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02/abr

Esse episódio de Chicago P.D. me deixou tristíssima e grande parte desse peso vem do fato do que ocorrerá no 4×19 (e me pergunto como assistirei, pela Deusa). Embora tenha rolado bastante foco em mídia (o que agora sempre lembra Justice), o roteiro injetou sutilmente o assunto família. Uma forma de aquecimento sobre o que ocorrerá na semana seguinte. Lindíssimo, mas o que restou no subir dos créditos foi a dura e lamuriosa realização de que esse povo nem família tem direito.

 

Se é para ser bicha má, aqui temos uma trama hipócrita. Uma história empenhadíssima em pregar algo que esvaiu dessa série desde a temporada passada. Um lema que também era dessa mana devido à proposta da franquia, mas que, infelizmente, tem se tornado cada vez mais artifício de angústia. Se surtisse em algum tipo de desenvolvimento, tudo bem, mas os roteiristas seguem firme em assassinar/traumatizar aqueles que mantêm essa equipe no eixo e humanizada. A família colocava em exposição a versão sem distintivo desses personagens e agora só tem restado um ciclo vicioso em que a única novidade que possivelmente teremos no futuro é Jay e essa maldita moto.

 

Além disso, há a indagação e a dúvida de até onde pretendem ir com tal empreitada. E sabemos até onde isso vai, ou seja, basta haver parente vivo. Comecemos a lista para montarmos um bingo.

 

Da série de instantes raros quando conversamos sobre Chicago P.D., o caso dessa semana me prendeu logo de cara. É aquele velho ditado de que saí do jornalismo, mas o jornalismo não saiu de mim. Palavras que rebateram em Bobby, o meliante da vez que botou minha carreira universitária em retrospecto. Ele é a representação do tipo de “profissional” que me recusei a ser, especialmente quando falamos de sensacionalismo. Não há sentido você se formar para se corromper a fim de conseguir as melhores pautas quentes ou chegar ao ponto de mudar seus valores em nome de uma dita credibilidade. Nunca fez sentido na minha mente e deve ser por isso que sou falida (me deixem fazer draminha aqui em meu canto porque as Chicagos me capotaram em sequência).

 

A investigação não foi completamente pelo caminho do jornalismo, mas deu o suficiente para mexer com a imaginação. A partir do momento que encontraram o HD e mostraram a menina Taja chorando diante da mãe, lembrei dos piores momentos de tal curso. Sofri demais para manter minhas ideias, verdade seja dita. Enfim, Bobby não conquistou voz, mas a realização de que se tratava de um abutre veio em apenas um frame do seu “trabalho”. Não foi preciso dizer nada e gosto bastante quando CPD faz isso – joga a verdade na face e investe no silêncio desconfortável.

 

É quando se pede para ingerir a informação e seguir em frente. Investida que deu certo já que o frame do vídeo encontrado deu o suficiente sobre o perfil desse cara. Devido a esse teaser, ansiei pelo motivo. Com o coração travado de medo, segui firme, esperando o pior no quesito escrita.

 

Mesmo sem grandes detalhes, Bobby fazia um “trabalho” sem humanidade. Pesadíssimo, especialmente quando estamos conscientes de que programas nesse formato existem. E, mais drástico, as pessoas consomem a torto e a direito pelo motivo que resgata o comentário de Lindsay de que “alguém tem uma vida pior que a sua”. Algo que não é lindo de se dizer. É uma comparação de inferiorização, o que rende na insuportável competição de tragédia. Sendo que tragédia é tragédia e ponto final. Esse foi o diálogo que tiraria do episódio, ainda mais quando o problema de Erin, no momento, é homem. Não tem como criar um embate porque CPD fez o favor de tornar Linstead fútil.

 

E não nego que já pensei várias vezes desse jeito. O importante é sempre evoluir, gente!

 

Resenha Chicago P.D. - video

 

Ao longo da investigação, o que pegou foi a ligação do “trabalho” de Bobby que tornava zonas com alta criminalidade em espetáculos lucrativos. Foi bem legal citarem que essas filmagens, que são feitas por cinegrafistas profissionais ou amadores, valem muito dinheiro para determinadas emissoras. Há quem consiga fazer a vida só agindo como urubu em zona de tragédia e o personagem assassinado representou completamente esse perfil. Só que a vida trouxe o desvio chamado Sarah, quem quebrou o coração do cara e pontuou o assunto família.

 

O assunto família não veio de graça, mas embasado em um estupro. Claramente, um aceno para o 4×19 e me perguntei até quando se usarão de artifícios trágicos para tornar esse tema presente. Um tema que não é difícil de desenvolver porque, dependendo das situações, é dramática por si só. Vide Erin e Bunny. Aqui, na revelação que se tornou o cerne da investigação, se discutiu a lealdade cega de uma filha que encontraria sua libertação ao denunciar o real monstro da vez. Um monstro frio as fuck e ainda bem que tinha o advogado de alívio cômico. Só para dar uma suavizada.

