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21/fev

Sou um ser humano, declarou Kellogg em plenos pulmões. Não faz muito tempo que comentei em determinadas resenhas de Chicago Med o quanto o ser humano, às vezes, não vale muita coisa. A vida em si não tem valido muita coisa se pensarmos no âmbito tragédia. Algo que pode ser visto a torto e a direito na ficção médica. Ao pensar nisso, mais uma semana se iniciou para essa turma, reflexiva nesse tópico. Fomos norteados para um Jogos Vorazes, um dia que combina com sangue frio. Não repetiria o que Rhodes comentou para Latham sobre sentir inveja de seu autismo, mas, ampliando mais essa resolução, não tem como não invejar uma pessoa que atinge um resfriamento emocional para se distanciar de uma catástrofe que colocou profissional contra profissional para julgar qual ser humano viveria no fim do expediente. Sem nenhum diagnóstico mais apurado.

 

Esse episódio foi uma experiência semelhante a andar de trem: você só é testemunha enquanto tudo passa rapidamente, sem critério. Por não haver critério, muita coisa se perde. E por muita coisa se perder, só resta o caos. Não houve caos porque Maggie representou a voz de ordem no hospital, mas não significa que não houve caos emocional. A enfermeira foi o engatilhar para organizar médicos/pacientes enquanto Latham decidia em quem puxar o gatilho. Foi um dia difícil de se acompanhar quando se pensa sobre o valor do ser humano. Além disso, o quanto é injusto pra caramba você precisar de atendimento, não interessando suas chances, e não contar com o tratamento necessário.

 

Todos quicaram entre alas com os mais diversos pacientes, mas, no fim, nada aliviou aquela sensação da pessoa de humanas que dá os parabéns para quem encara essa profissão. Por essas e outras que sou pura Reese. Eu teria dado riot nesse lugar!

 

Choi foi o único elo emocional potente e que contrastou com as decisões de Rhodes – porta-voz de Latham. A situação do Mr. Winter esbagaçou o coração. Ele foi o principal representante dessa questão de quanto vale o ser humano, pois, diante do diagnóstico que não sobreviveria, a ordem foi deixá-lo padecer. Algo que rebateu fortemente na situação do garotinho que tinha as ditas menores chances de sobreviver. Ambos os casos representaram a pertinência que, para aquele momento, não possuíam. E isso foi esmagador porque a sorte, tanto para um ter um final decente e outro não falecer antes do proposto, foi o que lhes sobrou.

 

E isso é injusto, mas não tinha muito o que fazer. Sensação transmitida com perfeição por Choi que só queria oferecer o último desejo ao Mr. Winter, mas sem sucesso. O homem não era prioridade e, na retirada final do respirador, queria socar a cara de Rhodes, mas só porque sim já que nem tinha motivo – como o nada adorável ego desse senhor que amém ficou guardado no armário.

 

Resenha Chicago Med - grupo

 

O que me faz comentar o quanto tais situações se traduziram em mãos atadas. Dessa vez, não tem como julgar ninguém. Só restou guardar o tamanco e esperar o dia acabar. Por essas e outras que muito me admirou a baixa quantidade de tretas entre médicos, atendentes e afins. O ambiente estava propício. Houve as farpas em um nível econômico, mas a sutilidade não impediu que cada cutucada ganhasse uma proporção maior devido à rotina da qual se encontravam.

 

Por se tratar de uma mesma ocorrência, os atendimentos nasceram conectados entre si, mas pareceu que não estavam. Pela locomoção dos personagens ter sido maior, se chega a conclusão que o episódio foi mais para a turma que para os pacientes. O que não deixa de ser bom, pois cada reação, boa ou má, contribuiu para esse conflito de qual vida valia mais a pena.

 

Tema que refletiu também na verdade de que esses profissionais estudam para salvar. O que me faz até lembrar de Herrmann e seu discurso de “não importa a quem”. Nesse dia, “importava a quem”. Maggie exerceu um papel predominante, sempre rainha, mas se não tivesse um cara como Latham as coisas descambariam. Vi perfeitamente as chances de Rhodes e Choi saírem nos socos.

