Menu:
14/nov

[text: Will] Are you feeling good about today?
[text: Stefs] NOPE!

Se você é sensível a texto azedo, peço que volte no ano que vem.

 

Uma parte de mim sabia que rolaria uma decepção profunda com este episódio de Chicago Med. E havia a outra que queria suprimir essa negatividade porque, bem, apesar dos pesares, é série nova ainda. Pensei que não seria possível estragarem uma Chicago tão cedo. Stefs, codinome trouxa.

 

Soa meio dramático, eu sei, mas é uma decepção latente, daquele jeito que você sente que lhe roubaram 40 minutos preciosos que poderiam ser gastos com outras tarefas. Senti-me no meio de um tiroteio, aquele clima 8 e 80 porque se Chicago P.D. é a mana que anda perdendo a magia, Med parece que quer competir pelo pódio.

 

Explico: desenvolvimento tem sido a ferida mais delicada das Chicagos há tempos e Chicago Med não anda recebendo a dedicação que merece nesse quesito. Esse projeto saiu da gaveta sem organização alguma, seguiu com a mesma falta de organização e o que ganhamos antes do hiatus foi um episódio preguiçoso e que zombou da inteligência alheia. Pareceu que os roteiristas escreveram em cima da hora e muito mal escrito por sinal. Isso é sério porque ainda há sensação de vácuo na trama mais o pecado de não unir os personagens e torná-los espelhos de seus pacientes. Não queria dizer, mas parece trabalho levado nas coxas.

 

Um universo desses não exige uma premissa por temporada porque o hospital é o conflito. Porém, é preciso de storylines que desencadeiem o desenvolvimento dos personagens. Último detalhe que não tem acontecido. Dessa forma, a sensação de ficar a ver navios propiciada desde o começo desta season atingiu o limite.

 

A começar por April. Sabia que a estragariam em menos de 2 episódios. Na verdade, esse crime começou no finale da S1 e minha intuição para a história dela não norteava para algo bom. O que esperar de uma situação em que o cara pede em casamento desde que abandone a carreira? Uma mulher como Sexton jamais deixaria de fazer o que ama, então, como resolver isso? Vamos deixá-la doente. E, ah!, para garantir que fique sob medida e que a enfermeira não recue, vamos lhe dar uma gravidez também.

 

Se a tentativa foi pesar o drama para cima dessa linda, digo que o que pesou foi a falta de vergonha na cara de quem escreveu este episódio. April não desenvolveu em absolutamente nada e, assim como Will, anda tendo etapas de evolução queimadas. Na S1, a proposta era trazer o background dessa turma para rebater no trabalho e isso simplesmente parou de acontecer. Como CPD. Ah, Stefs, equipes diferentes. É, mas alguns vícios de escrita em grupo são difíceis de morrer. Vejam bem, se nem Dick Wolf desconstruiu seu ego, quem dirá a panelinha de roteiristas?

 

Resenha Chicago Med - April

 

April representou aquele holofote dos riscos quanto aos roteiros de Med. Colocaram a personagem em uma missão suicida sem ao menos sabermos mais alguma coisa da sua vida particular. O que a move? Por qual razão fatídica ela passou sua chance ao Noah? Ser enfermeira basta? Anularam essa base para botar mil coisas em cima de uma mulher quem nem sabe quem representa nesse hospital. Sendo bem drástica, eu sabia mais coisas dela quando sua introdução nesse universo se deu por Severide.

 

Noah deveria ser um norte para apoiar a história de April e não um constante empecilho. Além disso, essa personagem sempre me pareceu independente demais para ter dois homens que a impulsionam para o cerne da trama. Tudo que aconteceu com ela neste episódio me rasgou da mesma maneira que Burgess em Justice. Foi desrespeitoso. Desnecessário. Ilógico. Escrito do nada para o nada.

 

Tirando Gabriela Dawson, que graças ao bom Merlin ainda teve sorte de não sofrer a ganância por mais Chicagos, o que esses queridos fizeram pelas personagens que vieram a seguir a dona do bonde? Burgess engatou noivado na S1 e o negócio flopou dolorosamente – e tirou todo o brilho dela e o foco pela UI; Depois veio Chili que parecia a promessa do ano e lhe deram um drama que não a valorizou nem um pouco; Daí tem Brett que começou bem, mas depois foi escorada na turma dos avulsos. Poderia continuar a lista, mas são exemplos simples de que o mesmo esquema está rolando em Chicago Med. April foi a escolhida da vez e não tem como passar flanela. Já vi o mesmo filme e não sou obrigada!

 

Assim, por qual motivo botá-la em uma situação dessas? Não discutiram o aspecto da tuberculose, a não ser quando o bebê entrou em cena. Falaram dos remédios e tudo mais, mas o que deu a entender é que April não valorizava a vida e agora terá que valorizar o dobro considerando que muito provavelmente haverá complicações nessa gravidez. Dá tempo de cancelar e fazer de novo.

 

April naquela cama agitou o inferno na minha vida. E sabem o que piora? É que temos a única personagem feminina negra de destaque entre as Chicagos (isso ignorando Maggie, Crowley e Sharon por alguns instantes) e ela foi inserida em uma história típica. Isso é frustrante! Só valeu mesmo pelas interações April e Will.

 

Para somar o bonde da frustração, eu não me levei a sério quando disse na resenha passada sobre a possibilidade de afundarem a história de Danny. Simplesmente porque pensei que seria muita cara de pau. E afundaram. Na cara de pau. Eu poderia amaciar o que aconteceu com April se tivessem esticado esse cenário, mas desenvolvimento está a um passo de virar lenda urbana nas Chicagos.

