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29/abr

O fato de eu ter amado esse episódio de Chicago P.D. pode ser indícios de um final de semana chuvoso em São Paulo. Serei bem honesta: depois do último episódio, não senti falta dessa criança. A temporada está tão a desejar que parece aquela coisa que nunca tem fim. Está cansativo e deixa a sensação de que vivi dez quartas temporadas dessa seriezinha. Quero culpar alguém por isso.

 

Como sempre digo por aqui, centralizar Voight na trama tende a ser a chave do sucesso e dessa vez não foi diferente. Esse papo do Sargento ter contribuído para botar uma pessoa errada na cadeia muito me intrigou, mas refreei minhas emoções porque Chicago P.D. só tem rendido decepção. Os desdobramentos desse retorno da série foi uma grata surpresa porque não esperava nada. Fazia tempos (e estou meio cansada de repetir isso nesse respectivo ano) que eu não me envolvia dos pés a cabeça. E por um motivo que cabe na premissa desse universo ao contrário de tantas abordagens passadas que ainda me pergunto quem foi o responsável em aprovar. Ok, vamos fingir que não sei de nada.

 

O que tornou tudo digerível foi o embate de caráter do avesso. Viés que mexeu com alguns botões de Hank. Quando digo do avesso é por mero reflexo do que acontece com Boden. O chefe de Chicago Fire sempre tem esse conflito de corrupção e de se deixar ser corrompido. Ele prefere cair fora a tomar uma medida que manche sua reputação e a da sua equipe. Em contrapartida, o que houve aqui foi uma investida nova em Chicago P.D., pois Voight nasceu corrupto e criaram uma investigação que passou essa corrupção embaixo do seu nariz.

 

Traduzindo: ele era um tanto inocente e quase foi parar naquele lugar.

 

O melhor é que o centro do conflito não veio de uma ponta solta e nem rendeu uma resolução aleatória. Não foi um meliante X que, ultimamente, não tem engajado tensão. Dessa vez, a trama era pessoal, envolvia um chegado de Hank e o parceiro de trabalho que assinou o falso veredito. Um embate emocional que fez Chicago P.D. entregar uma ótima semana. Além disso, uma semana sobre família. Vamos aplaudir!

 

Confesso que enquanto assistia a esse episódio, minha Deusa interior rachava o bico. Entendam: Voight estava passando pela experiência daquilo que praticou por anos antes da assumir a UI. O Sargento foi até pra cadeia, vamos relembrar. O modo de operação de enterrar o caso é com ele mesmo tão quanto mudar cena do crime para sair bem na fita. Digo no presente porque está aí um personagem volúvel. Pela justiça, ele meio que perde as estribeiras. Ainda mais com trama pessoal.

 

Resenha Chicago P.D. - Voight e Valentine

 

Podemos não ter esses ricos detalhes do passado de Voight, mas ele vem de uma marginalização. Ele tem a corrupção que abate o sistema policial em seu currículo e foi com esse lembrete que dei várias gargalhadas internas. Várias vezes eu disse bem-feito porque esse senhor estava provando do seu próprio veneno. Quem não lembra quando Hank chegou a pensar em enterrar o ocorrido com Jin quando colocaram o dele na reta? Como diz o dicionário: receba, colega!

 

Foi nesse quesito que o episódio valeu a pena porque Voight sempre se deu bem e agora ele se deu mal. Podia até ter a culpa superficial de bater o martelinho sobre o que Denny lhe dissera há 17 anos, mas a sujeira de fato não lhe pertencia. O cara não sabia de nada e voltei a rir em meu escritório.

 

A investigação central merece seus créditos ao criar uma situação dentro da outra. Deixou tudo mais envolvente, especialmente pela espera de uma liga que daria respaldo ao revólver. Porém, Voight roubou os holofotes devido ao peso do seu erro – que penso que foi velado por ter sido pelas suas costas. Ele foi o drama e o conflito, o que fez Richard e os suspeitos do caso sumirem do roteiro. Ainda mais diante da petulância de Denny que pagou de Hank do passado todo ameaçador.

 

Ver Voight fragilizado e com as mãos atadas é para deixar qualquer hater do personagem nas nuvens. Aquela ceninha de Denny na sala de Hank, com aquele discurso nojento, esfregando sua autoridade… Contei os segundos para o Sargento perder a cabeça. Só que não houve nada disso. Por um milagre divino, a culpa foi maior que a justiça, muito embora ambos sentimentos caminhassem juntos ao longo da trama.

 

O rei da UI abaixou a bola legal e isso me deixou boquiaberta. Fiquei meio: como ousas ficar encolhido curtindo a enxaqueca? Vá criar caos, homem! Não teve caos. Só muita angústia silenciada e que acabava traduzida a cada nova passada desse senhor em Chicago.

