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14/out

O que fazemos quando um episódio de Chicago P.D. parece com Chicago P.D. cem por centro? Sim, gritamos, fazemos anjinho na areia, postamos gifs na internet. Até fingimos que Lobo e amigos são as melhores pessoas em tempo integral.

 

Para começo de resenha, fazia muito, muito, muito tempo que não via um episódio tão completo quanto este. Sempre digo que usar um personagem como caso (ou parte do caso) cai bem para o impacto emocional, mas o recheio fica caprichado quando se lembram de mandar uma mensagem. Algo que vinha faltando absurdamente nessa série que tem sido falha até com pauta social. Hoje, estou feliz.

 

O episódio abriu sem rodeios, já partindo para a adrenalina, como nos velhos tempos. À primeira vista, tudo parecia hate crime inspirado nos eventos de Nice, mas o tiroteio logo se revelou em uma grande treta entre gangues e engrenou minutos iniciais que me fizeram soltar uns palavrões de tão awesome. Confesso que, mesmo ciente da premissa da semana, queria trabalho em cima de ódio gratuito. Algo que almejei bastante quando Greg entrou em cena, captura que só serviu para dar pano para a manga sobre tal sentimento não se justificar com o fato de fazer idiotice na juventude. Com esse chamariz, entregaram uma trama vigilante, com uma descarga emocional que rendeu o ponderar realista do quanto essa pintura também é nossa.

 

Mesmo dentro da guerra de gangues, que poderia ser mais do mesmo, o que conquistou foi o aspecto jovial da premissa. Afinal, nem todo crime é regido por pessoas mais velhas e houve uma saidinha da zona de conforto. Trazer uma fatia adolescente garantiu certo impacto e mudou a cara do conflito. O agente provocador me era impensável uma vez que Chicago P.D. nunca deixou de trazer a mesma linha de criminosos, o que não é ruim porque casa no onde a série é ambientada. Foi uma mudança drástica que garantiu um lamento amargo de ver alguém tão novo envolvido e dedicado a manter uma “supremacia” que custou inocentes.

 

Resenha Chicago P.D. - Atwater

 

A abertura foi pesada e emocional por conta da frieza dos tiros, mas nada se comparou ao destaque de Atwater. Pela primeira vez, ele foi relevante e achei que era pegadinha. Além disso, atuou mano a mano com Voight e teve o direito de perder a cabeça. Maravilhoso! O detetive teve um mega espaço, se bobear o primeiro de utilidade desde que migrou para a UI, e se envolveu com a trama toda. Digo isso porque a pertinência desse personagem foi além da típica necessidade de usá-lo só por ser negro e por dominar os macetes da comunidade que vive. Houve a soma desses fatores mais seu background resgatado. Isso é um sonho? Porque foi ótimo.

 

Foi lindo mesmo, amei o destaque, mas tinham que pecar em alguma coisa. Não curti muito o comentário de Voight sobre ser grato de tê-lo como profissional. Assim, ninguém vê Atwater trabalhando desde a S2 e só peço que parem de usar diálogo para tapar buraco com relação a desenvolvimento de personagem.

 

Jordan pode ser uma memória distante na série, mas resgatou o papel de Atwater fora da UI. Além disso, trouxe o debate da juventude no crime. Um processo que, geralmente, se inicia com péssimas influencias. O menino regou a trama com comentários inseguros, que nem ele mesmo sabia se faziam sentido, ao ponto de cogitar em sua inocência abraçá-los. Vários jovens passam por isso e penso que TK, o alvo do caos, foi essa pessoa que acabou ludibriada pela lábia e pelo glamour. Várias vezes houve menção de dinheiro no episódio, outro ponto atrativo para a juventude carente que passa a ter o que, em tese, precisa uma vez incluso em uma gangue/facção.

 

Facetas diferentes, mas que mostraram o quanto é possível se deixar levar pelas companhias. Parte de um golpe que largou o impacto no ato de Halstead. Fiquei confusa com o suspense em cima do capuz de Alex até tomar na cara. Como respirar?

 

Não teve como porque era sim de se esperar o tipão de homem que transitou no decorrer do episódio – negro marrento ou branco cheio das tatuagens, ambos enormes e mal-encarados. Para choque de geral, a culpa recaiu em Alex, um adolescente franzino que não tinha marra alguma. Ele, dono de uma identidade escolar, muito provavelmente não analisou “a proposta” antes de agarrar esse estilo de vida. E como poderia sendo que é algo “tentador”? Não restou nada a não ser suspirar em lamento. Foi mesmo um instante de ter aquele inconformismo calado porque não havia o que argumentar. Ainda mais quando se conflita entre as circunstâncias da prisão vs. a tristeza de ver mais um jovem engajado no crime.

