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24/fev

There’s no place like home, diz a matéria. Às vezes, aprendemos o significado desse clichê na raça e foi exatamente isso que aconteceu nesse episódio de Chicago Fire. Um episódio que não contou com absolutamente nada a não ser uma ótima edição e uma ótima narrativa. E quando digo nada é meramente porque os resgates foram omissos e não houve atrito extra para turbinar a trama.

 

Não menos importante, o episódio contou mais do que nunca com seus personagens. A tríade + Boden assumiram o pilar essencial para não deixar a investida de Anderson causar um estrago ainda maior no 51º enquanto os demais passeavam. Um passeio que regou a semana de animosidade vs. emoções à flor da pele, já que alguns “aceitaram” o desafio e outros botaram a boca no trombone. Haja frustração!

 

O episódio abriu com a breve transição em lugares diferentes e com climas diferentes. Aqueles que se distanciaram do centro do 51º me fizeram lembrar do primeiro dia de aula em que você vai lá conferir as listas de chamada para checar se seus amigos da turma anterior caíram na mesma sala. Brett e Kidd. Herrmann e Mouch. Capp e Cruz. Otis castigado em ficar sozinho. Escolha de duplas que teve a missão de mostrar os atalhos da mesma profissão em pontos de vista alternados. Afinal, não é só a mangueira que esse povo segura (entendam como quiser, risos). Na soleira, Casey, Dawson e Severide foram os representantes de sala e Boden o diretor que não mostrou os dentes um minuto sequer diante dessa tramoia assinada com sucesso por Anderson.

 

Uma tramoia que provou seu frescor e que deixou a escolinha do Boden em perfeito caos. Os alunos retirados do cerne queriam estar com os mesmos amigos de classe; enquanto o diretor tentava atender aos pedidos de nova transferência, mas estava sendo barrado por um dito diretor acima dele; e os representantes queriam soluções backup para o mesmo impasse. Um correndo atrás do rabo do outro, literalmente.

 

Não houve nenhum atrito imponente nessa semana de Chicago Fire, a não ser Boden vs. Jim (em parcos momentos) e o último chamado. Dois pontos que não foram o foco. O intento foi mostrar como cada personagem se posicionaria em seu novo habitat. Um habitat dito permanente porque até o último minuto a chefia do 51º esteve com as mãos atadas. Conforme as “aulas” começavam, as mais variadas emoções se apresentaram e elas seguraram o episódio nessa certeza/incerteza de que o grupo não se reuniria novamente. Digo certeza/incerteza porque era óbvio de que se tratava de uma experiência de um dia.

 

Resenha Chicago Fire - Missy

 

Ao contrário de investidas vistas na S3/S4, esse revés de Anderson conseguiu ser marcante à sua maneira. Em um sopro, o cara criou um redemoinho em cima de uma proposta diferente. A construção de trama não ficou meia-boca como visto, por exemplo, na transferência de Dawson durante o início de seu arco como bombeira. Na medida do possível, trouxeram variadas facetas, especialmente dos líderes que rebateram no argumento perfeito de Kidd: a casa é o reflexo do seu chefe – e confesso que me perguntei o por quê diabos não temos uma boss as Chief. Eu mesma, a iludida.

 

Pode-se tirar várias semelhanças nesse troca-troca e uma delas foi a questão de validação. Como todo primeiro dia de aula, você quer se encaixar. A diferença crucial aqui é que os criados no 51º conquistaram sua independência e possuem uma superioridade muito enraizada. Além disso, possuem um treinamento melhor e mais energia. Justamente porque Boden os educou para dar o sangue e para não fazer corpo mole.

 

Para confrontar isso, tivemos Tipton que me fez lembrar da turma de Welch que não perdeu a chance de zoar Dawson do jeito mais machista possível. Nesse Batalhão, outro tema atrelado ao validar foi ser humilhado para subir. As tais pegadinhas com novatos que, dependendo do caso, não passan de bullying. Olar, Pridgen!

