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04/mar

Então estamos aqui para falar sobre mais um One Chicago e que tristeza! Antes de começarem a ler, é importante que saibam que assisti ao torrent de duas horas. Ou seja, enfrentei essa pancadaria como se tivesse em maratona (caramba, terminei exausta!) e capaz que chegasse ao tempo de Titanic se Chicago Med tivesse sido mais presente. Um comentário meio random, mas acho relevante porque pode mudar um bocado a experiência de cada um diante desse crossover.

 

Outra informação relevante: este post é sobre as 4 Chicagos. Achei melhor que quebrar o texto em 4 resenhas diferentes (mesmo Med não contando). O texto está grande, mas, pelo menos, ninguém perde o raciocínio das coisas, ok? Juro que tentei, mas tratei o evento como um filme propriamente dito.

 

Outra informação mais relevante ainda: como não tenho intenção de resenhar Chicago Justice, dei uma pincelada em algumas passagens porque não tem como ignorar essa mana 100% (queria, juro!).

 

Não acho que precise de colete à prova de balas, mas tem sim os comentários azedos de sempre. E acho que saí um pouco da etiqueta porque esse One Chicago só me fez pensar em palavrão.

 

Seguimos!

Chicago Fire (5×15) – Deathtrap (1)

 

Resenha Once Chicago

 

Primeiramente: 15 episódios depois e Chicago Fire segue como a irmã que você respeita! Sabem o que pensei ao longo desse início de crossover? Um monte de palavrão seguido de vários pontos de exclamação. Pensem em dar de cara com aquela comida gostosa, que você não come há tempos, e alguma pessoa querida passa o prato na sua cara. Você fala o quê? Isso mesmo, um monte de palavrão seguido de vários pontos de exclamação. Choque e entusiasmo (p****)!

 

Nos dois últimos anos, Chicago Fire seguiu firme e forte nos probleminhas de início de crossover. Eu sempre terminava com aquela frustração que se estendia para Chicago P.D., que fazia, e ainda faz, questão de anular toda a equipe da irmã mais velha. Além disso, rolava aquela penúria de querer saber logo de uma vez como o caos se instalaria e serviria de bait para dar abertura ao famigerado One Chicago – e você tinha que esperar até o final. As coisas mudaram drasticamente dessa vez, mas não serei a entusiasta. Seria muita ingenuidade, mas, depois de tanto tempo, essa mana entregou a narrativa de mão beijada para as outras, bem, logo mais nesta resenha.

 

Os roteiristas não são confiáveis, mas podemos celebrar o agora. Usaram a inteligência de investir em algo enorme, maior que os personagens. Só assim para suprir todas as bases, especialmente de quem viria na rasteira e pediria espaço na família. Ela mesma, Chicago Justice. Embora regado de uma treta básica devido ao incidente da vez, a escolha do caos que englobaria as Chicagos foi ótima. Ao menos, para Chicago Fire que mantém o ciclo de regeneração.

 

O evento abriu com dois intuitos diferentes. O primeiro foi uma jogada sutil que deu respaldo ao que ocorreu no 5×14 e isso me fez feliz mesmo que indiretamente. Depois de um dia separados, retornamos com essa família reunida e dedicada, como se Anderson nunca tivesse se entremeado e causado rebuliço. A sincronia dessa turma deu força a um episódio que começou a seco, investida que fazia tempo que não rolava em Fire. Ao colocar todo mundo a sangue-frio no trabalho, como se tivessem acabado de despertar de um cochilo, com as caras amassadas, se deu uma forte liga para humanizar a tragédia que viria a seguir e que caiu no estômago como um café ruim demais da conta e sem açúcar.

 

A partir disso, o único medo que senti foi diante da possibilidade de que o caos instalado durasse só no primeiro bloco e perderia a força pelas trivialidades do Batalhão. Não há nada mais irritante (de várias) que conversa aleatória quando não é pra ter conversa aleatória. E até nisso acertaram a mão porque houve poucas pautas cotidianas, quase nenhuma, o que não quebrou o ritmo. Nem quando Anna apareceu.

 

O único resgate da semana rendeu uma corrida no meio da noite que abateu o time em ondas tão sutis quanto marchar para o trabalho como se todos tivessem dormido agarradinhos. A espinha em forma de grande incêndio rendeu um ótimo core para 4 roteiros (incluindo Med) e inseriu em poucos minutos o assunto que realmente importa em One Chicago (ao menos, deveria, né?): o senso de família. Detalhe que Fire conseguiu trazer à tona no crossover com Chicago P.D. (que rolou esse ano), o que soma duas vitórias em um 5º ano que continua a mostrar o seu valor.

