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26/fev

Arrependo-me profundamente de ter assistido a esses dois episódios de How to Get Away with Murder ao mesmo tempo. Terminei a missão como se tivesse feito uma maratona de 20 episódios e meu cérebro fadigou com tanta informação em cima da outra.

 

Minhas opiniões estão extremamente divididas. Houve muitas coisas das quais gostei, mas há aquele gostinho de decepção aqui grudado na garganta. A começar por quem matou Wes, informação da qual não me agarrarei porque tudo nessa série pode mudar. Contudo, a maneira como entregaram apenas a superfície do que será o cerne do desenvolvimento da S4 não me fez feliz. Fato é que me sinto 100% vazia.

 

Os dois episódios entraram em pique de Fórmula 1, o que foi ótimo porque mantiveram o ritmo da narrativa. Pisaram no acelerador bonito junto com as corridas de Connor em instantes diferentes, mas que não deixaram de ser significativas à sua maneira. Uma porque amarrou com os sentimentos de Annalise quanto à perspectiva de suicídio e a outra porque significava a fuga de quem eu já esperava que entraria em pânico diante do corpo de Wes. Uma dobradinha de tramas que exigiu atenção redobrada porque tudo ganhou vida própria.

 

As mudanças de norte ocorreram em um piscar de olhos, mas, pelo menos, tiveram a noção de diminuir a quantidade de vozes em cena. Atwood, Frank e Bonnie só estiveram presentes para preencher tempo de tela, sendo que nem necessários foram. Mas nada a resmungar sobre.

 

Só com quem interessava em cena, houve o espiralar geral diante da necessidade de afogar as acusações contra Annalise. Todo mundo ainda corria o risco de ir para a cadeia, mas tal detalhe foi esquecido uma vez que a incógnita de quem matou Wes começou a ser construída com mais intenção e efetividade em ambos episódios. O 3×14 finalizou o trabalho da promotoria, uma finalização meia-boca que me era esperada. Denver ganhou o cerne com uma empreitada infantil, mas que aguentou firme ao apertar ainda mais os cadarços de uma Keating impaciente.

 

Tão impaciente que esperei vê-la estourando porque suas artimanhas do passado não funcionaram. Se nem Bonnie conseguiu, quem dirá a própria Keating que, além de irritadiça, começou a afundar de vez em suas emoções que barraram qualquer sinalzinho de autoconfiança. Sua apatia refletiu no resto e regou os episódios em questão de paranoia, de ânimos esquentadíssimos, de perda de esperança, de desespero e, claro, do peso do luto por Wes que chegou ao pico do excruciante – apenas para Connor e para Laurel. Emoções que rumaram firmes ao finale, estressando geral, e que deixaram o clima ainda mais denso no remontar da morte de Gibbins.

 

Pela construção da narrativa dupla ter partido de onde parou, agarraram a lógica de desarmar o circo. Libertaram Charles, uma sacada muito boa visto que esse cara teve que sair de cena para lançar falsa segurança entre Keating e Cia., e deram uma pincelada no futuro de Atwood. Aberto espaço, instalaram uma nova intriga em torno de Gibbins. E não sei ainda o que pensar sobre isso.

 

Uma intriga que pode ainda ter a promotoria, mas não Atwood. Uma personagem que, não sei, ainda acho que tem chances de retorno. Por que diabos ela forjou a assinatura de Nate? Assim, na real? A mulher segurou essa história com excelência, só que da mesma forma que tal conflito nasceu do nada, morreu do nada. Por que não investiram nessa de conspiração, hein? Mas daí me lembro quem é o pai de Laurel e não dá para descartar esse papo ainda. Afinal, só a gente sabe dele.

 

Pela necessidade de explorar o ponto de vista de Walsh, o clima de tribunal não se estendeu. Detalhe que aumentou a sensação de que dessa vez Keating e Cia. não se safariam. Nem mesmo ao usar da vulnerabilidade de Laurel, muro que não cedeu e que intensificou as emoções desses personagens. Os roteiristas abriram tudo de uma vez, jogaram no limite, e depois afunilaram os termos rumo à grande descoberta. Sem deixar a penúria emocional sair de cena.