 

Missy se tornou o cerne desse pequeno plot que irradiou em uma Kidd que, amém, contou um pouco mais da sua história. Uma história de tanta pertinência que me fez recordar da Jones. Não deveria ser surpresa ver esse tipo de trabalho massacrar mulheres, mas é incômodo ver uma coisa dessas. Chicago Fire pode estar bem agora, mas não muda tanto a narrativa quanto às suas personagens. Por isso reações como as de Stella são preciosas por serem raras. Cada episódio que passa só me apaixono por essa mulher. Precisa ser mais valorizada.

 

Enquanto alguns tentavam se encaixar para sobreviver às novas tarefas, outros preferiram ser os rebeldes da turma. Herrmann e Mouch, os próprios. Que cena foi aquela na sala do Boden? Cuspi arco-íris! Adoro quando personagem perde a cabeça e míngua a típica caracterização.

 

Herrmann largou o posto de apaziguador-pai-de-família para liderar o The Voice Boden ao apertar todos os botões da chefia. De graça, lançar injustiças movidas pelo estresse da situação. Necessário mesmo alguém desse time mostrar um pouco das suas “true colors” porque seria surreal geral manter a cabeça baixa. Embora Severide e Casey tenham praticamente assumido um outro tipo possível de solução, uma pessoa dessa turma tinha que cutucar as feridas. E foi logo o mais influente. Arrepiei-me todinha com a breve treta. Quando Wallace aumenta a voz, só quero ir para o meu canto fingir que não existo.

 

Foi muito pertinente ver quem ainda jogava um pouco a solução nas costas da chefia enquanto outros realmente tentavam focar no tempo atual. Como Severide e a decisão adiada para ajudar sua família e Dawson que serviu de um ótimo alívio cômico com Chout. Ri horrores!

 

A mencionada discussão com Herrmann arrematou as mais variantes e oscilantes emoções que se encontraram em outro ponto de semelhança: insatisfação. Insatisfação que pode ter pesado em todos, mas não tanto quanto em Boden. O cara que sempre tudo resolve e que dessa vez não resolveu nada. Literalmente, o Chief do 51º se viu no famoso à espera de um milagre. E um milagre lindo foi dado. Aos meus olhos, esse resgate foi o melhor da temporada até então. O pânico no rosto do boss moveu o inferno dentro de mim, verdade seja dita.

 

Resenha Chicago Fire - Boden

 

O tempo que seguraram entre Boden e Otis nessa cena foi excruciante. Mesmo que uma parte do cérebro dissesse que nunca matariam logo a chefia, acreditei que matariam a chefia. O pânico foi real e a sensação de beco sem saída foi latente. Criaram um clima breve de desesperança tão efetivo que a surpresa de alguém surgir para salvar o rolê rendeu mais choque que alívio.

 

Esse resgate funcionou como um reencontro no acampamento e nada como mais de 10 minutos para uma situação transcorrer sem deixar aquela sensação de “só isso?”. Enquanto tudo que se falava e se compartilhava era sobre angústia e diferença, lá naquele hotel tais coisas caíram por terra. Todos atenderam ao mesmo pilar e circularam para os desafios que haviam atrás de cada porta. Sem distinção.

 

É nesse gramado que as tretas costumam se dissolver e dissolveram com sucesso ao longo de um team effort entre os Batalhões mencionados nessa troca de tarefa. Foi o auge do episódio que mostrou com efetividade qual era o intento do roteiro.

 

Otis ficou sozinho nessa separação e teve que encontrar a validação por conta própria no posto que lhe foi designado. Fossem aquelas histórias verdadeiras ou não, desde os primórdios esse personagem encontra nas narrativas a sensação de pertencer a algo maior. Especialmente porque é um avulso escorado. Afastado dos amigos, só houve o lembrete de que esse bombeiro foi esquecido na fila do desenvolvimento, mas pelo menos, e às vezes, fazem de seus ímpetos atos heroicos. Nunca daria um final gracioso para esse jovem. Só a surpresa regada de puro instinto!

