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01/fev

Este foi aquele episódio de The Vampire Diaries que ensinou como desenvolvimento de personagem, mais especificamente de Damon Salvatore, foi esquecido no churrasco. Um churrasco daqueles longos em forma de subconsciente. Para fazer esse cidadão sentir o peso dos seus erros, nada como liberá-lo dos pedidos de desculpas verbais, que poderiam fazê-lo evoluir natural e organicamente, ao trancafiá-lo na sua própria mente. Método que forçou os demais a mais uma leva de OOC, salvo Bonnie, devido a um vampiro famoso em lidar com absolutamente nada.

 

Eis novamente o hábito de arranjarem mil e uma desculpas para passar a flanela na cabeça de Damon. Não é de hoje que isso acontece, mas, dessa vez, passaram dos limites. Parece que irremediável não existe na mente desses roteiristas. Ou, desenvolvimento de personagem de A a Z , não por meio de queimação de etapas via fala de terceiros que nem dele gostam.

 

O tema da semana foi perdão, mas se esqueceram de mensurar a trajetória do Salvatore em destaque. Passaram-se quase oito anos de The Vampire Diaries e chegamos ao auge da ultrapassada de limites. Tudo para fazer com que um personagem que não funciona 100% como herói seja herói. Damon sempre foi o antagonista e o empurraram tanto a um protagonismo inexistente que simplesmente o descaracterizaram. Como resultado, tivemos repetições de hábitos, desculpas distribuídas como as barras de ouro do Silvio Santos, e mais do mesmo a torto e a direito como neste episódio (e ao longo desta temporada).

 

Poderia chamar de desrespeito, usar meu slogan sou fã, mas não sou trouxa, mas eis o exemplo do que nunca deixei de lançar na roda quando o assunto é esse Salvatore: é impossível todo mundo perdoá-lo. Não é à toa que, para dar esse perdão, os roteiristas rebaixam os demais personagens e fazem uma limpeza cerebral a fim de facilitar o processo e deixar tudo bonitinho. Foi exatamente isso que aconteceu neste episódio, especialmente aos olhos de Caroline Forbes que continua absurdamente OOC para atender a demanda.

 

Mais uma vez, todas as mancadas de Damon foram perdoadas. Assim, de uma hora para a outra, sem discussão, sem reflexão, sem nada. Para piorar, ainda intentaram convencer de que esse cidadão fez tanta atrocidade devido à transição para o vampirismo. Lá na S1, não ouvi uma gota de reclamação. Esse Salvatore chegou a culpar o irmão, mas depois bateu no peito e saiu andando.

 

Desde que começou, a temporada vem discutindo emoções vs. a falta delas, mas parece que se esqueceram que Damon nunca pensou duas vezes em machucar as pessoas. Isso, com a humanidade ligada. Os roteiristas perderam a noção disso e achei graça resgatarem a memória de Vicki. Uma das primeiras vítimas de um Salvatore que estava consciente de seus atos. Intentaram trazer um episódio gracioso, regado de nostalgia, mas tudo que lembrei foi da falta de escrúpulos de um personagem que nunca visou melhorias para si, que sempre tem muletas para “voltar melhor”, e que, agora, contou com a mamata de ser perdoado enquanto passeava em sua própria mente. De graça, ele contou com discursos que nem Klaus faria. Nonsense!

 

Resenha The Vampire Diaries - Damon

 

O episódio foi todo incoerente justamente por ser do ponto de vista de Damon. Se fosse ele a pedir perdão, provavelmente meu discurso seria outro. Contudo, não foi. O personagem emudeceu e ganhou várias palavras nada condizentes. Daí, entramos na parte cômica: perdoá-lo só mesmo no arco Plec&Dries. Ou seja, S4-S7, época em que Damon perdeu suas características principais, junto com Elena, e se desligou da tomada mais que Stefan. Um período do qual empurraram cenas e diálogos prontos para justificar atitudes, exageraram na pegada Delena com a sexualização, e suavizaram a galera para distribuir perdão quando fosse pertinente. A própria Santa Gilbert perdoou um cara que nunca hesitou em machucar Jeremy. Isso não é normal. Isso não é saudável.

