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03/abr

Retornamos com Chicago Med e, como o esperado, sem o peso do luto por Wheeler. Mais um dia nessa franquia em que todo mundo tem o botão da humanidade de The Vampire Diaries porque é inumano ultrapassar uma fase tão pertinente no ponto que a série se encontra. Poderia sim descascar a laranja sobre esse quesito, mas Reese representou uma salvação. Ela se saiu como a esperada ponte sobre um assunto que permanece na trama e que, de certa forma, rebateu no contexto dos desdobramentos da semana. Houve um tipo de reflexão que não precisou ser verbalizada, mas demonstrada. Uma sinalização que veio no atrito mentores vs. pupilos.

 

O episódio veio no looping “tratar o paciente e não a doença”. Uma frase de efeito que também pode se traduzir no pensamento sobre ajudarmos uns aos outros. Inclusive, ter resiliência. Reese representou o agridoce de uma “falha” e Monique veio como um novo fôlego para um “conserto”. A partir do momento que nos tratamos como humanos, algo que não foi oportunizado para Wheeler que acabou sendo só mais um no hospital, rendemos um tipo de inspiração. Um tipo que se traduz de forma particular para cada um. Pensamento que se quebra diante do rapaz que se perdeu por motivos que nunca saberemos. Ele foi negligenciado já que não era importante para o momento.

 

E quando somos importantes? É uma grande questão porque não é mentira quando digo que a rotina tem seu jeito de nos esmagar e de nos tornar irresponsáveis. Mesmo sem desejarmos isso.

 

Tudo que Wheeler sentia e tudo que ele poderia ter dito semanas antes do suicídio não soou importante na hora da “concorrência” em salvar vidas por minuto. Não tem culpado e não pode se culpar quem tirou a própria vida. O assentar dessa ideia no início do episódio deu o tom certeiro para mover Monique. A nova inserção serviu de espelho, pois a garota também se mostrou insegura diante daquele universo em que a vida humana está em um ponto delicado. Contudo, a diferença está no dar auxílio e no dar atenção, algo que o rapaz não contou e seguiu sem ser lembrado. A não ser por Reese e Charles. Isso me deixou de testa quente, mas vamos seguir para o cerne do episódio.

 

Além de ser suporte da moral do episódio, Monique fez o grande favor de estabelecer o papel das enfermeiras. E que squad, não é? Foi uma iniciativa adorável porque essas mulheres seguram todas as broncas. Sem contar que Chicago Med precisa de mais foco em treinamento e em transição de carreira. É nessa ausência que se vê o quanto a série está muito a desejar porque não há rigor profissional, só no paciente. O que não é ruim, mas tem vários que ainda se confunde sobre o que fazem de ala em ala. Embora eu reconheça quem faz o que, é inegável o quanto parece que todo mundo faz a mesma coisa. Pensamento que se altera diante das cores dos uniformes, nada mais.

 

Houve essa troca com Reese, mas, como sempre, superficial. Pelo menos, a moça tem contado com um pouco de desenvolvimento nesse quesito, mas o mesmo não se aplica aos demais de jaleco branco. Honestamente, esses personagens precisam ser reorganizados para a S3. Além disso, é preciso investir mais em drama pessoal. Tudo está tedioso e repetitivo.

 

Voltando, acertaram o ponto do episódio dentro de uma temática reflexiva que destacou Will. Um ótimo holofote para quem acreditou que esse atendimento seria só sobre Manstead – eu mesma. Graças ao hipogrifo que não porque seria uma intromissão que desvalidaria todo o propósito da inserção de Rowan. Uma mulher que com apenas uma frase moldou toda a carinha do episódio.

 

A lição proposta pelo roteiro foi aderida por alguns. Inclusive, foi possível capturar um pouco do reflexo sobre o que ocorrera com Wheeler. Ele não foi mencionado, mas estava ali nas entrelinhas como compasso moral. Ou seja, como o peso dentro do fato de que emoções nublam qualquer serviço e que esse nublar nos impede de olhar ao redor de tão fixos que ficamos sobre algo. O que acarretou no tema de mentorado. Ele foi a perda pela “cegueira” de quem deveria ser seu mentor, mas havia outras coisas mais urgentes a se fazer.

 

Pela sombra indireta de Wheeler, Halstead foi o responsável por um looping moral que se revelou necessário na sua carreira, mas que havia sido esquecido. Uma frase que pode ser aplicada em âmbito geral. Afinal, tentar remediar a dor sempre é o primeiro pensamento que temos, sendo que podemos recorrer ao conforto emocional. Raciocínio simples e que essa carreira tem o dom de interpelar, como ocorreu com Will. Porém, em um sentido contrário. O personagem partiu para o científico, o encontrar da cura de qualquer maneira, e se esqueceu do aspecto humano. Atitude que, confesso, era um tanto esperada. Principalmente porque esse jovem se deixa levar com facilidade.