 

Latham foi o martelo e meio que torci o nariz para a afirmação de Rhodes no final do episódio. Óbvio que foi impossível não incutir o autismo do médico a cada decisão tomada. O homem está em curso para aderir emoções, especialmente a empatia, que nunca sentira antes. O ponto positivo que se pode tirar daqui é que não é todo mundo que sabe desse impasse, então, o que foi mostrado seria julgado como comportamentos habituais desse personagem. Escolhas clínicas, distantes, coesas mesmo que fosse ruim demais da conta a ideia de perder até uma criança.

 

Enquanto determinava quem vivia, Latham nem chegou perto da tangente em refletir o quanto valia o ser humano. O médico não teve tempo de se conectar às suas emoções, como Rhodes questionou com jeitinho em uma das pausas dos atendimentos. Nada do que rolava o abateu, não porque assim quis. Não deixou de ser admirável sua compostura se apagarmos o que sabemos sobre sua pessoa. Por isso achei meio infeliz Rhodes dizer que o invejava pelo autismo porque deram uma romantizada na doença (olha, que legal, com autismo você não sente nada…????).

 

O episódio não deu chance de saber para onde olhar e nem para pensar. De novo, aquela sensação de viagem de trem. Nesse caso, só brotou na paisagem casos tristes e que deram errado. O que me faz recordar do navio de Teseu: a maquinaria do hospital não foi renovada a tempo e falhara para atender sua demanda. Isso não deveria acontecer, mas Murphy age de maneiras estranhas.

 

Mesmo com cheiro de óbito em série no ar, você espera qualquer final feliz. Uma paisagem esperançosa até chegar ao destino. A mãe grávida e a família acidentada não tocaram tanto quanto o homem que compreendeu que não era prioridade e fez com que a única pessoa empenhada em lhe dar um fim reconfortante fosse libertada da façanha de mantê-lo respirando. O mesmo para a mãe que, ao menos para mim, não tem como massacrá-la considerando todos os fatores que não beneficiavam seu próprio filho. Man, ugh!, que dia terrível para se estar vivo em Med.

 

Então, quanto vale o ser humano?

 

Não sei. Mas o que eu sei é que em ambiente hospitalar é quase um “depende do dia”. Aqui, houve o infortúnio de uma nevasca, mas todo dia é dia e, às vezes, é preciso ser mais Latham que Choi. Pode parecer egoísta, mas calhamos no contexto de Chicago Med de que nem todo mundo pode ser salvo. Contudo, nada impede um legítimo esforço para atenuar, como Natalie fez ao pedir doação de sangue. Às vezes, é preciso de um resfriamento emocional sim para não somar todas essas coisas ruins, mas nem todo mundo é Latham. Eu não sou e só me restou ficar arrasada.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Med - Charles

 

Esse episódio teve muita cara de S1 de Chicago Med. Estranhamente, senti saudade. Não sei explicar muito bem, mas deve ser porque lá no passado houve um pouco mais de rigor com os personagens. Inclusive, empenho nesse tipo de trama-afronta. Não menos importante, tretas com chances de criar antipatia, como a reprise Natalie e Will – e detestei mesmo rendendo nostalgia.

 

Vale celebrar o fato de que a situação exigiu muitas mãos e foi ótimo ver Rhodes e Reese afastados de seus postos atuais. Exausta de um alisando coração e da outra citando o DSM. Vale uma ressalva ao Charles que, como comentei na semana passada, precisava ser mais pulso firme. O tranco que ele deu em Kellogg me deixou a própria Reese. Passadíssima, mas adorei, não nego. Até porque com suicídio não se brinca.

 

Enfim. Basicamente, foi um dia de sorteio que designou que o melhor sobrevivesse. O papo de triagem e a falta de suprimentos no hospital foi o bastante para aumentar a tensão e a preocupação depois de uma passeada em um acidente com múltiplos traumas. Pura adrenalina, mas quando o sangue esfria só resta a tristeza. Foi uma experiência perto do avassalador porque avassalador seria se filmassem externamente até o fim, mas impossível com o frio de Chicago.

 

PS: o que podemos esperar de Wheeler? O bichinho só dando bola fora.

 

Chicago Med retorna no dia 2 de março.

Stefs
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