 

Foi a própria maldição Cruciatus tocando pontos sensíveis e desafiando o autocontrole que não existia. Apesar da tentativa de equilibrar os ânimos, foi exaustivo acompanhar Annalise, Connor e Laurel. Sério, essas três últimas semanas de Murder tiveram a habilidade surreal de sugar as energias e as emoções como uns malditos dementadores. E não sobrou nada! A não ser eu em estado catatônico e uma turma de saco cheio de ficar correndo atrás do rabo da pessoa que botou a casa abaixo.

 

Esses episódios mantiveram o mesmo apelo da escrita, usando de cada personagem como ponte para contar o resto. Exploraram quem ganhava destaque no retrocesso de Wes e Connor foi a ponta solta da vez. Não demorou para que sua revelação apresentasse uma pessoa que precisa de ajuda urgente. De quebra, que funcionasse como nova possibilidade de tirar Annalise da forca. Difícil a princípio porque Denver estava muito disposto a afundar Keating. Ele tinha até uma última carta coringa que envolvia Laurel. Um indicativo de nada sobre a possível parceria desse homem com quem mandou matar Gibbins.

 

Resenha Murder - Connor

 

Connor foi o grande eixo emocional de ambos os episódios, o que justificou seu destaque lançado a partir do 3×02. O garoto queria quebrar o ciclo, pensamento que o tornou um suspeito quase perfeito. Ele ficou nas sombras, engatilhou o veneno que espirrou em geral e conseguiu dividir opiniões sobre sua inocência. Ótimo! Porém, uma vez que Annalise bate o martelo sobre alguém ou se confia ou se entra na paranoia. Eu entrei na paranoia porque estava vendo a hora desse cidadão virar bode expiatório. Vi super essa possibilidade.

 

Principalmente porque foram espertos em criar um elo entre Keating-Walsh desde o início da temporada. Um elo de amor e de ódio que rendeu outra discussão em que não deu para tomar partido de ninguém.

 

Walsh teve sua barra limpa diante dos olhos de Annalise, mas não antes de ser massacrado por si mesmo e por alguns colegas. A contemplação ao suicídio mais as discussões que estrelou no 3×14 renderam instantes pesadíssimos. Se não bastasse, ainda rolou surpresa no retrocesso e a ideia da massagem cardíaca ter partido algo em Wes me fez tremer.

 

Mas não tanto quanto Connor querer assumir um crime que só Oliver foi o entusiasta do não. O personagem quis abraçar tudo e aí temos Murder em pura contradição. Afinal, qualquer iniciativa pode nortear para outro caminho. Considerando que Gibbins se foi, todos eram vulneráveis aos pretextos de Bonnie e de Keating. Isso me fez até pensar em Frank que poderia muito bem ter se denunciado para se proteger.

 

Sempre digo a não novidade de que em Murder não tem inocente. Não é à toa que no 3×15 Bonnie deu um tapão em Laurel ao dizer que Wes também foi um assassino. O confronto entre Connor e Annalise rendeu uma das cenas mais impactantes e importantes dessa dobradinha porque ambos são os únicos que apresentaram os resultados de três anos de crimes, de trapaças, de mentiras, etc.. Laurel foi norteada pelo luto enquanto essas duas figuras demonstraram o quanto o volume embaixo do tapete começou a afetar o mental. Não tem como ficar bem com esse bolo de nhacas. Entendem agora o por quê digo que Asher é irreal para o tanto de porcaria que já lhe ocorreu?

 

O 3×14 destacou duas pessoas que estavam abaladas psicologicamente e emocionalmente. Além disso, que não verbalizam o que sentem e prendem as mesmas coisas e muito mais por anos. Não sabemos como Connor foi antes de entrar na faculdade, mas é fato que tudo começou com a descoberta da sua sexualidade. Algo comentado em pequenas nuances nesse referido episódio, o bastante para pontuar que ele é quebrado muito antes de ingressar no curso de Direito. Oliver estava corretíssimo em pontuar essa “fraqueza”.

