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25/out

Você sabe que o elenco principal de uma série é maravilhoso quando ele sozinho dá conta do recado sem precisar de uma trama impactante de apoio. Desde a temporada passada, How to Get Away with Murder tem amenizado nas reviravoltas carpadas para focar no pessoal/interpessoal. Um risco considerando que o projeto conquistou pela adrenalina e pelos flash-forwards. Esse último, artifício que permanece por ser a marca registrada, porém, sem o mesmo excesso do passado.

 

O que acho ótimo não apenas por gostar de drama, mas porque é mais do que necessário revelar os estragos da S1 na vida dessa turma. Tem muita coisa não superada. Muita coisa pensada e não dita. Muito modo de operação de interiorização. Há um peso sobre esses personagens que precisa perder a densidade e isso só é possível amenizando o impacto de conflito central. Se é para sentirmos afinidade com algum deles, nada mais sensato que mostrar o lado quebrado de cada um.

 

O episódio foi basicamente uma discussão sobre os pontos que levantei acima. Ponderar direcionado, claro, ao papel de Keating na vida dos outros personagens. Além disso, o papel de Keating na vida da própria Keating. Enquanto ninguém lidar com a S1/2, não haverá comum acordo. Seja ele pessoal ou não. Além disso, há as feridas causadas pelas mentiras e pelas mortes, o que recai no que Connor afirmou sabiamente em seu pouco tempo de tela: só resta uns aos outros.

 

Será?

 

Considerando que o episódio centralizou Frank e puxou Bonnie, essa mensagem sutil, e quase batida, de Walsh fez completo sentido. Por mais que fique todo mundo junto, a todo instante, cada um está por si e/ou se escora nas ditas amizades por afinidade. Todos se mantêm ligados pelas circunstâncias. Pelo medo de saírem da bolha. Por temerem que alguém dê com a língua entre os dentes. Como comentei desde o início das resenhas, essa troca de alicerces pode rebater no futuro e o processo continua firme e forte. Artifício que rende a sensação de desespero entre não ser sincero com outras pessoas e de não ter uma vida sem controle do passado. Por serem cúmplices, a conclusão que se tem é que entre seus iguais tudo fica bem.

 

Uma baita mentira, pois os filhos mais velhos de Keating mostraram um falso meio-termo. Ambos insinuaram que há uma melhor compreensão entre quem participou do jogo da chefia, mas o que se destacou foi o quanto não é saudável. Bonnie e Frank mandaram essa mensagem e o tom melancólico com uma pincelada de desamparo só abriu mais brecha para refletir sobre quem serão esses personagens depois do incêndio. Além disso, quem eles serão em uma possível 4ª temporada.

 

Se Connor não pensou duas vezes em amenizar o que sente para uma cliente, ao ponto de contar meio que indiretamente que matou alguém, o que dirá dos desdobramentos seguintes sendo que ninguém aguenta mais?

 

A meta do episódio pode ter sido Bonnie convencer Frank a voltar, mas houve muito nas entrelinhas, como a cumplicidade de quem viveu coisas parecidas. Ambos tiveram pais cretinos, que os afetaram física e emocionalmente, e desejaram dar fim neles. Mesmo sem querer, os dois são testemunhas da própria bad e da bad um e do outro, encontrando salvação em Sam e em Annalise. Poderia ser perfeito se a dupla não se sentisse tão refém dos Keating com o passar dos anos e é fato que esses personagens nunca tiveram envergadura moral para escapar disso. Dupla dependente, como o Clube dos 5.

 

Pode ter rolado terapia, mas as marcas de Delfino e de Winterbottom são profundas e claramente eles se agarram a isso. Agarram como motor. Mesmo que não gostem de lembrar, ambos se agarram aos fatos ruins para impulsionar o trabalho sujo.

 

O episódio também respondeu a treta Mahoney, informação extra que não importou. Não quando se mostra que pessoas iguais podem encontrar um meio-termo. Houve um destaque dessa necessidade de libertação de experiências e de péssimas escolhas. Investidas que cutucam meu sonho de ver alguém sair do bando sem olhar pra trás – e sairá só que a força considerando a morte futura. Bonnie e Frank mostraram suas fragilidades e seus motivos de se entenderem tão bem ao ponto de não rolar discussão de cobrança. Detalhe esse que pensei que aconteceria uma vez que a assistente tem aguentado Annalise sozinha. Ela poderia simplesmente dar na cara de Frank e eu acho que amaria.

