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23/mar

De acordo com este episódio de Chicago Fire, meu coração anda muito bem, obrigada. Só não posso dizer o mesmo das lágrimas que me escapuliram. Estou meio desnorteada porque todo esse cenário de refém cheirou a grande tragédia desde o início e fico um tanto aliviada por não ter rolado algo mais grave. Mas, verdade seja dita, esperava morte por motivos de fim de temporada.

 

Sem resgates por grupo, tivemos um grande resgate em nome do 51º Batalhão. Longe do apelo interpessoal, Chicago Fire apostou e entregou uma trama que envolveu seus personagens em um drama-conflito que serviu de novo teste para o quesito família. O famoso teste sobre o quanto seus membros conseguem se virar diante de adversidades nada programadas e que não se tratam de incêndios. O início efervesceu os ânimos imediatamente e o esparsar da turma engajou uma preocupação latente não só pela presença dos membros da gangue, como também pelos revólveres que poderiam assim, como não quer nada, disparar sem querer. E disparou, né?

 

Entre trancos, trombadas e barracos, o desespero de que algo pior acontecesse não demorou um só segundo a ganhar forma. O inferno foi instalado rapidamente e o transitar dos personagens às cegas, com revólveres apontados em uma determinada parte do corpo, só aumentou a angústia. Herrmann afirmou que todos os dias o grupo enfrenta o mencionado inferno e a prova veio nos instantes de autocontrole surreais. Isso não é uma crítica, afinal, o time é treinado para ser frio e distante quando tem que ser. Porém, juro que esperei um santo barraco estrelando Matt Casey. E o que a gente recebe? O cara sendo alvo de tiro e tomando o tiro propriamente dito.

 

No geral, para quem entra em prédio pegando fogo e desabando, lidar com um cenário desses é igual a fazer cócegas. Teve direito até a teatro, fala sério! Não só teatro, como uma cavalaria que contribuiu para deixar a situação mais tensa e um tanto curiosa devido ao arremate que esse roteiro teria. Além disso, a presença da S.W.A.T. assentou a expectativa do que poderia ocorrer em seguida porque é fato que história de reféns raramente traz final feliz. Milagre divino não convidarem personagens de Chicago P.D. e fiquei grata pela ausência porque já me basta o desfile à toa dessa turma em Chicago Med. Sad but true!

 

Aqueles que protegem a lei e a justiça regaram a trama com um tom eletrizante. Tal presença fechou o cerco, mas abriu o palco para qualquer tragédia ocorrer. Tiro contra Casey, gritinho de Gabby, Severide virando rocambole… Foi tranquilo esperar uma nova bala perdida, só que ao contrário.

 

Resenha Chicago Fire - Kidd

 

Esse nó de gato conquistou vários pontos altos – e isolados. O mais relevante foi destaque dos avulsos e fiquei contente. Com a tríade omissa do cerne da bagunça, se abriu espaço de destaque aos constantemente esquecidos. Otis fez algo fora da sua alçada, Herrmann se revelou o melhor ator que você respeita e Cruz, que penso que poderia ter tido um pouco mais de trama devido ao tema da semana, mostrou disposição ao topar escapulir dentro de um caminhão na companhia dos membros da tal gangue. Lindos, mas ninguém rouba as estrelas de Kidd. Que mulher!

 

Kidd é aquela personagem que dá medo de perder no final da temporada. Depois da decisão/indecisão de Chili, cuja atriz foi promovida para depois vazar, é real o pavor do mesmo ocorrer com Miranda. Ainda mais quando lembro que Stella e Gabby precisam de mais cenas juntas. É importante transmitir a mensagem sobre o background dessas duas, a direção.

 

Voltando, a S5 não tem sido fácil para Stella. Mesmo sem um desenvolvimento propriamente dito, a personagem tem seguido uma linha tênue chamada confrontando seus pavores. Primeiro o namorado fora do controle, depois retornar ao antigo Batalhão e agora teve que lidar com um revólver no meio da testa. Muito do seu jogo de cintura tentou denunciar que tipo de mulher ela é e deve ser aquela que aprendeu a se virar a pulso. Mesmo no caos, a moça seguiu firme e foi espantosamente ousada. Espantosamente porque um tiro ali cabia certinho. É admirável.

 

Ela não perde o espírito, nem diante do crush que está a fim de outra garota. Me ensina?

 

Durante as aparições de Kidd, o roteiro foi eficaz em afirmar que algo pior aconteceria com essa moça, especialmente por ela não se calar diante das adversidades. Como bem ensinou o 5×14. A personagem enfrenta, o que não deixa de ser maravilhoso. Porém, é aterrorizador na maior parte do tempo. Mesmo deliciada com sua atuação, você meio que implora para que a bombeira fique quietinha para se manter preservada na série.

 

Por essas e outras que Stella me lembra muito Dawson nos dois primeiros anos de Fire, o que só aumentou a aflição no decorrer desse perrengue. Quem fez aula com Gabby sabe que esse comportamento arredio e de afrontamento rende várias nhacas. Kidd fearless as fuck! Sem paciência para qualquer pessoa que se mete em seu trabalho e derivados.

 

O soco que Kidd deu naquele cara me deu vida! Eu mesma queria aparatar no Batalhão e dar uns socos também. Do afável e do vulnerável, Stella vai para o sangue frio com uma sutileza assustadora. Há várias facetas dela em cena, e por episódio, o que a torna uma personagem ainda mais curiosa. Podem seguir investindo e melhor ainda se for junto com Dawson, grata!

