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07/fev

Quero saber quem anda acariciando os roteiros desses últimos episódios de Chicago Med com papel de seda. Exausta já de ficar chorando, especialmente por pandas! Sim, pandas, nunca deixarei de mencionar pandas porque quero mais pandas. Ok, parei!

 

O que aparentava ser mais um dia ordinário no hospital, se revelou uma semana de reflexos e de reflexões. O dito grande atendimento da promo não tinha nada de grande porque as situações menores, que geralmente não ganham tanto crédito quanto deveriam, cativaram e desmoronaram muito mais. E quando digo crédito, é um pouquinho de aprofundamento e de senso de conclusão.

 

O episódio começou com a impressão de que seria desagradável por causa de Stohl. Ele é engraçado e tudo, mas a primeira impressão que ficou é de um inconveniente sem escrúpulos. Inconveniente é, sem escrúpulos ainda não sabemos. Bastou um enquadramento de câmera para termos um novo teaser do quanto esse personagem pode atravessar todo mundo e assim abrir brecha para ultrapassada de limites. O que salvou dessa vez foi o intuito. Ao contrário do ensaio da conferência, em que ele não perdeu tempo em dar várias cortadas em Manning, aqui, entre caminhadas, o cidadão engatou uma distração cheia de supostas má intenções. Jogadinha que se revelou como parte do peso emocional da semana e foi um ponto de surpresa.

 

Stohl é aquele ser humano que nasceu pronto para deixar o sangue quentíssimo. Halstead que o diga, o grande personagem da semana. Graças ao balancear de emoções ao longo desse atendimento, foi fácil migrar da raiva para as lágrimas. A dupla conseguiu apertar vários botões diante de um paciente que não estava se sentindo invadido com aquele zanzar de câmera, mas útil como nunca fora.

 

A raiva surgiu em meio ao suposto sensacionalismo para promover o hospital. Parecia não haver escrúpulos em Stohl e foi ótimo ver Halstead tentando proteger o paciente (ao menos, até o ponto em que não sabíamos que a artimanha não imunizava nem um e nem outro). Esse papo de correr atrás do melhor atendimento, de casos mais envolventes aka mais chocantes, me fez entrar em contagem regressiva à espera do momento em que Will explodiria. Honestamente, aguardei por esse momento porque o companheiro de filmagens parecia perto de ultrapassar limites.

 

Resenha Chicago Med - Will

 

Antes da resolução dessa storyline, me restou respirar fundo porque as filmagens foram intrusivas. Ainda mais quando o primeiro pensamento que me ocorreu foi ao lembrar que Chicago Fire passou pelo mesmo recentemente. A abordagem se diferiu, sendo mais natural no Batalhão que em Med, sem Otis precisar invadir os chamados a fim de ter a tomada perfeita. Foi meio impossível não cogitar que o episódio seria só sobre esse atrito de politicagens na hora de botar o hospital nos holofotes. Um reflexo que se dissolveu nas mãos dos mercenários em cena para o drama engatar.

 

A parte ótima desse atendimento é que souberam usar dessa raiva criada pelas filmagens, desse incômodo que atingiu quase um pico de inconformismo, para engatar o propósito de Mikulski. Foi desconcertante. De um interesse que parecia maldoso do ponto de vista de Stohl, a situação ganhou uma realização em cima de um propósito de partir o coração. No fim, não havia intrusão. Contudo, Halstead teve o coração de querer interromper a continuação de um claro sensacionalismo em cima da dor alheia. Isso é muito errado, mas, feliz ou infelizmente, havia autorização para um ato que continuou a me parecer desumano devido à bendita câmera que não foi desligada um só segundo.

 

Fato é que essa situação aparentemente falsa, que parecia se preocupar apenas em promover o hospital, especialmente quando se chegou ao ponto crítico do diagnóstico, se revelou como uma das mensagens essenciais deste episódio de Chicago Med. Além de ser a ponte para sinalizar que é esse o trabalho que os envolvidos exercem, ainda foi um despertar do quanto é importante prestar atenção aos arredores. O quanto é importante prestar atenção no ser humano de maneira geral. Halstead pode ser falho em analisar sua vida externa, mas não falhou ao optar por um segundo olhar sobre o que abatia Mikulski. Algo que Stohl nem ligou porque não achou tal atendimento chocante o bastante para ser incluso na promo.