 

Apesar disso, não era preciso desses dois episódios para vermos que Connor tem sérios problemas internos. Bastava se lembrar de suas reações na S1. Ele se tornou outra pessoa, seu sistema nervoso fechou para fazê-lo “lidar” com o que ocorria e o mesmo rolou ao deixar Wes para trás. Em situações como essa, Walsh age no piloto automático, como Annalise fez e tentou várias vezes na segunda parte dessa temporada. Porém, a lembrança de Wes a partiu junto com a memória do filho perdido que continuou a povoar seus pensamentos.

 

O mesmo Walsh que, apesar de culpar Gibbins por tudo, não se sentiu menos aliviado pelos desdobramentos que quase colocou sangue em suas mãos. Ele chegou perto de ter cometido um assasssinato, mas houve dualidade na hora de querer assumir essa treta. Depor é uma coisa. Ser preso é outra. Dois momentos desse personagem que acabaram por honrar o seu conflito de vamos quebrar o ciclo vs. mas sem cadeia.

 

Resenha Murder - Annalise e Connor

 

Em meio à discussão, não havia como tomar partidos. Keating foi injusta em querer arremessar tudo de Sam no colo de Walsh, sendo que foi ela quem o orientou no processo justamente para não manchar unicamente sua reputação. Na S1, a mulher pouco ligava para o Keating 5 e conseguiu manipulá-los com perfeição. Além disso, foi esse mesmo cidadão que se recusou a atirar nela, mas ficou até o último segundo para tentar estancar o sangue. Já a cutucada do estagiário foi certeira porque é o ponto delicado da advogada que pode ter sido trabalhado e finalizado em flashback, mas perdura internamente.

 

O interessante é que esses dois possuem muita coisa em comum, o que nos faz voltar ao 3×02. Walsh teve grande destaque e Annalise deu todo apoio (e ficou passadíssima com a revelação dele diante de uma estranha). Um episódio que o definiu como o possível traíra e depois como possível assassino. Muita carga para quem só queria dar no pé, mas por não lidar com tanta coisa, os comportamentos erráticos, tais como contemplar suicídio, entraram como falsas soluções. Ele fez o que Laurel deixou claro assim que acordou: centralizou a raiva em alguém. E esse alguém foi Keating. A razão verdadeira do personagem ter atacado todo mundo para quebrar o ciclo.

 

Por essas chances de ser o traíra, muita coisa imunda foi dita na direção do garoto. E aí temos as contradições interpessoais que me tiram do sério. Porque até eu fico contraditória e é ruim demais da conta!

 

A começar por Asher que deveria ter mantido a boca fechada. Parece que se esqueceram de que ele matou Sinclair e foi cúmplice de estupro coletivo. O cara só encheu o saco de novo, causando, querendo ser o real escudeiro sendo que sua storyline nem foi trabalhada. De repente, todo mundo fica puro nessa série e dá nervoso, pelo hipogrifo!

 

Para tensionar, Laurel me pede para Connor se matar. Wait, what? WTF, woman? Isso não é coisa que se diz nem para o seu pior inimigo. Foi sujo pra caramba. Se a ideia foi colocar em pé de igualdade por causa do comentário sobre aborto, ok, tudo que vai volta, mas celebrá-la por jogar confete em suicídio é tão grave quanto ignorar que Walsh pediu encarecidamente que Castillo desse fim na sua gravidez. Ambos errados!

 

E não estou dizendo isso só porque descobrimos que Connor tem essa tendência. É desrespeitoso com quem sofre realmente com isso de maneira geral. O mesmo se aplica para o aborto. Não tem que celebrar ninguém aqui e em nenhum dos casos. Ainda mais quando a própria Annalise também pensou nessa possibilidade para encerrar sua vida. Mexe com situações verídicas independente de ter sido da boca pra fora.

 

Connor contou com um parco desenvolvimento nessa temporada. Ato que me deixou feliz, especialmente por ter justificado o seu posicionamento nesses dois episódios. Todo o ciclo de Murder se tornou um acúmulo que ele tenta tratar na terapia, outro ponto que rebateu em Annalise que não entende o por quê de pedir ajuda por parecer resmungo à toa. Não há detalhes do que Walsh possa ter, mas a sondagem ao suicídio funcionou como resposta ao que Annalise intentou no 3×13. Ambos estavam em pé de igualdade e a discussão ressaltou isso.

