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05/fev

Eu não sei vocês, mas fiquei extremamente arrepiada com este episódio de How to Get Away with Murder. É, é estranho dizer isso visto que esta semana da série permaneceu monótona, mas sem deixar de apresentar conteúdo pertinente para os desdobramentos de fim de temporada. Tal sensação, que costumava me abater diante das reviravoltas carpadas, vem de um ponto de incômodo diante da realização de que os cadáveres da trajetória dessa série têm tudo para virem à tona. E isso é arrepiante por si só. Afinal, o navio pode afundar de vez e quero muito.

 

Outras realizações que me deixaram nesse estado vêm de Wes que, supostamente, estava inclinadíssimo a dedurar todo mundo e do poder da promotoria que fez o grande favor de quebrar a cara de Michaela e de Asher. Uma soma de circunstâncias arrepiante à sua maneira, que propõe uma mudança radical em Murder. Esta semana, se trincou ainda mais um teto de vidro que entrou em contagem regressiva para ruir.

 

Enquanto a resposta sobre quem matou Wes não vem, o roteiro da semana se calibrou e atirou em Frank. Personagem que serviu de isca tanto de distração quanto de movimentação de trama. Ótimo, especialmente pelo apelo dramático que esse moço engatou em Bonnie e em Laurel, o que aumentou a sensação de desolamento completo. Honestamente, não aguentava mais tanta vitimização desse cidadão à toa. Estava interessante na medida do possível, mas alongaram tanto que chegou uma hora que enough. Espero que seu tempo de tela também diminua porque não tem mais motivo para Delfino ficar em destaque. Há uma penca de gente esperando sua vez.

 

Male, male, Frank serviu de divisor de águas ao se pontuar como causador da morte de Gibbins. De um lado, tivemos Atwood que queria descartá-lo mais porque não queria a libertação de Keating. A cada semana, essa mulher se revela como um espelho daquela que quer a todo custo manter na cadeia. Ela se move pelo prestígio e pelo bel-prazer. Para quebrá-la, tivemos Bonnie, a compassiva que falhou miseravelmente outra vez não só diante de um, mas dos outros que começam a cair na real de que os tempos de sucesso se foram. Mesmo no cerne, Delfino não causou tanto rebuliço. Esse papel foi da promotoria que rendeu um novo impacto ao ter a soma de todas as temporadas de Murder nas mãos e enraizou mais a sensação de que estamos próximos ao fim dos tempos.

 

Na cola desses três, havia Nate, que quer ser o grande entrave. Pena que não é, pois está aí um cidadão que precisa decidir o que quer da vida logo de uma vez. Se há uma coisa que me irrita é personagem zanzante sem propósito e ele é esse tipo. O homem não decide a quem quer ser leal e nem traz a intriga necessária de duplo agente. Essa de invadir a privacidade de Laurel e de querer ser espertinho para cima de Frank muito de principiante. Parece que nunca lidou com Annalise e me restou achar graça. Principalmente porque Atwood pisa demais e acho mais graça ainda.

 

Resenha Murder - Frank

 

Essa acusação frouxa de Frank foi o cerne do episódio e serviu para embaralhar a trama tão quanto instalar a sensação de que não há mais blindagem. Independente de ter sido uma semana monótona para os padrões de Murder, a intenção de tirar um a um de cena para, talvez, restar quem matou Wes ficou mais clara. É o ponto de relevância atual e Delfino se foi por uma mentira.

 

No fim das contas, Frank se entregou porque quis. Com direito a sorrisinho de vitória e um gritinho para Bonnie a fim de deixar a patroa ciente de que continua a ser pau para toda obra. Mas por qual motivo? Ninguém dessa série faz algo sem visar algo maior. Não havia necessidade desse show, ninguém precisava dele, nem mesmo Winterbottom que tomou as rédeas do escritório desde que o cidadão saiu da cena. Contudo, desde que matara Mahoney, Delfino almejou colo de mãe para voltar a ser desejado. Algo que não vinha acontecendo e continuou a não acontecer. Se nem Laurel quer, quem é Annalise para querer também, né?

 

Frank deixou a pulga atrás da orelha ao tomar tal decisão. Pode ser que a entrega foi meramente para subir no pódio de quem faz tudo por Keating, o que é compatível a sua trajetória em Murder. Era óbvio que ele não tem culpa de nada. Eu poderia usar Laurel como desculpa, mas Annalise é o peso de influencia maior. Ele não seria tão burro em matar Wes. Até o próprio Wes esfregou isso na cara do cidadão. Ao menos, é o que quero acreditar considerando que Delfino fez tudo na medida do possível para ser aceito de volta ao grupinho depois de assassinar o patriarca Mahoney. Dessa forma, se dizer culpado na tentativa de salvar sua mentora foi no mínimo esperado.

