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06/abr

Juro que esse episódio de Chicago Fire rendeu um tipo de inception. Ou, na melhor colocação popular, uma sequência de déjà vu. Não porque foi uma semana maravilhosa, pois Severide fez questão de sabotar o bonde. Mas porque vi contornos de situações e de personagens que não existem só aqui, mas nas outras manas também. De tanto tempo que passo imersa nas Chicagos (de quarta a segunda), rola o piloto automático e algumas coisinhas escapam. E essas coisinhas resolveram se escancarar na inocência porque não há chances no inferno da turma do writer’s room admitir erros e deslizes. Além disso, o famoso kibe dentro do kibe aka reciclagem dentro de reciclagem que dá em mesma caracterização ou mesma storyline. Ou em nada, como Chili.

 

Fato é que as mentes criativas por detrás dessa franquia estão cada vez mais estreitas e preguiçosas. O que é bem ruim porque a devida atenção deixa de ser dada. Por enquanto, sigo firme protegendo Chicago Fire, especialmente porque foi aqui que tudo começou e é aqui que vem caracterizações e storylines replicadas nas outras manas. Aí embaixo temos detalhes.

 

Estamos perto de fim de temporada e parece que há aquela necessidade de repetir o disco para ocupar espaço. Em vez de destacarem alguém abandonado/esquecido e lhe dar uma trama decente, lá fomos nós aguentar mais um capítulo de mesma coisa estrelando Kelly Severide. De quebra, ainda tivemos a presença de Benny, uma das espinhas da citada ordem de reciclagem na franquia. Bastou o nem um pouco paizão do ano ressurgir para relembrar de outro parente desnaturado: Bunny. Se as Chicagos têm problemas com repetição de nomes e com reutilização de atores/atrizes, eis a recriação de personagens iguais para exercer o mesmo tipo de papel na vida de algum regular.

 

Tudo que me restou foi revirar os olhos em nome dos meus anos acompanhando as Chicagos.

 

Ao longo da sua trajetória em Chicago Fire, Benny provou que não presta para absolutamente nada a não ser agitar a vida estagnada de Severide. Demorou para esse senhor retornar e reforçar mais uma leva de vários nada na mente do próprio filho. Eis uma relação que nunca rende aprendizado, só choque de reflexo. Esse último, o intuito desse reencontro e fiquei meio John Travolta. Afinal, abriram a maior brecha para o Tenente refletir sobre a vida, o que dá encaixe à figura paterna.

 

Porém, botam Anna, como se ela fosse capaz de curar tudo, sendo que o intuito aqui era fazê-lo visualizar o tipo de futuro que almeja focado no âmbito profissional. E, claro, fora do que Benny fez. Algo comum e, por vezes, necessário. Ainda mais quando se passa anos no mesmo job e tem pouca referência familiar.

 

A única cláusula desse futuro é que Severide não quer ser e nem terminar como Benny, mas Severide foi um tanto Benny nesse episódio. Isso, no aspecto de buscar validação em alguma mulher. Um modo de operação dado a esse personagem desde muito tempo, nem lembro mais quando começaram com esse vício de escrita, e era óbvio desde o início que Anna e ele flopariam.

 

Fato é que Severide me deixava apenas irritada com a infantilidade ao longo da S1-S2. Agora, fico irritada porque o garotão não tem storyline e quando há brecha partem para o repetitivo. Exausta.

 

Ao contrário da mãe de Erin, Benny merece um tanto mais de consideração porque ele foi o fundador do plot parente que exerce um tipo de influência que não influencia em nada. Bunny tem a mesma storyline que ele e o mesmo objetivo: ser lembrete de um futuro que os filhos não querem de forma alguma. Lindsay contornou até ter uma recaída, mas seguiu contornando. Ao contrário de Severide que parece não ter força de vontade para combater isso. Algo que ficou escancarado nesse episódio porque o Tenente só soube repetir as mesmas frases e é ponto de contradição repetir as mesmas frases. Assim, a vida ensinou que quando uma pessoa repete mil vezes que está bem é porque ela não está. Uma pessoa que repete que não quer ser como o pai, alá, já é o próprio pai.

