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29/jan

Se eu fosse insensível, me expressaria nesta resenha com a palavra triste mais um gif em lágrimas. Porém, nem isso faria jus aos meus sentimentos ao longo deste retorno de How to Get Away with Murder. Expressar-me dessa maneira seria uma mentira porque, assim como o agora Keating 4, chego aqui sem saber como me sinto.

 

Não esperava que o retorno da série seria sofrível devido à perda de Wes, mas também não esperava que o conjunto da obra transmitisse a sensação tangível de vazio. Por ter sido vazio no âmbito emocional, é difícil chegar aqui e tentar descrever o que permaneceu indescritível do começo ao fim. O único sentimento que deu para resgatar e se agarrar brevemente foi o mesmo choque sentido quando quem estava embaixo do lençol foi revelado. Ainda soa injusto, especialmente quando voltamos a pensar que Gibbins representou um peão necessário para a storyline de Annalise e vice-versa. Mas nem tudo é como queremos, né?

 

O episódio continuou de onde parou e centralizou uma Bonnie que recebeu a missão de defender Annalise. Uma responsa tremenda, vamos combinar, e que tem tudo para valorizar mais essa personagem. A assistente foi crescendo a passos pequenos ao longo desta temporada de Murder e agora terá que mostrar serviço para defender quem um dia ocupou o posto de rainha da advocacia. Não será nada fácil visto que a jovem somou a primeira falha diante da fiança negada. Sem contar que a acusação está fortíssima. Atwood e Cia. mostraram que estão dispostos, e afiadíssimos, para afundar o bonde de Keating. Antes tarde do que nunca, temos um grupo disposto a resgatar os podres que um dia ficaram embaixo do tapete do lar que se incendiou.

 

E queria muito que isso acontecesse. Tudo bem que o que eu queria mesmo era um traíra do Keating não mais 5 puxando esse tapete. Contudo, e com a perda de Wes, o que sobrou para os estagiários e seus adendos é um pavor que ainda não foi sentido. Todo mundo estava em negação e nem espiaram de perto que podem cair a qualquer instante. Como deu para sentir neste episódio mesmo que muito suavemente. Ninguém está seguro, fatos reais.

 

A insegurança se reforçou com a morte de Wes. Uma morte que sinaliza que qualquer um ali pode bater as botas. Por isso, não há no que apostar nesse primeiro momento a não ser no papel de Bonnie daqui por diante. A Annalise sempre muito esperta não pode fazer nada dessa vez e está cega sobre tudo. A outrora conceituada advogada perdeu o que lhe restava de controle e os estagiários não terão o costumeiro reforço para se safarem do que vier daqui para frente. Winterbottom soa como uma última esperança e a pressão já foi sentida por uma mulher que não tem o tino da autoconfiança. Detalhe que lhe foi roubado na infância devido ao monstro-pai.

 

Resenha Murder - Bonnie

 

Mesmo sem querer, Bonnie ganhou o posto de muro. Finalmente, ela sai da bolha em que viveu e que foi escravizada por uma mulher que nunca hesitou em ser abusiva com sua pessoa. Winterbottom poderia dizer um bendito não a Annalise, o que particularmente acharia ótimo, mas a lealdade entre ambas extrapola limites ainda incompreensíveis. Dentro dessa saga cada vez mais detestável e desconfortável, pode ser que a dita assistente se fortaleça e ganhe o dito valor aos olhos da sua mentora. Afinal, a partir de agora tudo depende da sua sagacidade.

 

Ato que rebate nos demais, pois cabe a Bonnie, mesmo que indiretamente, protegê-los também. Ela quem tentará manter o que resta dos segredos embaixo do mencionado tapete. Caso falhe, todos caem. De novo, é uma responsabilidade do caramba e torço para que a personagem consiga. Tanto pelo bem quanto pelo mal, pois não podemos nos esquecer de que Murder é a série dual e volúvel que você respeita.

 

Embora diga que confia em Bonnie, dar a ela esse posto parte das medidas de contenção de Annalise. Independente de estar derrubada, lá foi Keating proteger as crianças que entoou várias vezes nos episódios anteriores que não suporta. Mesmo com mente e coração afastados, a protagonista ainda pensou, indiretamente, em passar as asas naqueles que não hesitaria duas vezes em esmagar para proteger sua reputação. Outro detalhe que nem passou pela cabeça dessa mulher e acho ótimo. Ao menos, por enquanto.

