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01/fev

Era para eu ter postado essa dobradinha de Chicago Med na semana passada, mas eu perdi o controle da minha organização. Perdoem! O importante é que chego aqui para deixar o bonde em dia e adianto que esse textinho será menos crítico por motivos de: passou da validade. É um parecer geralzão.

 

Mesmo fora da validade, ainda sinto um tapa em cada bochecha depois de ter passado pela experiência desses dois episódios. Confesso que fiquei um bom tempo catatônica, mais devido ao 2×10. É quase meio raro a seriezinha emendar duas tramas cheias de coração e as coisas se intensificaram um pouco para mim porque os assisti ao mesmo tempo. Passei mal, Rosana!

 

O episódio 2×10 foi o mais puxado e fez jus ao seu título. Além de oferecer experiências novas, como a conferência que tomarei partido de me abster, houve atendimentos que retornaram e isso me deixa sempre contente. Simplesmente porque dá senso de continuidade, aprofunda e abre margem para uma conclusão. Adendos ainda falhantes em Chicago Med. Por estar descrente desse artifício, que dá seu jeito de beneficiar a trama, tombei com o retorno de Meghan e da filha. Foi intenso tão quanto o retorno de Kate, que atingiu os feels de Maggie. Uma soma de desdobramentos que deixou meu coração pequenino. Uma coisa amarrada na outra e só amor – e lágrimas!

 

Se Chicago P.D. não vai para Chicago Med, o processo pode ser invertido e mostrou eficácia. O 2×10 encontrou sua valorização nessa escalada e reforçou a importância ao que ocorreu com Kate. O conjunto da obra, com direito à narrativa de despedida e à homenagem dos oficiais, foi arrepiante. Um dos episódios mais bonitos dessa série até agora junto com 1×13. Sem palavras.

 

Inserida em um dia intenso e que exigiu muito do emocional, Maggie pontuou o gosto de encerramento e encontrou sua paz de espírito. Um detalhe que esse episódio desdobrou e assentou a fim de dar espaço para outras storylines. A começar por Reese que começa a ter seus complexos desenvolvidos e acho muito bom. Principalmente depois do caso Danny. Como comentei na última resenha, a personagem me parecia muito bem para quem se envolveu demais com o paciente e com o caso. Algo que não poderia acontecer visto que foi uma experiência traumatizante para quem ainda não encontrou um meio de externar as coisas ruins que rolam em seu trabalho.

 

Resenha Chicago Med - Reese

 

A necessidade de terapia calhou em um instante certeiro. Vivenciar uma noite cheia de mortes serviu de gatilho para uma jovem que é ótima profissional, mas acredita que suas emoções são um problema. Podem ser, mas a culpa e a necessidade claríssima de se provar pesam muito mais. São um mega reflexo de um fracasso que claramente não existe porque há talento aí e força de vontade.

 

Reese possui expectativas que calham nessas impressões de si mesma e que a nortearam para Patologia. Ela não queria entregar esse seu lado, que não pode ser suprimido pelo que os outros pensam, mas sim trabalhado. Toda a sensação de que não nasceu para ser médica veio à tona e me partiu inteiramente. É uma personagem que tem muito a desenvolver, afinal, carreira médica exige demais dos envolvidos. Não é essa nave da Xuxa que Rhodes tem desfilado toda semana.

 

Pergunto-me se a mãe de Reese aparecerá a qualquer momento porque não é a primeira vez que a dita cuja é mencionada. Todo caso, é importante trabalhar esse lado da personagem. Ela não lida com notícias dessa estirpe e não é a primeira vez que a moça quebra. É too much para uma alma que só quer saber de salvar. Dar-lhe uma noite regada de mortes, com direito a perder a paciente que impulsionou seu inocente plantão, abriu brecha para descarrilar o que, provavelmente, prendia desde o caso Danny. Caso esse que a marcou mais pelo aspecto de ter sido impossível prestar ajuda a quem não estava disposto a confessar – como o atendimento de Will e Felix – e devido à ética.

 

A abertura da história de Reese contribuiu também para engrandecer de novo a influência de Charles no hospital. Ele não só indicou a terapia para a moça, como também voltou a assumir uma posição de ajuda a outro colega de trabalho. Amo e sentia falta. Essa pegada foi uma das melhores coisas da S1.

