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09/abr

Estou em meu escritório tentando compreender esse episódio de Chicago Med. A conclusão é que não há compreensão porque não houve nada consideravelmente relevante e impactante. E poxa vida deveria porque o tema era até que muito bacaninha. Dava para investir em mil e uma coisas que pudessem abalar a rotina banal do hospital e movimentar os personagens de um jeito diferente.

 

Nada disso aconteceu e não estou chocada. Chicago Med apenas mostrou que segue engessada e que não consegue ser criativa quando não há dependência de paciente. Ou seja, de uma figura para induzir o drama. Dentro de uma temática dessas, um tanto simples de criar conflito e de engatar emoções, o roteiro decepcionou. O que reforçou a verdade de que a S2 está bem a desejar.

 

É fim de temporada, período do qual deveria ser proibido encheção de linguiça e marmota. Porém, esse episódio veio carregado de aleatoriedades insignificantes para preencher mais uma semana. Claro que houve alguns instantes que salvaram a experiência, mas não houve uma gota sequer de drama. E Chicago Med  anda pecando demais nesse quesito, especialmente porque não varia.

 

Além disso, faltou a justificativa para o “conflito” da vez porque ficou “acordei e hackearei lugar X”. Uma ausência um tanto inaceitável porque discutiria como tal ato impacta as pessoas e, talvez, grandes empresas. Não precisava ser algo Mr. Robot porque os roteiristas não têm esse cacife, mas deixaram o hack de background, solto, sem peso, e não é a primeira vez que prometem algo grandioso e não cumprem. Até onde sei, esse caos sem ser caos seria o core da semana e quem se tornou o core da semana foi Sharon e Bert.

 

Ok, Sharon e Bert estavam na sinopse, mas quem se importa com eles diante de um hack? Indo de trás para frente, o roteiro foi preguiçoso demais e me vi várias vezes perguntando o que estava acontecendo. Deu vergonha de olhar para as minhas anotações e ver nada relevante. Sad but true.

 

É fato que deram peso para certas futilidades, sendo que esse tempo poderia muito bem ter sido usufruído para explorar o impacto do hack. O hospital é grande, famoso, mas seus funcionários seguiram o dia como se vivessem uma trivialidade. Não houve paranoia em excesso dos médicos e dos pacientes; não houve o jogo psicológico que hackers fazem contra suas vítimas; não houve tensão de perda de dados; nem plano de contingência e nem dificuldade nos atendimentos. WTF?

 

Passaram a flanela em uma situação seríssima para tentar ser Grey’s Anatomy das antigas. Fracassaram claro.

 

Chicago Med entregou uma quinta-feira sem meta alguma a não ser resgatar casais que ninguém lembra e/ou que não possuem química. Precisava mesmo Nina gastar um tempo que poderia ser dado ao hack para dar shade em Natalie? Precisava mesmo chegar nesse nível de infantilidade? A personagem já não tem presença, é forçadíssima, e os roteiristas não colaboram.

 

De quebra, esse episódio ressaltou o quanto a série não desgruda do seu modo de operação. Um modo de operação que não é consagrado, afinal, Chicago Med vive de picos. Algumas semanas são ótimas, mas dá para ver o mais do mesmo em seu formato. Chega a ser cansativo ver a mesma disposição trama-personagem-paciente. Não há movimento.

 

Aqui, só o círculo aka balcão da Maggie importa, o que impede, não unicamente, a expansão de trama. Inclusive, qualquer explorar no background dessa turma. Dois anos se passaram e só me deram romance e um papagaio. Ah, e o suicídio de Wheeler e o caso Jennifer, mas incluí-los na fila do flop é mancada. Acontecimentos interessantes em Med e que foram atropelados. Por essas e outras que sigo firme me perguntando aonde está o aspecto humano/família dessa franquia. Só tiro um pouco Fire da roda porque a temporada atual não está de mal a pior.

 

Resenha Chicago Med - Maggie e Sharon

 

Com um estopim de conflito desses, esperava um pânico sem precedentes. Porém, só Sharon demonstrou a tensão necessária e nem foi o bastante. A chefia acabou centrada em outro dilema que nem dilema deve ser chamado. Por isso, não houve respaldo para a situação e nem lição de moral. Em contrapartida, teve a verdade de que essa turma é formada por arrogantes. Quando alguém falava em pagar, eu revirava os olhos. Adorei Latham ser a reviravolta, mas mostrou que ninguém tem respeito pela diretora do hospital. Vira e mexe tem alguém puxando o tapete dela e isso é frustrante. Afinal, não vejo isso acontecer internamente com Voight e nem com Boden.

 

Quando o papo do hack caiu, pensei que haveria até um debate do quanto não podemos depender totalmente da tecnologia e do quanto a tecnologia nos deixa dependentes e vulneráveis. Charles bem tentou, mas a pauta não passou de um novo motivo para alguns médicos passarem por cima da chefia. Alguns, não digo quem, escolheram ser arrogantes em vez de pensar, por exemplo, que o sistema poderia ser zerado. Que o hospital poderia ser prejudicado, por exemplo, por exposição. Foi muito fácil compreender nesse episódio o que dizem sobre antipatia por esses personagens. Uma trama dessas que exigia apoio e empatia virou competição de quem sacaria grana do banco.

 

Mas não nego que amei Will resmungando sobre Connor. Meu aesthetic.

