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17/out

Se eu pudesse resumir este episódio em uma linha seria: Annalise sinks and Bonnie rises. Penso que durante minha saga na companhia de How to Get Away With Murder nunca fiquei tão, mas tão sedenta em ver Keating perder e afundar. E, sério, isso foi muito bom e peço desculpas à rainha Viola Davis.

 

Esta semana foi tão propícia para cometer um naufrágio. A advogada deixou escancarado, mais que o dito normal, que é o centro do universo e quis arrancar meus olhos. Ok, isso acontece desde o início da série, mas o egoísmo em forma de uma fachada de “independência” chegou ao limite. O que fizeram? Mandaram um iceberg para feri-la bravamente e pô-la no fundo do oceano.

 

Afundando uma, a outra foi enaltecida. Annalise sumiu da trama e Bonnie deixou de ficar escorada. Bati palmas ao vê-la finalmente em destaque porque a personagem tem plena capacidade de sambar. Além disso, a assistente tem um lado sombrio não desenvolvido desde a morte de Rebecca. Por mais lamuriosa que seja em vários aspectos, quando se tem chance ela mostra poder. Aqui temos a famosa “bobinha” que só precisa da corda certa. Bastam tirá-la da postura de capacho de Keating, que apenas reforça traços de ingenuidade que não existem.

 

Bonnie é a própria fundadora daquele ditado: a culpa sempre vem daquele que se menos suspeita. E, digo mais, os quietos sempre são os piores. Aqui, o segredo da personagem é meramente observação. Para mim, essa mulher é calculista.

 

A personagem sempre foi tratada como decoração. A acionada quando Annalise não tinha mais o que fazer sobre algo, ponto esse repetido como mandam as regras de Murder e que a empurrou pra o cerne da trama. Bonnie assumiu um circo que, infelizmente, nem esquentou tanto assim. Porém, a assistente teve autoridade sobre um caso sem correr o risco de tomar shade. Há confiança e sangue frio dentro dela, só não estão direcionando esses traços de maneira que a valorizem.

 

Bonnie articulou tudo. Da poesia ao golpe baixo, e arrasou mesmo sendo um tanto quanto podre. Afinal, Tristan estava ok com a situação e, não sei, tenho para mim que a opinião dele era mais relevante. Principalmente diante de todos aqueles brinquedos e do desejo de não querer que a criança terminasse como ele. Daí, entramos na famosa sede de ganhar que é praticamente o rótulo do escritório de Annalise. Não tem como fingir que essa regra não existe.

 

Confesso que, tendo em vista o posicionamento de Bonnie e sua influência na série desde então, rolou uma insegurança quanto à sua capacidade em vencer uma vez que Keating não dá espaço para ninguém. Winterbottom sempre ficou no background enquanto sua mentora expunha um gingado excelente que rima com ultrapassagem de limites. Último detalhe que, a cada episódio, parece um ato exclusivo da chefia. É como se ninguém ali fosse capaz de jogar sujo e foi normal ter o benefício da dúvida quanto a desenvoltura da assistente.

 

O Keating 5 me representou nesse altear de sobrancelhas, mas daí fomos presenteados com a prova de que ela domina as mesmas artimanhas e consegue se sair tão bem quanto. A personagem denunciou o quão influenciador pode ser o papel de Annalise, não só na vida dela como na dos demais. Um dia todos querem chegar ao ápice da advocacia e Bonnie provou que isso é até possível. Só tem que se esquecer de que é humano na maior parte do tempo.

 

HTGAWM 3x04 - Bonnie

 

Nisso, recebemos mais uma dosagem de um lado desconhecido de Bonnie. Por sempre parecer a ponta fraca, foi fácil pensar que a mesma renderia um final feliz. Porém, a personagem esmagou Susan e mostrou que aprendera com Annalise. Foi um destaque merecido se querem saber, que arrematou dois episódios ao mesmo tempo, e fiquei passada no quanto Winterbottom cresceu tão rápido. A moça tem potencial.

 

Fato é que essa personagem me tirou do eixo esta semana, principalmente quando me mete que jovens (generalizando) não têm voz em casos de abuso. Na cara do Asher. A mão tremeu porque não é algo fácil de dizer uma vez que você representa esse grupo pelo mesmo motivo. Sério, foi tanto vrá! na face desse cidadão que só me restou jogar confete. E nem digo isso pela minha birra, mas porque Millstone é imaturo demais. Parece que nada do que aconteceu na S3 lhe afetou direito.