 

Resenha Once Chicago

 

 

How the hell does something like this happen?

 

A trama foi dolorosa a partir do momento que as silhuetas dos adolescentes contrastaram nos poucos vidros que deram uma breve visualização do que transcorria dentro daquela fábrica. O fogaréu que entrecortava o céu gélido de Chicago foi o único parecer de uma equipe que sabia que seria impossível salvar todo mundo. Chamas intensas e alaranjadas que serviram de famoso tique-taque para um Boden que decidia duramente quem entrava, quem saía e quanto tempo restava para aquele labirinto desmantelar de vez. Entre um resgate e outro, uma explosão e outra, esse episódio refletiu em uma questão que vivo pontuando em Chicago Med: quanto vale o ser humano?

 

Um dia contamos com leque de atendimento médico. No outro simplesmente chegou a nossa hora. A morte em si sempre será um enigma que gerará o questionamento justo vs. injusto. Uma briga que define quem é bom e quem é mau, quem merece e quem não merece, o que me faz girar um pouco para a perspectiva pessoal de que todo mundo tem que aprender na vida. Mas que tipo de provação uma pessoa tem que passar quando nada de ruim se fez? Por que uma pessoa tem que ser apagada para gerar um tipo de aprendizado? Por que Lexi? Castigo para um pai que deve ter vários cadáveres embaixo do tapete? Ignorando as questões do roteiro, pensar na little Olinsky como uma menina do cotidiano tornou a experiência ainda mais difícil. É fato que ela não merecia isso, mas quem merece ser deflagrado dessa maneira?

 

Sei bem o que se passou na cabeça de vocês e concordo, ok? Secret.

 

Foquemos no grande questionamento de Boden que representou o chavão desse episódio. Como um acidente desses acontece? Assim, aparentemente do nada? Por que levar tantas vidas em curto espaço de tempo? Essa questão-chave entoava na minha cabeça antes mesmo de ganhar vida em diálogo. Não com essa precisão, mas me vi em um estado reflexivo enquanto o coração doía naquela contagem de corpos. Tivemos uma tragédia dessas anos atrás e parece que o efeito do que foi guardado diante de tal narrativa encontrou seu caminho e se emaranhou em outra, essa ficcional, que encontrou seu poder completo tanto no emocional quanto no verbal. O time separado entrou com força completa naquela fábrica e entregou uma angústia silenciada. Era hora de foco e de organização em meio a uma situação que não chega nem perto da definição de catástrofe. Como Wallace disse, foi assassinato em massa.

 

A fatalidade teve seu jeito de mover o inferno, especialmente no âmbito visual. Porém, ela entrou embaixo da pele a partir do momento que Otis sutilmente comentou sobre a quantidade de vítimas que já haveria atrás daquelas portas. Mesmo que pessoas lutassem, certas bases não seriam alcançadas e foi em uma delas que encontraram Lexi. Aquele tipo de retorno que, independente de ter sido solicitado por Olinsky, tem tudo para fazer a diferença. Infelizmente, não fez, mas saberíamos disso só lá em Chicago P.D.. Literalmente, que morte terrível!

 

Esse inferno encontrou sua forma de entristecer tão sutilmente quanto às ações tomadas na tentativa de diminuir os danos. Não houve estardalhaço para expressar inconformismo, a não ser a mídia instalada que sinalizou para Chicago Justice a todo instante. Apostaram em massa no visual, detalhe que tem favorecido vários episódios de Fire e é bom demais da conta. Poupou-se vários discursos prontos ou brechas das trivialidades. Fecharam o cerco em tomadas precisas e não houve tanta conversa. Apenas trilha, sirenes, as implosões, o cinza de mais um dia frio. Investiram mais em frases que entregavam o que viria a seguir. Um tipo de transição do roteiro visto no 5×12. Ao contrário desse referido, esse assentou a melancolia incessante até a troca de irmãs.

 

Resenha One Chicago

 

Embora a morte seja complexa e excruciante para quem a testemunha, sutil foi a palavra de ordem desse episódio de Chicago Fire. Até o surgimento de Olinsky contou com essa pincelada, expressada no looping que implorava pelo resgate de Lexi. Uma tomada e um diálogo, nada mais que isso e assim seguiu a trama. Um roteiro minimalista ao extremo no âmbito pessoas porque o cerne estava ao redor, sufocando e incomodando como um próprio ser humano desagradável. Um verdadeiro oposto do 5×14 que precisou 100% do talento do elenco. Contrastes. Amo contrastes. Continuem.

