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30/abr

Como manda a regra, só começam a liberar coisas interessantes perto do final de temporada. Estou aqui marcando de vermelho os responsáveis por essa dinâmica sem drama no decorrer de boa parte dessa temporada de Chicago Med e que não me deixa feliz porque coisa boa só ocorre quando estamos perto de mais um encerramento. Ok, é força do hábito, mas ainda tenho aquela esperança boba de que essa série deveria ser diferente. Porém, segue engessada e, apesar de dois anos, ainda não consigo tratá-la como uma senhora. Ainda a vejo como senhorita e hoje, só hoje, paro de resmungar porque teve teor de sofrimento.

 

(nem tanto porque tem uns resmungos lá no final da resenha).

 

Ao contrário do costumeiro, só houve um atendimento e esse atendimento foi de valor. A situação botou Rhodes na zona de emergência e, honestamente, gostaria que retomassem isso. A estrelinha do hospital na sombra de Latham não estava nem um pouco interessante e só foi eliminar esse elo para o cidadão mostrar serviço que se preze. Sim, sigo firme perseguindo esse personagem porque ele tem potencial, mas o engessaram lá nos dramas do coração. Tudo bem recorrer a uma especialidade, mas ficar só nisso é muito chato.

 

Rhodes mostrou que ainda lida bem no cerne do hospital e se comportou mais uma vez diante de uma situação que parecia irremediável. Milagres porque só foi o problema cardíaco surgir para a testa ficar quente à espera da ultrapassagem de limites. Não ocorreu e a gente fica feliz.

 

Gayle me deixou com os cabelos em pé! Quanto mais avançavam em seu atendimento, mais se via a angústia de não haver saída. Quanto mais ela negava ajuda, mais eu arranhava as paredes. O prognóstico fragmentado dado por Rhodes contribuiu bastante para o desespero que foi se assentando nessa história. Conforme o explorar, qualquer expectativa de que a gravidez seria mantida ou a mãe sobreviveria queimava quase completamente. No final, o jogo de cintura de Connor e de Natalie mais a lição de sacrifício fizeram valer o episódio. E que tristeza porque, em uma problemática dessas, o que se espera é final feliz. Não teve e as lágrimas fizeram uma visitinha. Ato que dou os créditos à menina Leah que encabeçou o drama e engatou a moral do roteiro.

 

A conversa entre Leah e Natalie foi o ponto altíssimo desse episódio e que, mesmo sem querer, mudou a maneira de ver e de compreender a decisão de Gayle. A mulher, que passou por uma sequência de abortos, estava sacrificando seu corpo e sua saúde para garantir a sobrevivência da filha com leucemia. Uma doença que já corroía a criança e que dependia de outra que estava no aguardo de poucas semanas para nascer. Um viés que me lembrou de novo do filme Uma Prova de Amor (e tenho a impressão que o citei por aqui algumas vezes), em que a personagem que tinha como missão manter a irmã viva foi atrás de um advogado para ter autoridade de seu corpo. O que rebateu no que Maggie disse sobre os desafios assim que o bebê nascesse.

 

Câncer é volúvel, uma hora entra em remissão, mas pode retornar. Dessa forma, o bebê seria usado todas as vezes necessárias para manter Leah viva. Não tem como não achar um tanto absurdo, afinal, aonde está o livre arbítrio? Inclusive, não teve como não refletir sobre o quanto esse recém-nascido sofreria e seria negligenciado, como ocorria com o menino Sam. Afinal, só havia olhos para uma pessoa. Mesmo que não fossem medidas propositais da mãe para assegurar a vida da filha mais velha, é difícil não pensar no peso que as crianças carregariam antes de atingir a puberdade. E seriam pesos com marcas profundas.

