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26/jan

Este episódio paradão de Chicago Fire foi feito apenas para sentir e senti demais da conta. A trama da vez representou as ditas consequências do que aconteceu na semana passada e se apoiou com sucesso no impacto emocional. Nada de ação. Nada de reviravoltas mirabolantes. O roteiro rendeu reflexão do ponto de vista de uma tríade que seguiu sobrecarregada e o que restou foi aperto no coração e lágrimas. Por um momento, acreditei que seria o dia de reviravoltas em que Severide começaria a rir à toa enquanto Dawsey começaria a afundar. De uma forma ou de outra, foi bem isso, mas o saldo, aparentemente negativo, só intentou dar uma lição de moral.

 

As dores enaltecidas na semana passada poderiam ser sanadas com salto temporal, mas, pela glória do hipogrifo, foram trabalhadas neste episódio de Chicago Fire. Ao menos, do ponto de vista Dawsey e o que me resta é dizer amém. Os minutos iniciais nos agraciaram com bad mood estrelando Matt Casey que, em plenas três da matina, demonstrava sua maneira nada sutil de lidar com a partida de Louie. Por um segundo, considerei a atitude de desmontar o quarto do garoto meio injusta. A secura como se nada dali importasse fez meu sangue bater na testa. Contudo, o que tivemos foi Matt infeliz sendo Matt infeliz. Matt desagradável sendo Matt desagradável. Nada novo considerando a trajetória do cidadão, mas rendeu uma pontinha de irritação. E, claro, de receio porque magoar Gabby estava facílimo.

 

Casey estava magoadíssimo, como todos nós, e agiu por intermédio do seu modo de operação que parte da negação. Isso, quando seu polo está virado para o negativo. É seu motor para manter o sangue quente, o que impede qualquer tipo de enfrentamento – ou quase. Para quem não esboçou um traço de ressentimento e nem se deu a chance de chorar com a despedida da criança, agir como agiu foi natural. Fez jus à essa faceta vista na S3 e que deu nos nervos.

 

Mesmo chegando depois da adoção, Casey sentiu a ausência de um apego que nem tivera tempo de criar mais raízes a partir do instante em que deixara de ser Matt para ser pai. Ele finalmente passara a pertencer ao núcleo familiar outrora só de Dawson e fico pensando como o cidadão reagiria se não tivesse sido aceito. Na real, nunca pensei que o veria tão partido porque consolar Gabby e manter a poker face seriam a praxe. Porém, Louie lhe foi arrancado bruscamente, um ponto de diferença que rebateu na forma como a paramédica segurou a própria onda. Pela trajetória, a mulher estava mais preparada.

 

Assim, vê-lo prestes a explodir foi o bastante para me deixar atenta ao longo deste episódio. Aguardei do começo ao fim o instante que o Tenente pisaria na jaca. Ainda bem que Herrmann existe porque graças a Merlin ele existe!

 

Não digo que foi surpreendente vê-lo triste, mas imaginei que Casey ficaria na miúda porque a carga emocional dessa storyline foi todinha de Dawson. Ele teve sua participação, sua parcela nesse desenvolvimento, ótimo, mas só perto do derradeiro final. Daí, voltamos ao brusco. De finalmente fazer parte e, do nada, dar de cara com a parede. Por isso, quero acreditar que essa perda sirva de aprendizado para tomadas de decisões futuras do ponto de vista desse personagem. Gabby pisou na S5 decidida e batalhadora, ao contrário de Matt que teve que se sentir confortável depois de ter os cadarços apertados ao longo da curta carreira política. Ninguém mandou o Tenente não dar o benefício da dúvida, certo? Na próxima, apenas vai lá ver o que está pegando, querido.

 

Por essas e outras que digo que, ao menos para Casey, esse tapão foi merecido. Só assim para respeitar as decisões de Dawson, né? Crianças!

 

 

Rsenha Chicago Fire - Gabby

 

O maior ponto positivo deste episódio de Chicago Fire foi o uso dos resgates para salientar o que Dawson e Casey sentiam e viam com relação à partida de Louie. Ficar em silêncio é comum entre eles e os chamados os empurraram para mostrar que bem era a última coisa que estavam. Uma mão na roda por ter influenciado na quebra emocional do casal e por ter ocupado o espaço propício para brigas. Com o peso de cada um, não houve nem tempo para comentários vazios que só renderiam mais mágoa. Detalhe ausente que poderia render no pontapé de mais uma Era antipática entre Dawsey. Ninguém é obrigado!