 

Penso que Bonnie teria dado uma dessas. Ela faz parte da turma que ama provar valor diante de uma mulher que não tem envergadura moral para cobrar algo de alguém. Mas, a essa altura, ninguém parece disposto a demonstrar essa dita coragem de Frank devido ao costume da mãe limpar as fraldas. Com a prisão efetiva de Delfino, mal posso esperar pelo engrandecer do drama dos estagiários. A turma perdeu em poucos dias duas pessoas que colocavam os cadáveres embaixo do tapete e Winterbottom ainda não possui o pulso firme necessário para ser uma contingência confiante e massacrante. A assistente pode ter matado Rebecca, mas a sua soma de nhacas pesa mais que suas conquistas.

 

Bonnie mostrou várias vezes que prefere ser amena a avassaladora. Ela permaneceu quase em silêncio enquanto tentava agir e somou mais um insucesso para desgosto de Annalise. Essa quietude pode ser tudo, mas, por enquanto, lhe rende nada. Winterbottom precisa sair do modo de operação de Keating para mostrar trabalho. Lisa como seda para dar o bote me soa ideal, mas é preciso um novo olhar na situação, um parecer geral, ou todos se ferrarão por burrice. E burrice é algo fora de cogitação para um grupo que só vem dando dribles (até quando?).

 

Mas é preciso injetar coragem e quero acreditar que essa coragem venha com a realização de que Frank escapou por entre os dedos. Por mais que o personagem tenha motivo para o dito crime passional, não havia respaldo forte o bastante para trancafiá-lo. Atwood fez isso acontecer, só que do seu jeito, deixando o agridoce para Keating-Winterbottom.

 

Os demais

 

Resenha Murder - Atwood

 

Atwood me deixa irritada na maior parte do tempo, mas não tiro sua razão de querer esmagar Annalise. Tenso é que, pelo visto, a personagem parte das artimanhas baixas a fim de tornar tal investigação firme o bastante para não ser contestada. O papo de Wes ter morrido dentro da casa ainda alteia minhas sobrancelhas porque soa como um movimento em benefício próprio.

 

Mesmo com claras segundas intenções, ela está cada vez mais forte na trama e tem levado o conflito da vez nas costas. A nova boss está destoando Bonnie, o que não deixa de ser interessante porque ambas brigam pela mesma pessoa. Atwood é destemida. Consciente de que é boa o bastante para colocar mais um prego no caixão de Keating e assim o fez. A mulher simplesmente sambou e mostrou que é para temê-la sim. Principalmente porque estamos diante de uma caracterização e um modo de operação de ataques desconhecidos. Pode ter rolado aprendizado com a concorrente no decorrer dos julgamentos, o que reforça o pagamento na mesa moeda, só que com mais classe. Aqui há um tom de superioridade para se preocupar, especialmente porque há uma dupla de investigadores que, por mais que não entendam essa sede, está nas mãos da promotoria.

 

Enquanto Atwood atacou sem pestanejar, Bonnie terminou acuada. A personagem não está sabendo priorizar e partiu para o jogo com o mesmo norte de pensamento de temporadas passadas. Um plano que, particularmente, me fez revirar os olhos porque não é mais novidade lançar a culpa da grande nhaca em quem é inocente. Falhar era previsto e falhou para o desespero dos estagiários. Ainda aposto algumas fichas de que essa mulher mostrará sua verdadeira faceta que nada tem a ver com a amedrontada diante dos ataques de Annalise e nem com aquela que deu cabo em Rebecca. Há muito que Winterbottom não mostrou ainda, como seu legítimo sangue frio que a endurece e que pode torná-la tão implacável quanto quem lidera a promotoria. Adoraria ver isso.

 

Admito que gostei bastante de ver Bonnie falhar porque tirou valor de uma medida outrora funcional. Além disso, fechou mais o cerco. Independente, ainda quero acreditar na reviravolta dessa mulher. Está tudo nas mãos dela, deve haver alguma carta coringa. Claro que depende muito do que intencionam já que Atwood saiu extremamente forte deste episódio. Ao colocar Frank como cúmplice, ela só puxou mais a corda de uma turma em pé na forca.

