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13/fev

Ao contrário dos três últimos episódios de Chicago Med, esse demorou um pouquinho para se capturar a essência. Justamente porque foi aquela semana meio desconectada para que as trivialidades entrassem em cena (Nina?). Trivialidades que agregam ou atrapalham. Dessa vez deu até para dar aquela ignoradinha básica e tudo que se tirou desse suco foi o ideário de lutar. Seja por si, pelo outro, por quem for. Iniciativa que alguns pacientes estavam dispostos, outros nem tanto, deixando uma carreira de médicos e de atendentes na saia justa.

 

A começar por Natalie que contou com o grande atendimento da semana. O que fazer quando uma criança simplesmente desiste de viver? Da impressão de negligência paterna, lá fomos conferir com certa agitação uma criança convicta de que não queria receber mais tratamento. A atuação e o comportamento de Manning nessa situação regaram o conflito junto com April, mas foi o articular desse menino sobre sua própria existência que arrebentou qualquer poker face.

 

Não tanto quanto a postura do pai em respeitar o pedido do filho. O homem estava irresoluto e nem era na maldade, o que só atou mais as mãos de Natalie. Apenas, ele não queria ir contra os desejos de quem Manning julgou ser incapaz de decidir o próprio curso da vida com pouca idade. Correto, mas Gabe se mostrou tão ciente da sua situação que foi meio impossível não anuir várias vezes em concordância.

 

Inclusive, tal atendimento foi meio desesperador devido ao câncer infantil. Algo que entra para minha lista de inconformismo diante do dito poder maior. Sério, não consigo lidar com serumaninhos que sofrem antes de atingir a adolescência. Acho de uma injustiça sem precedentes e resta se agarrar na dita lição a ser aprendida que rebate nos pais. Mas eu sou Will Halstead nesse quesito.

 

Resenha Chicago Med - Natalie

 

Gabe não complicou tanto as coisas como aparentava, nem muito menos o pai. O garotinho foi piorando como arma dessa storyline, mas, no fim, não era sobre sacrifício, mas condescendência. Natalie trouxe uma discussão pertinente enquanto protelava o quanto podia o atendimento que começou a ruir. No caso, a velha questão de respeitar a opinião do paciente.

 

Ao contrário de Will que passou por cima no passado, Manning tentou dobrar pai e filho. Porém, April não pensou duas vezes em cutucar o escalão para acabar com essa dita ladainha. Fato é que quanto mais a criança recusava, mais se aumentava o receio de perda. Honestamente, preferiria a perda a conclusão simples que, particularmente, tirou muito da força e do propósito dessa história.

 

Assim, o poder emocional de Gabe foi desconcertante, mas, como hábito de Chicago Med, a resolução broxou tudo de uma vez só. O atendimento foi envolvente, teve aquela expectativa sobre a incógnita de ceder ou não ao que a criança precisava, mas conquistou uma resolução basicona. Com uma intensidade dessas, bicho? Confesso que não gostei, nem muito menos das últimas palavras do pai no instante em que a polícia envolvia seus pulsos com as algemas.

 

Uma situação de fighting for que teve sua luta aniquilada com um espanador. Aquela sensação de ver navios.

 

Resenha Chicago Med - Latham

 

Embora Gabe tenha emocionado, ninguém emocionou mais que Latham, o verdadeiro representante do bonde fighting for. Deu vontade de pegá-lo no colo sim, confesso! Ainda estou muito surpresa com a história desse personagem, especialmente porque continua a rolar certo divertimento quanto às atitudes dele. Não sei se é proposital da parte dos roteiristas, mas o lado bom é que não afeta no drama. Parece mais uma tentativa de suavizar o que realmente é grave e evitar coitadismo – algo que esse homem quer evitar com todas as suas forças.

 

Comentei na resenha passada que o grande desafio atual de Latham é lidar com o social e lá foi ele encarar o desafio de atender um paciente fora de Med. Ótimo, especialmente porque o personagem se prontificou a prestar esse papel. Embora Rhodes tenha forçado um tiquinho para que a cirurgia acontecesse, daquele jeito mala, o que importou foi o reconhecimento de ambas as partes diante das respectivas decisões e das consequências. Connor se saiu como vitorioso, algo que está chato demais da conta, enquanto seu tutor perdeu a cabeça com a trapaça que é o ser humano.