 

Resenha Chicago Med - Rowan

 

Foi extremamente poderosa a presença de Rowan, especialmente porque é muito comum uma pessoa ter como propulsor de carreira uma figura masculina. Pouco se aborda sobre mentoras, o que indiretamente fortalece essa de que mulher não pode empoderar outra mulher. Essa senhora fez uma baita diferença e, mesmo acamada, serviu de lembrete dessa frase que rimou com a questão do mentorado. Daí, pensamos em Wheeler de novo. Tudo que ele contou foi com “oks”, sendo que era necessário um apoio para que o mesmo compreendesse que essa profissão nem sempre é eficaz. Talvez, com uma conversa ampla, e com atitudes dadas à Monique, as coisas teriam sido diferentes. Só resta lamentar!

 

A relação Rowan e Halstead já tinha rendido um teaser que se bobear muita gente esqueceu. Mas esse episódio me fez lembrar do 2×05, em que Will também foi centralizado e teve que recorrer a medidas extremas para salvar um paciente a céu aberto. Ali, ele não estava tão confiante quanto aparentava e tudo foi piorando quando o emocional queria atravessar o emocional. Um emocional ainda abalado a época devido ao impacto do caso Jennifer. Nessa semana, lá estava o personagem com o familiar pavor de perder alguém que considera ou é importante faz tempo, inclinado a passar dos limites a fim de se sair bem-sucedido. Quanto mais o cidadão falava sobre os próximos passos do atendimento, mais dava risada porque o garoto não muda tal comportamento.

 

Por agir pelo ímpeto emocional, Halstead se esqueceu da ordem da sua mentora. Era para cuidar e não para tentar fazer milagre. O que Will passou a fazer foi o mesmo tipo de violação que rolou com Jennifer, uma paciente que estava muito presente a cada tomada de decisão dele. Parecia até que Natalie via a mesma coisa e foi admirável o quanto ela segurou firme para não dar coice. Eu teria dado vários porque fiquei: não é possível que o ruivão, depois de quase ter perdido a licença, estava pisando no acelerador sem usar cinto de segurança de novo. O cidadão ganhou um baita caso na S1, esticadíssimo para ficar marcado e criar uma leva de receio posterior. Mas parece que não, né?

 

Quase porque Halstead voltou aos aprendizados da sua mentora. De quebra, deu pico no trauma que é vê-lo passar dos limites para se provar certo ou o profissional miraculoso do momento. A reação descontrolada dele para cima do funcionário do lar que Rowan ficava… Gente, sério, eu esperei Will entregando sua carteira de trabalho. Esperava coisa muito, mas muito pior! A prova de que esse cidadão me traumatizou no decorrer do perrengue com Jennifer – período em que acredito que o detestaria para sempre e todo sempre.

 

O importante é que não houve o típico atrito Manstead e achei que isso ocorreria. Afinal, as contas da NBC “venderam” a suposta treta de shipper e não sou paga para aturar isso. Talvez, o arco romântico de ambos pode ser diferente porque não tem tanto hype. Não no nível Linstead. Por isso, é fácil acreditar na possibilidade de uma pegada Dawsey – que tem hype, mas não queimou etapa. Seria um sonho se fizessem isso, mas daí lembro que até Burzek foi vitimizado. Socorro!

 

No fim, o que vimos foi um Halstead na dura saga de não deixar o profissional atrapalhar o seu eu humano. Por mais que seja mala de vez em quando, o considero um bom personagem. Perde fácil para Choi, mas há receio de que sua caracterização estrague pelo romance. Linstead está aí de prova. A preocupação é forte nesse quesito porque Will é multifacetado, tem uma zona de profundidade e é imperfeito – embora soe com a vida feitinha. Rhodes não tem graça, por exemplo, porque mais do mesmo toda semana – e estou no aguardo de uma melhora na sua storyline.

 

Sem contar que há o peso materno em Will e foi tudo que vi também ao longo do atendimento dele. Não há uma linha cronológica perfeita que sinalize a época exata da morte da mama Halstead (quem sabe com o pai tenhamos mais detalhes), mas foi fácil prever que o garotão transferiu afeto para Rowan no decorrer da sua transformação profissional. O que não é nem certo e nem errado. A mente e o coração simplesmente fazem isso sem que notemos. Método de suprir necessidades.

 

 

Os outros plots

 

Resenha Chicago Med - Monique

 

Essa ligação mentor vs. pupilo se tornou mais forte quando Sharon teve a chance de contar o impacto de Rowan em sua vida. Isso me fez tão feliz! Uma mulher surtindo impacto em outra mulher, amém! Um comentário forte o bastante para tocar Maggie que, apesar de ser rainha em cena, é pura prática e dinamismo. Pela rapidez com que se move no hospital, ser atenciosa é igual a raridades. O que toca justamente no ponto de que para ensinar alguém é preciso estar de peito aberto e ser paciente. É preciso estar disposto porque um ato desses surte os mais variados tipos de impacto na vida de qualquer pessoa. Seja bom ou ruim.

