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13/dez

Se há uma coisa que tenho todos os traumas possíveis e inimagináveis, é com episódios de número 100. A minha lista de decepções quanto a essa celebração é das grandes e quando sentei para ver Chicago Fire tive que pedir forças até pra Mãe Dináh. Tudo porque os produtores, roteiristas e afins tendem a ser possuídos por forças malignas mais conhecidas como confete e, depois de 40 minutos, você fica sem entender muito bem o motivo da festa. Daquele jeito que você não entende os motivos de ter sido convidada a uma celebração que pode ou não representar todos os anos anteriores da série em questão. No meu caso, o convite até que valeu a pena.

 

Chicago Fire vem de uma árdua luta para manter a sua marca desde meados da S3 e essa luta me fez colocá-la na lista negra. Atualmente, a bombeirada saiu de lá porque esse primeiro arco da S5 milagrosamente recuperou bastante da essência dos primeiros anos. Contudo, é sempre bom manter a desconfiança. Tudo porque esses dois últimos episódios foram um tanto quanto mais fracos que os seis anteriores. O que há para tirar de bom é o padrão de todos até aqui e esse padrão foi família. Basicamente o 5×07 foi uma emenda do 5×08, e quem subiu no pódio foi Dawsey.

 

Mas, antes, um flashback porque necessário.

 

Meu relacionamento com Chicago Fire é considerado recente visto que passei a vê-la motivada por Chicago P.D.. Só entrei nesse universo devido à Sophia Bush porque a pessoa que vos escreve só queria saber de drama adolescente ou de drama médico – e Sophia One Tree Hill, né?. Lembro que cheguei a ver os dois primeiros episódios da S1 de CPD e decidi esperar acabar para ver depois. A razão é meio óbvia: não conhecia ninguém da dita Fire que perambulava ali vez ou outra. A experiência começou a ficar sem sentido e tive que rever as prioridades.

 

Prioridade que veio quando soube da quantidade de crossovers. Daí, veio a realização de que precisava ver Chicago Fire. Como poderia ver CPD se nem conhecia o universo que abriu essa porta? Não trabalho com picotagens!

 

Então, foi iniciada a maratona. O que me encantou na série foi o peso do universo adulto e eu precisava de um universo adulto na época. O grande problema é que séries adultas tendem a se apoiar no mais do mesmo, e a bombeirada me mostrou possibilidades de diferença. Havia os resgates mais problemas pessoais. Problemas pessoais dos bons. O baque da conquista veio a partir do momento em que me vi querendo fazer parte dessa panela, o famoso estrago que me deixou viciada em Chicago Fire. A comprovação veio no desespero do famigerado 2×22, em que lembro até hoje que vi de madrugada e acordei minha irmã com o efeito da explosão.

 

A amizade entre Shay e Gabby foi o que me fez ficar com Chicago Fire. Ambas me marcaram bastante (e quem não foi marcado, né?). Mais tarde, foi a ausência dessa amizade que me fez repensar se ainda valia a pena acompanhá-la. Afinal, essas damas tinham o diferencial de não contarem com conflitos que dependiam de um elo amoroso masculino entre elas. Na época, isso começava a me deixar injuriada. Parecia ser impossível duas mulheres serem BFFs no mundo das séries e as paramédicas me mostraram o contrário.

 

Por ainda ser muito apegada a esse universo, o que me restou, em partes porque amo os avulsos, foi Dawsey. O casal que começou maravilhosamente bem conduzido para ser estressante na S3. Amo angústia amorosa, ambos me deram isso de primeira, confrontando muita série que não hesita no bendito instalove – que pegou Linstead de jeito. Independente da existência de Severide, Dawson e Casey representam o coração de Chicago Fire e não digo isso meramente devido ao shipper. Mas porque ambos, apesar dos pesares, desenvolveram muito até aqui e encontraram finalmente no episódio 100 o seu auge.

 

E isso dá medo sim.

