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16/fev

Isso que eu chamo de mudança rápida, desconcertante e conturbada quanto ao foco de trama em Chicago Fire. Há 12 episódios, estava aqui em minha nobre residência suspirando por Dawsey e pelas excelentes amarrações de roteiro mais conhecidas como “boas demais para serem verdadeiras”. Houve a introdução de um novo arco e isso não veio de graça. Senti-me empurrada a força na direção desse antagonista, um tal de Anderson que deixou a impressão de que será difícil engoli-lo. E quem não era quando desempenhava o papel de ir contra o Batalhão?

 

O início desse novo arco de Chicago Fire se deu de um jeito um tanto quanto estranho, para não dizer um tanto quanto perturbador. Por meio de um desconhecido, se assentou a discussão sobre caráter e prestar ajuda sem julgamentos. Herrmann sapateou nessa história para provar um ponto que calhou de ser a temática do episódio: o que é ser um bombeiro? Praticamente, o personagem doou dinheiro não só pelo seu coração enorme, mas devido ao reflexo da sua profissão. Algo que não conseguiria fazer visto o tipo de abordagem. Tremi mesmo! Nem as palavras sábias do paizão da série foram o bastante para me acalmar. Foi um começo tão anormal e nem digo na maldade. E não saberei explicar, mas resumo em traumas feat. foi invasivo pra caramba! Desculpa, dude!

 

Herrmann e Greg na calada da noite inflou o início do episódio de tensão e percebi o quanto de tempo não ficava na defensiva com algo em Chicago Fire. A burrice desse cidadão em contar dinheiro com a porta do bar aberta fez meu sangue bater na testa. Em contrapartida, não é a primeira vez que alguém X surge na frente de alguém Y do Batalhão, mas fui extremamente afetada com essa abordagem. Por ter sido afetada, essa isca ficou comigo no transcorrer dos novos desdobramentos da temporada. Cada pausa de bloco só pensava no cara.

 

Fiquei apreensiva e esperei o tiro. Afinal, Chicago não é uma cidade confiável considerando as vias que as séries são filmadas. Em cada chamado procurei o rostinho de Greg porque me agarrei no pior. Nem mesmo o caos engatado por Boden serviu de borracha para proporcionar um esquecimento ao que ocorrera no Molly’s antes do expediente. Só queria saber no que tinha dado com esse cidadão e as piadas de Otis não ajudaram muito.

 

Um referido caos instalado no primeiro chamado com apenas um bater de frente entre chefias. Ato que apresentou o não tão repaginado viés da temporada, mas que desencadeou com sucesso muito estresse e muitas reviradas de olhos. Anderson só não é mais infantil porque Pridgen existiu, fatos reais. E seria possível superar Pridgen, gente (é sim, mas deixa eu ser tonta)? Nunca esquecerei da cena do boliche, juro!

 

Por essas e outras que não senti a menor falta de histórias com esse tipo de agentes provocadores. Todos são embasados na mesma fórmula. Contudo, a reviravolta final acarretada por Anderson me fez dar uma segurada de bola e lhe oferecer uma olhadela mais atenta. Apesar de ser uma caracterização mais do mesmo intencionada a fazer mais do mesmo, finalmente alguém tomou partido para separar essa turma. Querendo ou não, uma panelinha criadinha a leite ninho. Alguém parou de bater boca para finalmente agir e isso vale 5 estrelas.

 

Amo o Batalhão e as pessoas que lá habitam, mas me foi um tanto quanto inevitável não dar uma gargalhadinha pelo tapão fulminante, mas mais em reflexo de CPD. A mana do meio que ainda quer que eu acredite que os detetives e afins são imaculados. Imaculados só em Game of Thrones, alguém avisa (e nem tão imaculados assim porque muita dor e sofrimento)!

 

Fato é que fiquei tombadíssima com a reviravolta. No último chamado, Anderson deu a entender que finalmente sossegaria, mas lá foi ele ser a falsa. Nunca pensei que ainda estaria com Chicago Fire na grade para acompanhar esse desmembrar – claramente temporário. Valeu a inserção do personagem, mas já podem cancelá-lo.