 

Mesmo errando, Halstead chamou a atenção por meio de um singelo olhar. Um descaso mínimo que poderia ter acarretado um estrago sem precedentes. Detalhe que reforçou o olhar mundano sobre todas as pessoas e todas as coisas porque estamos apressados demais. Mikulski emocionou em seu discurso e dissolveu a ideia de que as filmagens vieram de um ponto um tanto quanto ganancioso não só de uma, mas de ambas as partes de quem o atendia. Partiu o coração e, de graça, mostrou que Stohl não é tão Troll quanto aparenta. Apesar de ter se mostrado intrusivo na primeira aparição, o médico tem um pouco de senso. Não pise na bola de novo, please!

 

Os demais 

 

Resenha Chicago Med - Reese

 

Reese começou a terapia e achou que estava mesmo ali só para aprender. O ápice da negação. A personagem realmente acreditou que não precisava de um tratamento, mas apenas bancar uma aluna dedicada que faz notas e que aprimora o conhecimento. A primeira cena diante do espelho frisou que a jovem não estava nem um pouco interessada em se enfrentar sendo que precisa para ter um pouco mais de controle dos seus arredores. Algo que ainda não tem, conforme visto no atendimento que a envolveu.

 

Por achar que não precisava de ajuda, lá foi ela repetir o mesmo modo de operação – achar que pode salvar, que conversa basta e tomou na cara. A situação de Rey soou como rebote 2.0 do caso Danny. O garoto era novo, fez burrada ao supostamente acobertar outra pessoa, demonstrou certa sensibilidade e possíveis sinais de maus-tratos. O próprio Danny! Reese mergulhou tão rápido, mas tão rápido, que houve um instante pequenino em que a personagem ficou chata. Justamente quando se impôs diante de Choi para conversar a todo custo com o paciente.

 

Iniciativa é tudo nessa vida, mas o tom do pedido não bateu legal. Em contrapartida, o que importa é que a personagem precisava passar por algo parecido ao que ocorreu com Danny. Tal atendimento não passou de reflexo aos seus comportamentos e suas atitudes errantes. Um combo que a define e que rebate no seu leque baixíssimo de autoconfiança. Tudo que vi nesse encontrinho foi a repetição da mesma situação que rendeu a segunda aparição diante do espelho. A realização diante do questionamento de que ela é o próprio Jon Snow: não sabe de nada.

 

Isso, no quesito prático. Não é errado Reese ser vulnerável, mas ela acha que sim. O que a personagem precisa aprender é puxar o freio emocional antes de passar do limite. Afinal, a moça só termina sofrendo, como aconteceu com Danny e agora com Rey. Mais que necessário aqui o aprendizado de separar profissional do pessoal. É difícil, mas é possível.

 

Outra coisa que vale mencionar é que tudo que Reese sabe vem da teoria. Ela acha que esse embasamento é o bastante para protegê-la. Infelizmente não é. Desde que saltara para ser auxiliar de Charles, a personagem só entoa texto e isso me fez lembrar da famigerada Hermione Granger nos dois primeiros livros de Harry Potter. Ambas admiradoras do comportamento decoreba.

 

Sorte que amadureci o bastante para não ficar só o Rony, revirando os olhos com tanto texto entoado. Ato que, tanto para Reese quanto para Hermione, serve para blindar o medo de falhar na prática. Ao expor o que sabe com precisão, há segurança, mas é na hora do vamos ver que rola a maior prova. A recusa do cartão foi um novo estopim que mexeu com as estribeiras da personagem de Med. Detalhe que me faz esperar que o lance da terapia seja levado um pouco mais a sério. Precisa, mas quem quer ser a iludida nessa storyline? Eu que não.

 

Resenha Chicago Med - Latham

 

Latham rendeu outro reflexo pertinente. Agora, rápido demais da conta, o personagem está mais perceptível quanto aos arredores e às pessoas. Por um segundo, queria perguntar a ele se valeu a pena. O mundo é outro quando estamos no nosso casulo, protegidos de alegrias e de maldades alheias. Protegidos de qualquer ação que pode nos afetar diretamente. No caso desse homem, a tradução agora eficaz de trejeitos o fez explodir e nunca pensei que isso seria possível.

 

A treta no treinamento pré-operatório alimentou os julgamentos que Latham não via e que agora são mais palpáveis. Ninguém sabe do seu problema de saúde, então, a chacota parte de um pequeno circular na superfície sendo que é tudo mais profundo. O médico rendeu cenas poderosas sobre não julgar antes de saber ao reagir contra as piadas. Algo que nunca ocorrera. Ele é de certa forma incompreendido e Rhodes reforçou isso ao ser cauteloso (depois de falar uma grande nhaca, claro).