 

Resenha Chicago P.D. - Denny

 

O que acontecia por fora prendeu muito mais que a morte do playboy revenge porn. Um caso que só se tornou interessante quando rolou a conexão das pessoas com o único revólver. É aquela coisa de que toda história inacabada sempre dá um jeito de retornar. Nem tudo fica enterrado para sempre e me pergunto se o que Voight fez com o assassino de Justin ficará mudinho. Afinal, não deixou de ser o Voight’s Way. Certos hábitos nunca morrem, apenas ganham um jeito de ser mais aprimorados para que não sejam descobertos. Porém, uma hora a cobrança chega via boleto.

 

Denny foi um corrupto nível Voight e gostei bastante disso. Inclusive, gostei do embate de hierarquia porque Hank tem seu jeito de querer falar mais alto, vide vez ou outra com Crowley (apesar que esse senhor tem mais respeito pelas mulheres acima dele que pelos homens, vide Platt). A falcatrua contra Valentine gerou aquele paralelo lindo com o passado do Sargento e só lágrimas!

 

Tudo que Voight faz, e tende a fazer, para ganhar um caso, Denny cuspiu com gosto nas suas fuças. Rir dessa ironia foi um tanto irresistível. A discussão de carreira, que tentou inserir um complexo de inferioridade, a historinha para afetar o ego, o entoar energético de quem está um posto acima… Com ou sem gaiola, Hank recebeu vários tapas e o maior de todos foi Valentine fechar a porta na cara dele. Pela Deusa, fiquei sem palavras! Achei ótimo porque exausta de final feliz em Chicago P.D.. Isso, no âmbito de que a turma da UI é sempre imbatível e correta. Não é e isso me fez refletir aqui em meu escritório os motivos do tema corrupção ter saído da série. É parte da premissa e só há um personagem isolado que passa por isso. Todos podem (e devem) passar também.

 

No fim, foi tipo a vingança do universo que pode não ser a única contra Voight, mas foi o bastante para mexer com o emocional dele. É redenção, certo?

 

Para mostrar um outro lado do personagem, aquele fora da corrupção, sinalizaram que esse tempo se foi (será?). Dessa vez, ser interrogado foi injusto em comparação as outras vezes em que ele tinha um podre, mas nunca que entregaria. Um castigo gratuito pelas mentirinhas e, sério, só consegui pensar na maldita S1. Saudade desse tempo!

 

Quando chegou no finalzinho do episódio, me vi desejando de novo que tudo desse errado porque deu a entender que daria. Rendeu uma aflição quando Halstead começou a desmontar o mural e amém ao celular. Para impulsionar mais a tensão, Denny estava de olho nas pegadas de Voight, aquele carro saindo rasgando do estabelecimento de Janine só deu motivo para pensar o pior. A resolução rendeu aquele sopro de alívio, embora eu – de novo – quisesse que tudo naufragasse.

 

Apesar de merecer uma dessas, Voight se viu em uma situação que mostrou de novo que ele é o personagem mais desenvolvido de Chicago P.D.. E ainda tenho que aguentar roteirista insinuando plot hole que tem tudo para naufragar essa trajetória lindinha. Me respeitem!

 

Concluindo

 

Resenha Chicago P.D. - Voight

 

 

Esse foi um episódio um tanto interessante e um tanto diferente. Tinha tudo para dar aquela enaltecida em Voight, mas a história o colocou lá embaixo. Se eu amei? Desculpe, eu amei!

 

Highlight: Erin mandando os homens da casa pro trabalho a fim de salvar a traseira de Voight. Queria colocar essa cena em um quadro.

 

A trama foi um barbante. Circulou, circulou e circulou até Hank terminar barrado. Ele sendo interrompido na própria investigação me rendeu outra gargalhada interna. Como o personagem sempre quebra regras, agora ele foi quebrado. Para piorar, a atitude final de Valentine deu uma reforçada em uma falha imperdoável. Não tem como apagar 17 anos de cana, ainda mais quando a condenação foi errada. Foram 17 anos de angústia. Voight queria mesmo um obrigado? Ata!

 

Seria irreal se o personagem ganhasse e aí me convenceria de que Chicago P.D. não sabe brincar.

 

A investigação foi muito boa, embora Voight tenha tomado os holofotes para si. Cada peça foi se encaixando, rendeu dois plots twist que eletrizaram. As coisas fizeram sentido no final e resgatou o senso de família. A trama envolveu uma pessoa querida, que se tornou familiar e que rendeu em justiça (ou quase). Aonde estava esse episódio o tempo todo (e exausta também de fazer essa pergunta)?

 

Só que: no 4×19 ninguém agiu desse jeito, né? Resta-me rir de novo. Saudade Burgess, volta Burgess.

 

E o que dizer de Erin na liderança? Ruzek tirando onda de Olinsky (tá virando melhor pessoa, não tô acreditando)? Como dizem, foi redondinho. Todo mundo trabalhou, teve drama e, pelo milagre da Deusa, um final nem um pouco feliz para um personagem principal.

 

Eu sei que comentei que ri, mas não significa que não gosto de Voight. Esse senhor segue firme tendo um altar especial, me respeitem e me deixem brincar um pouco.

Stefs
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