 

Ambos queriam entregar o jogo, mas Annalise tem seu jeito de se manter firme até quando quer cair. Já Connor se revelou como a ponta fraquíssima, um termo que nem gosto de usar devido ao que o acomete. Com uma saúde mental debilitada, se torna difícil qualquer recuperação traumática. E, para o contexto de Murder, o torna o bode expiatório ideal. Intencional ou não, os roteiristas criaram um paralelo entre Walsh-Keating que, no final das contas, acabaram por depender um do outro para restabelecer uma dita confiança.

 

Confiança que fica sob suspeita porque não foi a palavra-chave desses episódios. Como mencionei, todos estavam no limite e queriam tomar um tipo de partido. A dobradinha seguiu por duas storylines contínuas que buscou na S2 um tipo de apoio para que Annalise verbalizasse seus sentimentos reais por Wes e por tudo que os Mahoney lhe provocou. Ao contrário de Connor que não compartilha, Keating precisava botar para fora se ainda intentassem mantê-la como pilar da história. A mulher precisava da sua libertação e isso só seria possível ao assentar a memória de uma criança que continuou a ser assunto dessa temporada.

 

Os roteiristas fizeram, na medida do possível, um ótimo trabalho ao cimentarem a S2 com a S3. Deu mais importância à vulnerabilidade de uma Keating outrora implacável. Deu mais significado ao seu luto. Agora, um luto de dois. A personagem não teve um minuto de paz, pois ainda houve tempo para uma sutil remexida na storyline da temporada passada. Charles, o verdadeiro pai de Wes, uma quebra de se deixar qualquer pessoa exaurida. Revelação que alimentou aqui no meu ser a ideia de que Gibbins procurou a Sra. Mahoney no fim das contas.

 

Uma última reviravolta para quem não estava suportando os relances de reconhecimento de que dois entes queridos lhe escaparam por entre os dedos. Não superar essas passagens, que inclusive trouxeram uma nova finalização para menino Wes, seria o mesmo que matá-la de dentro pra fora. O que pode lhe dar vida no futuro é a perseguição de quem matou Gibbins, mas como combater um cara como Jorge?

 

Resenha Murder - Annalise

 

Annalise pregou o não reclamar, mas agir. Porque reclamar em sua lógica é coisa de pessoas fracas. Ao contrário das temporadas anteriores, nos deram uma protagonista prepotente e etc. e tal, aquela versão que estava presente no episódio, norteando Bonnie de um jeito irritante para vencer a qualquer custo graças à brecha de Atwood. A famosa mulher de ideias mirabolantes que perdeu o apelo e a funcionalidade a partir do momento que Wes foi tombado. A personagem bem tentou reconquistar esse seu lado, mas um luto em cima do outro tornou a tarefa impossível.

 

A versão imbatível deixou de ser imbatível ao sair da sua complexidade natural de tomar decisões. Nisso, a solução: Gibbins o assassino de si mesmo. Basicamente uma saideira simplória que me indica que a renovação afetou o processo.

 

Não se sabe se Annalise conseguiu seu conforto interno, mas, ao menos, ela teve chance de revisitar e de estancar sua maior dor pessoal. Uma dor que não foi digerida e que precisava de um ponto final. A casa revisitada rendeu outro pico emocional de ouro para a finalização dessa temporada de Murder, ato que não fazia parte de tramoia alguma. Era a última, talvez, demonstração da dor real que parece ter encontrado um ponto de apaziguamento. Os episódios deram um tipo de encerramento à sua protagonista. Dois assuntos que assombraram essa mulher por duas seasons e que a empurraram para o fundo do poço de vez. E ela foi.

 

E voltou, o que indica que Murder sofrerá uma forte repaginada. Oremos!

 

Naquela roda de conversa, em busca desse aprendizado e dessa sensação de melhora pós-fala, Annalise se entregou ao que evitou durante sua saída da cadeia: resmungar. Keating queria agir e agiu, mas não dava para competir com seu coração pesado. Da mesma forma que Connor não conseguiu competir com seu eu quebrado. Enquanto os outros ainda estavam muito a fim de brincar, esses dois só queriam que tudo terminasse. Não apenas o ocorrido com Gibbins, mas tudo mesmo.

