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09/fev

Estou à procura de palavras decentes para me expressar com relação a esses novos desdobramentos de Chicago Fire. Penso que uma das melhores partes de sentir medo sobre o que acontecerá em seguida, considerando os traumas das últimas temporadas, é que fico mais ligada que o dito normal. Ainda rola um terror toda vez que dou play no meu torrent clandestino (sendo redundante para mérito de informação), o que me garante certa dose de adrenalina. Além disso, uma dose de receio de que os roteiristas finalmente perderão a mão. Bem, sou um poço de emoções.

 

Eis que chegamos ao 12º episódio um tanto quanto ilesxs. Não direi totalmente porque a storyline do Severide tem servido de lembrete de que nem tudo pode ser perfeito. Porém, essa foi uma semana muito superior por ter dado uma lição de construção de trama sem precisar se apoiar em drama interpessoal. Nem eu acredito que um milagre desses aconteceu, sad but true.

 

Essa semana de Chicago Fire emendou a ponta solta do episódio anterior: o homem que desapareceu dos olhos de um Casey que tivera que escolher “quem vive e quem morre”. Uma situação que não escondeu o intuito de ter uma continuação e não demorou a se tornar caso de polícia. Eddie foi solto como isca nos minutos iniciais e a partir daí houve o moldar da narrativa em cima de cada chamado. Soma que engrandeceu a expectativa do que viria a seguir.

 

Algo que não foi difícil enraizar quando o inimigo da vez se tratava de um humano em forma de bomba com grande gosto por armas de fogo. Um perigo iminente às escuras. Irrastreável o bastante para tornar o 51º Batalhão em um próprio centro de investigação. Ideia essa que reuniu os personagens dentro da mesma situação e reforçou o senso de team work. Uma situação que não deixou de ser peculiar e, para minha própria surpresa, conseguiu alterar com eficácia uma parte da rotina sempre tão “mais do mesmo” dos bombeiros. Fazê-los trabalhar em busca de uma identificação da ameaça à espreita conferiu a sensação pulsante de que a tragédia eclodiria em um piscar de olhos. Quando todo mundo estivesse de baixa guarda.

 

Mas foi impossível manter a guarda abaixada. Essa ideia de tornar o Batalhão em um centro de investigação pontuou uma preoupação geral e foi uma das minhas partes favoritas. Agregou valor à trama, especialmente por ter dispensado uma participação mais efetiva de Chicago P.D.. Algo que chama a atenção para algo nas entrelinhas: de maneira esquisita, e que pode não ser intencional, Chicago Fire está independente. A temporada continua excelente, esticando as storylines que interessam, mas é no meio das manas, especialmente da do meio, que rola uma mãozinha no ar sinalizando que aqui ninguém se mete. Não mentirei, acho ótimo, mas sabemos que a turma do Batalhão é mais usada que não sei o quê pra promover quem não merece…

 

Se é de propósito, não sei, mas é uma iniciativa até que muito boa visto que Chicago Justice logo estreia. A mana que ninguém pediu e que Chicago P.D. servirá mais de muleta dessa vez. Sabemos perfeitamente o que acontece quando uma criança nova dessa franquia nasce – atenção demais para o lançamento e descaso com as outras. Se Fire quer ficar sozinha, não me oponho.

 

Por mais que a presença de Jay tenha sido crucial em alguns aspectos desse episódio, nada foi mais valioso que ver os bombeiros trabalharem em conjunto a fim de resolver um problema em comum. Boden simplesmente roubou a trama para o seu grupo, deixando Halstead de escanteio e amei isso sim. Eddie marcou o 51º Batalhão, sem distinção. Quem estivesse com Casey nos resgates, cairia em qualquer armadilha de graça. Como sempre, a chefia representou o pilar essencial para não deixar ninguém ser tragado rumo a um inimigo que agiu como uma total sombra. Inclusive, para esclarecer que essa problemática era da sua família e de ninguém mais.

 

Outro ponto positivo em meio ao único conflito da semana foi as pinceladas de suspense e de tensão por meio de diálogos-chave que funcionaram como uma prévia do que poderia ou não acontecer. Carly e o falso Eddie foram sinais de alerta completo sobre o que possivelmente estaria por vir. A todo instante, e depois do chamado da ambulância, o roteiro brincou com essa de ser cilada ou não, o que rendeu outro instante maravilhoso de decisão nesse team work que poderia sim ter perdido a força no meio do caminho com apenas um aceno dos Tenentes.

 

Vê-los juntos, marchando para o que poderia ser o último dia de suas vidas, parando diante desses prédios de Chicago que sempre me relembram o traumatizante episódio que custou Shay, foi de perder o fôlego várias vezes. Obviamente que nada se comparou ao resgate conclusivo, em que Kidd e Casey ficaram na saia justa. Um aceno para o 5×11, já que ambos acarretaram a ira de Eddie. Um direta e outro indiretamente. A parceria desses dois me deixou tombada e Stella é tão badass que não me aguento. Nessas horas que vemos que a vida desses profissionais nem a eles pertence de tantas rasteiras por segundo. Uma bala do revólver do vilão da vez poderia ter sido deveras fatal.

 

Dawsey Rise

 

Resenha Chicago Fire - Dawsey

 

Sem acarretar quebra do ritmo minucioso da trama, lá estava Dawsey honrando a ideia de rasteiras. Amo quando rola esse casamento perfeito em forma de paralelos.

