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25/mar

Sinto-me como o Ruzek neste presente momento: deveras confusa. Parece que eu assisti a esse episódio de Chicago P.D., mas, por algum motivo inexplicável, parece que nem assisti. Isso é estranho porque o caso da semana foi bom, porém, renderia mais caldo se tivessem deixado o shipper de lado. A bad vibe dos desdobramentos ficou em mim, confesso que conseguiram me prender ao longo da investigação, mas faltou alguma coisa. E essa coisa se chama potencial. O tema era perfeito, mas não aproveitaram e a conclusão ficou no popular aquém do esperado.

 

Perto de um fim de temporada, me pergunto o que diabos inventarão daqui por diante. Tem que ser algo muito bom para convencer as pessoas a retornarem no próximo ano. Eu vejo vários nada, guilty!, e isso vem de quem seguirá firme dentro do sofrimento que CPD tem acarretado. A temporada passada ainda conseguiu disfarçar um pouco os sérios problemas da série, mas agora abriram as portas do inferno. Episódios truncados, sem trabalho efetivo no caso/tema, personagens dispersos e sem desenvolvimento, mortes desnecessárias… Não consigo imaginar um 5º ano feliz, verdade seja dita. Ainda mais porque não há muita coisa a se agarrar nesse universo.

 

O ciclo se repetiu diante de um caso que tinha tudo para ser mind-blowing. E começou mind-blowing, mas eis um novo episódio comprometido por motivos de Linstead. Algo que, particularmente, esperava que fosse acontecer por reflexo da temporada passada. Bastam dizer que o shipper entrará em foco, que já sei que a trama nem importará. Basicamente o que rolou e foi um tanto frustrante porque o assunto era promissor. Inclusive, empolgante e controverso. Amo mudanças de cenário e o conto da busca da garota na floresta, com direito a cachorros farejadores, casa sinistra no fim da trilha e, mais tarde, restos de mil anos, tinha potencial para render algo pra lá de sinistro. Era algo cabreiro que perdeu a força graças ao segredo boring de Jay Halstead.

 

Além de transformar um terreno em uma cena completa de crime, houve a nuance da personificação da maldade. Com essa de diabo, Austin caiu como uma luva, especialmente por não saber ler e escrever. Um fantoche das trevas que contou com uma dupla de idosos que poderia ser simpática e fofa, aqueles vovôzinhos que fazem bolo no final do dia, mas apoiava anúncios falsos para atrair vítimas ao seu jogo viciante. Uma emboscada letal que fugiu do comumente estupro, um ponto que deve ser considerado positivo. Afinal, quando centralizam Erin, é comum pensar nesse tema porque é só o que a personagem tem recebido em maioria para mostrar serviço. Até que as coisas nessa temporada mudaram para a detetive, mas seus subplots seguem rasos demais.

 

A causa da morte era fome, mas por algum motivo Juliana foi a dita vítima com tratamento especial. Nem foi isso que intrigou, mas sim a ausência de suspeitos. Por um não saber ler e escrever, ditar anúncios se saiu como uma mão na roda. Não havia digital, nem mesmo na garota. Se não fosse pela citação do nome dele sem querer, a UI não teria nada. A perda do rapaz abriu uma leva de tensão, especialmente por assentar a invisibilidade dos obstáculos sobre quem seria o suspeito. A única pessoa que existia na trama era a viúva e quem desconfiaria dela, tão prestativa quando Al e Ruzek a visitaram? Que pessoa mais adorável, só que não!

 

Resenha CPD - crime scene

 

Essa de acreditar no primeiro ou no segundo que se apresenta no episódio podia ser alterado. Às vezes, penso que esse vício de escrita lá de 190-e bolinha compromete demais a trama de CPD. Inclusive, por ter se tornado um modo de operação da metade dessa temporada até aqui. Tipo, você olha o perrengue e já diz que pode ser A ou B porque não se preocupam com um C. E mesmo que o caso dessa semana tenha sido muito bom, voltaram a apostar no mesmo tipo de perfil que faz o que faz ou porque tem apreço ou porque deve ter algum problema de saúde mental. Meio que tem evitado justificativas de choque de caráter que essa série costumava proporcionar.

 

Apesar da repetição dos mesmos erros e do claro descaso com essa mana, os roteiristas conseguiram sustentar o suspense que acabou por tomar diferentes locações. Ao expandirem o assunto, deu a entender que havia um número enorme de pessoas envolvido. Deu a entender também que haveria uma grande reviravolta. Parecia um curta de terror apoiado em uma teia de mentiras que mirava para todos os lados. Foi um caso deveras esparso, mas de um ponto de vista positivo porque a investigação pareceu bem sacada e bem estreita. Afinal, a falta de um suspeito que puxaria o resto deixou um pouco de desesperança quanto à resolução. Além disso, desconfiança, ponto que destacou Lindsay em uma inédita inversão de papel.