 

Para não ofuscar a fábrica, o grande personagem de Fire, nada como falas mínimas com a função de realçar o propósito do roteiro e do tema família. Quando tudo parecia perdido, Al surgiu para mostrar que havia mais a se perder e os bombeiros retornaram (e fica o questionamento se isso aconteceria se fosse um cidadão comum. Não perco a chance de cutucar, desculpa). O mais impressionante é que não investiram na famosa competição de tragédia. Nem mesmo quando saltaram para CPD. Isso foi de um alívio tremendo porque o time das Chicagos ama falar um mais alto que o outro quando estão entregues à plena dor e não era o momento para isso. Afinal, seria egoísmo sem precedentes com as outras vítimas. Amém que respeitaram e mantiveram o foco, afinal, Lexi foi o principal barbante para refletir sobre tal chacina. Não era hora para fazer cosplay Connor Rhodes.

 

E esse episódio de Chicago Fire foi isso (além do sutil): reflexivo. Com o questionamento de Boden, se incitou tal pensamento de como uma coisa dessas acontece. Se foi proposital ou não. Se não, quem teria a capacidade de tanta crueldade.

 

Para que esse combo fosse eficaz, de novo voltamos no ressaltar da imagem. Do plano de fundo. Fizeram isso com tomadas maravilhosas. De quebra, e para deixar tudo ainda mais triste, se apoiaram em instantes que pareciam aleatórios, como a garota do vestido rosa. Pequenas coisas que ganharam uma relevência que *deposite um palavrão aqui*. Não tem como descrever porque é intangível.

 

Além do caos, o episódio ainda teve tempo de entregar vários aftermath para evitar tanta ponta solta. Instantes que destacaram a destruição e o que seria entregue para as outras manas desenvolver. Do fogo e da contagem de vítimas, chegaram a um homem que pela culpa e pela pressão do instante acabou por tirar a própria vida (e até eu sabia disso, meu Deus, a turma pagou de Atwater). Uma persona que deu o pontapé para esquentar a mídia incessante de Justice e o time de Voight.

 

Assim, eu teria mil e uma palavras sobre esse episódio de Fire, mas sinto que não farei jus. Foi pesado. Muito pesado. Os roteiristas conseguiram ser sangue-frio em vários aspectos. Aquela tomada dos corpos diria que foi desnecessária, mas parece que temos um padrão já que em CPD a turma anda dando tiro sem pestanejar. Acho ótimo, mas não deixa de ser meio desrespeitoso, não sei. Foi tanta coisa que esse roteiro provocou/minuto que nem sei a quem xingar/elogiar.

 

Resenha One Chicago

 

Além da repetição da palavra sutileza, vale descrever o óbvio: foi mórbido. Injetaram as mais diferentes emoções tanto pelo incêndio quanto pelo teor familiar que One Chicago exige. Inclusive, pelas medidas drásticas que podem ocorrer em meio à tanta dor, à tanta pressão e a tanto desentendimento do que ocorreu, como o suicídio. Fizeram de um incêndio o big thing, algo que não se via há tempos nessa irmãzinha quando conversamos sobre crossover. Saíram dessa de puxar personagem do Batalhão para depender da irmã seguinte (que aprendeu a esquecer que tem parentesco).

 

Fire entrou em campo like a boss, com uma excelência de deixar o queixo caído. Outra prova de que basta tirar a preguiça do corpo porque essa mana aqui consegue se manter até sem precisar do apoio full da tríade. Sério, vamos voltar ao mencionado comentário dos palavrões e insiram vários aqui, por favor.

 

Não houve um minutinho sequer que não chorei e que não voltei ao grande questionamento de Boden. Um questionamento que deixou o rastro da reflexão em cima de outra questão: pode haver coisas boas depois disso? A garota do vestido rosa encontrou seu ponto bom, mas não se pode dizer o mesmo das mais de 30 vítimas/famílias. Eu mesma não consigo pensar no que de bom pode se tirar de uma experiência dessas a não ser angústia, trauma, inconformismo, dor, sofrimento, etc..