 

Resenha Chicago Fire

 

Nisso, engatamos no 100º episódio de Chicago Fire que não poderia ter investido em outro ponto a não ser no casal que tem arrastado consigo a série do jeito mais difícil. E o jeito mais difícil é ter trama quando aparentemente não há mais nada a contar. Vê-los chegar ao midseason finale com um começo, meio e fim parcial do seu novo tipo de convívio familiar, é pedir para erguer os braços e dizer amém.

 

Casey enfrentou o famoso karma is a bitch a partir do momento que a rejeição de Louie o abateu. O Tenente tão querido, tão adorável sendo banido do convívio por ser apenas Matt? Confesso que senti uma dorzinha, mas, na hora, achei merecido. Afinal, o moço não hesitou em “largar” a decisão na mão de Dawson sobre a adoção, mais influenciado pela luxúria de uma carreira política em ascensão. Dei várias risadinhas internas com o incômodo do personagem, foi ótimo, uma sacudidela sutil, mas eficiente, melhor que brigar com Gabby. Ação que voltou a dizer muito dos episódios desta temporada de Fire, intencionais no desenvolvimento Dawsey.

 

O mais importante é que, desde o início da S5, essa nova dinâmica familiar favoreceu Casey em todos os aspectos. Dawson serviu apenas de atrito a ser combatido, ou seja, para fazê-lo repensar uma situação que negou frivolamente na S4. Essa história deu passos novos para um desenvolvimento que emperrou nas S3-S4 e há outro Matt em cena. Um que pensa mais antes de fazer. Gabby se beneficiou por osmose porque, e ao menos por enquanto, só há uma necessidade de amadurecê-la como mãe.

 

O ótimo disso é que o novo norte de Matt favoreceu Gabby, um bate-rebate que faltava em Chicago Fire. Uma troca que amadurece mais de um personagem ao mesmo tempo por meio de histórias que se entrelaçam e elevam a trama. A série pecou ao truncar a tríade no arco S3-S4. Os melhores episódios tendem a vir quando os três desenvolvem em conjunto ou em dupla, e houve várias provinhas de que isolá-los é um erro. A S4 tentou de início uni-los e não tardou a apostar na mesmice. Agora, mesmo que haja essa sensação de que os erros do passado não se repetirão, saí da festa dos 100 temendo mais do que nunca a continuação da S5.

 

Digo isso porque Dawsey se deu bastante mal quando o foco era só no âmbito profissional. Em vez de ficarem mais juntos, ambos terminaram mais separados e irritantes. Os dois têm um temperamento forte e um ego a ser alimentado, e deram atenção apenas a uma briga de gênios no passado da série. Bastou mudar o norte da bússola para o tema família que as coisas fluíram lindamente.

 

A S5 os trouxe em um posto equiparado e isso fez uma grande diferença até aqui. Independente da falta de desenvolvimento, e de claro descaso com o casal ao longo das S3-S4, os dois possuem uma vibração cativante. Jesse e Monica têm uma química monstruosa e o arco atual da história Dawsey nem me faz matutar que os roteiristas falharam com eles. Só não quer dizer que esqueci.

 

Esse clima reconfortante e seguro dá medo sim, mas o que importa para o momento é que o episódio 100 entregou o fim de um campo minado. Casey só precisava alcançar o pique, aprendeu a curtos passos, mas todos assertivos. Agora, ele terá que lutar junto com Dawson para manter Louie. Isso muito me interessa.

 

Fato é que essa brincadeira de casinha intentou desde o início mexer com Matt. Não havia o que fazer com Gabby porque a mulher estava decidida sobre a adoção de Louie. O Tenente era o “problema” e os roteiristas o fizeram passar por vários conflitos tanto pessoais quanto profissionais. Só assim para refletir sobre o quadro inteiro. Isso deu bastante do seu amadurecimento. Ele era a única parte que faltava para engatar e dar um tipo de propósito para Dawsey continuar em movimento. O cidadão precisava alcançar Dawson e assim o fez. A dependência dessa storyline estava nele e o convívio resgatou um homem que jamais se negaria a cuidar de crianças. É um reflexo e tanto do que Casey enfrentou ao longo da S1.

