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18/jan

Chicago Med retornou mandando ver nos paralelos sobre coração, frisando mais uma vez o tema central desta temporada. Afinal, é o departamento dito mais fraco do hospital, que ainda não possui o glamour que Rhodes almeja. Para quem engatou um hiatus com um episódio muito aquém do esperado, este foi aquele sopro de alívio. Um raro caso de roteiro seguro de si e que alcança com sucesso o que intenta transmitir. Porém, ainda não é o bastante para se sentir confortável porque se há uma coisa que esse ano da série tem ensinado é o quanto pode ser volúvel.

 

Depois de semanas, engatamos aquele singelo engolir em seco em mais um dia de trabalho. Choi continua liderando os melhores atendimentos e rendendo as melhores reflexões, amém. Para quem abriu a temporada cheio de si, querendo pisar até em Maggie, só me resta agradecer e muito por sua humildade aparente da S1 ter “retornado”. Já basta Rhodes desesperado em fazer um departamento acontecer em curto espaço de tempo e forçando os outros médicos a fazer o que ele acha correto.

 

Choi tomou conta de dois pacientes discrepantes que amarraram dois dos temas da semana: tolerância e perdão. De um lado, havia o dito homem muçulmano que o público de um ringue invisível queria morto. Informação solta no ar e que me deixou de testa enrugada. Do outro, um homem que preza a violência (? porque também ficou no ar) por se tratar de um reflexo da sua masculinidade. Enquanto um não teve sua razão explícita no roteiro para estar em luta, o outro usava desse fator para ser validado, especialmente quanto a dor ao ponto de recusar qualquer medicamento que contribuísse para diminuir o desconforto durante o atendimento. Uma abordagem que exigiu uma leitura das entrelinhas porque a casca do plot não ofereceu tanta coisa. Nem mesmo os comportamentos do médico em questão.

 

Foi preciso amarrar a situação com o personagem-destaque, e é assim que Chicago Med consegue engatar bons episódios. Nada foi entregue na lata ou ficou a ver navios, o que é um ponto bastante positivo porque envolve e deixa as conclusões finais nas mãos de quem assiste. Não houve aquela sensação de buraco, comentário que vale para o episódio inteiro. Honestamente, fiquei enfurecida com esse atendimento. Embora Choi tenha tido uma compostura antiprofissional em alguns momentos, às vezes, não tem como segurar a onda com tanta burrice por metro quadrado. Principalmente sobre essa ideia de que ser valentão é igual a não sentir dor. O irmão provocando Ricky foi assim a gota d’água. Não tenho mais idade.

 

Resenha Chicago Med - Choi

 

Nesses dois pacientes, vi apenas o que geralmente se é comentado. No caso, esse posicionamento de machão que um pai impõe no filho ou o amigo impõe no outro amigo. Aquela falsa ideia de que a masculinidade é validada pela quantidade de brigas, de hematomas, etc.. Em contraste, tivemos Cyrus, um cara pretty cool que deixou no ar os motivos dos quais se envolveu nisso – a falha que posso destacar neste episódio. Foi chocante ver o cidadão mais tranquilo entrar em coma porque você sempre espera o contrário. Daí, entramos nas ironias da vida que, apesar dos pesares, Chicago Med tem conseguido apresentar satisfatoriamente. Quando quer.

 

Com a “perda” de um, houve aprendizado do outro. Inclusive, do próprio Choi, cuja experiência em guerra deve tê-lo fechado no quesito ser um facilitador do perdão. Afinal, o personagem só viu nhaca em tempo de serviço. Tal atendimento esfregou que, às vezes, nem sempre nos abrimos para aprender algo na lata, na cara dura, tendo que acontecer instantes ruins o bastante para nos desequilibrar e impulsionar amadurecimento. A posição do pai de Cyrus foi esperada devido ao apego à religião, mas surpreendente do ponto de vista do outro que desmoronou pelo que fez. Uma situação que rebateu em todos os lados e gosto quando isso acontece.

 

De quebra, Choi mostrou uma nova nuance de si. A intolerante que se encontrou na chance de dar uma relevada em tal desdobramento e prestar auxílio. Um detalhe mais que necessário porque os personagens de Med não estão desenvolvendo. Focam tanto nos atendimentos e nas divisões amorosas, que ninguém anda trazendo algo relevante de background. Isso está muito, mas muito chato.