 

Resenha Murder - Grupo

 

Quanto aos estagiários, peço por gentileza uma pausa para Laurel. A personagem foi tratada como elo frágil e mostrou muita força. Ela se mostrou valiosa para a trama e conseguiu dar a volta por cima. Mesmo que tivesse que fazer coisas contra sua vontade. Além de ajudar a botar Delfino como cúmplice na morte de Wes, a queridona empurrou o punho de Atwood na hora de fincar o novo prego no caixão de Annalise. Detalhe que ressaltou a sensação de incompetência de Bonnie e que injetou confiança a uma promotoria detentora dos arquivos de perdas que envolvem essa turma.

 

Um sufoco em forma de cadáveres que transpareceu mais pelos olhos de Oliver, que só faltou fazer xixi nas calças diante de Michaela. Fiquei feliz por ele ter refutado e ter agido sob ameaça. “Feliz”, né? Mais pela parte dele não ter topado hackear a promotoria por vontade própria. Anteriormente, o personagem tinha aquele desejo insano de ser útil, mas as coisas se alteraram ao saber a ponta do iceberg que afetou toda a vida de um Connor que, querendo ou não, saiu vitorioso na sua dita balela chata. Eu disse que o garoto tinha certa razão. Afinal, é anormal esse povo “lidar” com tanta nhaca tão bem. Sorrir como se o tempo fosse só de sol. Me poupem!

 

Li muitos comentários negativos sobre Connor com relação ao episódio passado. A parte do aborto foi imperdoável, com certeza. Falou big shit digna de ninguém ali olhar para as suas fuças, muito menos eu. Porém, focando aqui no âmbito trama, isso desde a S1, ele é o único personagem que está desenvolvendo o que não foi lidado depois da morte de Sam. A maioria das pessoas acha que lidar com um trauma dessa estirpe é algo como Asher. Só que não é! Millstone parece que nunca ouviu o nome Sinclair. Isso é anormal demais!

 

Asher tem um acúmulo de traumas que diria maior que a do próprio Connor. Além de matar Sinclair, houve o suicídio do pai e aquele tratamento psicológico via Annalise ao assistir o abuso de Bonnie. Em âmbito geral, esse personagem tinha tudo para ser o pentelho da consciência pesada, já que Walsh parou em Sam e usa só desse momento como divisor de águas em sua vida. Millstone viveu drama demais na S2, tem bagagem barra pesada, mas empacou igual Michaela. Moça que preferiu ser uma possível nova Keating para proteger uma reputação que nem existe mais.

 

Michaela é outra personagem que não atravessou nada do que carrega desde a S1. Sendo que a moça ficou mais em choque que Laurel ao acompanhar os desdobramentos de Sam. Tá tudo errado!

 

Foi bizarro demais Michaela dizer que Sam mereceu morrer sendo que Connor só faltou pegá-la no colo quando tudo aconteceu. Por essas e outras que concordo com boa parte dos cutucões de Walsh. É impossível todo mundo estar bem ao mesmo tempo. Peter e Cia. têm falhado em não mostrar os bastidores do quanto cada um pode estar relativamente mal.

 

Connor é o único escancarado e, male male, isso é perfeito. É real. Tão real quanto o comportamento de Annalise na prisão. É humanização de personagem que pode ser um pote de ouro ou uma metralhadora de nhacas (para não dizer outra coisa) como o próprio Walsh. Mas o que esperar quando Caleb ainda está esquecido na banheira?

 

Junto com Wes (isso considerando a suposição porque retrocessos tendem a mentir), Connor está muito predisposto a afundar tudo. Mas, daquele jeito, né? Vamos dizer a verdade, mas não queremos ser presos. Filtrando isso, não tiro a razão e está mais do que na hora. Walsh deixou claro os danos desse tapete de cadáveres no 3×02 enquanto geral segue uma rotina como se nada tivesse acontecido. E isso começou a incomodar porque é irreal.

 

Ver Laurel no leito, destruída com os eventos, me fez respirar aliviada quanto o comportamento insano de Walsh porque isso é quebrar. Mesmo que o que venha a seguir seja errático. Obviamente que nada imuniza Connor das baixarias, mas a nave da Xuxa está muito embrenhada entre os estagiários. Ver lágrimas nos olhos de Michaela e de Asher quando Oliver mostrou o que a promotoria tem contra Keating me fez aplaudir de pé. Finalmente, né?

 

Só espero que não deixem passar em branco. Essa turma precisa pirar cem por cento. Tirar tudo que sente do peito, mesmo que venha mais nhaca verbal como as de Walsh. Agir no piloto automático tem limite, mas seguimos…

 

(e, não nego, Michaela lidando com Oliver foi a melhor cena da semana. Aprendeu direitinho com Annalise Keating!).