 

Latham entrou em cena com a pegada de possível alívio cômico, tipo Stohl. Uma provável intenção para atingirmos esse ponto um tanto quanto chocante. Afinal, o médico parecia insensível naturalmente e dono de uma arrogância quase imperceptível. O problema é muito maior que ego, o que gerou aquela leva de culpa pela chacota. Senti-me como as enfermeiras e Reese foi ótima ao ser honesta com o homem. Nem todos teriam essa coragem e só aumentou minha admiração.

 

Fácil fazer chacota, né? Pois muito que bem que agora temos um problema sério. Ver o doutor agir diferente com seus arredores, depois de brigar um tanto para receber tratamento, foi tão tocante e devastador quanto Reese se partindo depois de perder a paciente que vigiava com rigor. Os dois episódios foram benéficos demais para esses personagens e espero que não fiquem na mão. O que já considero muito otimismo da minha parte se querem saber.

 

Resenha Chicago Med - Felix

 

Mesmo com tantos atendimentos maravilhosos, e puxados, o que me doeu um pouco mais foi Felix, o paciente com Bulimia. Queria acreditar que esse se tornaria um caso de retorno, mas, infelizmente, a ligação anônima queimou uma etapa. O fato de ter mexido mais comigo é óbvio e a cena da balança meio que me destruiu. Foi uma situação tão importante quanto o caso de depressão da temporada passada, especialmente por girar em torno de homem. Uma parte que é sim negligenciada com o pensamento em forma de diálogo lançado na face de Will: é coisa de garotas! É… Não é. E tem homem que não pede ajuda por isso.

 

Transtorno alimentar é 100% meu calcanhar de Aquiles e trazer isso de um ponto de vista masculino, com direito ao clichezão mais real do que pensam sobre “ser doença de mulher”, me fez feliz e triste. Feliz porque abordaram. Triste porque ficará na superfície como o caso de depressão masculina. É importante demais dar profundidade a essas histórias, justamente para desmistificar que enfermidade X pertence unicamente ao grupo Y.

 

Homens são tão cobrados quanto mulheres sobre estética. Felix deixou isso claro, especialmente ao notar que engordou gramas que lhe pareceram 10kg. Voltamos ao machismo de cada dia, que afeta o lado masculino com o papo de ser forte e atraente. O macho Alfa, o que os faz calar as ditas vulnerabilidades.

 

Tudo lindo, estão de parabéns, mas preciso fazer uma ressalva: é importante sim mudar a conversa sobre depressão e transtorno alimentar do ponto de vista masculino. Contudo, Chicago Med não consegue me cegar quanto ao fato de que April possui uma storyline mais do mesmo e Natalie está entregue ao combate Clarke vs. Will. Os homens estão com histórias superiores, vide Connor que não anda fazendo nada, mas está lindão na vida.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Med - Latham

 

Os episódios foram paralelos um do outro. Quase um caso de continuidade. Foram duas semanas de decisões difíceis, de ótima rotatividade, de histórias pertinentes. Tudo regado com sensibilidade. Ambos tiveram uma ótima dinâmica entre os personagens e deu para sentir mais o impacto dos títulos com relação às respectivas tramas. O contraposto entre Wheeler e Reese muito me interessa porque ambos têm posições diferentes, não suportaram o plantão da morte, e possuem uma carga dramática que dá sim para desenvolver. Mas aí eu começaria a ser a iludida no bonde Chicago Med.

 

Antes de sair, falaremos da humildade estrelando Will Halstead. Lindinho, mas direcionar essa dita humildade para Clarke ter chance com Natalie me deixa possessa. Primeiro: os três personagens merecem mais que um ser pivô da dor de cabeça do outro. Segundo: cadê o desenvolvimento?

 

Halstead anda muito bem na fita no âmbito trabalho. Gosto, mas nem elogio mais porque esse aí tem propensão de ficar estragado igual ao Rhodes – que glória ao hipogrifo teve uma suavizada.

 

Enfim, foram duas semanas intensas, cheias de reflexões e de mudanças significativas. Tirou aquela impressão forte de monotonia dessa temporada de Chicago Med e espero que com esses dois exemplos comecem a acertar a mão.

 

PS: e o que dizer do Panda? Ainda bem que não morreu porque ia ter riot!

Stefs
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