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07/mar

Houve um pequeno grande conflito nessa semana de Chicago Med. Não sei, estou aqui conversando com meus neurônios caçando, como sempre, a moral do episódio. Ao contrário dos três passados, esse aqui não casou tanto assim a proposta com a rotina do hospital. Houve alguns momentos meio monótonos, que não via a hora que sumissem da minha frente, e outros mais intensos e significativos que adoraria se tivessem durado mais. Uma hora estava entregue ao tédio e depois meu tédio era quebrado tanto pelo drama de April quanto pelo paciente de Reese. Se eu fosse escolher um signo para tais desdobramentos, seria Gêmeos (com Vênus em Câncer).

 

Eu mesma, Stefs Mello.

 

Em um plano geral, esse episódio valeu pelas mulheres. Todas foram de certa forma pertinentes. Um ponto positivo como também negativo. April continuou presa a uma storyline furada, Natalie continua empacada e escorada entre os colegas de trabalho – mas continua firme nos atendimentos que de certa forma dão valor ao trabalho que executa (mas cadê a pediatria?) – e Reese permanece correndo atrás do próprio rabo porque quer porque quer ter uma diagnóstico by the book. Lindo o destaque, uma pena que não estou vendo história pertinente.

 

Não tenho palavras para expressar essa bagunça na storyline da April. Quando uma Chicago foca demais no drama de alguém, o que nos resta é preocupação. Lição dada, aprendida e absorvida com sucesso. Com uma iminente morte programada, essa semana deu toda atenção a quem não contou com um pingo de desenvolvimento da sua história. Isso é preocupante 100%  porque, para bom entendedor, a penúria de Chicago P.D. basta. Vamos lembrar que nos roubaram Lexi de graça e tomar Sexton não é uma impossibilidade.

 

April Sexton ganhou uma storyline muito aquém do esperado e que resmunguei assim que nasceu. O erro já começou quando me enfiam o clichê: em gênero médico, personagem negra só pode ser enfermeira. Como assim? Na mente pequena de algumas pessoas, negros estão no mesmo bolo de “sem condições financeiras para vencer na vida”. Isso sou eu sendo suave. Em tese, é um público que “só serve pra isso”. Já passou do tempo para refletir sobre a “necessidade” de representatividade e de empoderamento dessas mulheres, ok? Ok.

 

Daí, temos Robin e Sharon. Ambas possuem cargos de poder acima ou igual ao dos homens da série. Contudo, Robin é sombra do pai e de Rhodes e Sharon do ex-marido. Ué?

 

April perdeu todo o brilho que poderia ter ao ser conectada ao Noah e ao Tate. Tudo bem que ela foi introduzida como ex de Severide, mas Fire não muda essa sacada que só serve para promover alguma irmã por meio de showmance – Severide e Lindsay, Brett e Antonio, etc., etc., etc.. Não justifica, eu sei, mas, às vezes, não tem como discutir com fórmula pronta. Na menor chance, os roteiristas repetirão a mesma coisa e nos resta relembrar e revirar os olhos porque não se alterará.

 

Resenha Chicago Med - April

 

Na sua passagem para Med, além de contar com estereótipo, a colocaram entre dois homens que definiram sua vida por completo. Sem opção. April largou a chance de estudar pelo irmão e engatou um romance que passou mais rápido que o golpe contra a Dilma. A situação piorou com a doença gratuita mais a descoberta da gravidez. Uma doença que nem teaser contou e uma gravidez precoce com um cara 100% disposto em fazê-la abrir mão da carreira. WTF?

 

Ao lado de um blindado Halstead, acompanhamos, pela primeira vez, April ter relevância além do seu clichê e dessa história mal contada. Lindo, chorei horrores, mas não é parte da sua storyline porque nunca existiu uma storyline. E quando digo storyline, é o background que CPD e agora Med andam negligenciando mais que Fire e seus avulsos. Criaram um paralelo com uma paciente dona de uma infecção surpresa e que impulsionou o drama da enfermeira. Só. Basicamente, um rememorar de como tudo começou e do quanto pode haver chances para preencher as ditas lacunas de um tempo perdido.