 

Um atendimento que impulsionou um médico a reconhecer duramente que nem tudo é como queremos. Que, de novo, não dá para escolher quem merece ou não atendimento. Tem que atender e ponto. Que nem todo cold shoulder amenizará um erro já cometido e que se intrometer nem serve de ajuda. Foi emocionante, gerou um aprendizado e uma reflexão bacaníssima que conseguiu culminar uma fisgadinha de ódio por toda essa inabilidade de aceitação. Esse preconceito velado na trama e tudo mais. Além disso, mostrou que Choi precisa aprender a separar pessoal vs. médico vs. paciente. Não é a primeira vez que ele mistura tudo, principalmente o lado pessoal, e atende mais porque é obrigado e não porque é seu dever.

 

Resenha Chicago Med - Natalie e Ted

 

Além da tolerância e do perdão, houve o papo de segundas chances que falhou miseravelmente e foi aqui que houve muita dor no coração. Cyrus já tinha se dado mal e me agarrei na esperança de que Ted se daria bem. Fiquei arrasada com a perda desse garoto. Principalmente quando ele começou a listar o que faria assim que melhorasse. Gente, que coisa horrível! Muita maldade essa criança apavorada e desacreditei do tombo. Por um momento cogitei que o coração em espera da paciente de Rhodes iria para esse jovem. Quem foi trouxa? Eu mesma. Foi muito triste.

 

Falando em Rhodes, esse atendimento serviu para puxá-lo para render… Vários nada, obviamente. O personagem só zanza nesse hospital e pontua regra. A animosidade entre Charles e ele me faz infeliz porque não tem critério. Robin? Really? Me respeitem! Em contrapartida, é importante desvanecer um pouco essa boa pinta constante do psicólogo. Afinal, ninguém é contente ou de ferro 24/7. Mas poderia ser por outro motivo, né?

 

Bom é que descobrimos mais uma nova parte da história de Charles que rebateu em seu paciente. Depois da roleta de atendimentos fracassados neste episódio, esperei mais alguma tragédia e foi aliviante que pelo menos uma coisa deu certo. O que me encuca é o posicionamento de Reese que, de novo, se viu inclinada a salvar tudo e todos, mas com a diferença da queda das suas argumentações. Efeito do caso Danny? Pode ser, mas o que me interessa é saber como ela se recuperou tão rápido desse capítulo e não vale me dizer que foi graças ao salto no tempo. Exausta demais de queimação de etapa no âmbito emocional nas Chicagos, fatos.

 

Concluindo

 

Para finalizar mais uma resenha atrasada, o que dizer sobre April e Tate? Decepcionada, mas não surpresa. A “proposta” de aborto foi deixada nas entrelinhas no 2×08 e o cara verbalizou para justamente ficar mal na fita. Assim, qualquer um que sugerisse algo assim ficaria mal na fita, mas fico aliviada por não ter sido a enfermeira. Não descascarei o personagem porque, não sei, não me pareceu um comentário na maldade já que ficou subentendido que a vida da futura esposa importa um pouco mais e daí entramos na questão das “prioridades”. Enfim, vamos ver como isso se desenrola. Se houver forçada de barra da parte dele, terei muito o que dizer. Por enquanto, prefiro observar. Fato é que, até o season finale desta temporada de Med, uma grande nhaca acontecerá aqui e tenho aquela sensação de que a moça parará de tomar os remédios.

 

O episódio foi uma ótima lição de casa. Uma superação e tanto em comparação ao anterior que deixou no rastro um azedume descontrolado. Nada de novo foi plantado, a não ser o conflito entre Natalie e Clarke que engatou na aproximação de Will. Teve o próprio Will com Dr. Stohl que me fez rir à beça – dos dois porque as expressões do ruivo precious demais. Não ter história nova dos personagens para se agarrar continua a ser a falha da temporada até então.

 

Até poderia dizer que Chicago Med retornou com tudo, mas não quero pagar com a língua no futuro. Porém, compensou a frustração antes do hiatus e só lágrimas com tantas amarrações bonitinhas e tanta lição de moral para guardar.

Stefs
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