 

A última coisa que poderiam fazer era desequilibrar o casal. Simplesmente porque ambos conseguiram acertar os ponteiros um com o outro. Inclusive, com a rotina pessoal e profissional. Tirar isso deles logo agora seria de uma injustiça sem precedentes e não digo isso apenas pelo Louie. Eles não tinham uma liga forte o bastante que os fizesse ser menos egoístas no individual. Detalhe esse que rebatia na relação – e foi o impasse maior no momento que Gabby brincou de bombeira.

 

Com essa experiência, repito o que comentei na semana passada: a dupla se reuniu, compartilhou a mesma rotina e se fortaleceu sem perceber. Foi natural ao ponto de não precisarem de investidas incoerentes para gerar conflito mais do mesmo ou gratuito. É um milagre!

 

Apesar de Casey ter preocupado um pouco mais, não tem como não celebrar o papel de Dawson neste episódio. Ela era a pessoa que deveria ter ficado no bad mood e desmontado o quarto de Louie, mas escolheu esperar. A personagem deixou o mozão sentir o que tinha que sentir enquanto dava conta de si. Com tal atitude, a paramédica respaldou um processo instalado com sucesso entre Dawsey nessa temporada e que espero que não se dissolva: a habilidade de dar tempo. Gabby preferiu se afastar e ruminar o que sentia individualmente. Um ponto de amadurecimento para quem estoura fácil e que poderia falar um monte só pela expressão de azedume de Casey. Honestamente, aguardei ansiosamente por tal momento. Uma treta hard. E ainda nem acredito que não teve, sério!

 

Esperei arduamente o instante que ela invadiria o quarto e mandaria Casey dar uma volta. Ou faria um showzinho básico nas esbarradas dentro do Batalhão (e ele também). Mais por ele agir com frieza quanto para deixar tudo esclarecido logo de uma vez. Vê-la acuada, lidando à sua própria maneira, foi a melhor investida. A situação em si meio que exigia a versão do casal regado na frustração e na irritação, emoções que os fazia atropelar um ao outro e apostar na competição de dor. Coisas desagradáveis vistas na S3 e que não ocorreram em nome da careca do careca Haas.

 

Além disso, Dawson rendeu um subplot lindíssimo por meio de um resgate. Ao absorver a situação de Darla, a paramédica manifestou a dificuldade de estar diante de um pai que não hesitou, a princípio, em renegar a filha e a neta. Para uma mulher que não pensou duas vezes em adotar, assistir a um negócio desses é igual a apertar seus botões. De novo, lá estava eu esperando a treta do século. Sério, gente, eu estava de colete quando sentei para ver este episódio. Foram 40 minutos de puro receio e de tensão porque qualquer coisa poderia acontecer com Dawsey. Aflição pura!

 

Embora a adolescente tenha surgido com o rótulo agridoce de que “nem todos os pais respeitam os filhos”, o intuito principal foi trazer o reconhecimento sobre o quanto o que Gabby faz profissionalmente é tão igualmente importante. A paramédica perdeu Louie, mas há outros pontos que a fazem essa serumaninha incrível. Ela só precisava se lembrar em meio a tentativa funesta de segurar a própria dor. Igual Casey que encontrou na faxina de sábado, principalmente depois do resgate que o deixou ainda mais pilhado, um meio de externar e prender o que sentia.

 

A cena cara a cara entre Dawson e o pai de Darla, a fechada maravilhosa da câmera em cada rosto, engatou o cair na real. O homem não hesitou em cutucar indiretamente que fizera tudo no âmbito material pela filha e, por isso, nada justifica a gravidez. O material é mais fácil de se dar que o apoio emocional. Um apoio que Dawsey fugiu com vigor ao longo deste episódio. A sensação de ser autossuficiente que falhou miseravelmente. Foi muito lindo. Em vários aspectos.

 

Os resgates foram muito preciosos em cutucar o casal. Mais créditos para o de Gabby, claro, que arrematou no conselho que trouxe alívio e partiu o coração em seguida. Aquele senhor chorando me arrasou demais! Alguns pais e sua ideia de que os filhos só precisam de bens materiais. Quem nunca?