 

Digo isso até de um ponto de vista particular porque eu tive duas mentoras ao longo da minha carreira no jornalismo. Uma realmente me botou para cima, mas a que me botou para baixo virou fantasma constante. Isso mudou vários aspectos de como via a profissão, mas foi o fator escrita que acabou furtado de mim. Chicago Med cutucou a minha ferida nessa respectiva semana e, se vale de conselho, se você não tiver nenhum mentor ou mentora, seja um. Atos como os de Maggie animam Moniques. Atos como os de Rowan salvam profissionais sem precisar estar presente 24/7. Eu quase me perdi nessa boicotagem e vira e mexe tal capítulo volta para me assombrar.

 

Viés que rebate em Wheeler mais uma vez. Ele careceu claramente desse mentorado e Monique rendeu seu contraposto. Ela contou com toda a assistência de Maggie depois do que Sharon confessara, casando com outra dupla em cena que é sobre mentor vs. pupilo: Reese e Charles.

 

A dupla da psicologia é parceiragem pura e isso é tão importante para início de carreira. Focando no atendimento, lá estava Reese agindo por reflexo do que houve com Wheeler. Investida ainda irritante por se tratar de ciclo vicioso, mas relevante devido à proposta do episódio. Meio que pirei quando o PICA veio em cena, me fazendo lamentar pela milésima vez por essas pautas não serem aprofundadas. Mais um problema que jogam como coisa de mulher sendo que não é. De novo, acontece e, nesse caso, minimizou a sede repetitiva de Sarah em querer algo certeiro e garantido.

 

Reese queria um acerto para amenizar a culpa. É possível perdoá-la essa semana, mas seguem firmes e fortes nessa teoria vs. instinto. E nem sei se dá tempo de pedir para mudarem o disco.

 

Resenha Chicago Med - Rhodes

 

Indo contra esse papo de mentor, lá estava Rhodes. Ele se envolveu demais no seu atendimento e tomou uma decisão temporária com base no seu passado e no seu medo. Bardovi é irritante nesse papel de puxa-saco, mas ela está nos calcanhares desse jovem pelo mentorado. E, claro, por outras coisas que prefiro não mencionar porque desnecessário.

 

Com essa maré oposta a tudo que transcorria no episódio, pensei em Latham (saudade, Latham, volta pra mim!), quem deveria estar em cena para dar uma sacudida em seu pupilo. Não sei vocês, mas esse personagem está cada vez mais intragável. Reese pode até estar em seu ciclo repetitivo, mantendo a mesma caracterização, só que ela ainda aprende algo. Não posso dizer o mesmo sobre esse jovem que ganha tudo sem esforço.

 

Connor fez o durão, o entrave sem direito a discussão em boa parte do seu atendimento. Justamente porque ele é o Deus de Med agora e fica dodói quando querem ir contra as suas decisões. Ah, me poupe! Mas, há certos males que vão para o bem, e vê-lo explicar uma parte da cirurgia foi um alívio. Uma singela pincelada de tipo de atitude que temos que tomar na vida. Posso inserir o famoso ninguém nasce sabendo, é a mais pura verdade, e dar apoio deveria ser uma tarefa diária. E digo isso porque um dia fui a impaciente em ensinar e ficava meio mal depois.

 

Rhodes me deixou desesperada ao “abrir mão” do braço do garoto. Tudo se intensificou porque a mãe aqui, aka Stefs, quis proteger Brandon na hora. Um filho que escreve fanfic, adoraria. Fora do mentorado e do lado difícil de Connor, tivemos um novo teaser de como o machismo afeta figuras masculinas. Ainda mais crianças. A parte do pai perguntando sobre a altura do menino me fez pegar a havaiana de pau. A testa pegou fogo e ainda bem que o homem se revelou um tanto melhor.

 

Concluindo

 

O episódio fez a escadinha do mentorado tendo Wheeler como sombra. Monique é uma jovem Sharon que foi impulsionada por uma adoentada Rowan que rendeu o wake up call para cima de Will e de Maggie. Está nas nossas mãos ser um time de suporte ou seguirmos like Rhodes. Foi uma semana de reflexos de paciente para médico. Inclusive, de “credos”. Ou seja, dos motos de cada pessoa/profissão. Recomendo ter um hein? Compasso moral é sempre ótimo.

 

Ainda bem que Robyn e Nina não atrapalharam o bonde. Esse papo de mil e um triângulos, mil e um romances ao mesmo tempo, está chato demais. Como os personagens ficam presos no mesmo ambiente, avisa que um de cada vez funciona, like Fire.

Stefs
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