 

Walsh espiralou com a possibilidade de ter matado Wes e Annalise ultrapassou o limite dentro de seu próprio sufoco emocional e psicológico para honrar Wes. Tanta dor e tanto sofrimento para… Culpar quem morreu.

 

A mensagem de celular me soou como uma resolução simplória. Para uma criança acostumada com reviravolta carpada, aka eu mesma, a mensagem dada de graça me soou como um remendo de última hora. Denver lacrou todas as saídas, tinha tudo na mão, para aceitar um acordo? Depois de chegar ao ponto de sumir com Walsh e gerar um pouquinho de terror psicológico nos demais?

 

Quem me garante que esse cidadão não usará da mesma sacada para afundar Annalise no futuro? O que houve com Sinclair rebateu aqui e não senti tanta firmeza nessa conclusão. Reduziram o peso da dita conspiração para uma mensagem tão fraca quanto Jorge ser o assassino (nem considero mandante).

 

A promotoria tinha tudo nas mãos e ficou tudo meio meia-boca para o que sempre tendem a fazer no fim de temporada. Porém, e de sua forma particular e intimista, conseguiram casar com o que veio a seguir: os detalhes da morte de Gibbins. Não consegui segurar meu pobre coração. Fiquei arrasada e esse é o principal motivo de me sentir vazia quando sentei para escrever essa resenha.

 

Resenha Murder - grupo

 

Murder tem seu talento de colocar quem assiste na saia justa porque a história que temos até aqui implora para que a gente não se compadeça por ninguém. Annalise nunca hesitou em ser corrupta, cometer perjúrio, encobrir crimes. Connor tem sangue nas mãos, assim como Michaela, Asher e etc. e tal, mesmo que indiretamente. O mesmo vale para Gibbins que matou Sam mesmo que tenha sido defesa por Rebecca. Sentir tristeza por essa turma me faz perguntar o que diabos tem de errado comigo. Não faz sentido querer colocar Walsh ou quem for no potinho, a não ser para servir de alvo de tiroteio alheio porque estão precisados.

 

Daí, entramos no quanto esse grupo é multifacetado e humanizado. Não somos perfeitos. Em algum momento já desejamos a morte de alguém. Em algum momento já falamos uma nhaca das grandes que pode até ter superado o aborto mencionado. Em algum outro dia, você pode ter se priorizado e deixado outra pessoa na mão. A lista é grande, o que me faz retornar no quanto há contradição por segundo nessa série e o quanto é ruim ser contraditória. Você pode ficar ao lado de Connor hoje, mas e amanhã? É frustrante!

 

Mas vamos pensar em Coliver que as maldades dão uma amenizada. Lindos!

 

As coisas ficam ainda mais difíceis quando não se tem desenvolvimento de personagem. Parece que é proposital para manter essa contradição. Essa dualidade para nos testar puramente. A realidade é que o amor acontece pela casca de cada membro dessa panela. É assim que mais ou menos me sinto. Wes se mostrou uma boa pessoa e intentou um reajuste pessoal. Tentou se remendar, focar nos estudos, iniciou um relacionamento saudável e tentou fugir ao máximo de problemas. Mas ele matou Sam!!!

 

Mesmo que a morte de Sam não tenha sido bolada, a mão dele batizou aquele troféu e levou todo mundo junto. Só que a diferença mora quando suavizam alguém em destaque e lançam nuances que aproximam da dita redenção. Gibbins o próprio, especialmente na companhia de Laurel. Ato que me impediu de fazer a egípcia, como bem fiz com Frank. Chorei litros com esse garoto!

 

Nada anula o que cada um fez, mas o jogo muda um pouco quando um tenta ter mais razão que o outro, como rolou com Laurel. Ela me deixou irritada durante o 4×15 inteirinho. Da mulher do luto, ela saltou para uma mulher irresponsável norteada pelo que sentia. Ok ser egoísta, quero mesmo que essa turma passe a pensar no próprio umbigo já que Annalise não hesita em fazer o mesmo – ou ao menos hesitava. O que casa no canalizar a raiva.