 

Só Severide não se tocou ainda que já é 80% reflexo de Benny. Ele teve chance de ter seu próprio Batalhão, pela Deusa, e não foi porque Anna transitou para Chicago. Nesse contexto, o pai foi correto em dizer que é só inserir uma mulher que ambos são dominados rapidinho. Ambos mudam de trajeto sem pestanejar e, pela milésima vez, Kelly tomou um fora. Pior que isso é que o personagem fica de mãos abanando. Criaram uma grande possibilidade de salto para esse jovem, mas tacaram a pedra em cima em forma de mais uma mozona que deu no pé na menor chance.

 

Resenha Chicago Fire - Benny e Severide

 

O que os diferencia ainda é o fato de Severide ser um tanto mais responsável, mas está aí outra coisa extremamente volúvel. Na menor chance, ele volta a ser o cara chatíssimo da S1 e é quando me lembro da storyline do Travis. Dou amém que tenha fracassado porque me bastou o rolê Vegas. O personagem é de picos e, depois dessa, é cada vez mais difícil de acreditar em amadurecimento.

 

Senti-me assim no início da S3. Senti-me assim na doação de medula que surtiu um impacto ainda maior. E o que nos deram? Anna. Desculpa, mana, mas você nem tinha que tá aí pra cumprir extra. Volte mesmo pra casa porque Severide só pelo milagre divino de Matt Casey.

 

Quando mencionei déjà vu, há Benny que exerce o mesmo efeito negativo dado a Bunny. O cidadão reaparece com a cara amassada no Distrito, Severide vai em seu resgate, e tudo que vi foi a mãe de Erin em suas tretas, Erin limpando a barra, e Voight puxando a orelha. Tenho pequenos problemas com repetições e reciclagens, me esforço em ignorar, mas é fato que as demais manas contam com coisas que Chicago Fire criou. E ainda dizem que Fire é zero à esquerda na franquia. Ah, coitados!

 

Bunny ser Benny de saia pode não ter sido intencional, pois, somando todos os anos de Chicagos, é fácil repetir as mesmas coisas. A mente é traíra, falta de atenção acontece, mas esse episódio valeu de lembrete do quanto algumas empreitadas dessa franquia seguem inaceitáveis. Isso, em âmbito geral. Já passamos dessa fase de engolir erros e mesquinharias. É frustrante o claro relaxo da equipe que maneja esses roteiros. Caramba, você tem seu nome no projeto e descuida desse jeito? Qual é seu problema? Da série de coisas que não engulo. Não admitiria um relaxo desses, mas não podemos nos esquecer que a emissora também tem comando. Heroes é o trauma da NBC que carregarei por toda minha vida porque o showrunner teve que reescrever a S2.

 

Porque séries não deixam de ser empreitada mercadológica e a NBC não aceitou a ideia de troca de elenco em cada temporada de Heroes. Daí, afundou o projeto e o projeto não conseguiu se manter. Com a saída de Olmstead de Chicago P.D., aprovaria de boa a renovação de todas as equipes. A visão, o objetivo e a premissa central das três Chicagos estão comprometidas. Cada uma à sua maneira, mas estão. Ter pessoas frescas poderiam remendar estragos, mas é ser muito otimista.

 

Enfim, Benny reapareceu unicamente para abalar a autoestima de Severide. Queria acreditar que dessa vez não fique por isso mesmo, mas é pedir para ser iludida. O pai me surge do nada, na derrota, e tudo ficar bem é um escândalo. Mas daí Erin e Bunny estão de boas e só resta a tristeza.