 

Na resenha do 5×11, comentei que a aliança se saiu como lembrete de que só há eles agora depois da partida de Louie (saudade) e que ambos precisam ser mais fortes do que nunca. Além disso, o acessório se saiu como uma forma de sinalizar que não há instante perfeito para fazer o que precisa ser feito. Nisso, Kidd disse algo maravilhoso nesse episódio, “todos os dias é um dia”, o que calha nas questões de adiamento. Queria adotar esse pensamento para a vida, mas sou procrastinadora! Mas valeu o incentivo, Stella, mesmo que tenha sido para Severide.

 

O casamento Dawsey foi o assunto mais debatido da S3. Por pouco, esse episódio não criou um paralelo com o 3×11 que marcou o “término” desse relacionamento. Ao contrário dessa temporada citada, essa resgatou o casal do tártaro. Teve que tirar a poeira, reformar e restaurar. Isso só foi possível porque voltaram a focar no que estava faltando há tempos em Chicago Fire: construção de personagem.

 

(construção de personagem: oi, Chicago P.D., tudo bom?)

 

Foi preciso refazer o trajeto a fim de engatar novamente a essência da S1-S2. Literalmente, foi um reboot, porque tudo que vi entre as S3-S4 foram histórias aleatórias que só serviram para afundar Dawsey. Resultado? Deixou a impressão de que seria impossível reinventá-los. Melhor coisa da minha vida foi não acreditar no poder da adoção porque de vez em quando é bom tomar um tapa.

 

Dawson e Casey empacaram seriamente no arco S3-S4 e contaram com histórias, se é que se pode chamar de histórias, sem aprofundamento. Louie foi tipo uma cartada de mestre que resgatou a dupla de um jeito que ainda acho meio inacreditável depois de tanto fiasco de plot. Ambos passaram pela fase crítica de queimação de etapa no que chamam de auge do shipper. Sendo que continuarei a defender que o auge é agora porque ambos seguiram seus trajetos naturalmente. Há 2 anos, deram um monte de coisa para Dawsey lidar e não se lidou com absolutamente nada. Agora, não perderam o controle e relembraram da palavra mágica chamada prioridade para chegar aonde chegamos.

 

A aliança retornou na melhor época Dawsey. Melhor ao ponto de nem ter parecido golpe de publicidade enganosa (porque foi assim que me senti na S3). Depois de 84 anos, com direito a um discurso maravilhoso de Casey, o OTP está seguro e nos conformes.

 

Até quando?

 

Os demais

 

Resenha Chicago Fire - Severide

 

Como mencionei, o episódio não se garantiu nos assuntos pessoais, mas isso não quer dizer que não estavam presentes. Continuo a revirar os olhos cinquenta vezes com esse plot de Severide e os revirei mais cinquenta vezes ao sacar que a promoção dele é ponte para Anna. O cara não consegue mesmo nada por mérito, né? Nossa é irritante porque nem decidir por conta própria o cidadão parece ser capaz. Uma linda promoção, pena que a aceitação virá por outro motivo.

 

Mas o que rolou com Severide não chega nem perto de Laura e de Antonio. Tinham que ser personagens de Chicago P.D., não é mesmo? Entrando em Fire com uma descaracterização tão descarada que nem consigo mais torcer por Brettonio (e ainda acho que o ship relâmpago é para promover Justice). Fiquei horrorizada com a atitude da ainda Sra. Dawson, mulher que sofreu reescrita na mencionada série para fazer do próprio Dawson a maior vítima da vila.

 

Fã, mas não trouxa!

 

Além de ser agora a dita mulher interesseira, Laura agora tem machismo internalizado. What a conveniência! Não que ache absurdo, feliz ou infelizmente ainda há mulheres assim, mas exageraram feio. Para piorar, Antonio dizendo bobagens para Brett e eu só meme do Gavin.

 

Sei que todo casal tem que ter seu atrito, mas está aí um relacionamento da S1 de CPD que morreu e nunca mais se ouviu falar. Agora, querem mesmo que eu acredite que Laura se tornou essa pessoa? Que realmente a tornaram um Kraken para rebaixar Brett? Sendo que ambas nunca precisaram de uma coisa dessas para se sentirem valorizadas? Que Dawson é tão vítima assim? “Ata”!

 

Não menos importante, ver Casey com Severide sendo adolescentes, tramando com a aliança, me deu vida. A reunião no Molly’s então nem se fala, com direito aqueles corações bregas Dawsey, aff, como lidar?

 

Concluindo

 

Gostaria de ter mais o que dizer, mas o roteiro não deu chance de tão estreito e intencional que foi. Em suma, um episódio serviu de ponte para outro, o que deveria acontecer com mais frequência. Não direto porque enjoa, mas a investida dá um apoio para anular a encheção de linguiça.

 

Eddie tomou para si todos os cantos possíveis do roteiro e desencadeou uma história sem brechas. Um milagre que acontece a cada duas temporadas. O vilãozinho inseriu urgência, pediu pensamento rápido e, mesmo sendo o cerne, desenvolveu várias coisas ao mesmo tempo. Ainda estou chocada com a precisão dos fatos. Uma pena que não posso me dar o direito de descalçar os sapatos porque esses roteiristas devem estar no aguardo da reviravolta carpada regada de anger.

 

Stefs
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