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31/mar

I have a dimmer view of the humanity than you

 

Olhem quem acabou de aparecer: o episódio um tanto fraco dessa temporada de Chicago Fire. Demorou, mas nos encontramos! Não estava com saudade, mas a parte positiva é que não falarei mal de você. No fim das contas até fui com a sua cara, ok? Ok!

 

A diferença desse em comparação a seleção dos famosos episódios enchedores de linguiça é que criaram um momento propício para assentar algumas coisas que moverão Chicago Fire daqui para o season finale. Houve muitos trancos e barrancos ao longo de 16 episódios, todos muito potentes, e nada mais pertinente que dar uma pausa para aliviar e abrir espaço na trama. Afinal, chegamos na curva em que novos nós serão dados para alimentar o futuro. Sem nada sufocante em jogo, deu para sentir mais a presença de Herrmann e Cia. e, de quebra, destacaram Dawsey em sua individualidade. O roteiro foi esparso, brincou de tirar e colocar as emoções da tomada, mas o que importou foi a entrelinha de reflexão. No caso, como o ser humano trata outro ser humano.

 

O episódio se resumiu na linha de diálogo destacada na abertura dessa resenha. Uma frase dita por uma Gabriela Dawson que voltou a reinar como se deve em Chicago Fire. O maior benefício dos acontecimentos dessa semana foi fazer de um chamado a isca para todo resto. A introdução eletrizou logo de cara e abriu brecha para intercalar os demais resgates, o que reforçou a tensão do conflito da vez. Tudo bem que entregaram o motoqueiro na caruda, mas o que prendeu e encucou foi o questionamento de como uma pessoa gasta seu precioso dia para tacar pedra no vidro alheio.

 

Crime que trouxe indignação do ponto de vista da paramédica que norteou a história daquele jeito que muitos ainda querem arrancar os próprios olhos: irritante e intrometida. Ainda bem que o investigador era de boa porque a última coisa que se precisava era de homem magoado porque uma mulher fez todo o trabalho e o entregou com um carimbo no papel timbrado. Fato é que esse episódio se salvou por Dawson, especialmente porque ela se saiu como compasso moral. Quando isso acontece, os picos emocionais são praticamente cem por cento garantidos. E foram dessa vez.

 

Esse episódio mostrou um potencial que provavelmente não teria se não fosse a escolha da personagem em destaque. Ela segurou a trama sozinha com desenvoltura e transitou perfeitamente entre a sensibilidade do resultado e o inconformismo do ato. Dawson puxou os holofotes para si com facilidade, como se tais luzes nunca lhe tivessem sido roubadas, e as quebradas de Herrmann e Cia. não estragaram a experiência de mergulho na problemática. Não houve o típico destoar de um episódio enchedor de linguiça made in Chicago Fire, embora tenha tido seus picos de monotonia.

 

Resenha Chicago Fire - Dawson

 

A paramédica serviu de ponteiro para cada isca e a testa não demorou a ficar quente. Desde nervosismo e indignação pelos resultados do crime – uma mãe em coma, Zach tendo uma recaída do nada, a bebê transferida do carro para o buraco, uma garota perdendo a perna – até refletir sobre as facetas obscuras de um ser humano, o que ganhamos como causa foi a dita síndrome do herói. Um comentário que me pareceu aleatório e isso se reforçou porque não houve chance de embasamento no final desse inferno. Simplesmente jogaram a ideia e não pincelaram. O maior pecado desse episódio. A trama inchou por conta própria, mas a conclusão ficou meia-boca.

 

Com Charles presente, aguardei um diagnóstico mais apurado. Porém, Chicago Fire preferiu relembrar que ainda peca e pecou feio em não dar respaldo de causa. Os roteiristas só tinham um serviço: explicar nem que fosse brevemente o dilema desse cidadão. Nem tudo é perfeito, certo? Vamos relembrar que estava bom demais para ser verdade essa perfeição chamada 5ª temporada. Por esse ano da série não estar ruim, vale aquela sutil ignorada sobre a finalização desse episódio.

