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06/dez

Se eu for definir a sensação que ficou depois deste episódio de The Vampire Diaries foi fim de arco. Embora ainda tenha mais um antes do hiatus, tudo conspirou para o momento que Stefan abre mão da sua liberdade para ceder ao Damon a tão sonhada eternidade de sofrimento. Entrelinhas dadas desde o 8×01, pintadas de mais do mesmo sem um pingo de concordância com o pique atual da série, e que arremataram o que foi deveras discutido na S1. A semana foi dark, de partir o coração e com uma nova mudança nas relações que, até o presente tempo desta resenha, me parece irrecuperável. Sejam as boas e as ruins.

 

O episódio deu indicativos de que seria impactante por meio do discurso de Ric para Seline. Foi poderoso para um personagem que há duas temporadas estava esquecido e caindo deveras em contradição devido à sua súbita descaracterização. Apesar de alguns ranços que guardo sobre esse cidadão desde seu retorno do Other Side, volto a dizer que tenho adorado seu posicionamento de trama. Da mesma forma que a presença de Kevin tem sido um milagre para Caroline, o mesmo se aplica ao Sr. Saltzman. Sua voz de liderança, seu envolvimento com o oculto e, agora, com o coração da ação, o tem valorizado inquestionavelmente. De novo, foi uma ótima semana para ele. Só precisava botar mais a mão na massa, mas ok.

 

Lindo, mas, como devem imaginar, o ponto negativo de Ric se deu ao lançar certas injustiças para cima de Caroline. Não criticarei tanto porque meio mundo fala o que não deve no calor da razão, mas tenho que concordar com a parte do vampirismo. A essa altura do campeonato, tal justificativa é tão hipócrita quanto resgatarem essa eternidade de sofrimento, mas, blindando o crítico, ser vampiro em Mystic Falls nunca rendeu bons frutos. Duas crianças quase foram para o saco devido a esse ímã sobrenatural e dou todo direito de resmungos. Só dispenso o “minhas filhas” porque não foi ele quem fez a gestação, não é? Único argumento que me deu nos nervos.

 

Resenha TVD - Caroline e Ric

 

Repito também o que venho comentando há algumas resenhas: precisava Kevin voltar para que as mulheres que sobraram contassem com destaque que nada tem a ver com seus interesses românticos? A prova viva se eterniza neste episódio em que Caroline não só se posicionou como há muito tempo não se posiciona para solucionar problemas, como deu um drible lindíssimo em Stefan. Seria a praxe botar Steroline para salvar as gêmeas e alguém teve o tato de não fazer isso. Ric era a pessoa que deveria assumir parte da bronca e assumiu lindamente, fim. Como não depender de romance para fortalecer a ação, TVD ensinou como há tempos não ensina. Tarde demais, mas vamos nos contentar com os esforços.

 

Não houve um só momento no arco S4-S6 que não reclamei o quanto estava farta de ver Forbes tombada, sendo vítima, perdendo suas características da S1/2. Vê-la tão decidida, tão indesculpável, tão focada, foi degustador. Parece até que vivi um sonho. Há eras que não se via a personagem em cena como uma lutadora. E quando digo “se via” não é meramente dar destaque, mas ter posicionamento que não tivesse nada a ver com ganhar tempo no atrito ou com quem estivesse envolvida.

 

Enquanto Bonnie pena com Enzo por não ter magia, só resta Caroline trazer um pouco de representatividade em TVD já que não tem mais tanta mulher em papel relevante em cena. Forbes se saiu não só como a mãe afetada, mas como a protetora que sempre foi. Inclusive, estratégica, aquela que sempre foi muito boa em organizar qualquer evento. Dessa vez, a vampira foi o evento e mostrou seu melhor até o desvanecer da energia ao reencontrar as gêmeas. Fazia muito tempo que não sentia a vibe dessa moça, cada opinião certeira me deu vida, e quero mais espaço de trama sim. Nem pareceu que ficou escorada no arco S4-S6.

 

Mas nem tudo é felicidade como manda TVD. Continua a me entristecer ver Bonnie escorada em Enzo. Sim, está uma gracinha, amo romance quando se está bem construído, fluindo naturalmente e tendo conflitos interessantes – e que remetem muito mais ao que TVD representa em comparação a alguns shippers aí. Contudo, estão abusando demais do fato da personagem estar sem magia para apostar nesse mamão com açúcar. Acho ótimo, de verdade, mas há um espaço tremendo de trama para que Bennett mostre seu melhor e esse melhor é na bruxaria.

 

Cada vez mais se percebe o distanciamento do plot central dessa personagem porque não anda tendo tanto envolvimento mágico. A não ser as gêmeas e penso que não terá mais. Esse é o único defeito mais drástico da temporada final de TVD porque vampirismo e bruxaria formavam o apoio de trama. Começa a fazer falta.

