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22/nov

Sentem aqui e vamos conversar sobre o papel de trouxa que pagamos direitinho nesse midseason finale de How To Get Away With Murder. Honestamente, não tenho muito que dizer e considero isso engraçado porque Wes estava longe de ser meu favorito. Só que o personagem também estava longe de ser minha aposta final por ser um dos elos essenciais da storyline de Annalise. Estou meio catatônica ainda, mas esse estado não tinge o quanto essa cortada foi um tanto quanto injusta se pensarmos que Frank ainda respira. Pra quê Delfino ainda respira?

 

Até chegarmos nesse ponto, o episódio engatou do jeito típico e criou aquele breve paralelo para respaldar a permanência de Frank. Uma emenda que não teve a mesma expectativa da sua deixa no 3×08, mas não tiro a relevância de um raciocínio que rebateu mais em Annalise que em Bonnie. Por ter rebatido em cheio na protagonista, a trama a empurrou de vez ladeira a baixo graças a uma decisão conclusiva visto o que aconteceu com Wes. Se os fatos dessa semana tivessem sido narrados de trás para frente, esse ínfimo instante era a denuncia de que Delfino sobreviveria apesar de tanta dor que ajudou a provocar contra Keating.

 

Com o golpe final de Frank, e porque não de Bonnie que a fez se sentir traída, Annalise engatou os velhos hábitos e mandou um belo bye, Felicia!. Decisão que não foi uma surpresa dessa vez e nem engatou compadecimento. Ela fez o de sempre, com o peso a mais de uma investigação que possivelmente tiraria de debaixo do tapete as suas falcatruas junto com as do Keating 5. Senti falta da personagem se expor verdadeiramente agitada e amedrontada graças à afronta de Atwood. Por mais que o teste de sobriedade a tenha perseguido ao longo dessa primeira parte da temporada, esperava vê-la mais eletrizada. Fato é que essa falta de pulso firme acentuou sua exaustão e deixou parte do episódio morníssima.

 

Mesmo nesse lenga-lenga, ficou a dúvida se a personagem se entregou a dita exaustão do flash-forward ou não. Afinal, ela sempre dá um jeito de dar a volta por cima. Não pelos outros, mas por si mesma. Annalise é viciada na sua reputação, não vamos nos esquecer disso.

 

Ao contrário dos episódios anteriores, a situação de Keating me pareceu muito comum. O que é um perigo considerando que Murder ludibria. Uma praxe para quem não aguenta mais carregar tudo que carrega, mas não tem como se livrar a não ser dar uma adormecida. Mesmo que tenha mostrado certa força em reagir partindo em busca de Bonnie, a mulher disse no futuro que estava farta, já ciente de que Wes tinha partido dessa para a melhor. Pergunto-me se haverá recuperação emocional porque é incontestável que essa perda precisa acarretar uma mudança drástica no contexto geral da série.

 

Resenha Murder - Annalise

 

Desde a S2, o que vem se trabalhando é a bola de neve da qual Annalise vive e não se dá ao luxo de desmantelar. Nesta season, se iniciou uma inclinação para uma queda livre. Ela acumula tudo como se tudo fosse solucionável, mas acabou dando de cara no muro. Daí, vimos uma personagem “querendo ser boa”, mas ninguém estava facilitando esse processo. Vide seu intento em zerar a investigação que levaria todo o bonde para o fundo do poço. Esse foi seu único foco, ciente de que não haveria salvação. Não quando Atwood se mostrou muito mais embrenhada nesse desejo que o esperado.

 

Não é todo mundo que enfrenta a advogada topzeira até o fim e é preciso dar um pouco de crédito aqui porque a mulher afundou (será?). O “irônico” é que Keating, muito provavelmente, não provocou o resultado drástico da vez. Ela não chegou a entrar na casa.

 

Porém, vamos lembrar que Keating é viciada em sua reputação. Não seria chocante se cada chamado aos seus alunos fosse uma isca para rolar cosplay Cersei a fim de explodir todos. A personagem não hesitou em queimar as provas documentais. O Keating 5 soma provas vivas e um elo que parece interminável. A existência do grupo sempre a deixou aborrecida. Muito mais que papelada.

 

“Afundar”, com aspas mesmo, não soa como uma decisão final do ponto de vista de Annalise, mas o roteiro vendeu como se fosse. A advogada queimou os arquivos e a casa explodiu. Pra quê ela chamaria um a um se todas as evidências se foram com tal “acidente”? Oliver muito provavelmente hackeou o que estaria nas mãos de Atwood, e eis o plano perfeito. Keating parece muito inocente, mas de inocente não tem nada.