 

Castillo mostrou que precisava canalizar a raiva em alguém e encontrou em Walsh isso para realizar seus últimos intentos. Só que, considerando que um deles já tinha morrido, custava pausar para perceber que outro poderia morrer no processo e assim levar todos de uma vez?

 

Daí fico me perguntando o que diabos tem nesses personagens. Ninguém é perfeito ou inocente, nem eu sou, mas não vi nenhum disposto a sair dessa vida. Todos brincam de ser egoístas, mas nunca o são. Lealdade? Não iria por aí. Já chega ao nível de co-dependência, como Annalise-Frank-Bonnie.

 

O elenco é excepcional e é aí que tem outra linha tênue. Os dois episódios contaram com atuações maravilhosas, mas a vontade normal de sentir raiva e de criar um novo incêndio deveria ser mais latente.

 

Mas não é. Wes mexeu com todo mundo à sua própria maneira mesmo sendo ele o responsável pela teia de mentiras e de crimes que se sucederam. Claro que a culpa não é totalmente dele diante do histórico de Murder, mas o moço foi o estopim. E o estopim realçou o melhor e o pior dessa turma, especialmente da sua protagonista. Gibbins conseguiu com sucesso criar variantes de remorso e de desespero. Não menos importante, de julgamento. Quem é você para julgar o outro quando também tem sangue nas mãos? Fica o questionamento.

 

“O assassino (?)”

 

Resenha Murder - Jorge

 

Não gostei não, sincera. Talvez, pese um pouco minha opinião particular porque não suporto comodismo. Matando Wes, o assassino tinha que ser no mínimo alguém da rotina desse personagem. Quem é esse? Quantos anos de carreira? Quando deu a entender que era Denver já queria estar morta. Daí Jorge me surge como o boss do crime e morri realmente.

 

A morte de Wes me apeteceu por ser main character, mas penso que demorarei a aceitar o pai de Laurel como o causador. A balança não ficou equilibrada. Só vejo egoísmo paterno ou racismo. Porém, sinto que a brecha dos Mahoney ficou aberta de propósito porque esse homem tem uma grande empresa de vigilância (se for só isso, né?). O que justifica, inclusive, todo acesso da promotoria aos arquivos de Annalise e do Keating 5.

 

Se é para ressaltar um ponto bom, foi a escolha imprevisível e que acabou por centralizar Laurel no cerne da próxima temporada. Espero que a moça esteja bem até lá.

 

Prefiro não aprofundar minha opinião porque preciso de um motivo. O motivo é a única coisa que salvará o que rolou com Gibbins porque foi sangue frio demais. Não sei, senti tanto ódio envolvido da parte do capacho…. Tipo, muito! A maneira como trataram o garoto como se fosse lixo ficou presa na minha mente e a cena não tem me deixado dormir direito. Foi pesado demais!

 

Mas, esquecendo o motivo, não curti a escolha não. Não surtiu impacto e a situação de encerramento de Laurel atrás de Charles não ajudou muito. É outra personagem que provavelmente vai espiralar igual ou pior que Connor no futuro. Ainda mais quando souber do pai, homem que tenho certeza que mandou o depoimento da filha sobre o falso sequestro para garantir que essa tramoia não caísse por terra.

 

No fim, senti que o importante nem era prender Annalise, mas manter a identidade do assassino secreta. Tudo não passou de distração em cima de distração, e quero ver como a turma chegará ao Jorge.

 

Concluindo

 

Resenha Murder - Wes

 

Os dois episódios seguiram dentro da proposta. Mesmo tendo elencado muita coisa com rapidez, os roteiros conseguiram solucionar ao menos o lado de Annalise e Cia.. Porém, os conflitos centrais perderam a força muito rápido e os personagens em destaque acabaram por sustentar o bonde. A promotoria era o cerne de tudo e apaziguou depois que Atwood saiu. O único benefício disso foi despachar quem era desnecessário nas duas tramas, como Nate – que provou sua lealdade.