 

É a primeira vez que ela se envolve nesse tipo de situação e faz cold shoulder no instante em que a vítima surge (porque ok mudar de opinião depois). Pena que sabíamos o motivo de cold shoulder e com sono fiquei.

 

Se a desconfiança de Lindsay sobre Juliana fosse tática, tudo bem. Seria válido, especialmente porque mostrou outra faceta de uma personagem que não pensa duas vezes em apoiar mulheres. Só que a fizeram agir em impacto da desconfiança sobre Halstead. Isso foi lamentável porque tal emoção poderia ser muito bem utilizada a favor de um time que patinava. Houve distanciamento emocional, o que é sempre muito bem-vindo. Porém, até a turma engajou nesse “drama” de casal. Não assisto CPD para ver detetive desconfortável com possível treta amorosa. Ainda mais no meio de uma investigação tão enigmática. Quis morrer vendo até Burgess com um ponto de interrogação na testa. Gente, contratem a Rita Skeeter porque esse povo está fazendo escola na fofoca.

 

Todo caso, o desenrolar da investigação rendeu picos de suspense e choque no coração, especialmente quando as burras do Ruzek e do Atwater entram juntos no buraco que estava Shanee. Toda vez que vejo Kevin na cilada, lembro da lata de refrigerante e me pergunto se ele fez mesmo aula para estar na UI porque não é possível. Nem era para o detetive ter entrado uma vez que Adam já o tinha feito. Pra quê alguém ser cobertura do parceiro, né? Ai, gente!…

 

Resenha CPD - Ruzek e Atwater

 

Apesar da burrice dos bichinhos, foi a cena mais impactante do episódio. Um pico altíssimo e que me fez esperar por coisas bombásticas. Ah, coitada! Houve um ar de desolação impregnante e ver a mesma cena organizada em seguida deu arrepios. Aqui estava uma oportunidade de prolongar a angústia, Voight poderia ir embora, mas nos 10 minutos finais simplesmente correram e facilitaram a resolução. Fácil demais da conta Halstead associar as marcas do chão ao esconderijo atrás da geladeira. Perderam chance de atrito, especialmente em cima do meu constante argumento de que esse povo não sofre com nada. Mas valeu o susto e podem investir em algo mais grave. Quero.

 

Outro ponto interessante do episódio foi Anthony.

 

Pausa: ele seria o Andrew Saenz, mais conhecido como Ernesto “Abogado” do 1×02? Fui atrás no IMDB e nada, me ajudem!

 

Voltando, Anthony ficou por isso mesmo sendo que seu relato deu a entender que daríamos de cara com um monstro no final da investigação. Fiquei na expectativa dele surgir para reconhecer o demônio, mas entregaram a resolução de bandeja no colo da viúva. Daí, entra o estado Ruzek de confusão. Posso até aceitar que foi proposital deixar o roteiro atrapalhado porque se tratou de um jogo que poderia ter contado com o falecido Darren como precursor. Austin e a senhora poderiam ter apenas seguido em frente. A soma que trouxe esse resultado reticente e ainda estou desconfortável porque ansiei por mais respostas. Alguém me ajuda!

 

Man, o caso foi tricky. A impressão de ser complexo me deixou ligadíssima e é fato que tinha tudo para render mais. Cheguei até perguntar quem tinha sido a/o inteligente da sala dos roteiristas, mas cair do cavalo com CPD é lei e eis a superficialidade habitual que tem sido a BFF dessa série.

 

Lá no fundinho, daria o caso como inconclusivo. Terminei o episódio com essa sensação. Faltou embasamento nessa história e, no último segundo, partiram para a opção mais fácil. Triste!

 

As carentes de atenção

 

Resenha CPD - Jay

 

Isso mesmo, Linstead. Porque Linstead realmente precisa de todos os holofotes, né? Ah, me poupem! Saudade tenho de falar bem do shipper. Porém, quem me conhece sabe que quando casal começa a travar a trama, eu paro de defender na hora. É quando começo a me tornar uma inimiga insuportável, que descascará toda a storyline e que abrirá brecha para perder as amizades. Parece que Chicago P.D. me quer like Bernardinho não é possível! Rasgando o peito de raiva!

 

O caso da semana teve momentos impactantes e que prenderam a respiração. Contudo, é um fato que as quebradas Linstead afetaram boa parte da investigação. Por um lado, não me senti sendo tirada e colocada da tomada toda hora. Conseguiram implantar a curiosidade sobre o assunto, mas, em contrapartida, ficou muito chato querer mais da atividade da UI e ganhar a nova ex de Jay Halstead e o carão de Erin Lindsay. WTF?

