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10/fev

Apesar de ter terminado meio clichê, esse episódio de Chicago P.D. foi deveras bacana. Intenso e envolvente, daquele jeito que não se vê os minutos passar. Considerando a que tantas anda a série, arrisco botá-lo na listinha de melhores. Anda difícil escolher os favoritos de uma temporada que tem oscilado mais para o ruim que para o bom, então, vamos ser felizes com as migalhas.

 

A mistura de uma storyline X com um detetive Y disfarçado já foi vista na história dessa série e lamento pelo menino Ruzek. O detetive mencionado não contou com metade do investimento que foi visto essa semana em Chicago P.D.. Investimento esse que deu seu jeito de centralizar Halstead sem influências amorosas e isso é digno do amém. Para um Jay Halstead que virou sombra da S3 pra cá, a oportunidade foi bem aproveitada. O cerne e os desdobramentos em comparação a trama que envolveu Adam foram superiores, muito embora o tema trabalhado seja batido.

 

A storyline da semana não foi assim inovadora, mas a construção da narrativa de dentro para fora, do ponto de vista de um único detetive, valeu a experiência. Engatou-se o lado sinistro de uma moeda desconhecida e tudo que se destrinchou a partir daí foi de um peso dramático que, como sempre, tem demorado semanas para surgir em Chicago P.D.. É aquela velha reclamação que sempre dou um jeito de pontuar: não tem erro focar em personagem dentro de uma investigação. Vimos tanto isso na S1 e, do nada, perderam o tato para patinar em cima de shipper. Com um elenco desses bicho, é heresia.

 

Um caso que cairia certinho no colo de Lindsay, caiu no de Halstead. Inusitado para não dizer surpreendente. Não só pela história não ter o perfil dele, mas também porque o cidadão já demonstrou que atuar disfarçado testa seus limites. Aka seu pavio curto.

 

Resenha Chicago P.D. - Halstead

 

Passar do ponto Halstead não passou. Porém, foi interessante vê-lo ser testado em um ambiente desconhecido e controlado por adolescentes. Para quem lidava com outros tipos de caso, esse foi aquele medidor de capacidade profissional. A única certeza que dava para tirar é que o detetive poderia botar tudo a perder porque pavio curto visto em Fire.

 

Foi um caso que diria mais de estudo que de evidências, e o garoto teve que se virar. Não por estar disfarçado, óbvio, mas porque não havia muito o que tirar de um local aparentemente muito bem controlado. Não é à toa que Platt engatou a dúvida quanto ao funcionamento do Brady por meio de uma estatística policial. Briga entre meninas seria uma trivialidade e não um sinal de que as que receberam destaque se bicavam pela que faleceu. Era uma pintura simples, sem grandes caprichos, sendo necessário apertar botões ou nada sairia desse caldo.

 

Melhor instante em torno de Jay, para não dizer o pior por toda a questão de idade, foi Al agir como provocador do famoso ditado “tudo pela informação”. A insinuação nas entrelinhas de que Halstead deveria cogitar dormir realmente com Ellie para montar esse quebra-cabeça foi decepcionante, mas não surpreendente. Faz parte do trabalho, não tem jeito, e adoraria tê-lo visto chegar perto de ceder (ou ceder) se as moças fossem mais velhas. Um detalhe que me faz pensar o quanto Chicago P.D. perdeu também o toque de colocar seus personagens em sério risco.

 

Além disso, em situações que desmontem o dito caráter perfeito. Já faz um tempo que reclamo dessa nave da Xuxa em que ninguém se machuca, em que ninguém se corrompe e assim por diante. Não sei como esse caso mudará Halstead, há promessa, mas considerando a queimação de etapas que anda vivinha da silva, mais que salto no tempo, nessa série, nem me animo. Todo mundo se cura rápido nas Chicagos, o que aniquila um bom pedaço do desenvolvimento desses personagens.

 

Resenha Chicago P.D. - Ellie e Halstead

 

Em um singelo instante, Olinsky aguçou minha curiosidade ao largar no ar o “tudo pela informação”. Os instantes entre Halstead e Ellie me deixaram ligada porque contei os minutos para a nhaca acontecer. A menina conseguia ser envolvente e credito tal investimento bem-sucedido. Cada interação entre ambos soou como o lembrete de que para manter disfarces é preciso ir ao limite. Ou se usa drogas ou se faz sexo, e Jay preferiu se revelar. Uma burrice, mas…

 

A S1 mostrou um único trabalho sob disfarce de qualidade: entre Nadia e Burgess. Houve Ruzek, meio que de leve, e fez nhaca, mas foi para testar o shipper. É um job saia justa e Jay contornou o próprio rabo ao investir no papo de segurança. O que deu certo, afinal, as meninas eram carentes e fragilizadas. Facéis de dobrar, como a própria Tonya provou. Mas eu queria mesmo que Jay pisasse na jaca. Exausta desse povo certinho, socorro! É irreal demais.

