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26/fev

Novembro de 2016 marcou meu retorno ao Brasil após dois anos e dois meses longe de casa. Mesmo que por apenas vinte dias, tive a oportunidade de rever e viver intensamente junto àqueles que amo. Dentre estes momentos, um bem especial me marcou e esse belíssimo filme aqui em questão casou perfeitamente com a situação.

 

Acompanhei, mesmo que a distância, uma das pessoas mais importantes da minha vida se dedicar a criar um grupo de partilha, empoderamento e gratidão. I Am That Girl ganhara um capítulo em São Paulo graças a ti Person. Hoje, independente de tudo, devemos erguer a taça de espumante pra celebrar os diversos encontros realizados com cada uma dessas incríveis garotas incríveis.

 

Poder participar presencialmente do encontro de novembro foi um grande privilégio. Não poderia agradecer mais pela escolha do tema, que fora uma história ou acontecimento que lhe marcou no árduo e desafiador 2016. Fomos agraciados com a dádiva da comunicação e dividir um pouco de minha história com as girls e os boys presentes foi um dos maiores presentes que este mundialmente turbulento ano me deu.

 

Trouxe para a roda do encontro o filme A Chegada (Arrival). Uma produção diferente de tudo que já vi e mais uma excelente adição ao gênero “sci-fi with feeling”. Uma história que me modificou e, inclusive, me fez questionar meu passado.

 

“Nós não merecemos um filme como A Chegada”

 

Ouvi tal afirmação após dividir impressões a respeito do filme. Por mais que pareça exagerada, torna-se extremamente pertinente com o cenário global atual que vivemos. Em diferentes escalas.

 

O novo filme de Denis Villeneuve (Sicario, Os Suspeitos) deixou marcas e provocou reflexões que acredito que carregarei comigo sempre. Mesmo que não sejamos merecedores, A Chegada é o filme que tanto precisamos e não imaginaria nenhum outro diretor para comandar essa brilhante história que contou com os mais diversos e talentosos profissionais. Sejam em seu elenco como na equipe técnica.

 

 

Resenha A Chegada

 

Se tratando de uma obra de ficção científica adaptada a partir de um conto presente no livro História da sua vida e outros contos de Ted Chiang, o longa-metragem foi inicialmente intitulado Story of Your Life. Porém, após algumas exibições teste, o nome não surtia tanto impacto com a audiência, sendo assim batizado oficialmente como Arrival.

 

2001: Uma Odisséia no Espaço é considerado até hoje um dos grandes marcos do gênero sci-fi. Mas, se formos criar um paralelo, sem comparações naturalmente, A Chegada será para a nossa geração o que Contatos Imediatos de Terceiro Grau foi para a geração de setenta.

 

Já assisti ao filme duas vezes no cinema. Se no primeiro contato fui absorvida por cada visual e detalhe de sua profunda trama, no segundo simplesmente vislumbrei por completo o brilhantismo e a visão de Villeneuve. Ele, que se consagra a cada filme como um dos mais relevantes e talentosos diretores dessa geração; a impactante e calorosa banda sonora de Jóhann Jóhannsson (Sicario, A Teoria de Tudo); o visual deslumbrante e humano de Bradford Young; o envolvente e inteligente roteiro de Eric Heisserer (Lights Out), este que não existiria sem o conto de Ted Chiang.

 

Além de toda a equipe técnica, temos que louvar aqueles que dão vida à história. A começar por sua protagonista Amy Adams.

 

Resenha Arrival

 

Adams tem se dedicado ao credo com afinco, generosidade e, principalmente, classe. Hoje, ela é sem sombra de dúvidas um dos grandes nomes nas listas de melhores atrizes. Só de pensar que seu “big break” foi em 2005, com Retratos de Família, e o mundo realmente a conheceu quando vivera a princesa Giselle em Encantada. Ao validarem sua leading lady, escolheram Jeremy Renner (Guerra ao Terror, Avengers) como seu braço direito. Uma posição coadjuvante que diria difícil a um ator renomado aceitar. Como Renner mesmo disse em entrevistas, o filme é da Amy e ele se sentiu privilegiado de fazer parte desta história.

 

Seja apreciador do gênero ou não, é seguro afirmar que A Chegada está longe de ser aquele típico filme sobre invasão alienígena. Seguindo a presunção de que estamos sozinhos e soberanos no universo, o filme tem como premissa a chegada de doze objetos em diferentes localidades do planeta. Algo que gera uma cadeia de caos e pânico global. Principalmente porque os líderes dos respectivos países demonstram-se despreparados para iminente perigo.

 

E é neste exato momento que certos questionamentos começam a aparecer e se precisa estar totalmente aberto para compreendê-los.

 

Arrival-4

 

És paciente o suficiente para tentar entender uma situação da qual não tem controle? Como encararia o fato de que a humanidade depende de princípios básicos como ensinar e aprender com algo ou alguém? Conseguiria tomar decisões, mesmo sabendo de suas consequências? Teria capacidade de deixar diferenças e ideais de lado em prol de algo mais grandioso e primordial? Como tornaria algo inimaginável numa possibilidade?

 

Vivemos tão envoltos em nós mesmos que, por vezes, esquecemos os fundamentos básicos de comportamento, cooperação e, principalmente, compreensão. Louise e Ian, Amy e Jeremy respectivamente, representam dois contrapontos. Dois lados de uma mesma moeda, onde o domínio linguístico de Louise e a precisão científica de Ian são a chave para montar o quebra-cabeça para que obtenham a tão aguardada resposta do por quê eles estão aqui.

 

Mesmo esgotada e exaurida com sua missão, vemos uma protagonista que se compromete de corpo e alma para entender o inexplicável. Conhecemos a expressão comunicação é a alma do negócio. E durante essa negociação de aprendizado, estranhezas e inseguranças, aqui o que importa é a capacidade de ouvir balanceada com a habilidade de falar.

 

Me reservo a isso. Independentemente de minha admiração pelo diretor e amor eterno por sua protagonista, A Chegada merece todos os elogios que têm recebido. É aquele tipo de história que proporciona reflexões morais para além do entretenimento, principalmente em seus minutos finais.

 

E mesmo que nós, seres humanos não o merecemos, esse é o tipo de produção que o mundo precisava e que deve sim ser considerado o melhor filme de 2016.

 

Humana. Humano. O que vocês são?

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Mari
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