 

O intuito de Severide é basicamente o mesmo intuito de Erin: jurar que não tem nada do parente negligente. Acompanhar Kelly repetindo o mantra “não sou ele” não fez sentido porque o bombeiro já é a personificação de quem não quer ser. Pai e filho seguem firmes no mesmo fermento – têm assinatura na mesma carreira, mulheres os validam, perdem a cabeça quando bebem e perdem ainda mais a cabeça em zona de conflito. Ambos são a mesma pessoa, alguém avisa?

 

Durante seu auge nessa temporada, graças a doação de medula, acreditei que uma sacudidela ocorreria naturalmente com Severide. Porém, tudo que se sucedeu foi uma zona de repetição que, não sei vocês, eu não aguento mais. Como o personagem é a ponta solta da tríade, podiam investir mais no âmbito carreira já que o significado de ser bombeiro anda escapando em Chicago Fire. Teve o lembrete no 5×13/5×14, mas resgatar a premissa nunca é demais. Principalmente quando sabemos que há outras hierarquias e que só são exploradas pelo squad do Pridgen. Aka os antagonistas que pipocam do nada só para fazer a turma do Batalhão rebolar.

 

Resenha Chicago Fire - Severide e Anna

 

Mulheres conseguem com um tanto mais de facilidade sair dessa zona de aprovação, de validação e de comparação, mas não quer dizer que não seja complicado. É e muito, especialmente quando pensamos no ingrato patriarcado. Erin maior exemplo. O que se destaca aqui é maturidade, um traço que o homem se agarra meio tardiamente. Severide, maior exemplo. O descaso com esse personagem, nesse episódio, me fez retornar à época em que não simpatizava com sua face. E adoraria não sentir isso de novo porque há nuances que podem ser exploradas. Só que diante dessa chance resolveram engatar o caminho Benny que, provavelmente, surtirá em nenhuma mudança.

 

Severide não quer ser Benny. Compreensível, mas o personagem não se esforça e os roteiristas não parecem interessados em se esforçar pelo personagem. Soa mais interessante mantê-lo no tapete do flop sendo que não é mais. A S4 foi o cúmulo da repetição de subplots para esse camarada. As poucas cenas ótimas dadas a esse jovem foram as de investigação, um ponto que alimentaram essa busca de identidade na carreira. Depois da doação de medula, pensei que Severide realmente pensaria na vida, que daria uma folga ao ciclo vicioso, mas, na menor chance, enfiaram Anna como dita salvadora. Assim como foi com tantas outras que cruzaram o caminho do Tenente.

 

Esse viés é exaustivo meramente porque não acrescenta em nada. Graças ao Severide, o episódio ficou sem sentimento, sem aprendizado e chato. Sentimentos que pioraram diante da finalização Severanna que foi tão nonsense quanto seu início. Anna simplesmente foi lá no jantar e vazou. Oi? A enfermeira nem motivo decente deu, outro padrão das mulheres que ficam temporariamente com Kelly. Isso fica injusto até para elas, as tachadas de causadoras na vida de uma pessoa que segue firme com seu cérebro de ervilha quando falamos de vida pessoal. Não é culpa delas.

 

Severanna assinam a prova concreta de que foi storyline encheção de linguiça. E esse episódio foi pura encheção de linguiça, daqueles que você vê e fica à toa. Severide segue sem cair na real de que é o próprio Benny e é irritante. Fiquei pretérita quando o Tenente repete o mantra para Anna, sendo que, claramente, ela não pegaria uma “falha” dessas em curto espaço de tempo.

 

Nem sei mais o que dizer porque tudo, tudo mesmo, partiu do famoso falta de necessidade. A história mais sem sentido e picotada dessa temporada de Chicago Fire que você não respeita. Queria dizer que espero algo de Severide, mas esse personagem é reflexo de Erin. Ou seja, ambos seguem firmes no mesmo tipo de storyline familiar e assim seguirão até algum roteirista se tocar (difícil demais da conta). Lindsay mantém o segundo lugar com o mesmo tipo de caminho e há chances de inserirem um tipo de revelação que furará toda sua storyline em CPD. Quem aguenta?