 

Mesmo centralizando Sarah, o episódio manteve sua proposta sensacionalista. De quebra, e na bizarrice, teve seu jeito de humanizar de leve Bobby por intermédio de Taja, apontando para a culpa que poderia ter rolado pela cobertura da morte da mãe. Por ter bastante ranço de quem faz isso, não consegui me compadecer. Nem pelo ponto de vista de uma criança que, como tantas outras, enxerga adultos sem maldade. Ouvir sobre o coração partido do cinegrafista me deu medo porque essa tramoia podia ser de novo uma questão de homem persegue mulher. Amém que não foi, mas escutar a palavra estupro me deixou com os nervos à flor da pele. Não apenas por ser um assunto pesado, mas por ser também batido em CPD e que terá dobradinha. Ninguém merece!

 

Fato é que esse episódio foi uma pausa para realinhar o que vem aí. A pegada que também rolou em Chicago Fire essa semana. Usaram de um caso que envolveu dois temas que prometem respingar no 4×19. Aberturas para o fim de temporada que já me deixam de cabelo em pé.

 

Resenha Chicago P.D. - Sarah

 

Com a revelação do estupro, muito se explicou dos comportamentos de Sarah. Ela passou por anos e anos de manipulação, na conversinha de que o pai fez o que fez por estar doente, e a “saída” se encontrou no ciclo de drogas. É fácil prever que a moça se afundou por ter sido abusada e ver um final até que condizente me deixou um bocado satisfeita. Mas o incômodo pessoal prevalece porque foi um caso de dois homens sem amor por ninguém a não ser pela cabeça de baixo. Dois homens destruíram essa jovem e chegaram muito perto de ser inocentados. Se não fosse por Lindsay, era bem capaz que a moça acabasse acusada por alguma invenção de última hora.

 

Inclusive, ainda bem que não a tornaram parte da tramoia. Como CPD ama desvalorizar determinadas situações, essa aqui estava deveras propícia. Amém que só os embustes se ferraram.

 

Passada a resolução, só restou a mencionada tristeza. Sarah botou em cheque o papo de lealdade familiar diante de uma turma que nem família tem mais. Não todos, mas dá para sentir o vácuo acarretado por uma sequência de mortes desde o fim da temporada passada. Agora, parece que todos vieram ao mundo sozinhos e para ficarem sozinhos. Os Halstead vivem em séries diferentes, Erin só é desenvolvida dentro do Bunny drama, Voight perdeu tudo, same Platt e Al, e é irritante pensar no que farão com Burgess na próxima semana.

 

Em tempos atuais, é um escândalo usar mulher para ser apenas e unicamente angústia masculina ou “encontrar sua força” depois de estupro ou de abuso sexual. Cara, embora seja problemático, “é ok” (ok porque por mim ninguém escreveria mais sobre isso, mas…) usar tais abordagens desde que tenha motivo plausível. Desde que haja desenvolvimento. SVU é um exemplo que tem que embarcar e aceitar porque é sua temática, mas imaginar o writer’s room de CPD com os machos maquinando tal coisa, me enfurece.

 

A única coisa que espero aqui é que o próximo episódio não tenha sido escrito por uma mulher.

 

Os outros plots

 

CPD-4x18---Nicole

 

Então que conhecemos a irmã da Burgess. Uma mulher que morou nas entrelinhas desde aquele crossover fenomenal e digno da história One Chicago. Ela foi tirada lá das colinas para sofrer semana que vem e é um desserviço. Assim, eu teria muitas coisas para comentar sobre essa fofa, mas por estar ciente do que acontecerá, escolhi ficar muda. No mais, a pessoa é muito carismática, puxou a irmã, e o tratamento com Ruzek eu mesma. Ri horrores!

 

E foi bem legal trazerem a mesma atriz no papel da Zoey (e olhar para ela me fez lembrar da Chicago Med que eu queria, desculpa a versão atual). O que me faz pensar se os roteiristas se esqueceram do perrengue que essa garota sofreu no mesmo crossover. Tipo, Nicole nem tinha uma face, mas quase perdeu a filha há quatro anos e agora digere um divórcio. Sério que precisavam somar mais essa para terem uma pauta de família? Ah, me respeitem!

 

Ruzek segue firme puxando o bonde da Unidade de Inteligência e sigo firme sem ter do que reclamar. Se a postura dele em campo já trazia um pouco de diferença no início dessa temporada, o tempo undercover deu uma ressaltada na impulsividade do garoto. Aquele pulo do prédio, eu mesma queria dar na cara dele. Bom é que não mataram o espírito de palhaço – se é que posso achar isso bom porque sigo na defensiva.