 

Pior que intentaram uma história sideline sobre assédio e fiquei roll eyes. Sem sentido algum Jay tentar argumentar com Tonya sobre algo que nem os roteiristas deram conta. Intimamente, esperei que a garota investisse, mas deixaram reticências aqui que aguçaram a imaginação. Erin disse que Vince trocaria as alianças assim que soubesse que o esquema quebrou e eu não duvidaria que a mocinha acusasse o detetive de rebote. Eis a prova de que Halstead tem inclinação para fazer burrada porque não se tira da equação da problemática.

 

O melhor disso, se é que podemos chamar de melhor, é que os demais da equipe não me pareceram inclinados a acreditar que Halstead não fez sexo com Ellie. Isso me deixou meio contente porque se quebrou um pouco essa noção de que ali ninguém julga ninguém. “Ata”! Só Erin para apoiar o boy porque confesso que até eu desconfiaria e pediria provas porque não sou obrigada.

 

Jesse é ótimo em disparar a carga emocional do seu personagem, algo visto na S1 e no início da S2. No interrogatório de Tonya, o ápice do episódio, lá estava Halstead tentando manter a imparcialidade sem sucesso. O jogo que fizeram entre as duas meninas foi muito bom, mas não deixei de pensar o quanto chegaram perto do clichê de garota com ares inocentes causa e a dita vilã é vítima da dita inocente. Apoiaria esse plot, mas desde que a dita inocente fosse dissimulada.

 

Não foi o caso, mas, mesmo assim, as duas conseguiram brincar efetivamente com os sentimentos de um homem que se faz de impassível. Jay sempre quer pagar de distante, mas sabemos que distante é a última coisa que esse cidadão é.

 

Por mais que esteja exausta dos mesmos personagens Linstead terem destaque, é bom ter Halstead sem Lindsay no centro das atenções. Desde que engataram o shipper, esqueceram o cara no churrasco do Casey. Esse episódio de Chicago P.D. apenas relembrou o quanto Jesse tem talento. Inclusive que Jay não controla o que sente, mas deu uma melhorada ao ponto de pedir para sair.

 

Fato é que os acontecimentos dessa semana foram intensos pelos comportamentos e pela urgência de resolução de Jay. Ellie e Tonya só serviram para aquecer as coisas perto dos 10 minutos finais, sambaram, mas foram meros artifícios de um conflito juvenil que culminou em tragédia. Uma tragédia intencional e sem remorsos.

 

Embora o fim nada surpreendente, não deixou de ser desconcertante acompanhar o quanto ambas queriam se safar. Engatar a dúvida deixou as coisas mais envolventes visto o lugar que viviam. Um lugar que exigia esquemas de sobrevivência, o que rendeu a prostituição como garantia de se ter uma vida a partir dos 18 anos. Foi desnorteante ver Ellie dando em cima de Jay em troca de favores e juro que estava vendo a hora desse homem ceder. Porque, bem, homem. Se Olinsky virou machista, Halstead podia trair. Chicago P.D. está aberta a quaisquer tipos de absurdo, então…

 

Resenha Chicago P.D. - Tonya

 

Lá no fundinho, queria que Ellie fosse acusada e me pergunto porque não foi se a ideia é mudar Halstead por meio desse episódio. Disse lá em cima que seria clichê por causa da caracterização dócil da personagem, mas deixar nas mãos de Tonya soou prático. Tirou o peso da intriga de ambas que instalou dúvida entre os detetives. Seria uma reviravolta e tanto, bastava transferir a atitude da criminosa para a outra garota com uma pitada de drama psicológico – já que CPD descobriu o segredo para evitar grandes explicações. Isso sim seria quebrar um iludido em 100 partes.

 

Nada mais drástico rolou, mas nem isso tira o brilho de Tonya e de suas motivações. Ela meio que se achava líder das garotas. Quase uma mãe ao lhes mostrar outros meios e formas de fazer a vida. Seria gracinha se as intenções fossem boas, mas não eram. A garota tinha sangue frio puríssimo para manter o dela às custas das outras. A atitude expressada pela adolescente foi de se ficar embasbacado porque sua dita consciência limpa vinha do fato de que todas escolheram aquilo. Fato que, teoricamente, a imunizava. Esse julgamento valeria a pena assistir porque a moça simplesmente não perdeu a marra e pareceu sentir orgulho do que fazia.

 

Nada como jogar a culpa no outro, não é mesmo? O dito cada um com sua consciência.

 

Apesar de terem repetido esse modo de conclusão de meliante sem remorso, ter essa consciência livre de peso valorizou a investigação. Tonya nada mais foi que um ser desprezível, mas deixou toda a situação triste e de se inconformar. Penso que não teria o mesmo impacto se fosse um dos caras a comandar esse negócio porque o foco foi exclusivamente feminino. Detalhe que abria margem para uma competir com a outra. A acusada perambulava tranquilamente em um ambiente que tinha nas palmas das mãos, até o próprio Vince sabia disso e a acobertava. Escolhê-la foi muito bom, mas foi uma decisão pela marra que poderia ser usada para outra coisa tão quanto a dita inocência de Ellie.