 

 

Concluindo

 

Resenha Murder - Annalise

 

Mesmo sem a intensidade das temporadas passadas, vimos de novo esse vício em salvar quem não hesitaria em pisar em geral na menor oportunidade. Um vício que, conforme os episódios passam, se entremeia entre os personagens com uma pincelada nova de desespero. Ninguém ali pensa duas vezes ao montar um altar para Annalise e ao fazer de tudo para salvá-la. Vide discurso de Michaela em que fiquei só o Connor, sem entender de onde veio tudo aquilo.

 

Sem a menor dificuldade, Frank nos impulsionou mais uma vez diante da verdade de que ninguém é capaz de se proteger sem essa mulher. Um cara que se saiu como um peão, enroscando geral em um barbante. Basicamente, a proposta da semana. O personagem ganhou destaque ao longo do início desta temporada e finalmente provou o valor que queria. Ou não. Talvez, o cidadão só queria safar a própria traseira, afinal, ele não deixou de ser uma distração também. Sem precisar erguer as mãos, Delfino embaralhou tudo e largou

 

Este episódio foi também sobre o dito mal necessário. Havia admiração por Annalise, mas isso me soou mais como uma negação. Os estagiários querem que tudo acabe, mas não necessariamente que engate prisão. E, para não engatar prisão, Keating precisa sair do xadrez. De novo, Connor foi lá e mostrou até a covardia de fugir em vez de enfrentar o que a promotoria tem em mãos, inserindo um contraposto a todos os argumentos de querer que o ciclo se quebre. Isso é Murder, sempre contradizendo. Sempre instalando caos em caráter e não em trama.

 

Ninguém ali está mais imune aos golpes e contragolpes da lasciva e afiada promotoria. E eu acho é pouco! Demorou demais para sacudir essa turma. Mas sacudir de um jeito que cada um veja que piloto automático só tem piorado as coisas com o passar das temporadas.

 

E volto a perguntar quando é que Annalise arregaçará as mangas. Ela é uma faca de dois gumes e mostrou maravilhosamente bem que chegou a hora da luta. Arrancar a peruca sinalizou mais um estopim de mudança, especialmente de posicionamento de trama. Da versão advogada impecável, temos uma pessoa ainda irreconhecível que, com o golpe de Frank, terá que arranjar um jeito de sobreviver. O peso de Wes a suprime cada vez mais e a provação de Atwood foi digna para o famoso despertar da força. Se ela se virará? Não sei por quanto tempo porque o episódio da semana que vem promete ser tão triste quanto esses últimos do ponto de vista de uma melancólica Keating.

 

De fato, o episódio mostrou que nem tudo é sobre Annalise. É sobre todo mundo e o medo instalado com a retirada de Frank é real. Mesmo sendo canalha, o personagem era o único que tinha peito para se mostrar sangue frio. Algo que me faz voltar a tese de que alguém dos estagiários se revelou e matou Wes. Da mesma forma que não queria qualquer morte, também não quero qualquer acusado. Tem que ser da panelinha ou não tem graça.

 

O mistério agora é se Wes morreu antes ou depois. Apesar de chato, Nate é a ponta pertinente nesse quesito. Só me resta esperar vê-lo desvendar se esse fato é verdadeiro ou falso porque a promotoria quer ganhar. Tem uma teia imensa para abocanhar Annalise e abocanhando Annalise os estagiários vão junto. Antes, Murder brincava de inserir personagens, agora a trama os retira. Provavelmente, aquele que sobrar será o assassino e, não sei, começo a votar na Michaela.

 

Meramente porque Frank e Bonnie não seriam estúpidos de dar uma mancada dessas mais pela Annalise. E, outra, ambos já mataram nessa série, então, seria mais do mesmo. Fica o questionamento de quem Wes encontrou na dobra da esquina.

 

Foi um episódio de wake up call para geral em que antigos métodos não funcionarão diante de uma promotoria armadíssima contra aqueles que acharam mesmo que se safariam para sempre.

 

Pontinhos Extras

 

Hargrove rever Annalise: alguém avisa para o meu coração não shippar essas duas?

 

Meggy sob suspeita: a última coisa que eu quero é treta entre essa moça e Laurel. Ambas estão na dor e usar disso para fazê-las inimigas é um desrespeito a minha idade.

 

Bonnie não contando que matou Rebecca: quando você acha que todo mundo será honesto a partir de agora, sempre tem que surgir um hipocritazinha.

 

That’s all.

Stefs
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