 

Os dois ficaram afastados a partir do momento que saíram do habitat natural, o que proporcionou uma nova visão do quanto a doença de Latham não é apenas uma questão de não ser sociável ou gentil. Com o furto, ele revelou outra faceta de si e do que o acomete. Foi bacana vê-lo sair da bolha e ter Rhodes de apoio, mas as coisas são muito mais complexas que apenas tomar uma atitude.

 

A cena de Latham desesperado por seus pertences me partiu na hora. Achei que ele seria agressivo, mas o médico se comportou como uma completa criança que desobedeceu a mãe. No fim, é aquele ditado: se aprende a viver vivendo. Esse personagem chegou tarde ao bonde, mas está deveras disposto a aprender para não ser o maior empecilho de si mesmo. Isso que é luta. Esse reconhecimento de que você pode ser seu próprio sabotador e que é preciso de muita força de vontade para ir contra.

 

Os demais

 

Resenha Chicago Med - grupo

 

Resumidamente, o hospital seria o barco de Teseu, que se desgasta conforme as viagens e com isso cada peça é trocada. Gabe passou por uma situação desgastante e seu corpo tomou autoridade de trocar as peças para dar um jeito de se curar; Latham tem problemas internos e entrou na fase constante de troca da sua maquinaria para ter uma vida melhor; o caso de Holloway é quase o mesmo, mas houve a recusa de troca e o mesmo vale para Grace vs. Becca. No lado mais científico da coisa, há referência desse assunto quanto às células. Elas se alteram com o passar dos anos, mas deixamos de ser os mesmos tão quanto o navio que muda conforme cada desbravar no oceano? Fica o questionamento!

 

A verdade é que batizaram o episódio de um jeito complexo e não houve tanta complexidade. O hospital é o mesmo, mas as pessoas que transitam ali são diferentes. Não é uma novidade. Contudo, o que ficou na ponta de meus dedos foi a questão de se empurrar e tentar lutar por si.

 

Mas nem todas as embarcações se propõem a se alterar a fim de manter a luta. Um argumento que pode ter refletido em cada pedaço do episódio, mas atingiu em cheio apenas Reese. De novo, ela foi o ponto relutante da mudança. O que disse sobre a teoria Hermione Granger? Quando a personagem falou que gosta de caixas, dei aquele sorrisinho de eu já sabia garota.

 

O que começa a incomodar é que Charles só passa a mão na cabeça dela. Ok, faz parte da caracterização dele ser compreensível, mas sabe quando chegou a hora de uma sacudidela grosseira? Não sei se isso faria bem porque Reese tem complexos e isso se escancarou. Algo que conquistou uma piora porque lá foi a garota seguir a teoria. Não aguento mais citação do DSM como se fosse a Bíblia. Eu sei que é a Bíblia para quem atua na área, mas, nesse caso, a personagem o usa para contestar tudo e todos. É bem chato de repetitivo se querem saber.

 

Amo Reese, minha protegida, mas a garota precisa de um choque de realidade. Ela precisa parar com essa de confrontar teoria vs. prática. Psicologia tem muito mais a ver com observação, como Charles age praticamente em todos os episódios. É difícil mudar? É, mas penso que será um pouco mais difícil diante dessa compassividade da chefia.

 

Concluindo

 

Seja lá qual é a meta desse navio Teseu-Chicago Med, o que fica de lição é que precisamos botar a cara no sol e quebrar as amarras. Nem sempre será bonitinho, mas o primeiro passo é importante.

 

Finalizo quebrando o tom poético da resenha e deixando a reflexão: o que fazer quando as Chicagos seguem uma tendência? E uma péssima tendência?

 

Explico: Nina não é queridona, mas dar ao Halstead o “direito de avaliá-la” por ter namorado várias vezes no ambiente de trabalho……………? Engulo cast homem-Omo Progress (mentira!), mas stop slut-shaming 2k17. Clarke saiu de cena bonitinho e agora a moça aí sairá de cena porque deu uns beijos em caras diferentes? Ah mas vocês me poupem da vergonha!

Stefs
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