 

(mas sutil mesmo já que é impossível largar esse osso. Eu mesma tentando superar o insuperável).

 

Digo que a conclusão foi o grande pecado desse episódio porque não surtiu o efeito de alívio. Ficou meio por isso mesmo. Quem fez se tornou menos importante que o resultado (que não deixou de ser relevante) e foi ofuscado pelo desejo de justiça de Dawson. Ela tornou o cara importante, mas persegui-lo soou como algo da rotina. Só mais um fazendo caos. Era um mal necessário, mas faltou o grande por quê. Embora Charles tenha mencionado a síndrome do herói, a ausência de uma explicação psicológica meio que desvalidou a circunstância do ponto de vista do cidadão-causador.

 

Não que fosse mudar minha opinião porque atrocidade não tem perdão. Porém, a trama deixou a entender que tal ato vinha de um ponto que fugia da “vontade própria”. Do fazer porque realmente ou se está injuriado ou porque não tem nada melhor para ocupar a vida. Além disso tudo, a captura foi fácil demais. Não que esperasse um nível CPD, mas podiam ter trabalhado mais a dramática antes da finalização.

 

Apesar desses comentários, foi um episódio que fez pensar. Inclusive, que me fez lembrar do super-herói de Chicago Med (2×15). Vamos recordar do paciente de cosplay e que fazia uso dessa cosplay em reflexo de “não ter feito nada” quando a mulher estava sendo vencida (e foi) pelo câncer.

 

A incompetência de não ajudar quem amava o norteou para ser seu próprio herói. Ele criou seu próprio heroísmo em ajudar as pessoas por meio da perda. Uma perda que impactou o verbo ajudar. Afinal, não há muito o que fazer em circunstâncias como essa a não ser dar apoio e amor. Por ter sido um ato fora do dito padrão, Reese acreditou piamente que se tratava de um problema psicológico e encenou uma circunstância para colocá-lo em cheque. No fim, a intenção era tão verdadeira quanto a importância pela roupa de super-herói. A solução foi apenas trocar a roupagem, pois uma ação de bem pode ser feita até de pijama. Nesse caso, foi o colete de voluntário.

 

Resenha Chicago Fire - homem

 

Já em Chicago Fire, houve o confronte da palavra heroísmo. Ficou a entender a existência de um problema psicológico e a falta dessa explicação anulou a chance de criar contrapostos. Faltou o por quê de arremessar logo uma pedra, sair correndo depois de conferir o nível da tragédia e prestar ajuda. Faltou a abertura do problema que fazia aquele cara gastar seu tempo com um ato tão cruel e o que o movia. Não alteraria em nada a frustração e a indignação, mas esse episódio poderia ter sido um bocado mais poderoso se a vozinha de Charles tivesse conquistado nem que fosse uns 5 minutos para respaldar tal caso.

 

Nessas horas que se mostra perigoso juntar mais de uma mana porque não faz sentido trazer um personagem só para brincar de Wally. Charles poderia ter tido o mesmo espaço que rolou quando Grant foi internado, fatos reais. Ato que, sem dúvidas, enriqueceria muito mais a trama. Pelo menos, contamos com uma ótima desenvoltura de Monica em cena. Dá para ficar contente sim!

 

Ao longo dessa temporada, Dawson contou com vários empecilhos domésticos, mas faltava um pouco mais de ação no âmbito profissional. Ela já tinha ficado meio que de fora da troca de postos e ficou totalmente fora do drama de refém. Houve alguns instantes de ira nos atendimentos, mas nada se compara a essa mulher com sangue nos olhos e fora da sua rotina. A paramédica provou que ainda é excelente nesse tipo de adversidade, só precisam dar chance. Ugh! Gosto muito de Fire quando parte para um apelo investigativo porque trabalha instinto e emocional de quem ganha destaque. Gabby rendeu tudo isso e mais um pouco. A personagem montou a trama, um quebra-cabeça que não se tratava de um acidente. Fica a critério de cada um decidir malícia/intento.