 

Defensiva essa que se instalou de vez para tudo que representa Linstead. Então que me cortam a parte do estresse pós-traumático do garoto para alimentar o lado romântico. CW as fuck!

 

Sempre que tenho chance dou uma comentada no descaso para cima de Lindsay. Ela só tem girado em torno de B de Bunny e segue boring demais da conta. No caso de Halstead, ele parece que vem daquela fase Burgess de sucesso e agora está aí nadando na vala. Ok que a trajetória de Kim em CPD é incomparável, a maior sortuda que você respeita, mas na menor chance os roteiristas dão uma rebaixada no que há de bom. Por mais que essa falha contra personagem feminina me irrite, não tem como fechar os olhos para o que anda rolando com Jay.

 

Desde sua primeira aparição, Halstead mostrou que tem um temperamento difícil. Ele consegue ser pior que o Ruzek, mas o que o diferencia é (ou era) o fato de bater de frente. Algo que lhe conferia uma nuance, digamos, mais madura. Adam era a criança da piada imatura e Jay o adultão do sarcasmo. O temperamento desse detetive vem de um passado não explorado, que tiveram chance de cavucar na S3, mas deixaram por isso mesmo. Agora, trouxeram uma mulher das colinas para servir de gatilho sendo que o gatilho está concentrado em um trabalho anterior. Daí, os editores vacilões metem a faca no ponto pertinente da storyline desse rapaz e…? Assim não dá!

 

As perguntas permanecem: como Jay parou na UI sendo que claramente se deixa afetar em alguns aspectos? E o tratamento? O que de tão horrível esse cidadão fez e que Mouse sempre fez shade? Temos um problema de saúde mental e as Chicagos seguem firme em negligenciar. Passou do tempo de aceitar o ingresso dele graças ao Dawson porque Halstead faz o tipo que tem que dar check-up pelo menos uma vez por mês. O trabalho atual é estressante e pode desengatilhar várias coisas. Cadê que não puxam um caso que amarre esse background? Exausta!

 

Daí, volto no que comentei na resenha de Med e que também serve de parâmetro de frustração para a franquia no geral: mulheres contam com estupro e abuso all the time e os homens com plots conscientes. Acho sensacional dar depressão, contemplação ao suicídio, estresse pós-traumático, etc. nas mãos deles, o bloco deixado de lado sobre esses ditos “problemas femininos”. Mas e as mulheres? As mulheres, como Nicole, tem que pagar o preço. De quê? Nem eu sei.

 

Bom mesmo é que Voight existe. Ele firmou o tema família na companhia de Taja e só fui capaz de sentir. Esses momentos de proximidade caso vs. detetive fazem falta nos tempos atuais de Chicago P.D. e, por mais que estejam matando os parentes, é ótimo sentir esse calorzinho de harmonia e de comunhão. Apesar de ouvir a mesma coisa de Erin desde o início de CPD, vale mencionar a conversa com Sarah que também representou um marco para o que vem aí.

 

Essa atitude final de Hank cedeu aquele singelo lembrete de casamento entre servir e ser humano. Pena que o desdém sobre esses quesitos existem porque a série está mais aleatória que minha vida pessoal, verdade seja dita. Isso, sendo simpática.

 

Concluindo

 

Resenha Chicago P.D. - Taja

 

Oi, Julia, tudo bem? Você estava correta em dizer que o episódio foi bom e que Linstead não embarreirou a trama. Vem cá pegar seu vale um tuíte! <3

 

O episódio teve várias reviravoltas impactantes à sua maneira. Fiquei passada algumas vezes, não nego, mas foi o teor jornalismo que me fez sentir que sentei no formigueiro. Turma que tem rendido alguns pontos de partida nessa temporada de Chicago P.D. e me convenci de que essa série tem potencial sobre o assunto se assim quiser. Não precisa ser chamariz como em Chicago Justice, mas Bobby tinha um perfil investigativo, um tino para a coisa, que acabou sendo usado por dinheiro. Poderiam investir mais um pouco porque há um vasto leque de plots.

 

Encerro aqui ainda muito triste graças à finalização entre Burgess e sua sobrinha. O papo de que tudo ficará bem me deixou sem chão. Queria não ter passado na sinopse do 4×19 só para acreditar que nos próximos dias tudo será ok. Ah, coitada da Stefs!

 

Me pergunto como resenharei essa série daqui pra frente, mas seguimos.

 

PS: recomendo O Abutre para entenderem o ponto que essa storyline chegou na minha mente.

 

PS²: Voight dando vrá no Halstead me fez feliz sim!

Stefs
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