 

Além do destaque, esse lado do abuso da storyline de Bonnie ganhou seu fatídico fim. O posicionamento da personagem diante do caso Tristan lhe deu oportunidade para se sentir vingada. Ao menos, foi isso que senti. Ela agarrou o trauma, uma ação que penso que também foi inspirada pela chateação dos desdobramentos do 3×03. Solomon reabriu feridas e foi a gota. Motivos mais que suficientes que lhe impulsionaram a jogar pesado em cima de Susan – a abusadora.

 

A escolha de uma personagem (feminina) dentro da pauta abuso foi incrível considerando a trama. Não tem nada de incrível de maneira geral. Por ter ganho esse viés, deu a impressão de que o caso foi leve, mas não. Mulheres também cometem abuso e estupram, mas pouco se fala sobre. Por isso que Murder pertence à lista de favoritas porque expõe vários lados de um assunto e abuso tem sido o tema principal desde que a série retornou. Tivemos a mulher abusada, o cara que abusa e agora uma mulher abusadora e um adolescente abusado. Tudo sem se esquecer do paralelo entre os envolvidos, que incluiu Asher dessa vez, mas não tanto quanto gostaria.

 

A junção Bonnie e Asher foi meramente para respaldar a posição de Susan a abusadora e Tristan o abusado. Winterbottom foi o destaque, mas Millstone podia contar com um pouco mais. Mesmo que ambos tenham compartilhado uma história verossimilhante em suas vidas, senti falta do bebezão. Juro que rolou uma pitada de animação em vê-lo envolvido com o caso da semana. Suei diante do resgate ao estupro que esse personagem testemunhou e quero acreditar que essa linha será esticada. Mas….

 

Rolou uma chateação porque fico preocupada com o desenvolvimento de Asher. Ele mudou, claro, mas continua preso ao papel de alívio cômico. É legal, mas cadê o peso da perda do pai? A preocupação com a falta de dinheiro? Tudo bem que o foco da semana era Bonnie, mas o personagem tinha chance de se destacar também e perdeu a voz no conflito. O caso em si foi fraco, porém, havia brecha para trabalhar a zero confiança dele graças aos gatilhos. Esse jovem faz parte desse cenário querendo ou não. Sério, Millstone precisa lidar efetivamente com suas nhacas.

 

Bom é que, no final de tudo, essa junção rendeu pertinência e não um revival romântico – e o caso rebateu nisso também, o estudante com a mulher mais velha. No fim, Bonnie tinha que passar por cima daquele julgamento sozinha, movida pelo cutucão na sua cicatriz em reflexo do episódio anterior. Annalise ficaria orgulhosa.

 

Annalise is Over Party

 

Resenha Murder - Annalise

 

Se já tinha ressaca, agora tem ressaca moral estrelando Annalise Keating. Foi primoroso esse rebaixamento ao tom de uma Swan Song que a afundou e que culminou em riot. Não tirei a razão de ninguém em açoitá-la verbalmente.

 

Nate arrasou no argumento. Hargrove também. Todos tentam de alguma forma por Annalise e lá vai ela dar cortada de vôlei. A advogada é incrível em alguns aspectos, mas nada anula que ela é tóxica pra caramba. A personagem se coloca no centro de tudo, se acha autossuficiente. Seria ótimo se houvesse equilíbrio. Porém, o mundo cai e Keating só vê Keating. Pior é que duvido muito que esse súbito abandono geral a mude. Não precisa ser completamente, mas de um jeito que a torne maleável.

 

Assim, de todas as coisas que Annalise poderia perguntar no futuro, ela só queria saber da reputação. Se esse reflexo de agora doerá no futuro? Capaz que sim. Mais que a morte misteriosa.

 

Annalise afirmou que lutaria por si desde os panfletos, artimanha que terá seu autor revelado na próxima semana, mas terminou por ceder. A estratégia de alcoolismo soou mais como uma humilhação, só que suave. Daquele tipo que a personagem ainda é capaz de suportar e de contornar. Contudo, esse movimento aparentemente inteligente soa como mais uma lavada na reputação. Quem não ficaria preocupado com a excelente advogada com problemas tão humanos?

