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25/fev

Fiquei umas boas horas olhando para o cursor me perguntando o que teve de importante nesse episódio de Chicago P.D.. Literalmente, foi àquela passagem de tempo um tanto quanto necessária apenas para um Ruzek que descobriu que não pertencia mais à UI. Afinal, não teria tanto sentido Rixton participar do crossover sendo que não é fixo na família One Chicago. No mais, não houve nada intrigante porque se tratou de uma trama de personagem e esse personagem se chama Olinsky. Até me esqueci das coisas que esse senhor ousou a dizer (mentira!)…

 

A semana trouxe um caso mal resolvido e que centralizou Olinsky daquele jeito que a gente gosta: cold as fuck (ou quase) e paizão do ano. Deixaram a treta polícia vs. bandidos branda, pois foi a vez de investir em elo emocional. O que deu muito certo e credito o detetive em destaque.

 

Em cena, havia o pai injuriado pelo assassinato da filha e quem poderia se assemelhar a apresentada circunstância. Não duvidaria nada que Olinsky fizesse algo desse tipo em nome da Lexi e devo julgar que o elo criado entre ambos foi meramente por causa dessa possibilidade. Afinal, o detetive já mostrou que tem sangue frio para proteger quem ama. Vê-lo bancar o atirador para se vingar ou para honrar uma injustiça me é possível. E por ser uma possibilidade muito convicta que eu tenho, a ponte entre ambos foi muito além da similaridade paterna. Al mataria para honrar sua única herdeira – embora tenha outra que ninguém nunca mais ouviu falar.

 

Apesar das porcarias ditas há umas boas semanas, Olinsky tem um jeito único de engajar e de intrigar o telespectador. Sozinho, ele nos chama para o palco, abaixa o tom da trilha sonora e deixa as luzes nos entornos mais baixa. Ele não precisa de muito para se fazer ouvido. Ele é dark e melancólico, mas é na fala e no singelo olhar que o detetive hipnotiza sem a menor dificuldade. Por mais que se tenha noção de que a coisa ao redor desse personagem será ruim, você se envolve na hora e fica. Porque você quer entender o que mais essa alma destroçada terá que suportar.

 

Olinsky tem algo especial (graças ao ator, especialmente) que torna fácil entrar na montanha-russa emocional em sua companhia. Com uma olhadela mais fúnebre, você segue hipnotizado pela nuance de tristeza e pela expectativa do que virá a seguir. Enquanto Halstead é aquele que impacta com seu temperamento, esse é um contador de história. Al tem potência na narrativa que sempre vem em tom brando, compassado, quase um murmúrio. Nunca deixarei de comentar a tortura que fica sempre tão transparente no rosto do personagem.

 

Além disso, Olinsky não se esforça para engatar qualquer climinha mais denso. Bastam fechar nele e solicitar apenas uma entrega emocional. Perfeito! O primeiro encontro com Donald despejou o drama sem que ambos precisassem abrir a boca. O homem que solicitara um atirador largou de pronto todos os sinais de que um conflito humanizado estava vindo aí. Um conflito que rimou com justiça com as próprias mãos. Como eu queria que esse senhor tivesse escutado as indiretas do detetive, viu? Oh, Lord!

 

Resenha Chicago P.D. - Olinsky

 

Essa de justiça com as próprias mãos é errado, porém, não deixa de ser um assunto delicado. Não que esteja passando a flanela, nada disso, mas, tendo em vista o episódio, foi uma abordagem sensível porque Donald partiu de um ponto de ingenuidade blindada em sua dor. O pai estava de luto. Queria o acerto de contas pela filha porque achava o correto a se fazer já que a polícia falhou ao manter na cadeia o suposto criminoso. O que o personagem sentia influenciou em todo resto e várias pessoas injustiçadas passam por esse conflito todo dia. Especialmente mães.

 

Donald nem pensou que cometia um crime ao solicitar um atirador porque tudo que importava era seu ponto final. A perda modificou toda sua vida e, inclusive, afetou demais a esposa. Mas é aquela coisa: nada lhe dá o direito de tomar outra vida. Essa é a lição de casa.

 

Com os movimentos nervosos de Donald e com uma espiada em Olinsky, não precisou nem chegar ao fim para entrar nesse passeio que foi sobre entrega emocional. Isso foi a chave para todo o resto. Só tristeza na cena da revelação do detetive seguida da prisão. Fiquei arrasada, mas era o correto a se fazer.