 

Resenha Chicago Med - Leah

 

Uma responsabilidade que rebateu em uma menor de idade que tinha noção completa dos arredores. E ainda há gente que diz que crianças são trouxas. Crianças são muito observadoras e absorvem fácil os arredores. O posicionamento de Leah soou deveras natural e penso que, de certa forma, não tem como não amadurecer, nem que seja um pouco, em uma circunstância como essa. Infelizmente, muitos pequenos têm sua infância roubada e precisam crescer depressa. Esse foi um caso, exemplificado na noção da garotinha, que nem os pais tinham, sobre seu impacto.

 

Quando ela comenta de Sam, meu coração se partiu em mil pedacinhos. A criança tinha noção da negligência dos pais quanto ao irmão, que acabou afundando naquele problema sem ter a mínima noção de que se tratava de um problema. O menino era outra responsabilidade e que acabou de lado devido ao estado da irmã mais velha. Naturalmente, a situação de Leah consumiu toda a família e só uma pessoa estava tendo completa consciência disso. No caso, a menina afligida pelo câncer.

 

O que rendeu na moral de sacrifício que respingou no episódio. Gayle estava se sacrificando para garantir a sobrevivência de Leah. E Leah abriu mão da sua sobrevivência para ter a mãe consigo. Não houve egoísmo algum ali, mas um desespero familiar de manter o teto de vidro intocável. Às vezes, medidas tendem a ser extremas e capaz que nem notemos de tão anuviados. Ninguém deseja ter uma família imperfeita ou pela metade, e os Parks se recusaram até onde deu.

 

O bom de terem focado em um só atendimento é que deu para conhecer melhor o paciente e suas companhias. Com isso, deu para se relacionar com eles e refletir conforme cada linha de prognóstico era dada. Deu para usufruir melhor da situação. Quando há mais que um, se nota que o roteiro fica truncado e as chances de envolvimento emocional são baixíssimas. Vide minhas reclamações sobre o quanto falta drama de qualidade em Chicago Med e falta mesmo.

 

Esse episódio é aquele que entra na fila de milagres porque Rhodes e Natalie exploraram a situação enquanto um dos envolvidos dava o background da problemática. Essa troca deu valor a esse segmento e só digo que deveriam investir mais.

 

Foi bonito ver o quanto a família estava unida em um propósito que, apesar da boa intenção, não fazia bem a ninguém. Como disse Manning, a sobrevivência da mãe era vital porque o pai e as crianças precisavam desse alicerce. O que deixa tudo mais triste é que Gayle se sentiu culpada pelo “fracasso” e restou apenas imaginar o quanto mais de angústia, já muito acumulada porque claramente ali ninguém conversava só decidia, ela lidará. Provavelmente, Leah não sobreviverá e fico triste em meu escritório. Por um momento, achei que esse caso seria retornante devido ao tempo necessário para manter a gravidez, mas foi bom ter terminado aqui.

 

Resenha Chicago Med - Robin e Reese

 

Outro ponto positivo foi o explorar da situação de Robin. Não dava nada porque estou acostumada a queimação de etapas. Está aí outro tipo de viés de trama que Chicago Med parou de investir, sendo que a ala psiquiátrica é o coração do hospital. Desculpa, Rhodes! É o point que pode render os mais variados dramas, vide o que pincelaram de Choi na S1. A filha de Charles veio para dar uma reforçada, subiram o valor de uma personagem nada regular, e me resta aceitar. O negócio está interessante e me pergunto até quando. Esperando Connor dar riot pra cima do sogro.

 

Foi meio aterrorizante a cena do apartamento de Robin. A construção dela ficou uma belezinha e intrigou na hora. Charles parado na frente do apartamento me lembrou filme de terror e até limpei meus óculos para enxergar melhor. Era meio óbvio que isso daria treta em algum momento porque esse personagem se mostrou nervoso e sem foco assim que notou os comportamentos erráticos da filha. Usar Reese ergueu uma sequência de red flags, mas ganhamos outra história de sacrifício. Ao menos por enquanto porque esse senhor me parece ter vivido algo parecido antes. Afinal, essa zona é hereditária. Quero imagens!