 

E Kelly Severide? Boa pergunta. Queria que Anna não retornasse, só isso.

 

Os outros plots

 

Resenha Chicago Fire - família

 

Severide ocupou a trama com um drama que nem foi drama. Nem digo isso pelo romance, mas porque o cara não aprendeu nada de novo, continua em negação e capaz que, na menor chance, se mostre ainda muito imaturo. Daí, temos Casey (e aquelas ceninhas Dawsey ♥) para salvar os outros minutos de um episódio que tinha tudo para ser ruim demais da conta.

 

Apesar de Severide, encontraram tempo e deram uma nova chance ao faro investigativo. Viés sempre muito bem-vindo quando não tem história para contar – o caso de final de temporada. Ótimo! Trouxeram um chamado que serviu de isca para o conflito, mais ou menos nos moldes da semana passada. Por algum motivo achei que seria mais tenso, pois Casey era o envolvido e o garoto tem sangue quente. Apesar da pegada simplista, o balde emocional foi garantido. De quebra, tivemos mais um pedaço do background de Kidd e só me apaixono mais por essa mulher.

 

Casey criou seu próprio chamado, outro ponto positivo desse episódio. Ele não se sentiu obrigado a ver uma adolescente controlada por um homem adulto. Para uma coisa Benny serviu, né? Gostei da postura do personagem, especialmente no final em que a ultrapassagem de limites conquistou apoio do seu squad. A cena dos pais quebraram meu pobre coração e Chelsea me deixou arrasada.

 

Gabby e Brett renderam ótimas risadas apesar do deslize do bichinho Harris. Quando o garoto entrou em cena, imaginei uma pegada meio Little Gilbert Borelli. Senti uma breve bad vibe no rapaz também, mas isso se traduziu em um personagem a cara desse novato. Se você falou Wheeler, está de parabéns.

 

Mais um kibe dentro de um kibe, mas Harris foi bem tratado. O novato contou com mais apoio moral que o próprio Wheeler, jovem que não teve uma linha de diálogo referente ao profissional. Nenhum estímulo ao longo da sua participação em Chicago Med. Juro que isso me deixou um tanto irritada, mas mais pelo aspecto atual da franquia: descaso. Esse moço ficou um dia no Batalhão e Wheeler por mais de dois episódios. Queria rasgar mais o peito, mas a mudança temporária na ambulância deu certo e foi agradável. Deu compasso ao drama de Casey e a casa de drogas, reforçando o papel que exercem – já que Severide foi o desvio da premissa.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Fire - Brett e Dawson

 

Esse foi aquele episódio isolado, focado apenas em finalizar essa storyline de Severide. Agora que é fim de série, chegou a época da preguiça e começo a temer com força total a chegada do papa Dawson. Ninguém merece essas storylines enchedoras de linguiça. Pelo menos, Fire ainda não resolveu matar os parentes. A gente tem que se preocupar se essa moda se iniciar aqui também.

 

Sendo breve, esse episódio não tem meu like porque foi feito para preencher espaço rumo ao finale. Severide poderia ter contado com mais que um romance já que seu grande problema, além da busca constante em ser validado, está em ser reflexo de Benny. Se ele quer sair disso, é uma ótima hora de começar uma revisão de si e do que faz. Não faz mais sentido buscar acalento em outros corações. Já vimos que isso influencia em nada, mas é o mesmo que falar por um ouvido e sair pelo outro.

 

Apesar disso, a outra parte de mim cedeu ao drama de Chelsea, Harris e a treta de Herrmann com o filho. O restaurante regado de pessoas que serviram deixou o seu impacto.

 

Pois muito que bem. Disse tempos atrás que estava com saudade de falar mal de Fire. Parece que querem me dar essa chance antes do final da temporada. Aguardando aqui em meu escritório.

 

Capaz que não tenha Chicago Fire na semana que vem (estagiário da NBC esqueceu de atualizar o site no timing que publiquei essa resenha).

Stefs
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