 

Tempo perdido. É assim que me sinto porque Sexton não terá chance com seu bebê. Começo a aceitar que as Chicagos têm sérios problemas com crianças também.

 

Já me bastou a sacanagem (para não dizer outra palavra que começa com a letra P) o baby Dawsey, uma aflição criada do nada para dar em nada. Agora, temos mais um drama de maternidade que também foi criada do nada para dar em… Nada. Uma história nada explorada, banalizando a maternidade tão quanto a tuberculose.

 

A soma desses plotinhos de April dá um problema maior que todas as fofocas de Jay Halstead – e deram mais importância para a fofoca, vejam bem (e nem ligo de ser séries diferentes, serve de referências). Poderiam não explorar o background de Sexton, mas tinham pano para muita storyline. É uma série médica, pelo hipogrifo. Aprofundar certas doenças não machuca ninguém. Gera a conscientização que veio resmungando desde metade da temporada passada de Chicago Med.

 

Thread: alguém segura o filho da Natalie porque entrou para fila de risco ao lado dos irmãos do Atwater.

 

É nessa criação de drama sem embasamento que as coisas fogem do controle e Chicago Med ainda é um tanto quanto nova para sofrer com o que CPD já mastiga e não engole. A única pessoa que conheço nesse hospital, e muito bem, é Choi. Isso é problema porque, não sei vocês, ainda tenho grandes dificuldades de me conectar com esses personagens. Amo o mencionado, Reese, Charles, Maggie… Mas a grande maioria eu só fico olhando e me perguntando quem diabos são vocês no plantão.

 

Pensar na possibilidade de April ser riscada da série me dá arrepios. Primeiro porque já não tem mulher na franquia. Segundo porque já não tem mulher negra na franquia. Terceiro porque nem desenvolveram a personagem para eu me convencer de que faz sentido o que pode acontecer futuramente. A investida mórbida foi, de novo, para causar, sendo que há coisas mais relevantes que podem ser escritas para mulher em âmbito geral. Sexton partiu meu coração em suas cenas, no seu estado catatônico ao falar com Maggie, mas ela merecia muito mais que drama à toa só para dizer que ela existe na série.

 

Que tal April ver que pode mais na carreira e correr atrás? Hum?

 

Fato é que: apesar das tramas fortes dos atendimentos, que dão cócegas no coração e lágrimas sem fim, Med está carecida de um main plot para desenrolar. A premissa é rotina de hospital, mas estão precisados com urgência de um tema por temporada. E penso que isso ajudaria as outras irmãs que poderiam usar desse tema por um ano – ou, pelo menos, até metade do processo para não ficar cansativo.

 

(vamos trabalhar hate crime? Então vamos fazer vários especiais bonitinhos. Essa seria a ideia. Vamos trabalhar um prognóstico científico? Vamos! E assim por diante).

 

Nessa season de Med até existe, mas tem coisa mais fútil que empurrar um bando de personagens para promover um hospital que me parece muito bem, obrigada? A publicidade tem quicado na trama a menor chance. No início da temporada, ouvimos que a ala cardíaca precisa de atenção e que Rhodes seria o único capaz de fazer isso. Afinal, filho de família tradicional, branco, privilegiado, hétero, leite com pera, garoto de prédio (desculpem porque o que ocorre com April me afetou sim!). Latham não surgiu justamente para reforçar essa missão? Para quê essa mídia? Essa modinha que só me faz lembrar da mana falsa recém-nascida? Vocês me respeitam!

 

Ok, concordo que tem que ter um pouco de mídia. Já rolou em Fire e em P.D., mas, pelo menos, teve algum motivo. Em Med me parece a coisa mais inútil. E Rhodes acaba entrando nessa inutilidade para ser inútil feat. mala. O próprio ganhador do bilhete premiado sem fazer nada. O cara salvou um Panda, pelo hipogrifo, e April??????