 

Isso me faz lembrar de The Originals, que abriu mão total dessa parte que dava muita vida para qualquer trama, houve um resgate na S3, mas ficou boring porque não desapegam do Always and Forever. Não que TVD esteja ruim atualmente, mas Bonnie precisa contar com muito mais que jura de amor ao Enzo nessa reta final. Essa dependência amorosa começa a incomodar. Parece que Bennett não tem mais ninguém, completamente isolada no que sente e alguns roteiristas tem lá seu jeito de tornar esse sentimento em algo tóxico. Vamos recordar do chilique da personagem para cima de Caroline que foi o ápice do OOC.

 

Resenha TVD - Bonnie e Enzo

 

A parte boa é que muito mais de Enzo tem sido dado, o que tem permitido dar-lhe uma dose de empatia. Tenho momentos com esse personagem, nunca escondi isso, mas seu status de vulnerabilidade esta semana me amoleceu sendo que tudo que tenho para dar a esse vampiro é um belo de um gelinho. Pesadas as cenas de tortura, mas me fez relembrar da famigerada Augustine que parecia tão promissora quanto Armory e só serviu de cenário para vários nada. Pelo menos a Armory tem tido sua mitologia pincelada, mas o papo de vampiros cobaias era mais cool.

 

Fato que Enzo na maca mexe comigo desde o transcorrer da storyline desse cidadão lá na S5. Foi bacana resgatarem esse sofrimento para respaldar o quanto ele resistiu à Sybil antes de se desligar. Afinal, não era possível que só o que o personagem sente por Bonnie fosse capaz de fazê-lo resistir tanto. Não quando essa “alma” está estragada há décadas. Não quando St. John é um reflexo de Damon. Engraçado que conseguem justificar os dramas desse vampiro com pouco background, mas não conseguem melhorar o Salvatore mais velho. What a time to be alive!

 

Embora quisesse encontrar outros tipos de emoções, fato é que os traumas o ensinaram a desligar automaticamente qualquer forma de dor externa. Não sentir já é de seu ser, bem como manter esse “equilíbrio”. Quem sofreu muito, nem precisa se desligar, porque, às vezes, o desgosto de viver é tão grande que o corpo e a mente encontram seu próprio jeito de se fechar. O caso de Enzo e as coisas mudaram quando Bonnie entrou na sua vida. Só lágrimas com o discurso de amor verdadeiro.

 

A sobrevivência do personagem rendeu certo alívio porque juro que chegou um momento daquela tortura em que acreditei que haveria morte. Por mais que tenha rolado esse conflito das sereias, ainda aguardo uma morte relativamente de impacto que marcará o fim de TVD. E não é do Damon a quem me refiro – até porque quem é que se importa com um completo peso morto em Mystic Falls?.

 

Por mais que reclame, Damon estava até que tragável esta semana e me roubou algumas risadinhas. Só agradeço aos diálogos regados de menções à cultura pop, artimanhas que funcionavam bastante lá na S1. O vampiro foi o norteador da sensação de fim de arco do qual citei e só tenho a agradecer pelo suposto fim desse lenga-lenga de ir pro inferno, não ir pro inferno, o que o Salvatore viu e deixou de ver para ser escravo de Sybil. Estava ficando chato.

 

Resenha TVD - Seline e Sybil

 

Bom é que este episódio foi deveras determinante para o plot das sereias e confesso que fiquei meio surpresa em alguns instantes. Seline foi “vendida” como a pior versão para fazer o que não sou muito fã: amolecer. Tudo bem que fez bastante sentido esse singelo plot twist porque Sybil se tornou mais cruel pelo tempo que ficou no cofre. Obviamente que tanto tempo sem ver a luz do sol não faz bem a ninguém, mas esperava uma versão de Seline mais poderosa. É tão chato e cômodo TVD dar aos vilões pós-Klaus esse papo de remorso súbito. Ainda bem que a série está acabando porque não aguento mais esses vícios de escrita.

 

Seline tinha potencial para muita crueldade, penso eu. A mulher norteou o episódio anterior e se mostrou dissimulada o suficiente para convencer de que para boa coisa não estava ali. Cheguei ao ponto de cogitar um “amor platônico” com Cade porque certos hábitos nunca morrem nessa série e são difíceis de esquecer. Rolou sim uma pontinha de decepção e chego a duvidar da capacidade de Sybil que assumirá a trama daqui por diante. Não sei se confio.

 

Digo isso porque Seline quebrou pela redenção, demonstrando ser ainda mais Stefan por querer compensar os anos de perdura da irmã. Assim, Sybil tem grandes chances de seguir pelo mesmo caminho tedioso de Damon. Não diria da redenção em si, mas deve haver alguma coisa que a quebre e que a fará retroceder.