 

Fato é que ninguém espera que uma saidinha inocente seja isca, não sei, do destino, de algo programado sem que você saiba. Um incêndio desses é apenas uma circunstância de várias em que muitos saem de casa e nem pensam sobre as chances de não retornar. Pensar dessa maneira é quase o mesmo que instalar paranoia e arrematar no que ocorreu com Dylan. Criar um mundo pessoal aparentemente seguro em que vemos apenas o que queremos através da tela do computador. Esse paralelo me fez ficar jogada por alguns instantes e estou séria.

 

Outros pontos

 

Houve sim algumas trivialidades, como Anna trabalhar em Med, mas, como mencionei, a moça não atrapalhou o ritmo do início do crossover.

 

Brett e Dawson deveriam se chamar de dupla da esperança. Pelos olhos delas, vimos que há sim algo de bom a se tirar de circunstâncias como essa. Mas como se convencer disso?

 

A Marcie, gente! Eu mesma quando cheguei pra ver o crossover. Vários WTF? com tanta tragédia por segundo. Linda!

 

E no fim: um salve para turma de Chicago Med esquecida no porão dos roteiristas. Ok que haveria um episódio dessa série à parte, mas voltemos ao que comentei em um passado não tão distante: essa mana não cabe entre as outras devido ao gênero. Parece que se tocaram disso, mas foi deselegante deixar meio cast de lado. Só não reclamo mais porque foi muito chato ver o bonde do jaleco transitando à toa no cros que os introduziu de vez.

 

Apesar dos pesares, intercalaram bem Fire/Med. As duas combinam pelos motivos óbvios. Conseguiram acertar o ritmo e agradeço ao Mouch por ser uma ponte. Mas… Só acho que deveriam ter investido um tiquinho mais em relatos das vítimas para terminar de lascar o emocional já muito lascado devido ao Olinsky. Isso, no crossover todo.

 

Agora, vamos mudar os neurônios e falar da mana problemática aka Chicago P.D..

 

*paradinha sonora de Law&Order: SVU*

 

Chicago P.D. (4×16) – Emotional Proximity (2)

 

They’re about to feel the full strength and scope of the Chicago Police Department

 

Resenha One Chicago

 

Voight roubou o cerne do crossover like a boss. Cheguei a acreditar por alguns minutos que teríamos a boa e velha Chicago P.D. sendo linda em One Chicago, mas… Minhas opiniões se dividem. Não foi tão ruim, mas também não me deixou a pessoa mais satisfeita do universo.

 

Nas linhas seguintes vale o famigerado colete.

 

Fire encontrou seu sopro refrescante e carregou o início desse evento perfeitamente nas costas. Não teve como não transitar a satisfação acarretada por uma mana para a outra. Ação que rendeu aquela quebrada na face. Na menor chance, CPD deixou o conflito Lexi solto e minguou as emoções criadas com eficácia por CF.

 

Os 40 minutos do Batalhão foram muito bem aproveitados. Ao contrário de CPD que tentou manter o tema família vivo, como sempre tenta, mas se viu no famoso pluga e despluga de emoções. Gerou o famoso conflito sentimental, mas mais porque se realçou o grande problema que essa mana vem enfrentando desde fins de S2: continuidade de storyline.

 

Assim, Lexi foi resgatada do universo paralelo para morrer e quem a matou foi um cara X. Um cara tão X quanto quem matou Shay e que precisava existir para ter crossover com CPD. Padrão.

 

Fato é que migrei para CPD com a sensibilidade altíssima para vê-la esmorecer diante de uma investigação que não escondeu a verdade de que iria para canto nenhum. Foi quando o estalido me veio à mente: quem faria um negócio desses e daria relevância para a morte de Lexi? O que o roteiro queria era um rosto, sucesso, mas a ânsia de saber desse rosto contribuiu para desvalidar bastante o que transcorria com Olinsky. Pode ser resultado do fato de que o incêndio estava em Fire e lá morou toda a carga emocional, mas Al e sua filha pertencem ao mundo de Voight. Pecaram demais no que chamamos de consideração.

 

Fiquei triste pelo detetive ao mesmo tempo em que esperava que o incendiário fosse alguém que recompensasse tanta dor. No fundo, sabia que isso não rolaria, mas sabe quando você puxa o freio da negação? Só para tentar fingir que tal coisa não acontece na sua vida? Bem isso.

 

O que fizeram: pegaram a mídia montada no circo em Fire para puxar Justice e assim amarrar uma storyline acarretada pelo mundo paralelo criado online. Por uma paixão platônica que saiu do platonismo para culminar em uma tragédia. Eis de novo, o gif do John Travolta.