 

Mas quem importou mesmo nessa história foi Reese. Sharon foi bem legal em dizer para a jovem não levar qualquer medida de Charles para o pessoal, mas foi um tanto impossível. Amei vê-la defender a si mesma e ao seu trabalho, sério. Fiquei com a testa quente com o fato dele atropelar o processo e ugh! Pais sendo pais, vamos lembrar e vamos perdoar.

 

Embora não saibamos o quanto de bad blood existe nessa família, Charles agiu como pai em euforia e em estado alto de preocupação. Da mesma forma que Gayle agiu como mãe e não raciocinou direito no calor do momento sobre o que provocava contra si mesma. Sobre o quanto doía para Leah da mesma forma que doeu para Robin ser internada à força. Esses adultos acreditaram que suas medidas de salvamento e de poupar estavam corretas. Que faziam sentido. Afinal, pais cuidam dos filhos at all costs. Mas que custo alto ambos tiveram que pagar, certo?

 

Como pais, logicamente que Charles e Gayle patinaram no processo. Aqui temos o velho comportamento de pais e responsáveis que apenas imaginam o que filhos e filhas precisam em dado momento. Sendo que, na maioria das vezes, nem fazem ideia. Rhodes ainda conseguiu convencer a mãe a fazer a cirurgia, mas Reese acabou afetada no atendimento de Robin por um pai que se esqueceu do seu lado profissional. Resultado? Atropelou tudo como bola de boliche.

 

Reese não fez muito no episódio, mas sua única cena a fez desbravar um lado oposto de si e também valeu muito a pena. Além disso, a personagem saiu da bolha do DSM e foi inserida na ação típica da sua profissão. A conversa com Robin foi muito legal e, de quebra, mostrou o outro lado do hospital. Houve uma mudança de cenário, mas o que importou é que Sarah finalmente estava trabalhando e não cogitando e andando na sombra de Charles. A menina estava dedicada, queria alcançar uma diferença, e não duvido nada que realmente tenha conquistado algum avanço.

 

Charles atropelou toda a ética que tanto impôs para Reese. Pelo menos, ele pareceu se tocar. Não tem como ficar 100% pau da vida, pois seria o mesmo que ficar pau da vida diante de Gayle cogitando seu próprio suicídio ao querer ser entubada para manter a gravidez. E ela não via isso dessa forma, só como sacrifício por um bem maior.

 

Puxadíssimo.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Med - Charles

 

Foi uma semana de pais no limite e em situações extremas. Mas a pergunta é: o que Robin tem? Tendo essa resposta, imagino que saberemos o mal que percorre o DNA dos Charles.

 

Só sei que disse muitos palavrões ao longo desse episódio. Palavrões com energia positiva aka choque completo. Houve tensão e drama, personagem em destaque, um atendimento de valor. Mas nem tudo é perfeito porque Noah e Nina existem e já podem sair dessa série. Me recuso a comentar algo sobre ambos porque eu gasto energia e faço vocês gastarem as vistas lendo.

 

Mentira porque não resisto a um veneninho: ninguém merece Nina sendo adolescente para cima de Will. Will sendo adolescente para cima de Natalie. E Natalie sem entender bulhufas e ainda ter que se dar ao trabalho de questionar o que anda rolando com Halstead. Quem é que está escrevendo esse negócio malfeito as fuck? Podem demitir!

 

Melhor que isso só Reese dando vácuo em Noah. Meu moodboard! Rachei o bico e nunca dei tanto replay em uma cena considerando essa temporada de Chicago Med. Quem precisa desse garoto? April, faz um favor pra gente: pega todo esse investimento de carreira pra você!

 

Não posso sair sem falar de Stohl porque ele também parece personagem de filme de terror. A narrativa dele sobre o atendimento, pela Deusa, eu gargalhei.

 

Apesar das risadas (o que deu nessa franquia que me fez rir na maldade essa semana?), Chicago Med retornou muito bem. Espero que esses últimos episódios não sejam decepcionantes.

Stefs
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