 

Na companhia de Severide, o próprio 007, Kidd assumiu o cerne da trama. Ela foi o ponto de ação, de drama e de continuidade do conflito que necessitava de um ponto de concentração para transmitir todas as emoções que poderiam esparsar junto com os demais personagens largados pelo Batalhão. A moça foi o chamariz, algo que possivelmente teria sido dado a Dawson. Somando o empenho da dupla, o resultado que se deu foi basicamente rir da cara do perigo.

 

Mas quem só faltou rir mesmo da cara do perigo foi Boden. Entre a angústia do que poderia ocorrer em cada bloco, lá estava o boss sendo o boss. O boss que chama a consciência e insiste nisso até ser ouvido. Wallace manteve a si mesmo no controle e esparramou tal intuito entre os amigos de trabalho. Atitude destinada a quem tem talento. Quando eu crescer, quero ter esse autocontrole.

 

Resenha Chicago Fire

 

Boden não gritou e esperei os berros, juro! Ele se manteve firme, agiu como se conhecesse os membros da gangue há eras, foi o escudo do Batalhão para que ninguém pagasse pela língua ou por ato impensado. Esse homem me fez respirar fundo várias vezes. A cada palavra dita, era o mesmo que pedir para apertarem o gatilho. É óbvio que ele não ficaria mudo, ainda mais por ser o pilar e o reflexo para os demais membros do Batalhão, mas cada lição de moral recusada com animosidade pelos invasores me deixou com a testa quente. Pelo menos, o personagem seguiu firme até mesmo quando se tornou o último refém. Só consegui pensar em Donna e no filhinho, sério!

 

O ano não está para Boden – como todo ano praticamente. Segunda vez nessa temporada na boca de morte. Já, já acredito que é amarração do Borelli porque poxa vida que difícil.

 

E o que dizer da mãe de JB? Ao longo do episódio, me perguntei qual seria o motivo do caos. Detalhe que tem conquistado cara de fracasso entre as Chicagos porque tudo é acarretado por algo tão X que dá desgosto. Algo que fez nascer minha desconfiança quanto a tramas caóticas que terminam no aquém do esperado. Mesmo Fire indo bem, temi uma conclusão meia-boca porque, por alguns segundos, imaginei que não havia razão alguma. Inclusive, me perguntei de onde arrancariam o ponto desconcertante do conflito já que Casey tomou um tiro e ficou bem, Boden segurou as pontas tranquilamente e os demais ficaram de boa no tapete de disciplina. Com Kidd tombada e Severide se esgueirando pelos corredores sem fazer nada efetivo, esperei que as coisas terminassem sem propósito. Apenas um belo dia em que fomos reféns sem querer…

 

Nessas horas, contamos com Brett. A paramédica foi lá e buscou o coração da situação. Uma situação que pedia mais emoção a partir do momento que JB se mostrou vulnerável. Com a mãe, engataram a tristeza e a mensagem. Se não fosse por essa mulher, as chances de se tratar de algo aleatório eram altíssimas. Com o esclarecimento da causa da fuga do trio, restou aquele agridoce de querer socar cada membro daquela gangue. Especialmente o cara que bateu em Kidd.

 

A realização de que JB nem deveria estar ali para início de conversa foi dose e a parceria com Boden no derradeiro final nem se fala. Tudo pareceu realmente perdido perto da conclusão. O tom de lamento de Wallace, que nada passou de uma espiada no retrovisor, aumentou o pânico. A bala ricocheteada foi uma surpresa quase infeliz, mas, de todo modo, assistimos mais uma vez o papo de justiça com as próprias mãos aderido erroneamente e que rende a prisão de certos jovens por estupidez. O famoso comportamento por osmose que, muitas vezes, não tem como embarreirar.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Fire - grupo

 

Quando os roteiristas estão felizes, Chicago Fire mostra que tirar os personagens da rotina habitual faz um bem danado. É a segunda vez que isso ocorre ao longo da S5. Isso, anulando o episódio da troca de postos. Em um passado não tão distante, lá estava Casey lutando pela vida rodeado de ácido e agora tivemos a equipe, tirando Dawson e Brett, intencionada em manter o lar sob controle e todos vivos. Um drama que rebate em geral tende a render sucesso e esse rendeu sucesso. Estender um drama-conflito dá baixa margem de erro e foi exatamente o que rolou de novo.

 

Os desdobramentos dessa semana instalaram sentimentos diversos. Foi dramático, aflitivo e desesperador. O roteiro encontrou seu coração no caso, na tradução de que justiça de rua não traz nada de positivo para os envolvidos. E até para quem não está envolvido, como a mãe. Uma mãe que testemunhou, mesmo do lado de fora, o que esse papo de vingança pode acarretar a quem claramente não nasceu para isso. O que parecia apenas um conflito de negociação gangue e S.W.A.T., se tornou uma situação reflexiva. Do quanto alguns jovens se perdem devido a esse “lifestyle”.

 

Esse episódio meio que reafirmou as mudanças que essa temporada de Chicago Fire sofreu, talvez, para continuar sobrevivendo. Mudanças positivas, especialmente de escrita. Desde o início da S5, há tramas diferentes e que conseguem engajar conflito e drama sem dispersar. De quebra, temos mais um trauma para a coleção dessa turma que só queria saber da alimentação de Herrmann.

 

Fico contente por terem aproveitado melhor os esquecidos, dando a eles as grandes resoluções no decorrer dessa situação complicadíssima. É aquele velho papo de justiça com as próprias mãos que me faz fechar com Boden: o peso que isso traz é inimaginável. Foi agonizante e de partir o coração.

 

Agora a gente espera a resolução de uma pedrada na semana que vem. É isso?

Stefs
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  • Juliana Rissato

    Manaaaa!! Parece que você estava dentro da minha cabeça enquanto escrevia!! Escrita genial como sempre e pontuando o que precisa ser pontuado! Arrasou! <3