 

Esperei mais paranoia, mais serviço atrapalhado, mas, como sempre, todos ali são bons o bastante para dar conta do recado. A famosa necessidade de enaltecer a equipe, algo visto direto em CPD. Esse hospital é a própria nave da Xuxa.

 

Charles arcou com a responsabilidade de respaldar esse hack também, mas não garantiu emoção de impacto. Sua presença e sua reação meio suspeita quanto à ausência do seu tablet se deu apenas para criar um tipo de paralelo com o estresse de Robin. No mais, poderiam ter investido na rotina o que o psicólogo narrou para Reese. Era uma situação de violação e faltou a ansiedade e a paranoia. Faltou a impressão de que, daquela vez, o sistema faria o imaculado hospital padecer.

 

Não menos importante, e que deveria ter sido relevante, faltou mais reação de paciente e me restou rir. A maioria ficou às cegas sobre o que acontecia no hospital e foi surreal. O que me faz pensar em Maggie. Ela tinha tudo para dar um sustento interessante nessa temática, mas acabou roubada pelo drama nada dramático de Sharon. Lindinho, adorei, mas qual era a necessidade de Bert? O cara roubou o episódio e impediu que um conflito desses ganhasse forma e nocauteasse. Triste!

 

Resenha Chicago Med - Bert

 

Sharon ganhou destaque e merecia muito mais. Ela deveria ter mergulhado nessa do hack e dar aula de liderança. Não desmereço seu arco romântico, mas está aí algo que surgiu do nada e que nunca deu algo o bastante para gerar preocupação e empatia. A não ser pela personagem que foi abandonada sem explicações. Um ato que não é novo nas Chicagos porque rolou com Antonio – e ficou largado e aproveitaram a chance para descaracterizarem Laura.

 

Os roteiristas ainda têm uma mentalidade estreita sobre “personagem feminina forte” e Sharon se revelou a “vítima” dessa série. Não gostei da investida, quase imperceptível, de testar sua habilidade profissional junto com as dores acarretadas pelo homem que a abandonou. Eu teria uma visão diferente se essa storyline tivesse sido explorada, mas não foi. Usaram essa separação abrupta para dar um peso a mais ao finale da temporada passada e foi detestável. Porque não fez sentido.

 

Coração partido é ponto de vulnerabilidade e que não faz nenhuma mulher fraca. Isso não faz ninguém fraco, na realidade. Ainda mais quando se ocupa cargos de poder. Decepções amorosas fazem parte da vida e ainda bem que, ao menos, não deixaram a peteca de Sharon cair. Ela não assumiu o drama do casal e isso me bastou. Contudo, fracassaram em tentar convencer que Bert era assim tão importante. Ele parecia mais um colega que a chateou em um passado bem distante.

 

A presença dele foi para criar um embate sobre se Goodwin seria capaz de cuidar de uma crise ao mesmo tempo em que respirava o mesmo ar que o ex-marido. Ele chegou para abatê-la dentro do caos, mas nem deram bola para o caos. Ele estava ali para suprimir o lado profissional dela, que nem ficou tanto assim em destaque e foi aí que o episódio perdeu sua força. Sharon tem voz de comando e esse seu lado poderia ter conquistado mais espaço. Era necessário e a apatia dela em alguns momentos foi incômoda de se acompanhar.

 

Porém, não a julgo. A personagem tinha todo direito de se sentir desconfortável, mas poderiam ter segurado essa história para inseri-la em uma temática mais leve ou mais trivial.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Med - Robin

 

O que mais me estressou nesse episódio foi a falta de discussão dos prós e contras de uma ação dessas. Além disso, a ausência de um plano backup. Geral focou para ver quem pagava pelo retorno do sistema e boring. Esse foi aquele momento que queria que não cumprissem a sinopse, mas, feliz ou infelizmente, cumpriram e acompanhamos uma semana de relacionamentos. Um grande desperdício, pois o hack veio no intento de mudar uma rotina que seguiu normalmente. Ninguém deu bola e me restou rir de novo – de indignação. Só queriam saber dos tablets, do wi-fi e etc., etc., etc. e perderam uma ótima chance de mexer no comodismo da turma.

 

Inclusive, de inserir desafios. Mantiveram os personagens dentro dos mesmos moldes de atendimento e fiquei de testa quente. De quebra, não houve danos, o que aniquilou o drama – que nem chegou a nascer nesse episódio. Natalie foi a raridade da semana que fez cócegas no coração graças ao medo do seu paciente ter câncer. Mas foi só isso e nada mais.

 

Agora, resta preocupação com Charles. Ele arqueou uma sobrancelha graças à sua reação sem tablet. Morou nele um pouco o papo de ansiedade e de paranoia, mas nada sério. Ao menos, até descobrirmos o que há com Robin. A personagem que deixou um cliffhanger assustador e adoraria acreditar que os dois possuem o mesmo tipo de problema. Duvido muito.

 

Houve outros momentinhos, como Reese se preocupar com a profissão, mas tenho a sensação de que foi preocupação à toa. Gostei da menção de Wheeler porque segura a sensação de que alguém ainda se preocupa com uma circunstância que ninguém fala mais. Enfim, estou muito passada porque realmente não tem o que discutir sobre esse episódio.

 

E o traidor final foi Latham e me pergunto se teve a ver mais com a necessidade de ter o sistema de volta ou porque ele já não sente mais quanto antes.

Stefs
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