 

Além de tal decisão de defesa ter chances de fortalecer Bonnie, o pensamento também se aplica para a dinâmica Keating-Winterbottom. Annalise está vulnerável e a assistente é o dito porto seguro. Por mais que eu ainda não compreenda o que as une, ao ponto de ter considerado desnecessário o beijo das duas (que pareceu um selar de pacto), o crédito que uma deu a outra é bastante precioso. O que se precisa agora é muita sororidade e empoderamento. Exausta das discussões do passado com as mesmas citações, inclusive as sobre Sam. Ambas precisam mais do que nunca centralizar no problema real e deixar adversidades de fora.

 

Não há ninguém no momento que possa proteger Annalise ao mesmo tempo em que protege os estagiários. Só Bonnie, o que não deixa de ser um risco porque a mulher cede diante do tribunal e perde norte de argumento. É uma confiança cega que vale muito mais que uma intencional a essa altura do campeonato. É o ditado de tempos ruins pedem medidas extremas, e até Keating tem consciência disso. Em outros tempos, não duvidaria que uma advogada conceituada entrasse em cena só por capricho da protagonista.

 

Demorou, mas puxaram as travas de segurança e de alerta completos. Qualquer um pode cair a qualquer momento e deu para sentir isso de pronto com a primeira vitória de Atwood e Cia.. A ideia de que a promotoria poderá resgatar todos os casos insolúveis, como de Rebecca pontuado antes de hiatus, dá um frio na espinha. Não só porque não haverá como proteger geral, como dá indícios de que Murder parte para sua conclusão para sempre e todo sempre. O que, particularmente, não seria de todo ruim. A série em si não tem muito mais para onde ir. Especialmente quando se tira um personagem importantíssimo de cena.

 

Os demais

 

Murder-3x10---Annalise

 

Se eu for falar de sentimentos, todos os méritos vão para uma Annalise Keating trabalhada na ruína. Ela representou o elo emocional, embora tenha sido muito difícil sentir alguma coisa concreta nesse caos extremamente oco.

 

Ninguém precisa dizer que Annalise nunca esperou terminar como, por enquanto, terminou. Afinal, ela batalha desde a S1 para limpar suas sujeiras. A esperança de ser uma boa pessoa caiu por terra com a morte de Wes. Se é que a personagem levou essa intenção a sério porque sempre me pareceu negação. Seu protegido desde os primórdios faleceu embaixo do seu nariz e o luto rebateu em vários questionamentos de um Connor sedento por mais sangue.

 

A temporada tomou seu tempo para trabalhar os picos de vulnerabilidade de Annalise. Culpa, cansaço, vício… Uma fila de todas as coisas que, provavelmente, a personagem segurou e não compartilhou por sempre se achar autossuficiente. Por sempre se achar melhor que todo mundo. Um posicionamento que caiu por terra no instante em que se deixou quebrar e queimou tudo que poderia incriminá-la. Cena maravilhosamente resgatada para adequar um ponto que, em tese, influenciou em todo o resto. Agora, Annalise está presa, com fiança negada, sem a visita de nenhum dos seus “filhos ingratos” (embora alguns a defendessem).

 

A sensação de estar sozinha e sem saída é real e a advogada encarou isso da pior maneira que não deixa de ser a melhor por ser humana. Keating está apavorada, mas, intimamente, encara tudo como um castigo. O que apoia até sua serenidade em lidar com Bonnie.

 

A pergunta é: até quando durará essa serenidade? Annalise pode estar derrubada, mas ainda temos a verdade de que essa mulher não gosta de perder.

 

Mesmo no inferno, a vida dá um jeito de realçar algo bom e o episódio não deixou de presentear uma Annalise acuada demais. Chorei com a parceira de cela contando a primeira vez que a viu. Quem nunca pensaria algo assim não é? Mesmo baixa, dual, manipuladora, falsa e etc., não tem como não chamar Keating de rainha. Isso, considerando o trabalho que exercia. Mesmo que boa parte dos seus atos viesse de falcatruas e de rasteiras, a personagem nunca se deixou rebaixar. Ouvir um rainha em tom de reconhecimento e não de massagem de ego deveria entrar na sua mente como um up na autoestima. Afinal, largar tudo na mão de Bonnie parece fácil. Não deixa de ser cômodo.