 

Resenha Chicago Fire - Boden e Anderson

 

Toda vez que aparece um Jim, me lembro do quanto alguns homens são piores que algumas mulheres quando têm o ego ferido. Homem passa por um retrocesso mental inacreditável e esse novo antagonista agiu como se tivesse 11 anos. Insegurança move demais essas chefias e não acho isso muito coerente. Considerando que geral ali é calejado, ao menos se pensarmos no topo da hierarquia, o máximo aceito é ambição desenfreada. Algo que movia Pridgen, sinalizando que passa ano e entra ano, o ambiente não deixa de ser competitivo. Anderson foi lá mexer em quem tá quieto e liberou uns diálogos que me fizeram perguntar como Boden ainda aguenta. Pelo menos, a atuação do cara foi de tirar qualquer um do eixo. Aquele arregalar de olhos de quem tá pra maldade, man!

 

Anderson é o cara magoado, inseguro, blá, blá, blá, nada novo, mas resultou um drástico divisor de águas. O tenso é que se trata de um viés encheção de linguiça, mas que, aparentemente, será melhor em comparação aos trazidos pelo time de recalcados de Boden. Esse cenário deve ter curtíssimo prazo de validade, o que tende a abrir Chicago Fire para a fase de picotagem. Simplesmente pela verdade de que os roteiristas nem conseguem manter romance entre as manas, quem dirá segurar com maestria mais de 5 personagens divididos em vários Batalhões.

 

Quando digo picotagem, faço referência a um episódio como esse. Embora tenha sido mais uma semana poderosa para Chicago Fire, que demonstrou que os roteiristas conseguem manter a qualidade sem deixar tudo nas costas de Dawsey, o roteiro estava tipicamente esparso. Não havia uma storyline mais longa a ser desdobrada e tiveram que rebolar. Por ser um reinício, Jim veio para segurar as pontas e são essas pontas que costumam render péssimos nós. Depois de 12 episódios, ver a série retomar um velho hábito pode ser ou eficaz, já que estão inspirados em fazer as coisas funcionarem, ou drásticas, o que culminará em uma sequência sem um pingo de aprofundamento.

 

A impressão que ficou sobre Jim é que ele consegue ser visceral e não hesita. O personagem apertou vários nervos com frases curtas, mas intencionais. Nem precisou ser uma criança, embora tenha tomado ações dessa estirpe por ter sido supostamente rebaixado. Confesso que o tom de Boden no primeiro chamado foi meio rude, mas não o bastante para o cidadão recorrer a medidas drásticas. Fiquei meio ué, mas ainda defendo a iniciativa. Rendeu uma semana transformadora.

 

O medo com a inserção desse Jim vem do que já citei: picotagem. É aquele momento de apertar o cinto da calça porque esse personagem não será duradouro. Com isso, é fácil prever o que vem a seguir, um monte de inserção que pode ou não ser benéfica. Por enquanto, não tenho nenhum adendo negativo a se fazer porque o roteiro desse episódio casou muito bem com o tema. Não teve Dawsey, mas foi possível apurar o intuito da alteração da narrativa, mesmo que tenha sido um tanto quanto a força – por assim dizer.

 

A mensagem de que ninguém está bem e seguro foi recebida com sucesso. Só resta a roda de oração!

 

Os demais

 

Resenha Chicago Fire - Brett

 

Não sei se gosto desse caminho que Brett está seguindo. Tudo bem ter o coração partido, não reagir bem, maltratar as pessoas e ter dezenas de crises de insegurança porque o relacionamento falhou. Porém, e particularmente, foi exagerado demais. Além disso, chato porque a paramédica está sem storyline que preste há um bom tempo. Tudo que ela contou até aqui envolve homem – Cruz, Otis e agora Antonio. Engraçadinha as atitudes dela, não nego, mas centralizá-la de novo nesse mesmo tipo de historinha é igual Severide e seus vários nada desde que Shay morreu.

 

Pior que no chamado da ambulância me colocam o que me pareceu ser uma garota de programa para refletir que homem é uma porcaria. WTF? Tanta situação para criar, tanta forma de lidar, e vem nosso machismo de cada dia feat. redução de personagem por causa de macho. Tendência cada vez mais forte e já peço que parem antes de Justice estrear.