 

Fire fez uma belíssima entrega de responsabilidade para as irmãs e as irmãs fizeram questão de miar a essência da família. CPD engatou a continuidade de trama em clima bastante apropriado diante do santo diálogo que se expressa no quote que abre essa parte da resenha. Voight entrou muito bem em cena até mesmo Dawson e Peter. Cheguei a gritar com essa virada, pena que a mana não demorou a transparecer seus problemas mesmo que muito discretamente.

 

Se conheceram a força de CPD? Impossível porque essa força tá lá na S1, completamente esquecida. Male, male, houve a carga dramática, mas o episódio priorizou todo o time. O que não é ruim pela investigação, mas podiam diminuir a turma sim! Não houve entrada para Fire e a pobre Med em forma de Will teve que segurar o peso Lexi em momentos aleatórios com Al. Do nada, o aspecto de crossover da família morreu, como tem acontecido há dois anos. Como aconteceu no último entre CF-CPD – e CPD esqueceu de Severide.

 

O que vi foi apenas o mesmo ritmo de episódios passados com a diferença de que tinham que alastrar o drama de Olinsky. Ainda sim patinaram nesse processo sendo que não deveria. Lexi entrou aqui como alívio de trama porque era preciso abrir espaço para Justice. E lá se foi a essência porque Justice não conhece ninguém do antro. A não ser Voight e Antonio, mas já dá contraste quando pensamos na intro de Med.

 

CPD tentou manter o que interessava, mas fez isso muito parcamente. Não sabiam se engatavam um senso de vingança de Al ou o deixavam como o pai em sofrimento. Daí resolveram resgatar a bem-vinda cumplicidade de Voight e ele com uma falsa declaração. Contudo, foi perceptível notar que a turma do porão ficou na saia justa entre deixar o detetive como Hank ou como o pai do episódio passado que queria vingança com as próprias mãos. Se tivessem desenvolvido isso, tudo bem, mas não o fizeram. Como muita coisa no quesito storyline.

 

Bizarramente, Olinsky ficou a ver navios em CPD. Sua dor não foi tão significativa nem aqui e nem em CJ. Não perto do que Fire fez. Não tinha tempo? Tinha sim, mas Justice tomou 40 minutos de introdução que poderiam ser muito bem usados para estender a dramática da perda de Lexi. Desenrolarem isso. Essa é uma storyline que contou com plots na S1 e terminou em vamos tirar o respirador e fim. Pra quê personagem?

 

Daí, entregaram a trama fácil demais para Justice. Não havia mais a ponte emocional, aka Lexi, e a tragédia se tornou assunto geral. Tudo bem, várias pessoas perderam entes queridos no incêndio, mas podiam ter guardado essa perda crucial para a última parte do evento. Meramente porque quando Peter surgiu, o família desapareceu.

 

Houve uma ótima construção nas transições do crossover. Cada irmã entregou muito bem o início, meio e fim desse assunto. Não dá para cobrar nada de Justice, mas dá para falar demais de CPD. O foco era a investigação, tudo bem, dá para dar um desconto, mas Fire entregou tudo engatilhado. Bem como Med que em sua pouca participação ajudou a reforçar que Lexi era um conflito sério. Que merecia muito mais que um adolescente com problemas pessoais. O anúncio oficial da morte me deixou mais irritada que triste porque todo o andar do caso em busca do rosto só atingia o nível de zé ninguém. E atingou o nível de zé ninguém. Igual ao que senti com o incendiário que custou Shay.

 

A dor de Olinsky não foi totalmente negligenciada em CPD, mas ficou como sombra. Lembrete, sendo que era a essência do crossover. O família! Fire foi a espinha energizada de certeiro drama e a única função das outras manas era entremear os nervos codinome bom causador e bom motivo para se fazer justiça. Não digo que fracassaram porque até Justice obteve um encerramento tolerável, mas mais pelo poder do discurso. Contudo, Lexi merecia mais que ego ferido, já que o abuso não foi confirmado (mas ficou a entender problema psicológico, então, nem tem o que dizer nas reticências). Al merecia mais também apesar de ter pisado na bola com Burgess.

 

Da mesma forma que o drama perdeu a força, o mesmo vale para a investigação que só conquistava seu teor emocional diante do mural. Houve uma hora que me vi sem as emoções que Fire implantou e as queria de volta. Al se afastou e a importância do que lhe ocorrera foi caindo. Quando o causador surgiu, só me restou temer o bendito motivo. E, honestamente, nem sei o que pensar porque nada nesse cerne ornou com o peso da dramática do incêndio. Preferiria que fosse um acidente, mas precisavam de um ser humano sangue-frio e digno de Justice.