 

Annalise vem de uma desvalorização desde Sam e seu mundo foi ruindo conforme reconhecia seus erros  e retrocedia ao passado. A remodelagem para proteger Wes a todo custo caiu por terra e toda a trajetória com o garoto é o que tem pesado no momento. Um ponto que nunca esperou falhar e que acabou falhando. Dessa forma, o discurso da colega de cela deveria injetar um pouco de confiança, mas a mulher está entorpecida em seu medo e em sua vergonha. Pequenos momentos como não querer usar a privada e ficar encolhida simbolizaram tudo o que ela sente naquele cubículo. Tudo muito novo para quem nunca demonstrou tanto pavor como agora. Nem quando estava grávida.

 

Assim, deixo questões: até quando Annalise suportará não se meter na própria defesa? Até que ponto ela não criará sua própria estratégia e ministrará Bonnie? Será que ela conseguirá retornar ao cerne da sua história como a rainha que tem que ser? Tenho lá minhas dúvidas sobre essa quietude de Keating.

 

Resenha Murder - Wes e Connor

 

A soma do emocional também se deu com os retrocessos de Wes. Uma homenagem muito bonita se querem saber. Capturou maravilhosamente bem a essência empática, altruísta e solidária do personagem. Traços suprimidos desde a tramoia Rebecca e chego aqui mais frustrada. Essas nuances de Gibbins nunca vieram à tona. Justamente porque focaram demais nas tretas com os outros colegas de classe – o preconceito, o bullying, o estresse com Annalise, etc., etc., etc..

 

Cada frame destacou o que havia de bom em Wes fora da aba de Annalise. É falsidade começar a puxar o saco dele, como diria Connor, já que também faço parte do grupo que não perdia tempo em falar mal dessa criança. Walsh está aqui do meu lado querendo me julgar, mas não mentirei que Gibbins estava longe de ser fave.

 

Contudo, é inegável o quanto o corte foi injusto. Não só pela representatividade, mas porque, graças aos flashbacks, ele tinha um jeito de suavizar os outros. Um ponto de vista que, infelizmente, nunca foi e nunca será explorado. Assim, teremos que levar na bagagem o agridoce de todas as tretas e das tristezas quando o Keating 5 era Keating 5. Isso me deixa deveras chateada, especialmente quando paro para pensar que Connor poderia ter contado com Wes mesmo com as piadas desnecessárias. Por mais que Walsh o culpasse por tudo, o que sempre faltou nesse grupo foi conversa. Algo que rebateu em cheio no retrocesso que centralizou Michaela.

 

Annalise fez o favor de suprimi-los, instalou a paranoia, e qualquer chance de amizade, bem, morreu.

 

Gostei muito desses momentos que serviram para expressar o que os estagiários não conseguiam expor tanto em trejeitos quanto em palavras na rotina com Annalise. Laurel estava arrasada demais para tentar definir como se sentia com a perda, mas estava feliz com Wes. O mesmo Michaela que emendou dois golpes emocionais e reconheceu que nunca dera créditos para Gibbins. Asher acabou sendo Asher, e deixou seu temperamento entrar em cena na face de um Connor que não agiu tão diferente do quanto imaginei. Walsh estava little bitch as S1.

 

Agora imaginem que louco se esses retrocessos forem falsos. Fica a reflexão.

 

Mas não tiro o que Connor declarou sobre a hipocrisia de ligar para quem aparentemente nunca importou. As demais orações foram recompensadas com os socos naquela cara linda (a do aborto eu mesma queria quebrar aquele nariz). Fato é que os argumentos do personagem sobre Wes embasaram a questão do carma que nos norteará para um revival da S1. Com direito a Hannah Keating (e Marcia precisa fazer uma pontinha, pelo amor da Deusa, nunca pedi nada, SOS) mesmo que em lembrança. Uma hora, tudo tinha que retornar para o começo.

 

Muito se falou sobre Connor não sentir ou expressar algo sendo que este episódio deixou claríssimo que ninguém estava no juízo normal para sentir alguma coisa que refletisse certeiramente sobre a perda de Wes. Ele foi um maldito babaca, não tiro a razão de Asher em ter perdido a cabeça, mas volto a dizer o quanto todo esse ciclo maligno tem exigido demais de Walsh. E só de Walsh porque parece que os outros personagens não pensam no passado e não sofreram nenhum impacto que os façam perder o sono durante a noite. Essa falta de desenvolvimento é meio irritante.

 

Connor não é inocente, porém, é impossível não empatizar quando o mesmo fala sobre os desdobramentos da S1 com tanto desespero. Ele está quebrado, entorpecido, não digeriu nada do que ocorreu. No passado, o personagem parecia ter superado tudo, mas não. As coisas só pioram com essa realização de que o cidadão está disposto a ir preso ao ponto de botar pressão para Oliver denunciar geral. What?