 

Resenha How to Get Away with Murder - Frank

 

Só sei que amei saber mais de Frank e ver que há sim humanidade dentro dele. Por mais que não seja a maior fã do seu relacionamento com Laurel, uma parte de mim sabia que o personagem não era tão irremediável quanto finge ser. Há um lado congelado, seu apoio para ser baixo. Porém, nada o imuniza.

 

E foi quase possível imunizá-lo porque a S2 deu bastante respaldo na storyline de Frank e este episódio amarrou o que faltava. Os paralelos gostosinhos que fechou o ciclo até a perda do bebê de Annalise. Ao atender Delfino, a advogada estava grávida e imagino que ambos criaram um elo forte a partir daí. Principalmente porque Sam via algo bom nesse cidadão. Assim, chego a conclusão que o ex-casal Keating compartilhava o mesmo afeto por suas crianças, mas o bonde descarrilou lá com Lila.

 

Fato é que Frank mostrou que não dá para desconstruir tanta porcaria em curto espaço de tempo. Isso é um ponto positivo para a sua storyline. Ele não derreteu seu modo de operação de idas e vindas da cadeia ao topar a trairagem que o fez um eterno puppy de Sam e nem ao matar Mahoney. Ao sair de cena em fins da S2, só cogito desejo de aprovação. Uma ideia que penso que rebate demais nesse personagem. Bonnie foi crucial nesse aspecto, ciente de que Annalise não faria muito se o mesmo voltasse. E penso que não faria nada, independente da perda do bebê.

 

Mas nem tudo é discurso floreado de compaixão e de empatia. Frank está fragilizado (e fascinante), mas sente medo do que pode acontecer e do que pode causar. Se nem Bonnie conseguiu convencê-lo a retornar, só penso em Laurel. Sério, não sei o que cogitar sobre Delfino porque tem o peso das temporadas passadas. Vê-lo desolado no início do episódio, todo respeitoso com o espaço de Winterbottom, deixou minha mente bugada. Afinal, lembro bem das falcatruas desse homem.

 

Resenha How to Get Away with Murder - Bonnie e Frank

 

No fim, Bonnie e Frank colocaram em cheque a questão de Connor. Parece fácil o grupo mais os assistentes mais Annalise terminarem juntos devido à quantidade de segredos. É o mais lógico porque há a segurança e diminui um pouco (mas não o suficiente) a paranoia. Mas não é saudável. Além disso, Winterbottom e Delfino mostraram em um quarto de hotel que é possível pensar em coisas para si sem Keating no meio. Que é possível sonhar um pouco. Por mais que sejam adultos e tenham consciência de seus atos, está aí as versões mais velhas do Keating 5. Versões pioradas e irreparáveis pelo desgaste das baixarias da chefia.

 

Vale mencionar que, nesse redemoinho emocional, Wes também confrontou essas possibilidades de liberdade e cansou de brincar de casinha devido ao peso das mentiras. Contraste com Bonnie e Frank que conseguiram ser sinceros um com o outro porque pertencem a mesma bolha de tragédia. Detalhe que se altera quando se está com alguém novo. No caso, Meggy e Nate. Não é à toa que pensar em Laurel como elo mais próximo, confiável e tão estragado surtiu como uma opção porque dá a sensação de cumplicidade. De que se está seguro. De que você ficará bem com tal pessoa sem sofrer julgamentos pelo passado. Meramente porque suas histórias são tão parecidas quanto iguais.

 

O reencontro rebateu efetivamente na trama, especialmente na inadaptável Annalise e em um triste Wes que nunca fez o tipo de inventar lorota sobre si mesmo. O que se aprendeu é que não é tão fácil quanto aparenta viver com uma pessoa que compartilha o mesmo peso que você. É igualmente uma prisão se não houver equilíbrio. É igualmente um melodrama. Porém, buscar pessoas externas é igualmente complicado porque você precisa moldar uma nova versão de si que muito provavelmente não existe devido aos segredos. É. Muita complexidade, fatos reais.

 

Os demais

 

Resenha How to Get Away with Murder - Sam e Annalise

 

Para não dizer que não rolou mais paralelos, o episódio também trouxe o pincelar de outra temática desta temporada: ser uma boa pessoa. Nesse caso, há um lado bom em todo mundo.

 

Será?

 

Sam é um personagem que peguei nojinho por motivos, mas quando rolam os flashbacks você tem que se esforçar para esquecer o que esse homem fez no futuro. Se ele não tivesse afundado, penso que seria um paizão da turma. É muito otimista da minha parte afirmar isso, eu sei, mas estou ignorando a S1. As coisas poderiam ser diferentes, com certeza. Se Frank e Bonnie contaram com segurança até baterem na quina Lila, capaz que o Keating 5 não estaria no estado em que se encontra. Por isso esses retrocessos matam.