 

Lógico que o golpe maior veio de Eve e estou triste. Meus OTPs LGBT andam me decepcionando e jogarei a toalha porque cansada de sofrer. As duas no início do episódio tão maravilhosas, explodindo química na cara dos inimigos, rindo daqueles manés. Queria botá-las em um potinho e protegê-las para todo sempre.

 

Sim, houve gostinho de satisfação. Por mais que a ame, não tem como deixá-la ilesa por mais um ano. Seria surreal! Annalise é linda e maravilhosa, mas não é um bendito robô inatingível. E olhem que essa mulher foi muito bem testada e desmembrada na S2. Podem tirar mais os privilégios porque quero ver como essa danada se tornaria uma fênix.

 

Annalise teve seu coração arrancado três vezes. Por Nate que male, male fez muita coisa por ela e ela recompensou com distância e frieza. Por Hargrove que tirou sua licença e o direito de exercer sua profissão querida. E por Eve que era o mais próximo de cumplicidade e de calmaria que tinha. Keating foi lindamente afundada.

 

Os demais

 

Resenha Murder - Coliver

 

Quis morrer com Connor Walsh e nem me refiro ao fato da procura por sexo adoidado. Mozão está deveras magoado. Não que esteja preocupada, ao menos não ainda, mas, por enquanto, ver um retrocesso do personagem nesse ínterim é válido. Ele está amargurado, não sabe o que está sentindo e vai descontar rejeição por aí.

 

Eu só queria que não o afundassem completamente nisso porque o temperamento existe e é doloroso. As cenas de pegação me deixaram mais triste que animada porque Connor evoluiu demais. Ele gosta de sexo, nunca escondeu isso. Porém, diferente da S1, não havia naturalidade dessa vez. Autossabotagem é aqui mesmo e meu coração rasgou com o resgate de 3 minutos de bitch Walsh. Mas não mais que o diálogo Coliver que tocou no dilema da Aids (amém!). Fiquei triste de novo.

 

Oliver é doce demais. Embora queira arremessá-lo na privada por ter terminado com Connor, não quero vê-lo sofrer também. Me assusta essa aproximação de Simon porque Simon é um babaca – mas daí você lembra que Walsh também foi babaca e… Assim, tudo em torno desse personagem me preocupa porque ele é frágil e não me refiro apenas a sua doença.

 

O segredo de Laurel não durou muito e dei amém porque do jeito que Annalise se encontra geraria mais treta para quem já enfrentou várias tretas em um dia só. Confesso que não gosto do tipo de relacionamento que ela tem com Frank. O platonismo com tensão sexual eram “ok” (e sexy demais), mas essa perseguição tem me irritado. No mais, quero ver parceria dessa jovem com Bonnie, algo que me deixa tensa porque ambas protegem o ex-assistente de Keating.

 

Assistente que tentou puxar um pouco do mistério, mas, a cada semana, tem mostrado que nada tem a ver com a explosão futura. Frank ainda não convence como o dito vilão da temporada e a intenção caiu por terra uma vez que matou o pai de Bonnie. Honestamente, penso que só existe mágoa e ele quer se provar para retornar ao squad.

 

E o assassinato só aumentou minha curiosidade de saber como Bonnie e Frank ficaram tão chegados a esse ponto. Pirei muito com os paralelos da morte do pai que rebateu em Laurel. Quero imagens!

 

Concluindo

 

Resenha Murder - Frank

 

Laurel se revelou sobrevivente e está… grávida? Não podia ser pior!

 

Pior mesmo é que quanto mais adiam a sobrevivência de Connor, mais fico doente. Os roteiristas sabem que Walsh é bae e o segurarão até o fim. Se esse jovem morrer, darei uma de Annalise e invadirei Shondaland.

 

Igual semana passada, o episódio não entregou a dor de cabeça central e explorou as relações interpessoais dos personagens. Foi uma trama bem interpretada e nem deu para sentir que o caso foi deveras fraco. Bom é que continuam na troca de alianças e agora temos Bonnie e Laurel mentindo para Annalise. Não prestará!

Stefs
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