 

Quando ouvi essa de ex-namorada, a única que pensei foi no crush lá da S1. Para mim, seria uma empreitada que faria muito mais sentido que criar não só uma ex, mas uma esposa. Tudo para tentar resgatar, se é que vão resgatar porque background de personagem definitivamente morreu nessa série, um tempo em que Halstead não gostava de si mesmo. A sonhada era do exército.

 

Assim, me trouxeram o Mouse com o mesmo objetivo e não aproveitaram tal irmandade de guerra. Agora acham que uma mulher para gerar atrito em um relacionamento mal desenvolvido é a solução? Sabem o que isso me lembra? Da filha do além do Olinsky que voltou para o além sem nenhum aviso. Halstead tem um monte de traumas, tem vários gatilhos que colocam em cheque até como entrou na UI, e ninguém está falando sobre isso. Olar?

 

A lógica: deixar Lindsay pau da vida sendo que não havia motivo para isso. Criaram todo um clima 4ª série para um casal que nem discutiu quem lava a louça e quem seca. Linstead foi 100% atropelado por motivos de buzz. O que isso significa? Queimaram todas as fases de início de relacionamento, de desenvolvimento individual e interpessoal. Do nada, ambos se tornaram as melhores pessoas para viverem juntas sendo que nem se conhecem direito. Sendo que ambos são bem estragados e foram postos na mesma página aleatoriamente. Alguém esfria minha testa?

 

O resultado: para um desenvolvimento raso, angústia fraquíssima. Agora, tem que engolir que Erin se envolveu com um cara que nem conhecia direito. Colegas, mas é claro que ela não o conhecia direito e vice-versa. Abriram as portas do inferno para desgastar um casal que perdeu todo seu poder de ser envolvente. Mouse era o único que tinha chances de mover Linstead porque Halstead e ele tinham bagagem juntos. Uma bagagem que sempre deu a entender que era pesadíssima. Do nada, até esse garoto resolveu ir embora. Hum-um, como faz o próprio Voight.

 

É bem nítido que os roteiristas não sabem o que priorizar. Quando não há história, bota lá Linstead em destaque que está resolvido. Really que chegamos a esse ponto?

 

Ao contrário de Fire na S4, por exemplo, que deu para levar empurrando com a barriga porque conseguiam encontrar forças sabe-se lá de onde para entregar algo com uma dose de significado (que a Deusa abençoe Herrmann), Chicago P.D. deixou de se esforçar. Não sabem se entregam um caso de qualidade porque não se pode se esquecer de romance. Sendo que lá na S1 isso nunca foi um problema. Sabiam casar todo mundo com o acontecimento e isso deixou de rolar. Como disse na resenha do crossover, mataram pouco a pouco os elos emocionais que rendem background e agora temos banalidades como uma esposa para Halstead. Tão de parabéns com essa ideia, viu?

 

E foi ainda mais frustrante acompanhar Linstead dessa vez porque ambos empataram o caso que tinha potencial e que acabou corrido e confuso. Sem chance de surpreender um pouco mais. Nem as vítimas tiveram voz, só Juliana e ainda não foi forte o bastante perto do cenário que criaram para respaldar a investigação. Não deram a preocupação necessária para as meninas porque claramente não houve tempo. Afinal, era mais importante saber se Jay assinaria ou não o divórcio…

 

Concluindo

 

Resenha CPD - Al e Ruzek

 

O bom do episódio se resume a Adam Ruzek, o destaque da semana. Quem diria que um dia sentaria aqui e daria umas estrelinhas para o garoto. Embora também tenha sido esquecido na fila do desenvolvimento, o personagem, depois de semanas de ausência, mantém a boa forma. Segue firme, decidido, cheio de estilo e sendo o próprio filho de Olinsky. O que foi o pedido de abraço, gente? Sério que esse cidadão fez isso? Quando é que ele está pedindo para ser meu protegido? Não lembro de nada disso, acho que estou digitando essa resenha dormindo…

 

E o que dizer de Al? Esse anjo sofrendo nas garras desses roteiristas de graça. Esse não é meu mundo e enquanto eu escrever resenhas nunca aceitarei o que fizeram com Lexi e nem os diálogos mequetrefes que deram para esse senhor.

 

Se é para tirar um saldo bom, volto na inversão de papéis que também rebateu em Voight. Juro para vocês que por um momento pensei que a viúva era Darren. Juro! Esperei o arrancar da peruca ou coisa parecida. Isso seria awesome! Como não foi o caso, restou ficar na corda bamba com o tratamento do Sargento contra essa senhora. Para quem só ataca homens e deixa o psicológico feminino para dentro da sala de interrogatório, foi um tanto chocante ver o que ele fez. O grito afirmando que o personagem enfiou a faca na palma dela me deixou meio injuriada. Ainda não sei se gostei dessa cena, mas deixou seu impacto fortíssimo.

 

E seguimos firmes nessa ladeira chamada Chicago P.D..

Stefs
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