 

Depois do episódio da promo sem noção, agora tivemos mais uma história à parte de todo o resto. Foi aqui que morou a desconexão com os dramas da semana. Um atendimento fortíssimo que botou em discussão gravidade e estatística para culminar em morte de qualquer forma. Dava para desenvolver em cima do “losing yourself”, mas focaram na mídia. Porque um hospital limpinho desses, com jalecos mais brancos que minhas paredes, precisa de atenção. Ah, me poupe!

 

Que Merlin me perdoe, mas torci para o paciente falecer meramente para ver a cara de tacho do Connor. Queria mesmo apreciar a perda e na pura maldade fiquei satisfeita demais da conta. Principalmente quando penso que esse cidadão entrou em Med todo “não quero ser reconhecido pela minha família famosinha”, mas não hesitou em dar entrevista gratuita e passar por cima de Sharon. Atitude que me encucou porque também está na moda meter OOC em personagem. E, por alguns segundos, considerei a atitude desse cidadão muito fora do padrão.

 

Ah, mas ele quer ser médico reconhecido. Sim, correto. Ambição é tudo nessa vida, mas Rhodes está cada vez mais próximo do slang attwhore. Só quer atenção para sua habilidade formidável de salvar vidas e me restou menear a cabeça diante da vergonha alheia. Mereceu muito!

 

Resenha Chicago Med - Reese

 

Quem também mereceu uma puxada de orelha foi menina Reese. Desacreditei do que ela fez. Gente? Bom é que Charles anda cumprindo o que pedi: chamar a atenção. A outra frustração dessa personagem ficou mais nítida essa semana, ou seja, ela quer porque quer que tudo seja problema psicológico ditado no papel. Ela quer um prognóstico para mostrar que o que leu está correto, que vale mais que instinto. Só que esse plotzinho está repetitivo. Finjo que não vejo, mas a moça está dentro desse ciclo vicioso por metade da temporada. Ou seja…

 

Já podem apresentar a mãe dessa jovem (apesar que sinto kibe forte da Bunny).

 

O plot do homem super-herói me rasgou tão quanto a situação de April. Sou suspeita para falar de serumaninhos comuns ajudando o próximo. Foi minha parte favorita, com certeza. Morri com a ideia de buscar o problema na origem do herói, algo HQ demais da conta, o comentário sobre a esposa e o quanto isso o influenciou a andar fantasiado por aí. A entrada da opção de voluntariado mais a cena do paciente já ajudando na sala de espera me deixaram na derrota.

 

E tenho gostado do foco na sala de espera. Apesar de que tenho uma impressão que Code Black deu um chamariz aqui (porque a gente finge que não vê os kibes de Med, ok?).

 

Vale um comentário sobre a história do Nick que também foi um peso a mais na dramática desse episódio. Que situação, hein? Nem tem como explanar em palavras até porque Choi assumiu esse trabalho e tornou toda a situação mais compreensível. Se é que podemos colocar dessa maneira. Enfim, só fiquei a Natalie no posto de indignada, mas respeitar decisão de paciente faz parte do negócio. Algo que menino Halstead tem demonstrado que aprendeu ao estar diante de mais um procedimento que poderia causar o inferno e que teve o consentimento de Melody.

 

Concluindo

 

Reese, Natalie e April apagaram Rhodes legal da trama. Só isso merece todos os prêmios e os aplausos. No mais, continuo com a mesma percepção de que o episódio poderia ter tido muito mais potencial se a história de Connor não tivesse destoado. Ele tentou segurar o drama, mas o garotão ficou completamente invisível entre as damas.

 

E sobre a possível morte: meu voto forte vai para o Wheeler, mas, tipo, quem é Wheeler?

Stefs
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