 

“Proposital” por problema psicológico ou não, não deixa de botar em cheque o quanto a humanidade em si tem se tornado mais obscura. Parece que todo mundo foi lançado lá na selva de Jogos Vorazes e só sobrevive quem for mais cruel. Aquele que quer assegurar espaço por intermédio da destruição. Isso quicou na minha mente no decorrer desse episódio e estou com Dawson. Minhas impressões sobre o mundo estão cada vez mais escuras, o que me obrigou a criar o módulo de pensamentos positivos matinais para não me perder no processo. Gente, isso é sério!

 

O episódio tinha tudo para ser mais puxado, mas criou aquela coceira de raiva por, principalmente, não haver motivo para causar dor gratuita. Tudo pesou um pouco mais porque havia crianças envolvidas. Gente, a bebezinha, chorei! Enfim, foi um teatro que não passou de amostra grátis sobre a outra faceta do ser humano – e não muito distante da realidade. Rendeu aquele velho raciocínio que sempre comento aqui: o quanto valemos no mundo? Ultimamente, não estamos valendo muita coisa. Todo dia é uma pedra dessas na cabeça, pelo hipogrifo!

 

Os outros plots

 

Resenha Chicago Fire - Anna e Severide

 

O episódio conseguiu ser esperto em sua lentidão. Digo isso porque não só conseguiram casar Herrmann e seu bonde, como introduzir Anna. A personagem serviu de acesso a Med, mas o importante foi seu papel de elo emocional com as circunstâncias. Ato que teve seu jeito de rebater em Dawson. A enfermeira ficou com os resultados enquanto Gabby com a resolução. Foi deveras importante essa troca já que Brett, que sempre garante as lágrimas, ficou omissa na trama.

 

Não dá para dizer muito de Anna, então, ficamos apenas com sensível. Enquanto Dawson veio com voracidade para a situação, a novata trouxe o aspecto humano. Excelente até aqui. Contudo, tenho minhas ressalvas sobre o relacionamento com Severide, mas vamos acompanhar antes de comentar. As cenas explorando em Chicago foram lindinhas, admito.

 

Resenha Chicago Fire - Casey

 

Casey também se viu nesse confronto de caráter e me deu vontade de sacudi-lo várias vezes. Independente da resolução desse seu subplot, estava escancarado que Max queria urgência no pedido devido ao seu estresse pós-traumático acarretado pelos anos em serviço. As britadeiras soam como tiros e a zona de construção é praticamente uma zona de guerra. Fiquei nervosa!

 

Pareceu uma situação aleatória, mais ela estava ali para relembrar que o Tenente ainda ocupa esse cargo. Além disso, que ele ainda carrega essa inclinação de ajudar o máximo possível dentro da sua ingenuidade de fazer melhor sem ser corrupto. Coitado. Terminou pagando o cara folgado da vila.

 

Bom é que a situação de Casey não ficou solta. Criaram um paralelo com Dawson sobre lidar com dificuldades, em níveis diferentes, e contestar o valor humano. Os caras da construção não tinham um pingo de respeito por Max. Era como se ele fosse o vizinho chato sendo que o trauma encontra gatilhos naquela barulhada. Bastou uma espiadinha na reação dele para cima de Marcy.

 

Sobre Herrman e seu bonde: Stella Kidd reina em Chicago Fire. Fiquei triste pelo anjo Otis, mas é bem verdade que o garoto raramente é ouvido. E raramente tem storyline também como os demais desse bloco, just saying. Adoro alívio cômico, mas que saudade de vê-los no drama.

 

Concluindo

 

Eis aqui a outra prova de que Dawson na ambulância tem muito mais liberdade de trama. A personagem passou quase dois anos empacada, quem lembra? Vê-la montar a trama por conta própria e dar o veredito foi ótimo demais da conta. O primeiro resgate só deixou a isca e ela mesma roubou o assunto para si e entregou um tipo de semana que Chicago Fire costumava escorregar lindamente. Aquela semana que tudo é vazio e os roteiristas só querem passar o tempo. Foi uma trama para trazer indignação de certas existências humanas e o intuito foi eficaz.

 

Perto de fim de temporada, chegou o momento de botar o cinto de segurança. Quem aguenta?

Stefs
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