 

Parece fácil fazer uma denuncia e se conformar a uma vida na cadeia, mas a situação da mãe de todos serviu de paralelo para demonstrar que não é bem assim. Adoraria que Connor passasse por um choque de realidade diante de Keating. Se livrar dessa nhaca todo mundo quer, mas pagar mil anos de prisão é um outro nível de exigência. Só sei que me partiu a cena Coliver também e temo a determinação de Oliver em proteger o ex. Esse OTP não mais OTP come meu juízo igual Bonnie e Annalise. Não tenho mais idade para sofrer dessa maneira.

 

Falando em prisão, queria acreditar que Peter e Cia. trabalhem essa nova ambientação. Não precisa ser com ricos detalhes. Basta pontuar de levinho o quanto a lei falha com mulheres negras, não importa se são culpadas ou inocentes. É uma relevância tremenda a ser discutida e nem precisa partir para a violência. Um detalhe que curti na abordagem desse novo lar de Annalise porque deixaram a situação clean, dependente apenas das emoções de uma transição difícil.

 

Nesse primeiro instante, era preciso um clima mais suave. Só assim para mostrar o impacto do novo posicionamento da personagem na trama. Seria bacana trabalhar a relação das colegas de cela, discutir o que fizeram e como o sistema atua. Mas penso que é exigir demais, principalmente porque são poucos episódios daqui por diante.

 

Concluindo

 

Resenha 3x10 - Frank

 

O episódio voltou a discutir o caráter dos personagens tendo como embasamento vários argumentos de um Connor que apertou os botões de geral. Eles são péssimas pessoas? Só pode responder essa questão quem for 100% santo. Foi um retorno low profile, sem grandes desavenças, sem salto temporal, com uma Laurel maravilhosa e um Nate que podia ter ido embora no lugar de Wes.

 

Saber que alguém finalmente pode derrubar Keating e seus protegidos me dá um pouco de vida. Além disso, saber que alguém como Oliver tem essa cartada na mão também aumentou o receio (e a felicidade) de um novo e eficaz traidor. Wes parou no meio de pagar o X9, intenção resgatada para terminar de derrubar Annalise. Penso que Gibbins foi consultá-la antes de decidir sobre algo que infelizmente custou sua vida. Agora com outro dedo-duro em ascenção, as coisas podem ser totalmente diferentes. Connor está injetando pressão porque quer que o ciclo se quebre e o ex tem um bom coração, quer compensar não sei o quê, e deixou o questionamento de até onde isso vai.

 

Tenso é que Oliver é tão bom para este mundo ao ponto de ainda ser leal ao Connor. O que a gente faz por esse rapaz? Bota no potinho e deixa lá? Não aguento vê-lo sofrer. Até esqueço do quanto o personagem também foi babaca por não ter maturidade alguma para relacionamentos. Mas ver alguém ser corrompido de graça pelo clube de Keating é de querer arrancar os olhos.

 

O episódio foi feito para assentar emoções e para preparar o terreno para os cinco que vêm aí. A pergunta de quem matou Wes não se fez tão presente, mas começou a ser alimentada a partir do momento que o personagem sai da delegacia e dá de cara com Frank. A pessoa que teve o nome repetido várias vezes por Laurel a fim de nos relembrar que esse cidadão realmente tinha tudo para dar cabo no rival. O desvio vem do fato de que Delfino confessou um assassinato que obviamente não deve ter cometido. Considerando a brincadeira da primeira parte dessa temporada, prefiro nem ousar em montar pedaços.

 

No rastro, ficaram as perguntas de quem seria a tal fonte sendo que só considerei Wes? Quem fugiu do porão no instante que Laurel chegou? E como assim Wes morreu por inalar fumaça e não antes do incêndio? É real ou Atwood deu uma forçadinha pro seu lado? Alguém o deixou lá trancaficado de propósito é isso? Será que pode começar a pensar em morte por engano? Por que para matar esse garoto o motivo tem que ser muito mais que ainda usar os Mahoney como muleta de salvação.

 

O ponto positivo é que tudo passará como um flash e temo desde já.

Stefs
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  • Stephanie

    Engraçado como que na primeira temporada fiquei viciada nessa série, até na segunda um pouco. Agora a terceira sei lá, acho que já podia acabar. Eu até gostava do Frank mas agora, ninguem merece… fiquei chocada com a morte do Wes tb. Beijo!