 

Justice a série que dá lição de moral. O que deu? Essa e CPD enfraqueceram a humanização de trama que CF cedeu. Boden praticamente entregou a história com um laço. Houve até chance de focar em mais vítimas. Mas, assistimos uma briga de egos e de moral de um cara hipócrita. Socorro!

 

Não digo que estou completamente decepcionada porque o crossover desenvolveu bem, os roteiros sabiam o que queriam transmitir nessa escalada. Porém, a falta de conexão familiar em CPD-CJ matou os ânimos. Merlin, Fire fez tudo sozinha, as outras manas só tinham o trabalho de manter o que foi entregue dentro da premissa original de cada uma.

 

Pior que Dylan, só Al dizendo que o incendiário confessou só para ressaltar que a UI de Voight está abaixo do People. Socorro²! Ok, comentei na última resenha de CPD que CJ está acima das demais irmãs, mas, amigos, a série chegou agora. Poderia ser mais simpática.

 

O problema de desenvolvimento se repete

 

Resenha One Chicago

 

Estou criando esse adendo especial porque necessário. Ainda estamos no bloco Chicago P.D..

 

Uma trama familiar dessas faria toda a diferença com um desenvolvimento anterior caprichado. Não era função de Fire tomar conta de Lexi e de Al, mas Fire tomou conta melhor que a casa original de ambos. Temporariamente, mas sim. Não tem como defender!

 

Quando o meu sangue esfriou, vi que Lexi se saiu como um incidente. A típica isca, como Nadia (mas nesse caso criaram amarração Benson vs. Lindsay). Foi uma fatalidade. Foi horrível o que rolou com a garota. Fiquei despedaçada, especialmente porque nem direito ao adeus Olinsky teve e tivemos que lembrar do 4×15 em que houve a real despedida de ambos. Isso é um desrespeito tremendo por motivos de S1.

 

O que ocorreu com Lexi foi meramente porque não havia outro personagem estepe de background e precisavam promover Justice a todo custo. Isso me deixou bastante injuriada. Não por ser a menina Olinsky, mas porque o padrão para tentar evoluir alguém dessa franquia se repetiu e será a troco de absolutamente nada. Querem apostar?

 

Conforme os detetives vasculhavam atrás de quem fez, fato é que qualquer pessoa que fosse desvalidaria todo o aspecto do ocorrido. Basicamente como o incendiário de Shay. Personagens importantes/relevantes que morrem por cidadão X. Ninguém tem um stalker injuriado, por exemplo? Todos são limpos para sofrerem apenas porque os roteiristas assim decidiram no churrasco? Ninguém regular pode morrer? Quando não é isso, é avulso de última hora, vide meninão Borelli. Sacar que Lexi foi meio de promoção esmoreceu todo o valor da investigação. O que salvou foram as interações entre Al e Voight.

 

Houve uma hora que queria voltar para Fire a fim de sentir aquela agonia para me solidarizar pela UI abalada com a notícia da perda de Lexi. E foi uma cena e tanto, especialmente pela expressão do Beghe que terminou de me rasgar. A equipe demonstrou sim sua tristeza, mas dependeram de um mesmo modo de solidariedade repetido na entrega do plot para Justice. Basta botar um memorial, método para dizer que fez bonito quando um assunto desses, e tantos outros que CPD têm falhado, precisam de um pouco mais de rigor.

 

SVU não aprofunda, mas Benson carrega seu universo nas costas. Ela consegue transmitir a gravidade e o peso da dramática com uma olhadela suave. Entendo que a UI precisa agir e se apoiar em um resfriamento emocional. Não é à toa que o título desse episódio serviu de espelho para sentimentos que queriam intervir na investigação. Faz parte do negócio e os personagens não estavam ruins nesse crossover. Estavam ótimos porque o elenco é ótimo. Contudo, podiam manter esse filete da trama mais intimista. Afinal, Al e Lexi pertencem a essa Chicago, mas eu senti como se eles fossem de Fire.

 

Poderiam empurrar o memorial pra Justice se faziam tanta questão disso. Enfim, esse é o quadro quando o dinheiro se torna mais relevante.

 

CPD perde cada vez mais o elo de proximidade que Fire ainda consegue manter até quando não tem plot bom. Essa parte do crossover contou demais com Burgess e Platt, a balança emocional em torno do que acometia Olinsky. Ambas me envolveram mais que todo resto. E, claro, Voight. Interações que salvaram esse episódio.