 

A finalização ficou daquele jeito que gosto muito. O agridoce de entender a situação ao ponto de pensar que esse tipo de iniciativa, considerando seu ponto de partida, não exigia cadeia. Mas exige cadeia. Donald levantou a empatia pela sua dor, mas não dava para anular seu intento criminal. Ele de fato estava em luto e queria o descanso ao espírito da filha, mas nem tudo que sentimos coincide com o lado racional que emite o que deve ser feito – e, às vezes, do jeito errado.

 

Infelizmente, foi triste ver o cara ser preso por um desejo irracional. Porém, mais do que necessário. Mantenho o ingênuo porque nem na possibilidade de ser preso e de checar o atirador o pai pensou. Foi muito calor do momento e deu errado ao cair na mão de um detetive.

 

O que me faz comentar brevemente sobre Justice. Assim, o questionamento de Jefferies foi superválido, mas não bateu com a storyline. Olinsky teve um tipo de pensamento sobre Donald que eu tive e que teria o mesmo norte se fosse um cara negro querendo vingança. Como está meio “na moda” querer chamar atenção para justiça social nessa Chicago, sem se preocupar com uma gota de aprofundamento, só ando vendo essa série pagando mico atrás de mico. E vejo que a mana mais nova passará pelo mesmo. O que me resta? Além de não assistir e de não fazer a resenha, gargalhar porque está somando ranço.

 

Esse comentário me fez lembrar muito do piloto backdoor de Justice. O cara branco lá sendo o maior machista da vila achando que falava as santas verdades para Burgess. É muito fácil dar fala para um monte de homem quando os roteiristas em maioria são… Homens. Não tinha clima e nem circunstância para Jefferies falar o que disse.

 

Do meu ponto de vista, o comentário seria corretíssimo se rebatesse em Omar que poderia ter sido preso só porque era o negro perto da cena do crime (e no mural só dava em maioria homem branco de suspeito). Mas ao estender para Donald, o sentido foi um tanto quanto perdido. Uma briga sobre um pai em luto que queria justiça e, do nada, ganhou essa proporção? Isso me incomodou bastante.

 

E agora estou aqui pensando se é esse tipo de abordagem que intentam com Justice. Afinal, os dois personagens masculinos com maior destaque agiram iguaizinhos, criando estardalhaço do nada. E com embasamento zero. Forçaram demais para cima de Jefferies ao ponto de Annalise Keating em mim tremer. Assim, eu fiquei só o gif do John Travolta, serião. Pagaram micão de novo.

 

Deixo aí a reflexão porque não aguento mais essa turma querendo vender justiça social pela metade ou quando o tema do roteiro não orna. Não sei vocês, mas, mesmo que tenham um cargo acima da UI, parece que tudo com Justice tem que estar no volume alto. Nem Chicago P.D. chegou sendo folgada desse jeito. Nem as mil variantes de Chicago Med. Dick Wolf está Tulla Luana esse é meu momento com essa repaginada à la L&O. Abaixa o ego e presta atenção no que está acontecendo.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago P.D. - Lexi

 

Essa semana rolou um trabalho disfarçado que rendeu algo que cobrei na semana passada: aquele fim agridoce de justiça com injustiça. Além de reafirmar que justiça com as próprias mãos, não interessa quem é você na noite, não-se-deve-fazer, o caso rendeu também o lembrete de que não se deve atravessar o profissional com as emoções pessoais. Às vezes, é impossível. Principalmente quando se tem ponto de similaridade, algo que rolou com Olinsky. Para esse plot paralelo, não haveria outro personagem para transmitir tal desconforto. A cena final com Lexi foi linda demais.

 

E vai ter mais dor e sofrimento com esses personagens, esse não é meu mundo!

 

Vale um adendo breve sobre Ruzek: gostei do que fizeram com ele. Mas gostei mais do fato dele não ter bancado a chiliquenta pra cima da decisão de Voight. Considerando que temos uma criança no corpo de um adulto, só esperei o pior. Parece que alguém amadureceu? É isso? Quero imagens!

 

O episódio foi bem clean de atritos externos e internos. Al levou tudo perfeitamente nas costas. Foi uma experiência boa, com tretinhas sutis de poder e um balde de sentimentos, very cool. Estava dentro da proposta comum de Chicago P.D.. Destaque de personagem muito bem-vindo, último rodopio de quem estava ausente na UI e seguimos passando da metade dessa temporada.

 

PS: Rixton precioso demais para essa UI, hein? Eu mesma, Stefs Mello, querendo demitir até o Voight.

Stefs
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