 

Se eu reclamei de OOC na semana passada, continuei a ver a mesma coisa neste episódio. Salvo Bonnie, a única personagem que tinha o direito de meter o bedelho na vida desse Salvatore. E, claro, perdoá-lo. Agora, Caroline? É uma bendita de uma afronta considerando o que ocorreu no passado. Stefan? Poderia, mas muito fácil usar do momento para vilanizá-lo quando suas emoções estão out – e vale lembrar que pelo menos esse brother sempre foi atrás do prejuízo. Matt? O único que tinha tudo para honrar o tema devido ao resgate da memória de Vicki suavizou com a “cantada” de que Damon se dá bem com xerifes.

 

2017 e eu ainda me sentindo desrespeitada com The Vampire Diaries. Ainda bem que logo acaba!

 

Nisso, voltemos as palavras de Ian lá no passado: arranjam desculpa para perdoarem Damon por tudo. Sendo que o cara fez um monte de atrocidade por tédio e mau humor.

 

Usaram da dita “necessidade de um herói” para remoldarem Damon a partir da S4, o que resultou na perda do que o tornava interessante. No caso, o prazer de ser antagonista. Em tal posto, ser indesculpável era uma necessidade e perdoá-lo estava fora de cogitação. Ou, perdoava quem quisesse, tipo o Stefan. Com essa ideia de que o herói namora a mocinha, recriaram a composição desse personagem em cima de instantes forjados aka criados do nada. Não tem como negar isso. Dois itens que se encontraram nesse banho de nostalgia, mais pelo ponto de vista de uma Caroline que foi a primeira a passar pelo rito de perdão.

 

O que ela disse nesse universo paralelo fez meu sangue subir na testa. Perdoar Damon pela companhia no leito de Liz? Aqui temos o arco S4-S7 apenas. E, outra, Forbes se deixar torturar por esse Salvatore? Restou-me rir!

 

Resenha The Vampire Diaries - Bonnie

 

Logo em seguida, veio Bonnie que rendeu outra onda de nostalgia e de emoção em companhia de Sheila. No caso dessa personagem, eu estava preparada para qualquer coisa. De seu ponto de vista, o que investiram foi bastante tolerável porque, por um milagre divino, Bamon nasceu sem forçada de barra e sem viés romântico. O que não gostei foi o corte no instante de Tyler porque poupou uma resposta que sem sombra de dúvidas seria OOC também. Passaram a faca de propósito porque não tem como perdoar a morte de Lockwood. Da mesma forma que não tem como perdoar as tentativas de morte de Jeremy e os traumas de Matt, as duas iscas favoritas de Damon anos atrás.

 

Nada disso se comparou ao embrulho no estômago diante do encontro entre os irmãos. Um encontro que me fez indagar porque topei um relacionamento com The Vampire Diaries. Sei que comentei que não dá para criar muita expectativa para essa temporada, que os envolvidos finalizarão com tudo que lhes resta, o que impede altas cobranças. Contudo, toda essa volta para Damon anunciar que Stefan era quem precisava pedir perdão? Aqui jaz Defan!

 

A “imposição” soou como se Stefan nunca tivesse sentido remorso sobre o que fizera e fez e nunca tentara reparar os danos. Soou como se Stefan não ligasse para nada. Ok, ele empurrou Damon ao vampirismo, mas usar disso diante de alguém que está com as emoções desligadas é fácil demais.

 

O roteiro foi prático ao prender a mente de Damon porque todo mundo assumiu a história por ele. A desculpa “ele se esconde até ser desculpado” me fez rir mais que Stefan trollando Caroline. Foi fácil tornar esse Salvatore bom diante de um irmão fora do juízo normal. Uma investida inteligente para amenizar o drama do episódio. Porém, e para bom entendedor, compreender a trajetória da série basta. Algo que os roteiristas perderam a noção a partir do momento que Kevin pulou do barco.

 

A demanda de Damon soou como se Stefan fosse o antagonista desde o começo de The Vampire Diaries. Muito prático desligar um personagem, aquele que sempre foi centralizado como protagonista, para que o outro, outrora vilão indesculpável e impiedoso, recebesse o perdão e fosse enaltecido sem grandes empecilhos. Apenas, pioraram um para suavizar o outro a fim de criar uma leva de compadecimento que só caberia a Bonnie sentir. Ao menos, considerando o que escreveram para Bamon.