 

Resenha One Chicago

Golpe baixo sim porque me recusei a usar as imagens fortes

 

Al e Lexi foram feitos de simbolismos e CPD não simbolizou o único plot saudável entre pai e filha. Da mesma forma que a isca de Otis sobre as vítimas foi dilacerante, o mesmo vale para o looping de implorar do detetive que foi o bastante para expor sua dor que deveria ter atingido um timbre mais alto pelos motivos óbvios. O único personagem que demonstraria sofrimento sem dizer muito, no modo Benson de espiar a tragédia e deixar transparecer a dor, era esse. Fire cumpriu o que a mana mais próxima não, nos dando o choque de um pai que perdeu uma pessoa amada do dia para a noite, minutos depois de falar com a mesma no celular. Embora se trate de introdução, quem deveria ter desenrolado o resto não desenrolou absolutamente nada.

 

CPD simplesmente cortou o plot. De novo, Lexi e Al foram feitos de simbolismos. O único simbolismo que vi foi ele lendo Alice para ela.

 

Poderia gastar mais parágrafos sobre Al, mas comentei bastante sobre ele no 4×15. Resumidamente, Elias tem um jeito único tanto de prender seu personagem para não esboçar uma emoção sequer quanto fazê-lo se esparramar com uma entrega que fisga qualquer um na hora. Antes mesmo de Lexi ser resgatada, o detetive já deu tudo o que iríamos sentir nas horas seguintes. Não haveria ninguém para lidar com um negócio desses. Tanto para pensar em vingança quanto para ser o pai de luto que queria sua justiça entre os dedos.

 

Acompanhamos sua breve jornada com Lexi na S1 e a storyline simplesmente morreu. Em um único episódio de introdução, fui conquistada tanto por ele quanto por ela, e é meio triste chegar aqui e dizer o quanto foi sem tato escolhê-la para ser ponte para a irmã recém-chegada. Não me manterei nesse norte porque pode até soar que não tenho mais argumento a não ser culpar Justice, mas a verdade é que fica muito difícil aceitar repescagem em CPD e falta de desenvolvimento.

 

Resgataram a menina do mundo paralelo para isso? Foi lindo de doer, admito. Foram cenas muito envolventes, com a carga dramática que só Al consegue entregar, mas vamos refletir sobre os roteiristas e sua tentativa funesta de dar mais uma filha ao detetive. Isso ninguém lembra não é? Não é de hoje que pinicam esse personagem.

 

Olinsky tem sido sondado, mesmo sem algo verbal, desde a S2. Época em que acreditei que ele morreria – e quem morreu foi Nadia. Já faz uma cota que sondam esse território, aplicaram mais uma storyline que flopou bonito e agora retiram Lexi. Tipo, você me tira o único norte, o ponto fixo, desse personagem para quê? Porque eu sei que espiralá-lo será difícil porque nem Voight passou pelo luto. Nem Platt. Nem Erin.

 

Memory lane: Voight vs. Justin. Platt vs. o pai. Erin vs. Nadia. People vs. Chicago P.D.? #Quero.

 

Padrão dos ferozes que só me aponta duas coisas: ou estão com preguiça de desenvolver background, o que justifica a queimação de temporários. Ou só querem a rotina da UI. Uma rotina que nem existe a não ser para quem tem shipper.

 

Assim, digo oficialmente: RIP S1 de CPD. É hora de pegar essa temporada e jogar na Penseira. E isso me deixa tristíssima. Cortaram todos praticamente (me iluminem aqui caso esteja errada) que tinham elo de background com os detetives. Ou seja, adeus background!

 

Tudo bem você querer um paralelo entre dois personagens. Fizeram isso entre Benson e Lindsay no caso Yates, e foi importante para ambos os lados. Voight seria o único capaz de segurar a barra de Olinsky, e vice-versa, e eles são reflexos um do outro. Mas se eu não soubesse que Lexi tinha simbolismo com Al, capaz que ficaria de ok com essa morte.

 

Só lamento a morte de mais uma relação não aprofundada porque buzz. Lexi e Al renderam poucos instantes formidáveis, mas o bastante para não serem esquecidos. Simbolismos. É exaustivo retornar à história de CPD e notar que não há mais válvula que evolua os personagens. Evoluir é uma palavra muito forte porque vários têm regredido. Além disso, vários não lidam com nada do que os acomete porque há o abençoado salto temporal. Fácil demais ter série sem desenvolver nada.