 

O que as pessoas tinham de Latham vinha de uma impressão evasiva que toldou um homem que, em tese, não tinha respeito por ninguém. O fundador do cold shoulder. E ele quebrou porque ninguém lhe fez perguntas, o que rebateu no atendimento de Halstead que exigiu um segundo olhar sobre vários âmbitos. Além disso, botou à prova o questionamento de que nem sempre querer ver o mundo real, com todos seus barulhos e suas nuances, pode fazer bem. É bom ter esse poder, mas, às vezes, o casulo nos veta de ações e de reações que nos botam para baixo.

 

A situação de Latham foi a que mais me tocou nessa semana de Chicago Med. Fiquei perdidona com o comportamento dele. O jeito retraído e a dificuldade em desabafar com Rhodes. O quanto ele tem noção das piadas e o quanto isso passou a machucá-lo. O médico saiu da letargia. Uma vez fora dela, terá que se esforçar para se adaptar. A começar pelo social já que a ausência do reconhecimento de emoções alheias, devido à sua doença, o empurrou para o canto da vida.

 

Esse é um daqueles personagens difíceis de encontrar. Riquíssimo em nuances, com uma bagagem pesada e que tem tudo para ter aquele desenvolvimento joinha. Mas não boto fé, principalmente porque o tratamento dele surtiu aquele efeito flash que as Chicagos dominam. Fã, mas não trouxa, vamos relembrar.

 

Rhodes tem tudo para voltar a ter um tipo de relevância em Med. Ele pode ser uma grande âncora em ajudar um cara sem ser forçador de barra. Ambos têm uma relação que começou com o benefício da dúvida e foi bonito ver isso se dissolver. Mais da parte de Connor, claro, porque ele pode ser legal quando quer, mas tem um reizinho dormindo nesse instante na barriga.

 

Para intensificar mais as coisas, tivemos Ariel. A mutante empata (não podia perder a chance) cerejinha do episódio. Não foi nada grandioso, mas emocionante à sua maneira. Como não refletir sobre o estilo de vida de uma menina tão jovem que sente o que todo mundo sente? Como ela conseguirá viver dessa forma sem um tratamento específico? A mãe foi o ponto de atrito, cujo comportamento não me foi surpreendente visto que se tratava de uma workaholic.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Med - Charles

 

Com base no título, destrincharam satisfatoriamente mais uma semana de Chicago Med. Estou passada aqui em minha nobre residência. A trama não deixou a sensação de vácuo e cobriu todos os cantos com muito drama, partindo com inteligência das fraquezas dos personagens em destaque. A carga emocional não esmoreceu e queria acreditar que os roteiristas finalmente aprenderam a lição. Ainda não é nada a se comemorar, mas, pelo menos, estou satisfeita.

 

Foi um episódio sobre o squad e seus reflexos. Uma semana puxadíssima para Reese e para Latham que tiveram que se olhar no espelho e tomar as grandes decisões que os mudarão por completo. Embora Will tenha sido o puxador da trama como representante do estresse e da distração, o drama venceu mais uma vez. Não dá erro focar em personagem, já disse. E Chicago Med quando está regada de boa vontade sabe o que faz quando casa a turma com os atendimentos.

 

Para quem anda meio emburrada com essa série, foi uma experiência dramaticamente maravilhosa. Os atendimentos casaram um com o outro. Foi tudo, por inteiro, significativo. Não foi um roteiro truncado, daqueles que deixa a emoção morrer, e trouxe uma conclusão de muito bom gosto triste.

 

Comentei nas últimas resenhas que os episódios andam fazendo jus aos seus títulos e esse foi o mais perto da perfeição. O pontapé com Reese amarrou em Latham que explodiu em todo o resto. Esse chegou arrematando vários pregos na cabeça dos personagens. Até mesmo em quem não tinha nada a ver com os subplots. Cada um foi reflexo do outro sem querer, um reforço diante da brincadeira de espelhos.

 

Uma ideia que apenas ressaltou que a turma precisa urgentemente de um desenvolvimento aprofundado capaz de empurrar transições naturais e orgânicas. Não dá para chegar em uma S3 com esse mesmo modo de operação de um dia está bom e no outro miou.

 

E parem de mentir nas promos. Isso é coisa da CW.

Stefs
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  • Mari

    Tem um tempinho que acompanho suas resenhas das Chicagos… gosto do seu ponto de vista, vê coisas que eu não tinha reparado, abre minha mente