 

Pessoas inocentes foram capotadas em nome dessa cega vaidade territorial das gangues em questão. Universo que muitos jovens querem fazer parte seduzidos pela necessidade de pertencer, de sobreviver e/ou pelo glamour. O resultado foi tristíssimo e agradeço ao engajamento emocional dos personagens que tornou a prisão conclusiva melancólica e um tanto quanto revoltante. Pra quê aquele menino começou a chorar, gente? Só fiquei pensando no desespero da mãe (se houver, claro).

 

Fato é que depois de tanto descaso, Chicago P.D. trouxe um aspecto da realidade para a ficção do jeito certo. Além disso, de um jeito desnorteante, em que você encara a tela preta do final do episódio sem saber o que pensar. A expressão de Lindsay diante do adolescente, o cuidado de prendê-lo, sem a comum rudez dos detetives, me deixou jogadíssima e ainda sou incapaz de levantar.

 

Outros pontos positivos

 

Resenha Chicago P.D. - Voight

 

Fazia tempo que não ouvia diálogos fortes em CPD. Tudo bem que a maioria era questionamentos que tomavam forma na minha mente e eram ditadas pelos personagens. Por que isso acontece? Por que jovens se ludibriam por esse estilo de vida? Isso vem muito do que é discursado nas mesas do bar: a questão de sobrevivência que vem de um status. A partir do momento que você tem esse status, há imunidade em circunstâncias como essa. Muitas pessoas acobertarão o dono da casa e o dono da casa protegerá seus seguidores. Até alguém dar com a língua entre os dentes.

 

E jovens, tão jovens, tendem a se enganar fácil com esse glamour. Como TK que me fez lembrar do caso MC Daleste. É fácil desligar a empatia por conta do background dos envolvidos, mas, como disse Al, aqui temos vítimas que foram vítimas. É mais fácil julgar primeiro pelas origens e pelo que fez antes de saber o que é verdade, e o alvo do episódio nem tinha ficha criminal. Porém, se saiu como belo estopim de treta. Situação essa que alocou perfeitamente os trejeitos e os comentários dos detetives, principalmente de Antonio que é pai e de Atwater que tem duas crianças sob sua vigília e que passam tempo demais sozinhas.

 

A trama pesou pelo comportamento dos detetives, que estavam maravilhosos BTW, mas Voight quem puxou o bonde. E Voight parecia o Voight da S1, aquele que não precisa da gaiola o tempo todo para mostrar serviço. Como rolou na S3 que extrapolou e só faltou usá-la como banheiro. Se há uma coisa que esse personagem faz de melhor, além de quase tudo, é bater perna e pagar de íntimo nas bocadas em que fez nome. Dá mais dele com naturalidade – embora tenhamos muito sobre esse homem e agora chega. A última cena, no bar, me fez rir dolorosamente porque sentia falta dessa cara de pau dele. Da malícia entre joguinhos investigativos.

 

Vale até destacar a interação com Garza. Dei gritinhos porque a ironia de Voight estava no auge. Já disse, quando Al mostra os dentes eu tremo. Hank então nem se fala. Esses dois tinham que ter um episódio especial, saudade.

 

Mas a melhor cena desse personagem morava no final do episódio. Queria estar morta da plausibilidade do discurso. Hank reassumiu o arremate por meio de uma mensagem, investida que mostrou o quanto capricharam esta semana. Podem continuar porque não achei nem um pouco ruim. Verdade seja dita.

 

Vale também um comentário sobre a sincronia dos detetives. O negócio estava tão bom que senti falta de personagem em cena – impressão, claro, porque souberam dividir o trabalho e só me restou o choque. Nessa dança, destaco Ruzek (eu acho que bati a cabeça), que continua a arreganhar a porta a fim de mostrar serviço, e Al que tem voltado mais ao cerne depois de uma temporada que o isolou em um drama que ninguém mais lembra. Mas, intimamente, queria mais mulher em cena.