 

Severide pode não ter feito nada, mas serviu de plano de fundo junto com os resgates para manter viva a discussão sobre a profissão. Entre a treta de chefias que, indiretamente, pode afetar a decisão do Tenente, conhecemos o suposto novo trabalho. Lá estava ele, todo gracinha, achando que vai mesmo sair do 51º e ser feliz com Anna. Destaco o instante com Casey, em que ambos tagarelam brevemente sobre o futuro. Um futuro que entrou em jogo pelos olhos de Boden.

 

Deu para sentir o vácuo da tristeza de Dawsey. É o dito bom nível e dizer essas coisas me deixa no papel de trouxa. Sei que serei traída a qualquer instante. Enfim, o episódio funcionou sem a presença constante do casal, e até da storyline de Severide. Senti saudade das lágrimas, mas eles estavam ali, no cantinho, sendo adoráveis. Ugh! A cena de Casey vendo o jogo e Gabby querendo ajuda para Brett = litros de gargalhadas. Ainda continua aquele receio de que essa leveza conquistada desaparecerá, mas está ótimo aproveitar enquanto está tudo bem.

 

Não tenho palavras para Herrmann. Nunca há palavras para Herrmann essa que é a verdade. A cena na escola apenas fortaleceu sua atitude inicial com Greg e que foi motivo de chacota. Além disso, serviu de apoio para refletir sobre uma profissão que tem que salvar as pessoas e fim.

 

A resolução da isca Greg me roubou lágrimas. Foi de se admirar que inseriram sutilmente tal erva daninha que se esticou invisivelmente pela trama. Nossa, a espera por uma tragédia serviu de combustível para uma explosão emocional. Uma boa jogada para omitir uma ação lindíssima.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Fire - Greg

 

A sensação de personagens esparsos pode ganhar um desconto dessa vez porque Dawsey deu uma freada e os demais precisavam de atenção. Souberam dividir o tema da semana, reforçado com discussões na rotina, na nova “problemática” de Severide e nas atitudes de Herrmann. Soma que rendeu diálogos poderosos e que contribuíram também para sustentar a trama. Engataram um low profile que deu certo pelo foco intimista e emocional que abraçou os membros do Batalhão.

 

Há um fato que continua inalterável nessa temporada de Chicago Fire: a escrita densa e um tanto mais aprofundada. Desde que a S5 começou, tudo que sinto é o empenho em criar histórias que tomam conta da gente. Algo costumeiro lá no início da série. Greg foi uma pincelada sutil que agiu como sombra até engatar uma conclusão belíssima. O mesmo vale para o arrematar do tema profissão na visita na escola e em Severide no Batalhão em Springfield. Embora exista esse medo do descarrilar da carruagem com mais afinco agora, eis mais uma semana fácil de entrar e difícil de sair.

 

Do amor Dawsey que chega a atingir como se não fosse ficção, agora temos esse grupo de personagens que será repartido por péssimas intenções alheias. É como anunciar que toda a família será dividida enquanto o Titanic afunda. Você treme junto e se preocupa, algo que, definitivamente, não estava rolando nas duas temporadas passadas.

 

Muito lindo, completinho, intenso, estressante, incômodo, mas o novo investimento reacendeu o alerta vermelho. Nada como criar um personagem maligno para preencher espaço até o crossover. Diante de um vácuo deixado por Dawsey, temos um repeteco e, ao menos por enquanto, o cidadão só aparenta ser o tipão mais do mesmo. A trama exigia algo novo e ganhamos algo não tão novo em forma de um agente provocador que fez escola com Pridgen. Fato é que esse antagonista é saída de emergência para cobrir o tempo até o dia 1 de março (e já quero morrer!).

 

No fim, o episódio ensinou que tal carreira nem sempre é boa, como Boden mostrou na companhia de Jim, e nem sempre ruim, como Severide mostrou como se fosse um sonho a ser concretizado. Mas tudo resultou na mesma transformação de carreira. Algo que os roteiristas sempre ameaçam mexer, mexeram. Severide basicamente foi uma indireta que resultou em um choque geral que muito me interessa.

 

Seguimos…

Stefs
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