 

As relações precisavam ser retomadas e esse foi o propósito central de ambos episódios. Além disso, cimentar o que ocorreu na S2 até aqui. Os estagiários se fortaleceram do jeito torto deles e a porta dos Mahoney se abriu de novo para nos levar ao dito assassino que precisa contar com complexidade na próxima temporada. Trabalharam e extrapolaram tanto o emocional que se esqueceram um pouco das dificuldades do mistério. Jorge pode ter sido imprevisível, mas quem é ele na noite?

 

Wes morre e dá evidência de graça? E Jorge bolou tudo? Confesso que dois dias se passaram e continua difícil de digerir esse rebuliço.

 

Renovação afeta tudo. Não tem jeito. E essa finalização me soou como meio de salvar mais uma temporada. Melhor segurar o Keating 4 em sua paranoia e acalmar Annalise que fazer alguém desse grupo ser culpado de algo mais grave. Reuni-los se tornou um mal necessário porque Jorge me parece o fodão, com todo respeito da palavra. Amoleceram os personagens como fizeram com a promotoria e volto a indagar a necessidade de mais um ano. É um norte fresco, mas o que botarão no meio? Quero desenvolvimento de personagem. Ainda mais agora que a turma voltou à estaca zero.

 

Num balanço geral, a temporada ficou dentro da sua proposta. Esticaram o passado de Annalise para zerar as contas. A casa é o maior simbolismo disso. Caminho de redenção? Duvido muito!

 

O finale fez o favor de afundar o trabalho das duas temporadas anteriores, então, posso presumir que nada do antes irá para o futuro. Afinal, o antes foi Wes. Aquele quem abriu a porta e quem acabou por fechá-la sem ao menos pedir. Para uma série que foi renovada e que precisa sobreviver é hora de um tapa refrescante. Murder já chegou aqui sem tanto fôlego, causando exaustão para deixar todo mundo moído, e o que salvou na maioria dos episódios foi a atuação dessa galera.

 

Toda a intriga da S3 em torno de Annalise soou um tanto quanto fútil. Desde os panfletos até as atitudes de Denver. Até mesmo com Jorge em cena. A chefia da promotoria se mostrou implacável, mas nada justifica o que ele intentou fazer com a galera. Foi um homem de ego machucado que sempre será delicioso ver perder. Pena que até a queda dele foi simplória em influência da mensagem. Foi uma saída fácil para quem estava sem um pingo de pudor para derrubar as pessoas. Em maltratar as pessoas.

 

Para quem tinha a ficha tão imunda quanto a de Annalise, só que detentor de um cargo mais alto, contar com um presente de Wes não deixou de ser um baita desaforo. Só gostei mesmo por terem criado um laço com o caso Sinclair, mas esperava algo mais impactante e que trouxesse de volta nem que fosse um terço da força da protagonista. Mas o clima não estava propício.

 

O que se aprendeu? O que faz cada um se sentir melhor? Incógnitas. O trauma que boa parte dessa turma tem me deixa com os dois pés atrás sobre o futuro de Murder. Se ousaram tirar Wes de cena, não quererei menos que isso na S4. Mas nem boto fé devido à escolha do assassino. Uma escolha que ainda não arrisco em colocar como definitiva.

 

Fica o agridoce desses personagens nunca trazerem quem realmente são à tona. Se eu ler todas as resenhas, certeza que muita coisa muda porque Murder é dual demais. Às vezes, até eu me sinto dual porque as opiniões mudam rápido depois de cada episódio. É o preço de uma trama multifacetada ao extremo e por isso se torna exaustivo assisti-la. Não de um jeito ruim, mas todo esse apelo emocional, essa culpa, esse peso, suga demais.

 

Essa de ficar paranoico junto não é fácil. De ficar trocando o botão confio não confio, é assassino não é assassino. Queria minha Michaela assassina verdade seja dita, mas…

 

Não foi uma temporada ruim, mas também não foi inesquecível. O lado bom é que os personagens escolhidos para terem mais destaque tiveram propósito, mas não anula minha insatisfação quanto a isso. Não aguento mais ver Asher desse jeito, de verdade.

 

Enfim, encerro as atividades com essa série aqui. Retornaremos no futuro. Obrigada a quem leu as resenhas e deixou seus comentários (e peço desculpas pelo delay em responder, mas a vida tem seu jeito de complicar as coisas). Até a próxima temporada! <3

Stefs
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