 

Além de ensinar, esse passeio no subconsciente de Damon também relembrou o quanto é impossível perdoá-lo. É possível tolerá-lo, como Matt se posicionou no final, mas perdoar? Os roteiristas sempre patinaram para que um ato desses ocorresse com esse personagem de maneira imperceptível. Só que estou aqui para refrisar que tal Salvatore parou de desenvolver a partir do momento que se envolveu com Elena (e vice-versa). Ele parou no tempo e foi perdendo vários traços que o faziam interessante. Tornaram-no maleável para que fosse mais aceito, sendo que é difícil esquecer tanta podridão – e a podridão se repetiu várias vezes no arco Delena a troco de nada.

 

O que houve neste episódio refletiu no hábito repetitivo de recriação de coisas que esmagam a timeline de TVD desde a S4. Nesse caso, perdão forçado. O mais triste é ver que essa investida ocorreu por meio da nostalgia. Cartada de mestre! Com um passado que move o emocional, com feridas em forma de Sheila e de Liz, não tinha como não perdoar. Mais só porque não houve chance de ponderamento. Engataram uma memória na outra apenas para mover sentimentos e dar o que o personagem precisava para retornar. Shame.

 

Mas, honestamente, não houve nada pior que Stefan migrar para o subconsciente do irmão e ter que pedir perdão. O papo de eternidade de sofrimento que deixou de ser discutido há tempos e que essa temporada engatou com força total. Então, eu preciso me convencer de que Damon se tornou implacável devido à transição para o vampirismo? Aqui temos mais argumentos empurrados para justificar o injustificável. Se o assunto tivesse sido discutido ao longo dos anos anteriores, me pouparia do argumento. Mas não foi né? Criar vitimismo por um tópico esquecido é fácil demais. Tudo bem, é o cerne dos Salvatore, mas já faz muito tempo que Defan deixou de ser Defan.

 

No final, fica a justificativa de que Damon fez o que fez por ter sido transformado em vampiro. Pelo amor de Merlin, peço respeito a pouca inteligência que me resta com essa série. O Salvatore precisou de duas mulheres que se saíram como suas babás para torná-lo a vítima incompreendida que não é. Mas… O dito herói de TVD “ressurgiu”, mas lembremos que foi por meio de forçada de barra e sinto muito para quem é herói de verdade.

 

Concluindo

 

Resenha The Vampire Diaries - Cade

 

A semana não poderia ser mais difícil considerando o foco em Damon, mas valeu pelas memórias repaginadas da S1. Bom é que o episódio encontrou sua maneira de ser envolvente e saudoso. Foi ótimo rever rostos das antigas.

 

Porém, o episódio me fez reviver um dos grandes erros dos roteiristas: acreditar que um herói precisava ficar com a Elena. Ao ponto de esquecerem que o protagonismo também pertencia a moça. Lá no início, foi compreensível unir os salvadores de Mystic Falls em forma de Stelena porque ambos foram inseridos com tal posição. Gilbert tinha que sair da zona de conforto e Stefan a impulsionou. Só que depois da S3, né?…

 

A partir da S3, foi correto dar um pouco dessa sensação de herói ao Damon. Justo, mas aniquilaram sua personalidade e, com isso, a da protagonista também. O efeito disso foi visto neste episódio. Só é possível enaltecer esse Salvatore entorpecendo quem estiver ao seu redor (salvo Bonnie de novo).

 

Normalmente, teria mais adendos a fazer, mas, como disse anteriormente, não tenho mais pique. Além disso, é final de série, então, é bom guardar energia para rasgar o peito de uma vez só no series finale. E acho que até falei demais sobre o Damon e espero não gastar mais dedinhos com esse moço.

 

Bom é que há algo novo a se agarrar. Não dava mais essas sereias. Melhor coisa foi Cade surgir para ficar. Além de Matt e Peter terem sido arrasantes, o mesmo vale para os últimos instantes de Sybil e de Seline.

 

Foi um episódio minimamente nostálgico com os rostos de Vicki, Liz e Sheila. Pena que elas foram usadas para amolecer suas conexões a fim de empurrar o perdão goela abaixo. Ainda fico com Bamon por todo o peso da carta, do abandono e da amizade que conseguiram casar em uma época bastante propícia. Mas os demais, nem tinham que fazer discursão para esse Salvatore.

 

Apesar disso, a trama envolveu. O roteiro estava muito bem talhado e os personagens conseguiram transitar entre dois momentos pertinentes sobre perdão e o sino. Semana que vem parece que Cade promete. Vamos aguardar!

Stefs
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