 

Conforme o transcorrer dessa primeira parte da temporada, tudo que nos foi mostrado é como ela consegue prender todo mundo pelo emocional. Ato refletido em Bonnie de novo, personagem que se sobressaiu neste finale. A assistente continuou a mostrar a que veio desde o 3×01 e assumiu o jogo e a manipulação. Ela deixou Annalise de lado e tomou todas as rédeas. Aqui temos uma lacuna do que aconteceu, e se foi a mando ou não de Keating.

 

Mas fica o elogio (e raiva) do que Bonnie fez para cima de Frank. Intenso, como no 3×08, mas pra quê lutar por um ser humano daquele? Ok que todo mundo nessa série é podre, nem vale a salvação, então, pra quê manter um personagem sem storyline? Bom é que deu a entender que foi ele quem explodiu a casa, mas…

 

Assim, a partir do momento que empurraram Frank para o fundo do poço, o mesmo perdeu o completo sentido. A caracterização que o fazia um enigma minguou. Ainda é envolvente acompanhá-lo, não nego, mas é como se tivessem tirado a máscara completamente e agora perdeu a graça. Ele é ótimo em limpar a sujeira, não duvido nada de que tenha provocado a explosão mesmo sendo uma jogada óbvia, mas qualquer pessoa ali pode assumir tal papel a essa altura do campeonato. Nenhum personagem é santo. Já que a ideia de Murder não é enaltecer, então, que corrompa até o limite. Não seria tão surreal.

 

Só sei que esse episódio foi muito acreditem no que quiserem. Annalise abatida? Bonnie submissa? Frank explodiu tudo? Nate estava na maracutaia? Apesar de morno, imagino que o intuito é mesmo dar a impressão de que Keating desistiu e que aceitará sua condição de presidiária. Essa não é a personagem que conhecemos.

 

Adeus Wes Dino Thomas

 

Resenha Murder - Wes

 

Why Frank’s life is worth saving? Eu mesma adaptando a frase da única cena de sala de aula em que se discutiu uma solução para salvar quem não merecia ser salvo.

 

Matar Frank seria uma empreitada um tanto quanto óbvia, sabemos, e colocaria em discrepância o comportamento supostamente desesperado de Annalise. Agora, Wes? Ok, não sentirei falta, mas o impacto meio que deixou meu cérebro em parafuso.

 

Sendo bem honesta: não posso dizer nada sobre a perda do Wes com propriedade. Seria muito falsa. Primeiro porque não tinha afinidade alguma com o personagem. Segundo porque o resultado atendeu minha expectativa. Gibbins embaixo do lençol não foi decepcionante porque eu mesma afirmei que queria uma morte de impacto. E que essa morte deveria vir do Keating 5. Era o que eu esperava e estou feliz sim.

 

Apesar que, sendo bem honesta de novo, e mesmo que me preocupasse com Connor, qualquer um ali pra mim tombado seria presente de Natal.

 

O episódio me fez feliz por não ter investido em uma morte segura. Há muita série que contrata secundário para morrer a fim de manter principais, empreitada da qual estou fartíssima. Quando tem certo frescor nesse quesito, não tem como liberar um pouco do confete. Resmungaria horrores até o ano que vem se fosse Nate ou Eve, personagens que não têm aprofundamento algum em Murder. Além disso, não impactam Annalise, não tanto quanto o próprio Wes.

 

Considerando a que ponto ficamos no 3×08, acreditei que investiriam no basicão. Apesar da sensação de vazio que o garoto surpreendentemente provocou no meu coração, o resultado me era querido, não importasse quem. Independente de afinidade, não esperava algo impactante porque sou acostumada em abrirem sempre mão do mais bleh do bonde. Foi tristíssimo. A reação do Keating 5 (agora 4) foi esmagadora. Laurel e Meggy = fim.

 

Apesar de querer uma morte do Keating 5, Wes era cogitável, mas estava longe da minha lista por ser um elo que puxa, estica e estende a storyline de Annalise. Como aniquilar um aliado desses? Pergunto-me o dano que isso trará para a série.