 

Não importa onde e como, todos exercem o mesmo tipo de trabalho. Essa é a mensagem. O que difere é a força de vontade tanto de quem manda tanto de quem obedece. Há treinamento, formação, mas, como visto nos membros temporários que caíram no 51º, é preciso de esforço. Não é apenas sobre a busca de um lugar permanente. É também sobre o que se põe na mesa. Há quem tenha o pique de Casey. Há quem não.

 

Imaginem se fosse um dos caras sem experiência na hora da explosão de Tipton? O que destaca Missy de novo, que queria fazer parte daquilo, sendo o principal reflexo dessa profissão. Tem que engolir muita nhaca? Tem sim, mas tem que mostrar pulso firme.

 

Ao dividir a turma, cada um precisou encontrar um jeito de mostrar seus respectivos valores diante de um chefe novo e de um time apático. Missy foi espelho de Kidd e ambas entraram em comum acordo de que desistir quando tudo está ruim não é uma opção. Ainda mais por ser mulher. Uma precisava acreditar e esse acreditar rebateu nas outras duas que poderiam apenas acatar com o tipo de rotina do Batalhão do qual foram designadas. O mesmo valeu para Otis que poderia manter as narrativas, mas sua diferença veio ao mostrar que não é apenas figurante (embora seja avulso demais da conta).

 

Além do poder da chefia, o episódio ensinou que o ambiente também depende das pessoas. E é por isso que o 51º Batalhão é filho único.

 

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Fire - grupo

 

Apesar desse climinha escolar, a moral geral foi: fazer as coisas pelo bem e com caráter. Boden tem um jeito único para se fazer ouvido. É inexplicável, mas quando há altivez não tem o que discutir. Anderson partiu de um ponto negativo para incitar o caos. Pode não ter sido pela ganância como Pridgen, mas foi pela maldade e pelo prazer pessoal. Quando o ser humano parte disso para conquistar suas coisas, é de se esperar que tal plano, seja qual for, caia por terra em breve. E caiu bonito.

 

Foi um tanto exagerado intitular esse episódio de Purgatório. Porém, quem é que gosta de mudar de posto para um mais baixo que o atual? Quem é que gosta de mudanças tão bruscas quando se está há anos no mesmo trabalho? Para essas questões, purgatório é uma ótima definição, mas só Herrmann conseguiu deixar essa impressão transparente. Anderson ficou omisso, um milagre visto que esse tipo de antagonista sempre está à espreita, e Boden serviu de plano de fundo de uma angústia que acabou recompensada de uma forma muito emocionante e querida.

 

Falei na semana passada que tramas assim não tendem a funcionar em Chicago Fire. Ao menos, no reflexo S3/S4. Jim era mais do mesmo e ressaltou um Batalhão mimado. A praxe. Contudo, atingiram uma diferença graças ao tipo de viés. Anderson era o mais do mesmo, mas seu propósito meio que salvou a construção dessa continuidade de trama. Mesmo ausente, o cidadão escancarou emoções que se esticaram até na pausa do expediente. Passaram-se vários dias em um episódio e o antagonista conseguiu manter o caldeirão borbulhando só por reconhecimento de seu poder.

 

Amei todos os episódios até aqui. Tenho falado disso desde o 5×04, salvo engano. Porém, esse entrou no meu suprassumo de favoritos por: tamanho poder de influência emocional; pela mensagem e pela moral; pelo trabalho de edição e pela fotografia. O tanto que trouxeram dos personagens em curto espaço de tempo, o quanto exploraram a narrativa dentro de diferentes problemáticas de um Batalhão a outro, o quanto ornaram o papo de que o ambiente de trabalho reflete em quem o comanda, me fez agradecer pelo antagonista. Obrigada, dude! Não tenho palavras para esse samba que rendeu mais uma ótima semana em Chicago Fire.

 

Boden nunca falha quando despeja confiança alheia. E ele nunca esteve tão certo em não se deixar afetar tanto para que esse sentimento tão crucial para a série esmorecesse.

Stefs
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