 

Ou seja, dar uma quebradinha nesse estereótipo da loira inocente e da morena malvada (E Fire fez a mesma coisa com Laura e Brett, filmem).

 

Foi ótimo o trabalho emocional em cima de um personagem. Logo o que mais aparenta ser o defensivo e que tem tudo sob controle. Quero acreditar que esse caso o mude porque profundidade na vida dessa turma está em falta. Pena que sinto que será uma mudança pelo shipper. Afinal, Jay deixou de contar qualquer história individual lá na S2. Sad but true.

 

Extras

 

Resenha Chicago P.D. - Brady

 

O que me cativou nesse episódio de Chicago P.D. foi a nova mudança na rotina de investigação, como aconteceu um pouco no anterior. Brady foi o grande personagem junto com Halstead e dar atenção a esse local, mais que nos anseios do detetive sob disfarce, foi excelente. Criaram uma ambientação diferente, mostraram a rotina, a estrutura das aulas, os quartos, e os monitores… Muito melhor que o Prison Ball, outro fracasso estrelando Ruzek e Atwater. Parecia um acampamento perfeito para garotas e cada caminhada de Jay tornava o cerne do caso da semana temeroso, especialmente pelo fator homem entre meninas.

 

Havia essa oferta de segurança no Brady porque tudo era limpinho, organizado, salvo os conflitos que seriam impossíveis de conter. Em um olhar clínico, seria impossível alguém dizer que ali existia problemas sérios. As filmagens dentro desse lugar foram deveras estratégicas a fim de tentar provar que nada de errado poderia acontecer ali. Ué, havia organização e uma quantidade de funcionários relativamente preocupados com o bem-estar geral.

 

O único ponto de obviedade cogitável era mesmo o assédio e o abuso sexual porque, bem, homens que pensam com a cabeça de baixo. E isso foi latente, sem ao menos Halstead precisar se aproximar de Ellie. A troca de favores sexuais, um esquema coordenado, e a maneira como se dava desmistificou a falsa pureza do ambiente.

 

A escolha das atrizes foi ótima (saudade Heroes Reborn). Sem dificuldade, uma conseguiu entrar embaixo da pele de Jay e a outra cutucou diretamente o pavio. Ambas quebraram Halstead ao meio. Foi fácil se envolver com a problemática e o jogo de quem fez e quem deixou de fazer criou um ponto de tensão. O que rendeu a perda do controle do detetive pavio curto, algo expressado na hora de encontrar as evidências com Erin. Iniciativa que me aliviou por ele não ter partido para cima das jovenzinhas.

 

Tudo nos conformes, mas, venham cá: as meninas se vestiam muito bem nesse lugar e os quartos eram super cool. E eu fiquei???? Que Estado mais bonzinho.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago P.D. - Platt e Voight

 

A série continua a capengar e esse episódio é aquela figurinha rara e única.

 

O bom de trabalho disfarçado é que um personagem nos leva para a montanha-russa emocional e temos uma única impressão. Isso, se o conflito for interessante e nesse caso foi. O ambiente ritmado por cada passada de Halstead me deixou apreensiva as hell.

 

A maioria dos casos de CPD é deveras superficial e tendo um detetive inserido houve realmente algo a se contar, a se temer e a entrar em parafuso. A maneira como as meninas se repartiram para se proteger, Vince entregando o que acontece entre as paredes, Ellie informando que cada uma consegue o que quer desde que cumpram o que é determinado…. Meninas jovens, sem expectativa, vítimas de um sistema que as escravizou sem nem ao menos precisar de uma Tonya para segurar os barbantes.

 

Não me lembro se, no decorrer das resenhas, comentei o quanto Chicago P.D. dribla mulheres criminosas. Só investem em vítimas com o mesmo tipo de causa de morte. Meio mundo de série policial só investe em figuras femininas tombadas, sendo que há boatos de que essas mesmas figuras femininas podem cometer atrocidades piores que as dos homens. Não é motivo de se orgulhar, óbvio, mas estava mais do que na hora dos roteiristas darem uma refrescava em quem botar na cadeia. Os dois últimos episódios foram basicamente um copia e cola de acusados, o ponto em que chegamos com essa série. Tonya e Ellie mudaram “positivamente” esse quadro.

 

Vale um salve para a Platt, sempre tão maravilhosa. Não aguento essa mulher toda vez que se envolve aonde “não deveria” ser chamada. A culpa de não lembrar Sam e correr atrás de alguém para que a moça não terminasse como indigente rendeu em mais um instante lindíssimo para sua trajetória evasiva em Chicago. P.D.. A cena final com Voight, com direito a narrativa da falecida, estalou aquela ínfima realização do quanto o ser humano não vale muita coisa.

Stefs
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