas as dificuldades e as angústias do casal porque Linstead virou buzz e, com isso, virou bait. Não tinha necessidade de soltar sneak peek de ambos em um instante que não deixa de ser crucial. Foi vergonhoso para não dizer lamentável vê-los sair da zona de conflito para o conforto de um sofá. E, sério, eles sempre precisam tirar a roupa pra provar que o relacionamento deles está ótimo? NBC tendo aula com a CW, vivi pra ver isso.

 

Queria saber se está rolando algum tipo de rejeição entre Jay e Erin porque não precisa desse escândalo, dessa pressa, sendo que há um fandom fidelizado ao casal. Não é algo The Vampire Diaries com mil e um shippers pra gerar treta, please.

 

Halstead nunca escondeu ser o mais inclinado a assumir o relacionamento, mas tinha como ele ser menos invasivo e sufocador? Além disso, cadê a sassy Erin que regava as entrelinhas só para irritá-lo? Os dois estão completamente irreconhecíveis. E vejo o mesmo acontecer entre Will e Natalie (que estava outra personagem na premiere de Med) e já nem quero os dois juntos se for pra ser zoado desse jeito.

 

Erin e Jay estavam tão distantes em trama que acompanhá-los na ação deste episódio arrancou lágrimas de raiva. O abraço da menininha foi para ostentar o brilho do casal e não o trabalho. Ambos não fizeram nada esta semana, e nem na passada, a não ser alimentar o romance. Desde quando Linstead não faz nada? Um virou a sombra do outro, se abstendo a falas bonitas e suspiros, nada mais. Ótimo, mas cadê o desenvolvimento? Cadê o trabalho em campo? E morreu.

 

Os outros plots

 

Resenha Chicago P.D. - Burgess e Tay

O rosto do Squad que não fui convidada

 

Como disse, quem levou o episódio nas costas foi Burgess e Tay. Às vezes, esqueço o quanto falta presença feminina e conversa feminina em CPD. Muito me deixa triste acreditar que a novata logo vazará porque dá para notar a diferença significava desse núcleo com a Platt.

 

Não digo isso apenas por ser um arco só de mulheres, mas porque Kim precisava de uma espairecida dessas. Ela está livre! Já que é impossível a policial ter um relacionamento amigável com Erin (e piorou agora porque Erin só tá para o Jay e vice-versa), tem sido lindo vê-la ao lado de Tay. Além disso, já ter levantado uma defensiva contra Fogel, que não passou da representação maligna dos homens de Chicago Justice. Vejo faíscas entre ambas, um ponto tão significativo que alterou até o posicionamento de Platt no Distrito. Não sabem aproveitar o pote de ouro quando tem um porque oh! mania de enfiar homem em tudo.

 

Achei que demoraria mais, mas injetaram a historinha do Mouse para dar ao Jay um plano de fundo. O que tenho a dizer é: vá mesmo embora querido. Se não vão desenvolvê-lo, deixe-o ir. CPD está cheia de personagem supérfluo, já perdeu o valor que tinha ao transferir Antonio e só se preocupar com Linstead. Não boto muita fé nesse desenvolvimento, mas vai que né? Curiosidade eu tenho.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago P.D. - Gueto

 

De novo, passaram a mão na cabeça da polícia. Daí, vocês dizem: mas a série é da polícia, ué? Mas daí digo o que sempre digo quando Chicago P.D. quer meter pauta de justiça social: se você quer mandar a mensagem, você precisa parar de ovacionar os personagens que têm. Você tem que fazê-los cometer erros e/ou sentir perigo para dar veracidade a um assunto desses. Simples. Olivia Benson é uma heroína do caramba, se ferrou muito, já foi refém e assim por diante, e a turma OMO Progress do Voight não sofre nada? Eles são da Marvel e não estou sabendo?

 

Para não dizerem que estou sendo chata: não houve hostilidade nesse episódio contra a polícia, o acesso a informação foi ridiculamente fácil, e no fim teve a briga branco vs. negro. Desacreditei quando Jay atirou, sinceramente. Preferia prisão. A conclusão ficou meio “temos razão, vocês que não tão vendo isso”.

 

Além da premissa, o que me incomodou foi a falta de química entre os personagens. Não sei se isso foi impressão minha ou se é porque nasceu a birra de Chicago P.D. graças a transferência do Jon para Justice. Sério, nem Lindsay fez algo de pertinente no decorrer da investigação e ela costumava ser uma das porta-vozes de todo o processo. Parecia que só existia Voight no rolê, Antonio só participou das cenas finais, e os demais foram sombras. Além disso, a falta de trabalho sonoro meio que me deixou a ver navios em vários momentos – aka não senti absolutamente nada, só no final.

 

Esse é aquele episódio que me faz pensar: pra quê? Qual foi a pertinência dele a não ser impor Linstead (e só filmá-los também, diga-se de passagem)? E, como sou aprendiz de CW, sei o que acontece quando focam demais em um casal e se esquece de todo o resto…

 

A promo do próximo episódio não me deixa feliz porque: a) ataque em mulher; b) provavelmente a mando de Fogel machista/assediador; c) pontapé pra possível saída de Tay.

 

Por que será que sinto que a newbie sairá por causa desse macho, mas só pra ficar bonitinho haverá culpa pelo que houve com Platt? Ok que pode não ser uma vez que o pai da Sargento estará envolvido, mas desconfio. Lobo e amigos acham que sou uma otária. Pela careca do careca Haas!

 

PS: tentando entender o motivo de tanto abano no calor de Chicago. Se eu for chegar a uma conclusão mais dura, culparemos o verão pela moleza do trabalho da UI.

Stefs
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