 

Assim, temos Damon de exemplo, que sempre paga de espertinho e sempre volta com o rabo entre as pernas. Por que seria diferente com Sybil que foi posta como sua igual? Fato é que dá para teorizar várias coisas entre sereias vs. Salvatore. Não criaram um comparativo em vão e este episódio pôs a prova. Agora, Stefan e seu irmão assumirão o bonde de coletar as almas danificadas em crueldade em nome de Cade e me pergunto o por quê.

 

Por que Damon resgatou essa eternidade de sofrimento sendo que lá na S1 o próprio disse que a raiva do Stefan foi meramente porque Katherine o transformou junto?

 

Pela queda de uma sereia de um jeito banal, aposto na mesma investida para Sybil. Até para os Salvatore. Espero que não porque essa sereia se mostrou mil vezes mais sagaz que Seline e o que TVD tem sentido falta é desses vilões inteligentes que morrem sem um pingo de vergonha de quem são. Só que não boto muita fé. Nem mesmo tendo Kevin no writer’s room.

 

(mas confesso também que Sybil deu uma irritadinha, mas seguimos).

 

Outras considerações

 

Resenha TVD - Damon

 

Apesar da descida para dar um tipo de ascensão à Sybil, gostei do jogo de contradição entre as irmãs. Elas têm um contraste natural que respondeu a questão de quem seria Damon e Stefan nesse nó todo. Só descartaria, claro, o sacrifício de Stefan. Tudo bem, parte foi pelas gêmeas, adorável, está de parabéns, mas quando ele anunciou a eternidade de sofrimento eu tive que pedir um minuto de silêncio. Desacreditei! O motivo para resgatarem isso depois de anos tem que ser mais que excelente.

 

Ok que, somando os desdobramentos, dá para dizer que a eternidade de sofrimento seria o inferno que Damon sempre quis. Não para ele, mas para Stefan. Se for isso, que conclusão mais sem pé e nem cabeça visto que TVD fugiu totalmente desse tema.

 

Nisso, voltemos a grande problemática em torno de Damon. Se esse for o inferno, temos mais uma ação egoísta porque ninguém lembra mais de Katherine e Elena está tão bem dormindo que é capaz de acordar e mandar os Salvatore pastar. De quebra, temos também as típicas indagações que rodearam os personagens que estão de claro saco cheio desse vampiro. Além disso, deixaram de ver (amém!) Stefan como empecilho para aniquilar quem incomoda. Caroline foi fenomenal ao liberar essa argumentação.

 

E seguem as questões que não deveriam existir quando temos Damon nesse estado: por que as pessoas têm que vazar porque ele é o incômodo? Quantas vezes Stefan tem que retroceder para salvar alguém que não quer ser salvo? Quantos têm que morrer no processo por um vampiro que não quer saber de nada visto seu plano fenomenal de egoísta que garantiu um ticket fora do inferno?

 

A cena de Ric e Matt atacando esse cidadão foi o que eu precisava para continuar sobrevivendo. Foi libertador e um mega divisor de águas para Dalaric. Se nem esse BrOTP aguentou tanta imaturidade, por quais motivos o resto ainda tenta?

 

Eu estava desesperada por uma reação dessas. De um grupo se juntar contra o mal comum que é esse vampiro e mandar bala. Infelizmente, não foi um ato para valer porque Damon voltará por causa da imortalidade reforçada pelo pacto com Cade. Contudo, deu uma sensação de realização ao ver alguém fazer o que meio mundo queria. Matt tão adorável e provou que não está mais de brinks.

 

O que fica de questão é que deu a entender que Damon quis o inferno por ter visto o que havia lá. Ele me pareceu à vontade em renegociar o acordo com Cade e me pergunto se o inferno desejado era resgatar essa eternidade de sofrimento que estava embutida na trama desde que a temporada começou. O 8×04 resgatou totalmente essa questão e chegamos ao que pareceu ser um fim de arco para depois mostrar como Stefan viverá nesse looping. Não sei se fico feliz ou triste, preciso ver os resultados.

 

Pergunto se Cade terá presença permanente porque gostei desse cara.

 

Concluindo

 

Considerando o roteiro, o nó sobre o tema eternidade de sofrimento foi dado perfeitamente. Trabalharam o tema, geraram reflexão, e até que se tornou um pouco condizente. Lembremos que não dá para exigir mais nada de TVD.

 

Stefan vendeu a alma para o diabo e o próximo episódio tem cara de alívio cômico devido às 24 horas de liberdade. Estarei muito ok com isso porque o que aconteceu esta semana fez um giro completo na transição dos Salvatore ao vampirismo (assunto cheio das discrepâncias, vamos lembrar, mas seguimos). Uma coisinha encaixou perfeitamente na outra para culminar nesse fim que me deixou infeliz. Meramente pelo que sempre digo: exausta desse povo atrás do Damon.

 

E último episódio dirigido pelo Paul, vamos chorar!

Stefs
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