 

E sabem o que é mais irônico nisso tudo? Lexi, Nadia e Justin = 1×04. E sabem o que é ainda mais irônico? É que esses personagens morreram justamente quando dava para criar estopim de plot. Lexi nos estudos. Nadia na polícia. Justin daddy. WTF?

 

Al brindou o crossover de um jeito que me fez lembrar o que ocorreu com Platt. Querer vingança, mas, na verdade, o que se deseja é apenas justiça. Ambos partiram do que sentiam porque não conseguiam carregar um luto nunca sentido antes. Meramente porque se viram sem as pessoas que simbolizavam seus nortes e quem eram fora da UI.

 

E essa sim é a morte terrível por tudo que os roteiristas têm feito com CPD. Usar de morte como estopim sempre que tem chance, só pra causar, não é apenas preguiça. É falta de criatividade. Se alguém ainda evoluísse com isso nessa série, ok. Mas não é o caso.

 

[agora é um bom momento para proteger os irmãos do Atwater. Quem vai?].

 

Outros pontos

 

Ruzek em destaque para relembrar que foi aceito na UI de novo. Mesmo artifício usado em Fire e isso me fez feliz.

 

Al e Meredith me quebraram. A única coisa que espero é que não resgatem a outra filha. Vocês verão alguém deveras enraivecida.

 

Sinto muito por você, Antonio. Volta pra sua casa, mozão.

 

Chicago Justice – Fake (3)
 

Resenha One Chicago

 

Bom, esse tópico é apenas para pontuar a resolução do crossover. Se eu for esquecer de todos os problemas de CPD, não nego que foi emocionante à sua maneira. No caso de Justice, os roteiristas dificilmente erram em diálogos fortes e esse piloto foi basicamente isso.

 

Apesar de um motivo que não indignou o equivalente a proporção do incêndio, a cena final foi a que mais valeu. Deu uma tremida aqui no meu heart porque não resisto textão verbal caprichado. Peter caprichou, até a maneira dele se portar na facada final contribuiu para a entonação do desfecho, mas continuo não gostando desse personagem. Aqui é Burgess over Justice.

 

Tenso é que criaram essa nuance de empatizar com Dylan, especialmente porque se retornou ao esquema de termos nosso próprio mundinho para evitar que nossa presença seja riscada da humanidade. O meliante é um retrato real, mas poderiam ter pensado em algo que casasse com o apelo de Lexi e das demais vítimas. O tema não ornou com a resolução. Até porque o tema família já nem chegou a atingir a superfície de Justice. Aqui, foi só sobre promoção, do quanto Peter é pomposo e tudo mais.

 

Peter continua a não ser cativante e é o fim ver Antonio sair de uma série em que já não fazia nada para fazer mais vários nada. A única pessoa que me faria voltar para Justice é Anna (e tem duas Annas nas Chicagos, valha!). Mas nem por ela voltarei. E vale lembrar que não farei resenha dessa mana.

 

Deixo aqui meus risos do cara politicamente correto, mas que não pensou duas vezes em afundar a carreira de outra mulher. Justice não estava pendurada em CF e CPD pelo caso, mas pela ameaça ouvida no começo desse piloto. O papo de se você perder, você manchará minha carreira. ‘Ata’!

 

Concluindo

 

A resenha ficou enorme como avisado e penso que comentei quase tudo. Provavelmente devo ter esquecido uma coisa ou outra, me perdoem. Tudo que queria dizer está aí e, apesar dos pesares, valeu a experiência. Fiquei malzona, na derrota, mas depois só sobrou raiva. Chega ou vocês me mandarão a conta do oftalmo. Espero que tenha sido bom pra vocês em algum ponto.

 

Mas, no geral (a pessoa não cansa), e ignorando os aspectos ruins, o milagre de montar e de encaixar certinho as 3 irmãs ocorreu. A passagem entre elas foi eletrizante, mas uma pena que só Fire tenha se saído bem. Ainda passada que Justice só focou no ego masculino, mas o que esperar de quem chegou quase botando Burgess para correr no parque? Pelo menos 75% do crossover eu gostei. O que é muita coisa perto da tristeza que foi os anteriores. E tristeza de feito nas coxas mesmo.

 

Chicago Fire retorna no dia 21 de março.

Chicago P.D. retorna no dia 22 de março.

Chicago Justice estreia no domingo para quem tem interesse.

Grata pela atenção e pela paciência, amo vocês.

Stefs
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  • Miriam

    Perfeitoooo! Obrigada por essa resenha <3