 

Por mais que goste dos outros, ninguém foi tão forte quanto Wes na hora de moldar Murder. Era chato na maioria das vezes? Opa, era sim! Mas posso começar a temer desenvolvimento de conflito? Sei que a série é bem difícil pecar nesse quesito, mas tiraram uma peça que ajudava a equilibrar todo o resto e com bastante relevância.

 

Da mesma forma que achei um máximo terem saído da zona de conforto, começo a lamentar. Murder pode ser forte nas suas reviravoltas e nas suas mentiras, mas tem pecado bravamente no desenvolvimento dos seus personagens. Os únicos que me deram algo nessa primeira parte de temporada foram Wes e sua vida cotidiana e Connor de saco cheio desse jogo. Os demais parecem completamente empacados e isso é irritante considerando que a S1 se preocupava mais com essa turma.

 

Gibbins sempre deu pano para a manga, mas esse não é o ponto delicado da sua morte. O ponto delicado é que o personagem pertencia ao bloco representatividade. Você não me descarta esses à toa. Por isso que muito do que sinto será revelado quando a série voltar porque espero uma mega importância para tamanho corte.

 

Daí, ficamos com Frank (ele matou Lila grávida para manter a reputação de um cara, vamos pensar nisso), o cidadão mais clichê ever e que ganhou importância por motivos de Laurel. Me respeitem! Fato é que ninguém é limpo nessa série, mas, pensando em representatividade, Gibbins não merecia o que aconteceu.

 

E temos o debate de saúde mental. Sim, Delfino também tem, mas ele confronta todo o trabalho de Murder sobre representatividade. O mesmo ocorreria se fosse Connor, o que entraria no problema da fall passada de matar personagem LGBT para manter os héteros. E a fall season parece que começa a repetir os mesmos erros quando essa série me corta personagem negro que não era secundário (porque sempre cortam os secundários). Caiu várias estrelinhas!

 

E tem grandes chances de cair mais se Frank e Laurel engatarem o que morreu. Daí começarei a acreditar no que o fandom de Murder tem chamado de fanservice.

 

Concluindo

 

Murder 3x09 - Keating 5

 

O episódio foi fraco em comparação aos finales de meio de temporada anteriores. Mas é aquele ditado: não é porque foi fraco que não teve nada de relevante.

 

O objetivo foi remontar a razão que desencadeou o flash-forward, como manda a regra. Truncaram perfeitamente as cenas do futuro que regaram a trama da angústia que faltou ao longo de 25 minutos. Connor saindo antes do esperado da vista de Thomas, Nate entrando na casa, depois Laurel entrando, Asher em um período diferente na festa… Dei um pulo com a explosão porque tinha em mente que era incêndio culposo.

 

Além disso, houve o assentar de uma investigação que continuará. De quebra, provavelmente ainda temos um X9. Afinal, Wes morreu antes da explosão. Quem foi que o atraiu? Dizem que foi Connor que, surpreendentemente, apareceu no hospital na hora exata sendo que nem estava com o celular.

 

O jogo mental dos 15 minutos finais foi insano para culminar em uma morte ainda mais insana. O flash-forward mostrado neste episódio não representou nem um pouco os fragmentos lançados no decorrer de 7 semanas. Quem se sentiu enganada? Eu mesma. Ainda tento entender o propósito do que aconteceu porque me sinto vazia. Não só pela morte, mas porque faltaram os famosos desdobramentos que extrapolam limites.

 

Talvez, esse também fosse o propósito considerando que Annalise Keating está supostamente exausta. A pergunta que fica, muito bem levantada no encontro Wes e Vince, é: chegou a hora de cortar o cordão umbilical? Será que a protagonista intentava matar seus alunos? Será que Nate tem papel nisso?

 

PS: E desnecessário Annalise beijar Bonnie. Sério, não curti e olhem que sou a moça que defende essa bandeira. Achei forçadíssimo, porém, apenas vi o quanto Keating domina essa mulher e todo mundo. Comidinha na boca? Really? Gente, me ajuda! Quero mais detalhe da história de ambas porque essas provocações matam.

 

E aí? Gostaram da morte? Odiaram? Contem-me mais sobre isso!

 

How to Get Away with Murder retorna no dia 19 de janeiro de 2017.

 

Stefs
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  • Stephanie

    Olá!!! Doida pra ler sua resenha!! Fiquei chocada com a morte do Wes, era o que eu menos esperava mas ainda tem muita coisa pra resolver e que eu não entendi muito bem. Pode ser que a série está chegando ao fim mesmo. Bjos