 

O que me faz comentar sobre Erin. Houve uma época que queria menos foco nela porque estava, literalmente, demais. Mas, com tanto homem em cena, é impossível não querê-la em destaque. Tinha Burgess, que continua firme e forte com Tay, mas estamos no 4º episódio e a dona da série não disse nada sobre o que quer da vida.

 

Resumo da obra: reclamei do disparate na semana passada e fui recompensada com um episódio emocionante. Fazia tempo que não ficava arrasada com essa série.

 

Antonio exposto na internet

 

Resenha Chicago P.D. - Antonio

 

Neste episódio, vi com mais clareza o quanto a transferência desse personagem para Justice é estúpida. Assim, foi valiosa a reflexão dele sobre a situação porque rebate justamente nos detetives mais antigos. Como Al que está sem storyline. Esses dois + Voight têm sim muito que contar e é inadmissível que matarão a história de Dawson em Chicago P.D. por capricho de Lobo-olho-gordo.

 

Assim, a série sempre passou a sensação de que os três mencionados acima têm histórico. Até mesmo juntos. Tríade calejada e que continua a ser esquecida sendo que ninguém precisa ser mestre para saber que tem muito plot nesses backgrounds.

 

Sem querer, Dawson engatou um pequeno plot que poderia se tornar algo grande: repassar o papel desses personagens na UI. Ninguém é feliz o tempo todo e aí temos a mania de Lobo e amigos queimar etapas para fazer storyline acontecer mais rápido que o próprio Flash. Do nada Antonio percebe que o trabalho tá ruim? Me poupe!

 

Ato que só incha uma pulguinha atrás da minha orelha e que me cochichou algo sobre esses casos fortes, cheios das discussões. Não sei vocês, mas sinto que essas investidas mais sanguinárias só servem para tirar Antonio de cena. Não quero acreditar nessa possibilidade porque piora os feelings com relação ao episódio nº 8.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago P.D. - equipe

 

Só sei que tudo culminou em uma tristeza sem fim. Houve a velha mensagem de que qualquer briga tende a ser motivada por vaidade, por grana e por status, e quis meu conhaque. Halstead fez pouco esta semana (e nas outras), mas foi preciso nas indagações. Principalmente aquela se os atiradores tinham noção de quem meteriam bala. Era uma família, gente, as crianças estavam na rua. Juro que suei frio.

 

No fim, a moral é essa: na gravidade das coisas, quem paga é quem não tem nada a ver, principalmente nesse caso.

 

O objetivo do caso foi ressaltar até onde essa de querer ser o melhor da vila iria. Até onde essa sede de impor sua presença é capaz de seduzir jovens. TK fez fama pelo seu rap violento, automaticamente deu aval ao seu próprio fandom, versões dele mesmo que propagavam ódio gratuito. Por quê? Para quem? Para quê?

 

Sem contar que houve o singelo ressaltar de que quem é negro em Chicago tem que odiar a polícia e não ser dela, pontuação de Jordan infectado pelas companhias. E é isso. As companhias. Só se tornando uma senhora como eu para compreender o que os pais dizem sobre amizades tóxicas. Não ouvimos por ser “encheção de saco”, mas é verdade que nem todas são positivas. Porém, em uma fase tão delicada, há a tendência de se unir para sobreviver. Há a tendência de se unir a quem achamos atraente para nos encaixar. Ninguém quer rejeição.

 

Dessa vez, CPD entregou uma trama na medida certa. O emocional recaiu nos ombros de Atwater, rendendo uma ótima cena, se não a melhor da storyline desse detetive, em Med. Do início ao fim, foi tudo de partir o coração porque eram jovens na linha de fogo, arrematando indagações de como é possível vê-los tão “de boa” no crime. E entre gangues. Foi um episódio cuidadoso, atento, porque qualquer erro poderia ser fatal e eclodir uma treta maior.

 

Qual é a preguiça de manter essa qualidade?

 

PS¹: faço um adendo sobre a mídia participativa em CPD. Isso rende um frescor para uma UI que, às vezes, parece que não tem tecnologia e acesso à informação. Agora com Jenny (o cúmulo de personagem tec-nerd clichê, nem sei se fica), quero ver se darão mais atenção a essa área (e ela com medo de Voight, eu mesma).

 

PS²: Ruzek (estou infectada pelo vírus Ruzek) falando que Linstead precisava de planos. Eu mesma o mandei dizer isso porque sem condições. E sem condições Erin “enganando” o boy sendo que foi ideia dela morar junto com ele. Dai-me paciência!

Stefs
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