 

Resenha Chicago Fire - Dawsey

 

Apesar dos resgates terem exercido um tipo de força maior, quero comentar da aliança. Arremate perfeito ao chamado que envolveu Darla. Um símbolo discreto que, indiretamente, tinha como missão relembrar de que o casal está por si. Que eles precisam se unir para enfrentar as adversidades. Essa foi a primeira dificuldade em dupla e foi ótimo que terminaram juntos. Ambos precisam continuar a dar conta um do outro com o máximo de carinho e de respeito, como demonstrado ao longo dessa storyline. Pode ficar de cara feia? Pode. Pode ficar magoado? Pode. Mas não tretem à toa.

 

Trazer a aliança ao cerne Dawsey pode não ser influente agora, encheu de expectativas com certeza, mas, para o momento, não passou de um chacoalhão. Uma ponta que poderia passar despercebida, mas arrematou o fim do episódio com direito ao discurso do Herrmann. De nada adianta tentar ter controle sobre o que claramente é incontrolável. Tem que quebrar. Tem que dividir o fardo. Tal item meramente simboliza que ambos precisam se manter na mesma página ou adeus.

 

Uma história que tinha tudo para dar errado trouxe a entonação certeira para amarrar um casal que queria assumir o controle da própria dor. Uma decisão individual que poderia render o maior estrago. Enquanto Dawson sentia em ondas, Casey escolheu apertar o freio emocional. Por não quererem lembrar, adiar o que deviam sentir soou normal. E não foi. E só tem a piorar.

 

Outros adendos

 

Resenha Chicago Fire - Anna

 

Aqui é o trecho dedicado ao Severide. Não ia comentar nada, mas….

 

Severide teve sua chance neste episódio e, com toda educação, dispensarei quaisquer comentários sobre esse fake triângulo. Porém, vale destacar que o Tenente estava na mesma vibe negação que Dawsey e agradeço por Anna ter vazado. Pra variar, o personagem estava sem completa noção do que fazia, do que queria, transitando de boca aberta, sem perspectiva de nada. Foi um tanto quanto revoltante!

 

Fato é que o Tenente passou a agir por associação ao calor do momento. Como sempre faz. Se Anna chegar a retornar, o que é óbvio, espero que seja dentro de um terreno mais sólido. Muito nonsense implantar triângulo, mas dou cinco estrelas pela propaganda enganosa. Poupem-me, né?

 

E me poupem também do fato de Severide ter se recuperado em um piscar de olhos.

 

O que dizer sobre Kidd? She deserves better! Forçado demais o encontro com Anna, não tinha a menor necessidade. Só para dar importância onde claramente não tinha importância. Amo tanto essa mulher e quero protegê-la de Severide.

 

Concluindo

 

Casey voltou ao ritmo do início dessa temporada ao somar mais um péssimo resgate que de brinde custa a vida de alguém. Ou quase. Além de todo o peso dramático causado pela ausência de Louie, este episódio de Chicago Fire conseguiu instalar um mistério que rima com neurose dentro da dramática. Como esse homem conseguiu escapar? Em breve na semana que vem.

 

Por mais que não tenham tido cenas de ação, o episódio foi muito intencional no que quis transmitir. O mais lindo, e que foi bizarramente minha parte favorita, veio do pedido de Casey em limpar o Batalhão. Mas por quê? Porque foi o reflexo do controle que a tríade não estava tendo. Manter esse movimento deixou a impressão de que as coisas seguiam quando claramente estavam emperradas. Essa brincadeirinha aparentemente inofensiva, a dita distração, agiu como o espelho dos sentimentos de mais um dia difícil para os personagens principais. A bolha de negação. Montaram tal background para respaldar a emoção errante. E isso foi lindo demais para mim.

 

Bom é que não apostaram em salto temporal para pular o que todo mundo tinha que sentir. Ao menos, não ficou explícito. Deu a impressão de dia seguinte, o que me soa absurdo porque Severide estava ótimo até mesmo para entrar nos locais dos chamados. Nem tudo é perfeito.

 

Acho que vou manter o colete até o próximo episódio. A promo me deixou tristíssima.

 

Chicago Fire retorna no dia 7 de fevereiro.

Stefs
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