 

Podem entregar alguns prêmios para Viola Davis porque essa mulher neste episódio mereceu todos os aplausos. Annalise Keating bêbada em casa e sozinha. Com direito a dancinha! Eu mesma!

 

O tipo de infelicidade que açoitou a protagonista foi diferente. Em desespero bêbado, a advogada denunciou o que provavelmente tem alimentado nas entrelinhas desde a S2: nojo de quem é. Foi um pouco fácil chegar a essa conclusão porque temos uma mulher que sempre respondeu por si mesma e que agora reconhece que está sozinha. Além disso, que não deixa ninguém entrar porque Sam é uma lembrança persistente. Ela só se mostra um pouco verdadeira para Wes (por motivos), mas, pelo visto, Keating não superou nada do que aconteceu na S1. Tem fingido muito bem porque nasceu para prestar esse papel.

 

Um combo que serve de escudo para não mostrar em quem ela verdadeiramente se transformou. Annalise não gosta de falhas e acumulou uma sequência delas a partir do momento que casou com Sam. O peso maior vai para as tentativas de engravidar, algo que lhe aflige em vários âmbitos como mulher. Ao dizer que é enojante, a personagem só denunciou que a angústia vive dentro dela mesma. Não que fosse um segredo, mas acompanhamos uma mulher de autoestima e de autoconfiança elevados e ouvi-la se autodepreciar não deixa de ser perturbador. Porque é humilhante.

 

O melhor é que Annalise começou o episódio crente de que tinha controle. Ainda havia no ar que a pausa por alcoolismo era estratégia para conseguir sua licença de volta em curto espaço de tempo. Contudo, é um problema sério. Um problema que a personagem tentou relutar ao imaginar que estaria irreconhecível no AA e que bastava jogar toda a cachaça (e, caramba, quanta bebida) no lixo. Além disso, dar um trato na aparência. É, não é assim tão fácil, principalmente quando os demônios pessoais impregnam de forma visceral. Foi bom demais vê-la retroceder. Finalmente, quem sabe, perceber que não é forte e autossuficiente assim.

 

Ela é um misto de eu sou o bastante ao mesmo tempo que não sou e tenho que dar um jeito de ser. É aí que rola a imprevisibilidade da personagem. Ao ser revelado quem fez os panfletos, lá estava a Fênix fazendo o que faz de melhor: silenciar o outro e reivindicar o que é seu. Ao surgir na soleira de Simon, nem pareceu que Annalise tinha tomado todas. Meldels, me ensina!

 

E eu queria que Annalise virasse amiga de Hargrove. Seria a coisa mais linda, eu sei.

 

Concluindo

 

Resenha How to Get Away with Murder

 

Foi um episódio reflexivo, de várias nuances, de vários flashbacks maravilhosos. Penso que foi o pico desses personagens para empurrá-los rumo ao que está por vir.

 

Como sou tarada por retrocessos, o que aconteceu esta semana foi um presente caprichado. Amo saber mais dos personagens, principalmente como todo mundo se conectou antes do Keating 5. Mas ainda resmungo que queria mais flashbacks do grupinho que estava invisível esta semana.

 

E, eu não sei vocês, mas Simon mexeu com meus feels. O cara é um babaca e quero acreditar que tem motivo. Porque daí minha mínima empatia desaparece.

 

Uma coisa que tenho que admitir é que por mais que o elenco seja absoluto, sinto falta da liga do mistério. Frank não tem rendido nada e nem os panfletos renderão. Posso amar drama, mas ando sentindo falta da adrenalina da série. Caleb Hapstall deve estar até hoje mofando naquela banheira.

 

Só ficaram perguntas: pra onde Frank foi? Aonde está Connor que não atende o telefone? Para onde Connor foi sendo que possivelmente estava na Michaela? O que Michaela fazia naquela casa (considerando que a família dela foi sutilmente mencionada neste episódio?)? Quem é pai do filho de Laurel? Com quem Bonnie falava ao telefone? Quem é o corpo masculino não identificado – Connor, Asher, Nate, Wes? Eu não aguento mais sofrer.

 

Agora, saio de cena sambando em nome de Michaela rainha.

Stefs
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  • Stephanie

    Olá!! Estava vindo aqui toda hora pra ver a resenha desse episódio (e de TVD tb) rsrs super curiosa pra saber quem morreu… bjos