 

Resenha Chicago Fire - Dawsey

 

Amei cada momento que impulsionou Casey a bater de frente com dois assuntos que entraram em stand-by em sua vida: paternidade e casamento. Dawsey perdeu nesses quesitos no passado porque esses dois fatores me pareceram iscas das S3-S4, arco onde tudo foi preguiçosamente trabalhado. Agora, me sinto em um looping compensatório. Mesmo não dando um respaldo sobre a dor deles quanto à perda do bebê mais o impacto de Gabby não querer casar, o que surtiu neste episódio merece seus créditos positivos. Conseguiram desenvolver essa nova linha do tempo da história deles pouco a pouco e com o impacto emocional que estava faltando.

 

E que fizesse algum sentido, vale ressaltar.

 

Não se tratava apenas de diálogos bonitos, que rolou bastante nas mencionadas temporadas acima, mas de mostrar como ambos se sentem nessa rotina. Apostaram certo dessa vez e tem funcionado. Esse episódio terminou de rasgar esse espaço intimista que dava a entender que a adoção era de uma via só. Foi o atrito que precisava para Casey decidir logo de uma vez se sobe no barco. E subiu. E chorei.

 

Escreveram tão bem esse novo salto Dawsey que o casamento simplista me fez cair aos prantos. Ponto altíssimo do episódio e nem porque se tratou do tão esperado casório. Mais porque rebateu a sensação de família que investiram forte nessa festinha. Não me pareceu algo motivado por amor, embora o sentimento esteja lá, graças a Deus, mas por vitória. Ambos precisavam estar em concordância para unir casamento e família, e acredito que o OTP alcançou o pico da montanha.

 

Dawsey sofreu com preguiça de roteirista, mas não tiro um episódio sequer desse início de temporada que engajou a problemática e vingou atritos que fizeram sentido na storyline da adoção. O episódio 100 deu seu arremate e, apesar de ter ficado revoltada tantas vezes com o tratamento relaxado nas S3-S4, chego aqui aliviada.

 

Mais como mãos lavadas depois de uma caminhada sofrida para chegarmos aqui com certo mérito. Uma storyline que tinha várias razões para falhar meramente por ter sido inserida do nada, exigindo digestão rápida, mostrou seu valor.

 

De todos os cacos do teto de vidro estraçalhado de Dawsey, usaram os menores, porém, mais afiados para culminar em saltos assertivos. Saltos sem delongas porque o episódio 100 precisava de um evento significativo. Com a aflição que o casal costumava trazer à mesa. O que pega agora é torcer para que não destruam o que fizeram, o que, infelizmente, é possível.

 

Outras considerações

 

Resenha Chicago Fire - Clarke e Severide

 

Como disse, este episódio foi intencional para a tríade visto que atrito via resgate não teve relevância. Detalhe esse que rebateu em Severide. O que trouxeram para esse personagem foi meio aleatório a princípio, como tudo que tem sido escrito para ele, mas houve propósito.

 

Com uma cavucada nas entrelinhas, há a questão: 100 episódios se passaram e quem é Severide no Batalhão? Um nada!

 

Se eu gritei com a cara de paisagem dele na frente do espelho? Gritei sim porque não dá mais para levar Severide do jeito que está. Dawsey serviu de mega reflexo quanto aos avanços de Chicago Fire até aqui, tanto o lado bom quanto o ruim. A situação do casal fez o favor de destacar que Kelly só sabe fazer a mesma coisa. O personagem se sente vazio porque a escrita é vazia. Sad but true!