 

Fiquei arrasada por Reese? Fiquei. Mas para que você joga tanto confete em cima de uma história sendo que não tem a menor intenção de desenvolvê-la? Honestamente, se a ideia é trazer de volta no futuro para gerar alguma “vingança”, obrigada, não quero.

 

Resenha Chicago Med - Reese

 

Da mesma forma que o atendimento de Natalie e de Will esta semana era para ser tratado com severo rigor, o mesmo valia para o caso Danny. Aqui bateu forte a sensação de que estava perdendo 40 minutos da minha vida. O sangue quente bateu na testa. Claro que a retirada do chip renderia uma mega burrada, mas o que custava fazê-lo dar uma pista no episódio anterior? Sabem a sensação de ver navios? Eis ela aqui de novo e me pergunto aonde estão esses roteiristas.

 

Danny, vivo ou morto, deveria ser um caso bem-sucedido considerando o elencar de perdas de Reese vindo desde a S1. Tentando encontrar certo otimismo, talvez há chances de que ela compreenda o quanto o emocional precisa ficar de fora do seu trabalho. Contudo, o ângulo é totalmente diferente quando falamos dessa moça que ainda não endureceu o bastante para enfrentar um golpe baixo desses. Você não tenta amadurecer alguém partindo de um trauma – ao menos, não nas Chicagos, vide Erin.

 

Nunca pensei que diria isso, mas Joey foi amor para cima de Reese. Única pessoa sensata deste episódio, meldels.

 

O pior de tudo neste episódio foi o atendimento de Jim. Sabe o que essa situação transmitiu? Que não existe regra alguma nesse hospital. Todo mundo faz o que bem entender e ninguém é punido. Quero trabalhar aí também.

 

Não é a primeira vez que essa série “vende” promos com atendimentos bombásticos que ou ficam por isso mesmo ou que ganham uma resolução como a que ocorreu neste episódio. Nada se aprofunda e a tal da decisão bafônica é justificada com um discursinho em forma de diálogo. Poderia ser tocante, mas só se desenvolvessem a problemática da semana. Vários outros de Chicago Med trouxeram essa mesma pegada e relevei ao máximo. Porém, se somarmos todos, veremos que não há regras e que tudo se resolve com palavras bonitinhas. É como se Sharon não existisse nesse lugar. Não há escrúpulos, autorrespeito e nem respeito ao trabalho. Geral sai ileso.

 

A última coisa que esperava era que Will se envolvesse em uma dessas considerando o inferno que passou na S1. Foi irreal para um personagem que hesitou em salvar uma vida a céu aberto e que, com isso, recobrara sua confiança. Ele me deixou contentíssima ao negar a ideia de Natalie e matou minha vibe ao retornar para acatar o processo. Tudo para quê? Para resgatar a faísca Manstead, uma faísca que, do nada, veio à tona por causa de Nina. Por que será que o atendimento ficou por isso mesmo, né? Nem deram brecha para os irmãos conversarem, pulando as típicas etapas. Sério?

 

Resenha Chicago Med - Reese

 

Quando a seringa apareceu no final do episódio, me senti o John Travolta de novo. Não deram a atenção merecida a esse atendimento ao ponto dele ser facilmente ofuscado pela Karina fofíssima junto com o presidiário. Detalhe que não deveria ter ocorrido uma vez que o assunto de Jim era a ponte de um finale pré-hiatus. Sabem aquela sensação de ver navios? Olha ela aqui de novo, gente! Pior é que tentaram justificar isso com discurso bonito “o rim que ele precisa está bem ali e ele não pode receber, então, vamos infectá-lo”.

 

A vida real está aí para debater essa história, mas, no mínimo, poderiam ter cortado um atendimento para dar foco total nesse que era o mais delicado de todos. Inclusive, enraizado num debate de homofobia em cima de uma doença gravíssima. Virou modo de operação divulgar Med como a série de decisões difíceis sendo que estão aumentando a pilha de decisões sem viés burocrático. O hospital não é levado a sério porque se fosse certas empreitadas nem chegariam perto de ser cogitadas.

 

Às vezes, eu me acho chata para caramba em alguns aspectos, principalmente sobre as séries que resenho. Mas vocês conhecem o ditado, né? Sou fã, mas não sou trouxa.

 

Se eu for escolher algo que valeu a pena neste episódio, foi Karina mesmo. Até o presidiário Wallace foi interessante de assistir. Conectaram essas duas histórias de um jeito inusitado e foi gostoso de acompanhar.

 

O episódio tentou vender de que tudo é opção, algo que calhou no atendimento de Karina e nada mais. Foi muito tocante essa história e deu uma freada em Connor que continua o bitolado em cirurgia. Foi bacana também porque deu um pouco de Latham e não sei se rio ou se fico séria da adolescente abraçando ele porque foi muito bizarra a situação.

 

Sem comentários para a cena final. Só respeito porque Nick estava um bolinho e não tem como ofender um bolinho sendo que amo bolinhos (mas a Nina forçadíssima ali, socorro). Apesar de tudo, foi um ótimo episódio para Will. O único que transitou pelo hospital todo.

 

Espero que Chicago Med volte mais focada e com menor sensação de que o navio atracou e ficou. O intuito deste episódio foi abrir novos horizontes, mas esses horizontes se perderam no que condiz desenvolvimento. Assim, não tem problema algum atingir icebergs pra valer e tudo afundar. Por enquanto, saio daqui a cara da tristeza.

 

Chicago Med retorna no dia 5 de janeiro de 2017.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3