 

Queria mesmo me compadecer pelo Severide, mas essa de fazê-lo recorrer a dores na tentativa de sentir algo soa como Vegas (cadê a viagem com o fulaninho insta top?). É uma verdade que o personagem não lidou bem com a perda de Shay, engata relacionamentos como se quisesse validação, e repete o mesmo comportamento festeiro como se quisesse pertencer. O cara está todo errado, o retorno de Fire ano que vem parece uma promessa, mas o que falta aqui é storyline e não um ciclo autodestrutivo.

 

O que valeu para Severide foi o retorno de Clarke, a única coisa que eu sabia que aconteceria sobre essa festinha. Não esperava nada de estrondoso, mas foi uma investida que fortaleceu o peso família do episódio 100. Por mais que esteja em Med, Jeff ainda orna com o Batalhão e exerce certa influência.

 

Falando em ornar e em influência, eu estou meio dividida com o Molly’s sendo o grande palco da festinha. Essa parte eu tinha uma noção também e fiquei com um pé atrás. Nada contra o bar, mas o Batalhão existe pra quê?

 

Essa escolha foi propícia por ter destacado os personagens que ficam no background, mas senti falta de Boden. Amo Herrmann, ele é o rei dos discursos, mas, se eu for tirar Dawsey de cena, não resta muita coisa de especial no episódio 100. Essa história paralela do Molly’s foi tão comum quanto a tantas outras que envolveram o bar. Foi eficiente para fortalecer que Chicago é a cidade-coração desse universo, mas Fire é o Batalhão e poderiam ter apostado nisso. Não foi de todo ruim, mas…

 

Vale a ressalva do destaque surpreendente dos que ocupam o Esquadrão com Severide. Se eu ficava chocada toda vez que ouvia a voz de Capp, imaginem minha cara ao ouvir Tony. Esses escorados podiam contar com um pouco mais de investimento (mesmo que não estejam lá exatamente para nos brindar com atuação).

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Fire

 

O grande desafio deste episódio não foi somente entregar um marco deveras importante para qualquer série. Mas, sim, fazer isso sem se esquecer de que se tratava de um midseason também. Conseguiram? Conseguiram.

 

O que ocorreu teve sim mais caráter de vamos desenrolar o que falta e deixar uma isca para o retorno em janeiro, deixando boa parte da emoção da celebração no colo de Dawsey. A homenagem geral ao que Chicago Fire representa ocorreu no 3º resgate, o mais relevante e com uma tomada maravilhosa da sincronia dessa equipe. Ato que destacou os personagens e a importância de seus respectivos trabalhos.

 

Mesmo que o Molly’s tenha sido outro grande personagem, o que ficou de realce foi o quanto a tríade, quando está bem situada, humaniza a trama. Kelly pode estar no zero à esquerda, mas fiquei com o coração pequeno porque sempre espero algo mais que mulheres em sua vida. Enfim, o trio envolveu sem precisar de resgates sem propósito ou espalhafatosos. Há um elenco que pode sim dar conta do recado, bastam lhe dar histórias significativas.

 

E esse aniversário de 100 anos se apoiou em significado. Foi um roteiro cheio de coração.

 

Esse universo tenta se recuperar da estagnação, do ciclo S3-S4 aquém do esperado, e chega ao número 100. É. É mesmo digno de soprar velinhas. Chicago Fire não poderia ter entregado outro tipo de episódio a não ser que envolvesse família. Amarra que veio ao redor da custódia de Louie, história que começa a destoar da facilidade em que foi introduzida na S4. Agora temos o pai biológico e isso cheira a dor.

 

E queria mandar pedaço de bolo a quem lê as resenhas, mas aqui fica meu agradecimento de ♥ (e perdoem a demora, mas amo vocês e ano que vem os processos serão diferentes, ugh!). Não são 100 episódios aqui com a Stefs, mas capaz que a multiplicação de 3/4 páginas de texto por episódio chegue a uma quantidade meio próxima. Obrigada mesmo!

 

Chicago Fire retorna no dia 3 de janeiro (com eventinho extra).

Stefs
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